Meditação Matinal

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Sábado – 29 de setembro

A cultura da competição

Mas Jesus, chamando-os para junto de Si, disse-lhes: Sabeis que os que são considerados governadores dos povos têm-nos sob seu domínio, e sobre eles os seus maiorais exercem autoridade. Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos. Marcos 10:42-44

Na sexta-feira, 29 de setembro de 1916, jornais dos Estados Unidos anunciaram que John D. Rockefeller (1839-1937) havia acabado de se tornar o primeiro bilionário do mundo. Aos 12 anos de idade, ele havia economizado 50 dólares, um humilde início. Por ser visionário, sonhava com uma companhia de petróleo estruturada no país inteiro. Assim, em 1870, sua próspera Standard Oil Company foi fundada em Cleveland, tornando-se a maior refinaria de petróleo do mundo. Para evitar competição, ele comprou várias outras empresas.

O sucesso de Rockefeller se devia a uma combinação de habilidades pessoais extraordinárias com estratégias agressivas de negócios e propaganda. Em contraste com a ética monástica medieval, que considerava o voto de pobreza a melhor maneira de agradar a Deus, Rockefeller tinha a convicção de que honrava o Senhor com sua riqueza. Ele reconhecia: “Foi Deus quem me deu dinheiro.” No entanto, quanto mais rico se tornava, mais generoso ficava. Alguns chegaram a considerá-lo o pai da filantropia institucionalizada.

Um detalhe importante é que Rockefeller construiu seu poderoso império petrolífero por meio do chamado “darwinismo social”. Essa teoria defende a ideia de que as pessoas “mais aptas” naturalmente ascendem ao topo da sociedade. Rockefeller afirmou: “O crescimento de um grande negócio não passa da sobrevivência do mais apto. Essa não é uma tendência ruim nos negócios. Trata-se do mero desdobramento de uma lei da natureza e da lei de Deus.” Para que ele vencesse, porém, muitos outros precisavam perder. E esse se tornou o padrão do mundo no qual vivemos.

Entretanto, como o reino de Deus estaria ligado à cultura da competição? Como cidadãos desse reino, necessitamos promover a cooperação interna, em lugar da competição externa. A analogia de Paulo com o corpo humano (1Co 12:12-31) sugere que devemos cooperaruns com os outros na edificação do reino de Deus. A analogia do soldado cristão, também feita pelo apóstolo (Ef 6:10-20), nos incentiva a competirna força de Deus contra as hostes das trevas e do mundo pecaminoso. Nosso objetivo é tornar todos os seres humanos vencedores em Cristo!


Sexta-feira – 28 de setembro

Marcação de datas

Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai. Mateus 24:36

No dia 18 de setembro de 2015, o programa de televisão The Jim Bakker Show foi ao ar nos Estados Unidos com o pastor Mark Biltz, do ministério El Shaddai, como convidado. O programa aconteceu na Lua vermelha do dia28 de setembro de 2015, o último sinal do retorno iminente de Cristo para fundar seu suposto reino milenar em Jerusalém. Jim Bakker chegou a fazer propaganda de seu kit urgente de sobrevivência: um grande estoque de alimentos para oito anos por 2.500 dólares; uma pá multifuncional por 20 dólares; um rádio de energia solar por 65 dólares e um gerador que funciona sem combustível por 2.500 dólares. Essa foi apenas uma dentre as muitas propostas de datas marcadas para eventos semelhantes ao longo das eras. Aqueles que sugerem uma nova data presumem que todas as tentativas anteriores estavam incorretas e que eles finalmente encontraram a certa.

Já em 1850, Ellen White advertiu: “O tempo não tem sido um teste desde 1844, e nunca mais o será” (Primeiros Escritos, p. 75). Ainda assim, alguns adventistas definiram alguns “anos” específicos para o retorno de Cristo. Alguns acreditavam que os 40 anos de peregrinação de Israel pelo deserto representavam o período de 1844 a 1884. Outros argumentavam que o cumprimento do tempo do fim dos 120 anos de pregação de Noé se estenderia de 1844 a 1964. Na virada do século 19 para o 20, alguns estavam incentivando os casais adventistas a adotarem o maior número de filhos possível, para que os 144 mil se completassem logo e Cristo pudesse voltar. Outros ainda especularam sobre o suposto fim dos 6 mil anos entre 1996 e 1997.

Reavivamentos fundamentados no tempo são semelhantes a um cometa que brilha intensamente por um curto período e então desaparece no horizonte. Grande empolgação antecede a data marcada, mas frustração e letargia espiritual a sucedem. Aqueles que marcam datas para a volta de Cristo inserem na Bíblia as próprias opiniões especulativas. Conforme declarou Gerhard F. Hasel, “no que diz respeito a profecias não cumpridas, sempre se corre o risco de que o intérprete especule ou sutilmente se torne ele próprio um profeta”.

Cristo foi sábio o bastante para mencionar somente os sinais de Sua breve vinda (Mt 24; Lc 21), sem nos revelar o tempo em que esse evento acontecerá. Logo, devemos vigiar e estar prontos para Seu retorno, pois não sabemos quando Ele virá (Mt 24:42, 44). Não se esqueça: Ele pode voltar a qualquer momento para cada um de nós!


Quinta-feira – 27 de setembro

Símbolos decifrados

Respondeu Daniel na presença do rei e disse: O mistério que o rei exige, nem encantadores, nem magos nem astrólogos o podem revelar ao rei;mas há um Deus no céu, o qual revela os mistérios, pois fez saber ao rei Nabucodonosor o que há de ser nos últimos dias. Daniel 2:27, 28

Como é desafiador dirigir sem GPS quando não entendemos a linguagem dos sinais de trânsito. A situação piora ainda mais quando não somos capazes nem mesmo de identificar os caracteres do idioma local! De maneira semelhante, filólogos enfrentaram sérios problemas para decifrar símbolos pictográficos antigos.

Por séculos, a escrita egípcia hieroglífica – com cerca de mil caracteres diferentes em forma de figuras – permaneceu obscura e indecifrável. No entanto, uma luz crescente começou a brilhar desde 1799, quando foi encontrada a célebre Pedra de Roseta, e os filólogos iniciaram o processo para decifrar suas três inscrições paralelas. Esse trabalho chegou ao ponto alto em 27 de setembro de 1822, quando o relatório de Jean-François Champollion foi lido para a Academia de Inscrições e Belas Letras, em Paris. Essa realização desvendou boa parte da cultura religiosa egípcia.

Chama atenção o fato de dois grandes eventos no fim dos anos 1790 terem promovido duas linhas cruciais de estudos da Bíblia. Um deles foi a descoberta da Pedra de Roseta, em 1799, abrindo as portas para muitos achados arqueológicos subsequentes que apresentaram evidências da historicidade do registro bíblico. O outro foi a prisão do papa Pio VI em 1798, que deu início a um grande reavivamento no estudo dos escritos proféticos da Bíblia. A parte selada do livro de Daniel (Dn 8:26; 12:4) finalmente foi aberta (Ap 10), e muitos símbolos apocalípticos e períodos temporais enfim foram compreendidos.

Os símbolos apocalípticos – encontrados nos livros de Daniel e Apocalipse – têm sido um dos aspectos mais desafiadores da interpretação bíblica. Daniel explicou que eles não podem ser verdadeiramente compreendidos apenas pela sabedoria humana (Dn 2:27, 28). A própria Palavra de Deus fornece a chave para a interpretação desses códigos. Por exemplo, João 1:29 (“Eis o Cordeiro de Deus”) nos ajuda a entender quem é o Cordeiro do Apocalipse. Ao permitir que a Bíblia seja a própria intérprete, podemos evitar muitas interpretações artificiais e distorções preconceituosas.


Quarta-feira – 26 de setembro

A decisão mais crucial de todas

Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o Seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de Mim este cálice! Todavia, não seja como Eu quero, e sim como Tu queres. Mateus 26:39

No início da manhã de segunda-feira, 26 de setembro de 1983, em uma pequena cidade próximo a Moscou, o sistema computadorizado de advertência da União Soviética identificou a chegada de um míssil, depois um segundo, terceiro, quarto e quinto, todos eles lançados nos Estados Unidos. O protocolo militar soviético era retaliar essas ameaças com um ataque nuclear. O oficial Stanislav Petrov estava de plantão. Ele era responsável por registrar aparentes lançamentos de mísseis inimigos. O nível de confiabilidade do alerta era o “mais elevado” e a opção de comando era “lançar”. Mas, em vez de relatar a informação a seus superiores, ele a desconsiderou, tratando-a como alarme falso. Muitos anos depois, declarou: “Eu tinha todos os dados. Se tivesse enviado o relatório para cima da cadeia de comando, ninguém diria uma palavra contra.” E certamente uma guerra nuclear teria tomado conta do mundo.

Investigações posteriores constataram que os alarmes falsos foram causados por um alinhamento raro da luz solar em nuvens de grande altitude e as órbitas dos satélites Molniya, erro corrigido posteriormente. Petrov considerou que os alertas eram falsos porque tinha a certeza de que qualquer primeiro ataque dos Estados Unidos seria em massa, não o lançamento de somente cinco mísseis. Além disso, os alarmes vieram somente do sistema de detecção recém-instalado, sem qualquer ratificação do sistema de radar de solo. Consequências muito abrangentes estavam envolvidas, e Petrov poderia simplesmente ter cumprido seu dever e passado a informação adiante. No entanto, ele colocou a responsabilidade sobre os próprios ombros e tomou a decisão certa em um momento extremamente crucial em que o futuro da humanidade estava em risco!

Uma decisão infinitamente maior foi tomada por Jesus Cristo no jardim do Getsêmani. Ele chegou a confessar para três de Seus discípulos: “A minha alma está profundamente triste até a morte” (Mt 26:38). Então, enquanto estava sozinho, orou: “Meu Pai, se possível, passe de Mim este cálice! Todavia, não seja como Eu quero, e sim como Tu queres” (Mt 26:39, 42, 44). Naquela crise terrível, tudo estava em jogo e “o misterioso cálice tremia nas mãos do Sofredor” (O Desejado de Todas as Nações, p. 693). Graças a Deus, porém, Jesus seguiu em frente até a cruz a fim de pagar o preço de nossa salvação!


Terça-feira – 25 de setembro

Paixão por missões estrangeiras

Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou, de testemunhar do evangelho da graça de Deus. Atos 20:24, NVI

Escrevo este texto em Zurique, Suíça, na noite de sábado, 22 de outubro de 2016. Hoje tivemos um culto muito inspirador na cidade de Tramelan, celebrando os 130 anos de dedicação da congregação adventista do sétimo dia local. Entretanto, a presença da Igreja Adventista nesse belo país começou antes disso, em 7 de fevereiro de 1866, quando Miguel Belina Czechowski batizou Louise Pigueron e Jean David Goymet no lago Neuchâtel. Esse foi o primeiro batismo adventista na Suíça e talvez o primeiro ou, no mínimo, o segundo, em toda a Europa.

Nascido na Polônia em 25 de setembro de 1818, Miguel foi ordenado padre em sua juventude. Entretanto, após visitar Roma, onde conversou brevemente com o papa Gregório XVI, frustrou-se com a Igreja Católica Romana, renunciou aos votos sacerdotais e decidiu se casar. Em 1851, ele e a esposa se mudaram para a América do Norte, onde atuou como evangelista da Igreja Batista. Em 1856, conheceu um grupo de adventistas observadores do sábado e se tornou pregador dessa denominação em desenvolvimento.

Com o tempo, Miguel sentiu o dever de pregar a mensagem adventista na Europa. Sem o apoio da recém-organizada denominação, ele convenceu um grupo de adventistas guardadores do domingo a patrocinar sua iniciativa missionária. Então, em 14 de maio de 1864, partiu com sua esposa e Annie Butler para o velho continente, onde pregou a mensagem adventista do sétimo dia em países como Itália, Suíça, Alemanha, França, Hungria e Romênia. Foi a pedido dos adventistas suíços que John N. Andrews seguiu para a Europa dez anos depois, como o primeiro missionário oficial da denominação a ser enviado a terras estrangeiras.

Após plantar as sementes da mensagem adventista no continente europeu, Miguel morreu em 25 de fevereiro de 1876, em Viena, Áustria, deixando para trás um legado de serviço dedicado. Vários de seus conversos e descendentes se tornaram missionários em diversas partes do mundo. Seus esforços provam, mais uma vez, que pequenas sementes podem produzir grandes colheitas. Mesmo como voluntário, sem nenhum patrocínio oficial, você pode ter o privilégio de ser um missionário aonde Deus o conduzir!


Segunda-feira – 24 de setembro

Fios dourados

Alarga o espaço da tua tenda; estenda-se o toldo da tua habitação, e não o impeças; alonga as tuas cordas e firma bem as tuas estacas. Porque transbordarás para a direita e para a esquerda; a tua posteridade possuirá as nações e fará que se povoem as cidades assoladas. Isaías 54:2, 3

Aeducação adventista envolve a transmissão de conhecimento e valores bíblicos que perduram para a eternidade. Comprometidas com esse nobre ideal, algumas instituições educacionais se tornaram não apenas modelo em capacitação mas também inspiração para missionários levarem a mensagem adventista ao redor do mundo. Um bom exemplo é a Faculdade União, em Lincoln, Nebraska.

Quando a instituição foi dedicada, em 24 de setembro de 1891, seu primeiro diretor-geral, William W. Prescott, declarou que todas as suas linhas de educação deveriam se dirigir a Cristo e centrar-se Nele. O relatório do evento naReview terminou com a reveladora projeção: “A Faculdade União se tornará um poder para a causa e um auxílio para levar muitas almas afinal à glória. Que assim seja.” De fato, isso realmente aconteceu.

Na cerimônia da colação de grau na noite de domingo, 20 de maio de 1906, a turma de formandos daquele ano apresentou à instituição um grande mapa missionário do mundo, que foi recebido por seu presidente, C. C. Lewis. Ele continha um fio dourado que se estendia de Lincoln a cada lugar no qual um obreiro da faculdade havia se dirigido. O mapa foi colocado na parede da frente da capela da escola, e mais fios foram sendo acrescentados à medida que outros formandos se encaminhavam para servir em terras estrangeiras.

Em 1936, ao colocar os fios dourados, o presidente Milian L. Andreasen propôs que a instituição deveria até ser chamada de “a faculdade dos fios dourados”. Também sugeriu que um pedaço do fio deveria ser enviado a todos os missionários, como símbolo de que a comunidade da escola continuava orando por seu sucesso e sua segurança. Isso conferiu uma bela sensação de pertencimento e apego por aqueles que servem em meio às dificuldades e à solidão dos campos missionários.

Não importa onde você está agora, é possível fazer uma oração neste momento em favor dos missionários dedicados que pregam o evangelho eterno ao redor do mundo. Se você conhece algum missionário, pode até enviar uma pequena mensagem dizendo que está orando por ele. Por mais simples que seja, esse gesto de cuidado e apoio pode fazer uma grande diferença na vida desses valorosos obreiros!


Domingo – 23 de setembro

Jerônimo de Praga

Então, voltando-Se o Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje, três vezes Me negarás, antes de cantar o galo. Então, Pedro, saindo dali, chorou amargamente. Lucas 22:61, 62

Algumas pessoas são boas amigas em particular, mas não necessariamente quando estão sob pressão. Foi exatamente esse o caso de Pedro, um dos doze apóstolos. Ele prometeu lealdade incondicional a Cristo, mas mudou de atitude após vê-Lo preso. Pouco depois, arrependeu-se de haver negado ao Senhor e renovou seu compromisso com Ele (Lc 22:31-33, 54-62). Uma experiência semelhante ocorreu com Jerônimo de Praga (c. 1365-1416), o eloquente pré-reformador boêmio e amigo próximo de João Hus.

Enquanto estudava em Oxford, Jerônimo aceitou os ensinos de Wycliffe contra a supremacia papal. Sua nova ênfase na autoridade das Escrituras e na liderança de Cristo despertou forte oposição do clero. Em abril de 1415, ele foi preso e levado ao Concílio de Constança. Sob muita pressão e exaustão física, em 23 de setembro de 1415, Jerônimo acabou assinando uma retratação formal dos ensinos supostamente “hereges” de Wycliffe e João Hus. No entanto, alguns clérigos questionaram a sinceridade de sua declaração. Por isso, seu julgamento foi retomado em 1416.

No dia 26 de maio, Jerônimo revogou publicamente sua retratação anterior. Chegou a confessar que nenhum pecado o havia incomodado tanto quanto haver negado as próprias convicções. Em 30 de maio, o concílio o condenou como herege contumaz e o sentenciou à morte na estaca. Quando os executores começaram a atear fogo por suas costas, ele disse: “Venham aqui e acendam o fogo na minha frente. Se eu estivesse com medo, nunca teria chegado a este lugar.” O pré-reformador morreu orando. Suas cinzas, assim como as de Hus, foram jogadas no rio Reno.

É possível que nunca tenhamos negado publicamente nosso Senhor e Salvador como Pedro e Jerônimo de Praga fizeram. Mas talvez, em escala bem menor, nossa lealdade a Cristo, nosso compromisso com Sua Palavra e nosso apoio à Sua igreja não sejam tão fortes quanto no passado. É possível que tenhamos feito promessas a Ele que nunca se cumpriram. Se esse for o caso, então devemos seguir o exemplo desses dois grandes cristãos e dedicar mais uma vez nossa vida a Cristo e à Sua causa.


Sábado – 22 de setembro

Deus é Deus

E toda língua confesse que Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai. Filipenses 2:11

Os ateus podem se tornar fortes defensores da existência de Deus. Um bom exemplo é C. S. Lewis (1898-1963), que nasceu em Belfast, Irlanda, em 29 de novembro de 1898. Criado em um lar cristão, Lewis se tornou ateu em 1929 e, paradoxalmente, sentia-se “bravo com Deus por Ele não existir”. Certa noite, Lewis teve uma longa discussão com dois colegas cristãos da Universidade de Oxford. No dia seguinte, 22 de setembro de 1931, ele foi com o irmão Warnie ao zoológico. Lewis recordou: “Quando começamos o passeio, eu não acreditava que Jesus é o Filho de Deus; mas, quando chegamos ao zoológico, eu acreditei.” Então, “cedi e admiti que Deus é Deus”. Lewis se tornou um dos pensadores cristãos mais influentes de todos os tempos.

Posicionando-se contra o evolucionismo, argumentou: “Se o sistema solar apareceu por colisão acidental, então o surgimento da vida orgânica neste planeta também teria acontecido por acidente, e toda a evolução do ser humano seria acidental também. Se for o caso, então todos os nossos pensamentos atuais são meros acidentes – a consequência acidental do movimento dos átomos. E isso inclui os pensamentos dos materialistas e astrônomos, bem como os de todas as outras pessoas. Mas, se os pensamentos desses indivíduos, ou seja, o materialismo e a astronomia, não passam de consequências acidentais, por que deveríamos acreditar que são verdadeiros? Não vejo nenhum motivo para crer que um acidente seja capaz de me apresentar um relato correto de todos os outros acidentes. É como esperar que o formato acidental do leite que ocorre quando você balança uma jarra cheia lhe apresente um relato correto de como a jarra foi feita e por que foi balançada.”

Acerca de Deus, Lewis sugeriu: “Creia em Deus assim como você crê no nascer do sol. Não por poder vê-lo, mas, sim, por enxergar tudo aquilo que ele toca.” E mais: “Existem dois tipos de pessoas. Aquelas que dizem para Deus: ‘Seja feita a Tua vontade’ e aquelas para quem Deus diz: ‘Tudo bem, faça do seu jeito.’” A respeito da esperança cristã, Lewis declarou: “Se você ler a história, descobrirá que os cristãos que mais fizeram em prol deste mundo foram exatamente os que mais pensavam no mundo por vir. Foi desde que os cristãos pararam de pensar no mundo por vir que se tornaram tão ineficazes nisso.”

Nunca perca a esperança nos ateus e descrentes, pois eles também podem se tornar servos de Deus!


Sexta-feira – 21 de setembro

A Bíblia de Lutero

Lâmpada para os meus pés é a Tua palavra e,luz para os meus caminhos. Salmo 119:105

ABíblia é, de longe, o livro mais traduzido da história mundial. Algumas fontes afirmam que pelo menos trechos das Escrituras estão disponíveis hoje em mais de 2.900 idiomas. Uma das traduções mais famosas é a feita por Martinho Lutero. Mas, quando sua Bíblia em alemão saiu do prelo, já havia 14 versões em alto-alemão e quatro em baixo-alemão. Então por que a tradução dele se tornou tão popular e influente? Vários fatores contribuíram para isso.

Enquanto ainda estava no Castelo de Wartburg, Lutero traduziu o Novo Testamento inteiro em menos de três meses – do meio de dezembro de 1521 até o início de março de 1522. Que feito incrível! Depois de algumas revisões, o Novo Testamento em alemão foi publicado no dia 21 de setembro de 1522. A partir de então, Lutero continuou a revisá-lo e a traduzir o Antigo Testamento também. Em 1534, foi publicada a primeira edição de sua Bíblia completa em alemão, incluindo os apócrifos.

Todas as traduções anteriores haviam sido feitas a partir da Vulgata Latina, perpetuando alguns de seus erros teológicos. Com base nos textos originais em grego, hebraico e aramaico, a tradução de Lutero refletia muito mais de perto o verdadeiro significado do texto bíblico original e até corrigia erros. Por exemplo, em Atos 2:38, a Vulgata havia vertido com parcialidade a resposta de Pedro à pergunta “O que devemos fazer?”, como se ele houvesse dito: “Penitência”. A tradução de Lutero a corrigiu para: “Arrependam-se.”

Convencido de que a Bíblia deveria ser entendida até mesmo pelo povo comum, Lutero usou um vocabulário simples e compreensível. Ele sugeriu: “A dona de casa, as crianças brincando, aqueles que passam na rua são pessoas de quem se aprender: ouvindo-as aprende-se como falar e traduzir. Assim elas o entenderão e saberão falar sua língua.”

Não causa surpresa que a Bíblia de Lutero tenha se tornado o principal impulso para o surgimento do alto-alemão moderno!

A Bíblia pode ser ocultada do povo tanto ao se negar acesso físico ao livro quanto ao se usar uma linguagem difícil demais de compreender. Para que a Bíblia seja “lâmpada” para os pés do povo e “luz” para seu caminho (Sl 119:105), sua mensagem necessita ser traduzida e comunicada da forma mais confiável e compreensível que se puder. A Bíblia de Lutero aliava essas duas características.


Quinta-feira – 20 de setembro

A salvação de bebês

Jesus, porém, disse: Deixai os pequeninos, não os embaraceis de vir a Mim, porque dos tais é o reino dos céus. Mateus 19:14

Minhas reuniões com os pastores e anciãos de igrejas haviam terminado. Logo antes de partir para o aeroporto, um homem se aproximou de mim com um fardo pesado no coração. Sua esposa estava grávida e, alguns dias antes, exames médicos haviam confirmado que o bebê que ela estava esperando tinha anencefalia (a maior parte do cérebro faltando). O médico aconselhara um aborto, mas ela gostaria de ter o bebê. Meses depois, aquele homem me contou que, pela misericórdia de Deus, o bebê nasceu e conseguiu sobreviver duas semanas, dando algum tempo à mãe para lamentar sua perda. Que terrível ver perdas gestacionais, sofrimento e morte de criancinhas!

No dia 20 de setembro de 1860, Ellen White teve seu quarto filho, que posteriormente recebeu o nome de John Herbert. Um mês depois, ela escreveu para o marido (que estava viajando): “Ele é muito doente.” Posteriormente, contou: “Dia 14 de dezembro [sexta-feira], fui acordada. Meu bebê havia piorado. Escutei sua respiração pesada e senti seu pulso sem batimentos. Eu sabia que ele morreria. Foi uma hora de angústia para mim. A mão gélida da morte já estava sobre ele. Observei seu fôlego frágil, que tentava encontrar ar, até cessar. […] Acompanhamos nosso filho até o cemitério de Oak Hill, para ali descansar até o Doador da vida vir, quebrar as cadeias do túmulo e o chamar para sair imortal. Depois que voltamos do funeral, meu lar parecia solitário. Sentia-me conformada com a vontade de Deus; no entanto, desânimo e abatimento tomaram conta de mim” (Spiritual Gifts, vol. 2, p. 296).

Mas o que acontecerá com as crianças pequenas que morreram? Em Mensagens Escolhidas (vol. 2, p. 259, 260; vol. 3, p. 313-315), encontramos declarações de Ellen White sobre esse assunto. Ela explica que os filhos de pais fiéis serão salvos porque a fé dos pais “protege os filhos, como sucedeu quando Deus enviou Seus juízos sobre os primogênitos dos egípcios” (vol. 3, p. 314). Os filhos pequenos de pais descrentes receberão o cuidado dos anjos até poderem cuidar de si. No entanto, White acrescenta: “Não podemos dizer se todos os filhos de pais descrentes serão salvos, porque Deus não tornou conhecido o Seu propósito a respeito desse assunto” (ibid., p. 315).

Que bênção saber que Deus cuida de todos nós, inclusive dos pequeninos!


Quarta-feira – 19 de setembro

Orar e trabalhar

Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho! 1 Coríntios 9:16

As missões cristãs mais eficazes foram cumpridas por homens e mulheres que sempre usavam primeiramente os joelhos em oração e depois os pés no trabalho. O evangelismo sem oração promove o secularismo estéril, e a oração sem evangelismo leva ao formalismo egoísta.

James Hudson Taylor (1832-1902) nasceu em Barnsley, Inglaterra, no dia 21 de maio de 1832, em um lar cristão. Quando adolescente, porém, ele se tornou cético e mundano. Certo dia, sua mãe decidiu orar por ele até se convencer de que suas preces seriam atendidas. Hudson teve uma extraordinária experiência de conversão e resolveu se tornar missionário na China. Logo começou a estudar mandarim, grego, hebraico e latim. Com o auxílio de Sociedade de Evangelização Chinesa, adquiriu capacitação médica em um hospital em Londres. Em 19 de setembro de 1853, aos 21 anos de idade, Hudson partiu de Liverpool no navio Dumfries e chegou a Xangai, China, no dia 1º de março de 1854.

Em 1865, Hudson Taylor fundou a Missão China Continental com a premissa de que nunca pediria recursos de doadores, mas simplesmente confiaria em Deus, que supriria suas necessidades. No livro China: Its Spiritual Need and Claims (China: Suas Necessidades e Seus Clamores Espirituais), Taylor declarou: “Será que todos os cristãos da Inglaterra são capazes de ficar de braços cruzados enquanto essas multidões [na China] estão perecendo por falta de conhecimento, justamente o conhecimento que a Inglaterra possui tão ricamente e que transformou o país naquilo que ele é e nos tornou quem somos? O que o Mestre nos ensina? Não é que, se uma ovelha de cem se perder, devemos deixar as 99 e buscar aquela única? Mas aqui as proporções são quase invertidas e permanecemos em casa com uma ovelha, sem atentar para as 99 que estão perecendo!”

Hudson Taylor dedicou 51 anos de sua vida como missionário na China. Havia paixão e urgência em tudo aquilo que ele fazia. Conta-se que o sol nunca nascia na China sem encontrá-lo de joelhos. Quando morreu, deixou 205 postos missionários, 849 missionários e 125 mil cristãos chineses. Não importa onde estamos servindo ao Senhor, devemos nos encher da mesma paixão pelas almas e determinação missionária que caracterizaram Hudson Taylor!


Terça-feira – 18 de setembro

Siga a Bíblia

Assim será a palavra que sair da Minha boca: não voltará para Mim vazia, mas fará o que Me apraz e prosperará naquilo para que a designei. Isaías 55:11

Você ama a Bíblia? Se ama, com que frequência você a lê? Em abril de 2013, o Religion News Service, site de notícias religiosas, publicou um artigo de Caleb K. Bell, intitulado “Pesquisa: os norte-americanos amam a Bíblia, mas não a leem muito”. Doug Birdsall, presidente da Sociedade Bíblica Americana, explicou: “Considero o problema semelhante à obesidade nos Estados Unidos. Há pessoas demais que reconhecem que estão acima do peso, mas não fazem dieta. As pessoas reconhecem que a Bíblia possui valores que ajudam na saúde espiritual, mas simplesmente não a leem.” Esse problema acomete não só a população de modo geral, mas também as denominações cristãs.

Durante o Concílio Anual da Associação Geral de 2008, realizado em Manila, nas Filipinas, o projeto “Siga a Bíblia” foi lançado a fim de promover o estudo pessoal e coletivo da Palavra de Deus. A cerimônia incluiu a dedicação de uma grande Bíblia especial, com cada um dos 66 livros publicado em um idioma diferente. De Manila, o Livro Sagrado seguiu um itinerário de viagem de 20 meses ao redor do mundo, como apelo visual para as pessoas passarem mais tempo estudando as Escrituras. Por exemplo, em 18 de setembro de 2009, a Bíblia itinerante chegou a Tel Aviv, Israel, terra na qual muitos dos eventos bíblicos aconteceram e onde muitos de seus livros foram originalmente escritos. A Bíblia terminou sua jornada na assembleia da Associação Geral de 2010, em Atlanta. Atualmente ela está em exibição permanente na sede da Associação Geral em Silver Spring, Maryland.

Apenas ler a Bíblia superficialmente para fins devocionais é suficiente? Não, não basta. A superficialidade é um dos maiores pecados de nossa geração. Na parábola do semeador, Jesus advertiu quanto ao perigo de apenas ouvir a Palavra de Deus sem compreendê-la e não se enraizar com firmeza nela (Mt 13:19-21). Ellen White afirmou: “Todos devem sentir que sobre si repousa a obrigação de atingir as alturas da grandeza intelectual.” Disse também que nós devemos nos tornar “gigantes na compreensão das doutrinas bíblicas e das lições práticas de Cristo” (Obreiros Evangélicos,p. 279, 281).

Que tal levar mais a sério esses conselhos inspirados?


Segunda-feira – 17 de setembro

Você não foi abandonado

Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito oprimido. Salmo 34:18

Lágrimas e tristezas podem chegar para encher seus olhos físicos, mas Deus é capaz de usar a dor para fazer você se aproximar Dele. Foi exatamente isso que aconteceu com Radim Passer, investidor em imóveis extremamente bem-sucedido em Praga, na República Tcheca. Na sexta-feira, 29 de maio de 1998, sua esposa Jana deu à luz o primeiro filho do casal, Max, que imediatamente se transformou no tesouro dos pais. Com seis semanas de vida, o bebê precisou passar por uma cirurgia neurológica. Quando o procedimento terminou, o cuidadoso pediatra explicou: “Lamento ter de lhes dizer isto, mas Max tem um tumor inoperável na cabeça. Infelizmente, não há chances de sobrevivência. É provável que só lhe restem alguns dias de vida.”

Grossas lágrimas rolaram dos olhos de Jana e Radim. Desesperados, eles oraram pedindo a misericórdia divina na forma de cura, sem saber exatamente qual era o plano de Deus. No dia 2 de agosto, o médico disse por telefone as tristes palavras: “Sr. Passer, é com tristeza que preciso lhe informar que, às 3h45 da manhã, Max faleceu”. Enlutado, Radim desabafou com a esposa: “Nunca mais vou orar.” Enquanto buscava resposta para perguntas existenciais profundas, um amigo lhe emprestou os cinco volumes da série “Grande Conflito”, de Ellen White. O casal buscou refúgio nos Alpes austríacos e começou a ler os livros. Os dois assistiram a uma série evangelística mundial via satélite, chamada “NET ’98 – O próximo milênio”, conduzida pelo pastor Dwight Nelson. Na sexta-feira, 17 de setembro de 1999, Radim, Jana e a mãe dela foram batizados na Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Às vezes, a dor é o único meio que Deus tem para nos alcançar. Andraé Crouch exprime bem esse conceito em sua bela canção “Em Meio a Tudo”. Reflitamos em sua primeira estrofe e coro: “Já tive muitas lágrimas e tristezas, / já tive perguntas sobre o amanhã, / houve momentos em que não conseguia diferenciar entre o certo e o errado. / Mas em todas as situações, / Deus me deu a bendita consolação, / de que as provas só vieram para me tornar forte. / Em meio a tudo, / em meio a tudo, / aprendi a confiar em Jesus, / aprendi a confiar em Deus.”

Lembre-se: você não está sozinho neste mundo. Todos podem abandoná­- lo, mas não o Senhor! Ele está ao seu lado mesmo durante os dias tristes nos quais se sente tentado, assim como Radim, a nunca mais orar. Pode confiar que “perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito oprimido” (Sl 34:18).


Domingo – 16 de setembro

O tempo imutável

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu. Eclesiastes 3:1

É possível que “tempo” seja a palavra mais culpada do nosso vocabulário. Quando nos encontramos sobrecarregados de atividades, temos a tendência de dizer: “Não tive tempo suficiente para fazer isso.” Em outras circunstâncias, chegamos a dizer: “O tempo passou rápido demais hoje!” E assim por diante.

Em 16 de setembro de 2010, o pastor presbiteriano Mauricio Baniski postou em seu blog um poema que leva à reflexão, intitulado “No mesmo ritmo ele caminha”. O texto diz o seguinte:

Já tentei parar o tempo,

Tirei a bateria do relógio,

Mas o tempo não parou.

Já tentei voltar no tempo,

Até atrasei o relógio,

Mas o tempo não voltou.

Já tentei estar à sua frente,

Até adiantei algumas horas,

Mas percebi que tudo permanecia no mesmo lugar.

Já me esforcei pra que o tempo passasse mais rápido,

Já me contorci pra que ele fosse mais devagar,

Mas o tempo não me atendeu.

No mesmo ritmo ele caminha;

Do nosso começo ao nosso final,

Não adianta perder tempo.

Ele não vai deixar de ser o tempo real.

Aprendi que…

Querer controlar o tempo é perder o tempo de viver todas as coisas.

Cada pessoa recebe 24 horas por dia. Aproveite bem o seu tempo.


Sábado – 15 de setembro

O evangelho eterno

Vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a terra, e a cada nação, e tribo, e língua, e povo. Apocalipse 14:6

Os adventistas do sétimo dia entendem que o “evangelho eterno” de Apocalipse 14:6 e 7 é uma mensagem universal que deve ser pregada “a cada nação, e tribo, e língua, e povo”. É o mesmo “evangelho do reino” (Mt 24:14), mas que agora é proclamado no contexto escatológico da “hora do seu juízo” (Ap 14:7) no tempo do fim.

Ao expandir sua consciência missionária, os adventistas guardadores do sábado começaram a publicar, em 1858, seus primeiros folhetos em holandês, francês e alemão e, com o tempo, alguns deles foram mandados para a Europa. Mas a igreja demonstrava forte relutância em enviar missionários para terras estrangeiras. Essa situação se reverteu em 15 de setembro de 1874, quando John N. Andrews (já viúvo) e seus dois filhos, Charles e Mary, partiram no navio a vapor Atlas, de Boston para Liverpool, a caminho da Suíça. Andrews foi o primeiro missionário oficialmente enviado para além-mar pela denominação. Desde então, milhares de missionários adventistas do sétimo dia têm levado o evangelho eterno ao redor do planeta.

A paixão missionária adventista foi descrita muito bem por Booton Herndon, autor não adventista, no livro cujo título pode ser traduzido assim: O Sétimo Dia: A história dos adventistas do sétimo dia. Na página 23, ele declara: “Certamente não existem outras 24 palavras [como as de Mateus 24:14, em inglês] que tiveram um impacto tão direto em tantos povos do mundo. Pois os adventistas do sétimo dia aceitam esta mensagem literalmente. Para eles, ela significa o seguinte: quando as boas-novas da vinda de Cristo tiverem sido pregadas a cada pessoa viva em particular, então o mundo chegará ao fim, Cristo voltará, e os justos viverão felizes para sempre. Nenhum empreendimento humano poderia ter um fim mais glorioso! E, para apressar o dia em que o evangelho terá sido pregado ao último homem sobre a terra, os adventistas do sétimo dia têm ido a todo o mundo.”

Que iniciativa missionária maravilhosa! Não importa onde você mora ou o que faz da vida, você precisa ter essa paixão missionária adventista e fazer parte do movimento missionário adventista mundial. Lembre-se de que onde houver pessoas que ainda não conhecem o evangelho eterno, ali existe um campo missionário no qual você deve trabalhar para o Senhor!


Sexta-feira – 14 de setembro

Investindo no futuro

Não se enganem; não sejam apenas ouvintes dessa mensagem, mas a ponham em prática. Tiago 1:22, NTLH

As gerações futuras são o melhor investimento que famílias e igrejas podem fazer. Crianças, adolescentes e jovens levarão a tocha do evangelho eterno quando não estivermos mais por aqui. No sábado, 14 de setembro de 1902, Ellen White pregou um tocante sermão em um acampamento, falando sobre nossa responsabilidade cristã de educar os filhos. Ela enfatizou nosso dever de conduzi-los a Cristo e ensiná-los, por preceito e exemplo, como praticar o estilo de vida adventista.

Por exemplo, a respeito de como devemos nos vestir, ela declarou: “Você está ligado diretamente com o Mestre? O apetite, as paixões e todos os encantos do vestuário e do gosto por se vestir se intrometem e cortam sua conexão com seu Pai celestial? Não pedimos que vocês sejam descuidados no vestir. Pedimos que se vistam com simplicidade, que vistam seus filhos com simplicidade e os ensinem como obter o manto da justiça de Cristo, que não tem nenhuma mancha ou mácula sobre Ele.”

Sobre deixar de comer carne, ela afirmou: “Não temos nenhuma necessidade de comer a carne de animais mortos. Não, consumamos o alimento em primeira instância. Não esperemos que passe pelo animal, para depois comer sua carne morta a fim de receber o alimento. Peguemos o primeiro cozido da comida. Adquiramos o melhor que pudermos e o preparemos da melhor maneira para nos dar forças.”

Ellen White também enfatizou a importância dos exercícios físicos: “Deus quer ensinar nossos filhos que eles devem fazer uso de cada músculo e nervo. Qual é o problema conosco? Esta máquina se encontra toda em processo de enferrujar por causa de tanta inatividade!” E para finalizar toda a discussão, ela declarou: “O que mais queremos é mais de Cristo e menos do eu. É disso que pais e mães necessitam dentro do lar. Precisamos que a brandura do Espírito de Deus esteja no centro do coração dos nossos filhos.”

Em geral, nosso problema é a falta de equilíbrio e compromisso. Muitos levam a sério alguns componentes do estilo de vida adventista, ao passo que ignoram outros. É possível que precisemos seguir o conselho de Cristo: “Vocês devem praticar estas coisas, sem omitir aquelas” (Mt 23:23, NVI).

Vivamos, com consistência, de acordo com toda a luz que o Senhor nos deu!


Quinta-feira – 13 de setembro

Pregando Jesus

Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e Este crucificado. 1 Coríntios 2:2

Consegue imaginar alguém que realizou 417 cruzadas evangelísticas e pregou o evangelho a 215 milhões de pessoas ao vivo em mais de 185 países e seis continentes? E mais: ele se encontrou com presidentes, com a rainha, com vários primeiros-ministros, reis e celebridades, bem como com cada presidente dos Estados Unidos, de Dwight Eisenhower a Barack Obama. Ao falar em ocasiões especiais, tem sido chamado de “pastor da América”.

William Franklin Graham Jr., popularmente conhecido como Billy Graham, nasceu no dia 7 de novembro de 1918, perto da cidade de Charlotte, Carolina do Norte. Em 13 de setembro de 1947, quando tinha apenas 28 anos de idade, Graham começou sua primeira campanha envolvendo uma cidade inteira, realizada no Auditório Cívico em Grand Rapids, Michigan. Com o lema “Juventude para Cristo”, as reuniões foram frequentadas por quase 6 mil pessoas. A integridade moral de seu ministério era garantida pelo “Manifesto da Modéstia” (1948), que incentivava relatórios corretos, honestidade financeira, pureza sexual e apoio dos pastores locais. Era consenso que nenhum homem de sua equipe poderia ficar sozinho com qualquer mulher além da própria esposa.

Billy considerava que sua missão era levar as pessoas a se arrepender de seus pecados e aceitar a Jesus como Salvador. Ele afirmou: “Meu propósito de vida é ajudar as pessoas a estabelecer um relacionamento pessoal com Deus, o qual, acredito eu, se desenvolve por intermédio do conhecimento de Cristo.” E mais: “O pecado é a segunda força mais poderosa do Universo, pois enviou Jesus para a cruz. Somente uma força é maior: o amor de Deus.” Em geral, Graham encerrava seus poderosos sermões evangelísticos com um apelo para as pessoas irem à frente aceitar a Cristo, enquanto um coral cantava solenemente o hino “Tal Qual Estou” (Hinário Adventista do Sétimo Dia, nº 278).

Os adventistas do sétimo dia têm uma mensagem profética única para proclamar ao mundo, que é resumida nas três mensagens angélicas de Apocalipse 14:6 a 12. Mas Ellen White nos lembra de que “Cristo é o centro de toda verdadeira doutrina” (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 453). E mais: “De todos os professos cristãos, devem os adventistas do sétimo dia ser os primeiros a exaltar a Cristo perante o mundo” (Obreiros Evangélicos, p. 156). Cristo não pode ser limitado ao nível doutrinário. Ele precisa se tornar uma realidadevivenciadaem nossa religião pessoal!


Quarta-feira – 12 de setembro

A corrida da fé

Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus. Hebreus 12:1, 2

As maratonas modernas receberam esse nome em homenagem à decisiva Batalha de Maratona, na Grécia, na qual os atenienses contiveram a invasão persa. Supostamente em 12 de setembro de 490 a.C., 10 mil atenienses derrotaram o exército persa com cerca de 24 mil soldados. Esse importante acontecimento histórico foi floreado com diversas lendas. Uma das mais populares sugere que Fidípedes, soldado e corredor grego, foi enviado na frente, desde o campo de batalha em Maratona até Atenas, uma distância de 42 quilômetros, para anunciar a vitória. Ao chegar à Ágora ateniense, antigo local de reunião e mercado, ele exclamou: “Nós vencemos!”. Em seguida, caiu morto de exaustão.

A história de Fidípedes inspirou os organizadores da primeira olimpíada moderna em Atenas, em 1896, a incluir uma corrida de longa distância em homenagem a esse feito. Embora todos os jogos olímpicos tenham uma maratona, a modalidade não se restringe apenas a esse evento. Atualmente existem muitas outras maratonas famosas ao redor do mundo.

Assim como Fidípedes, que supostamente havia corrido a primeira maratona a fim de anunciar a vitória dos atenienses, devemos correr a corrida da fé para anunciar a vitória de Cristo sobre os poderes do mal. Em Hebreus 12:1 e 2, somos incentivados a correr “com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé”. Mesmo que acabemos tombando ao fim de nossa jornada, devemos fazê-lo exclamando assim como o apóstolo Paulo: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda” (2Tm 4:7, 8).

Além disso, nossa tarefa não se restringe a apenas correr a corrida da fé. Também devemos ser soldados corajosos da cruz e arautos do evangelho. De fato: “Que formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas-novas, que faz ouvir a paz, que anuncia coisas boas, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina!” (Is 52:7).


Terça-feira – 11 de setembro

Amor abnegado

O Meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como Eu vos amei. João 15:12

Após os terríveis ataques terroristas do grupo Al-Qaeda, ocorridos no dia 11 de setembro de 2001, muitas histórias emocionantes começaram a circular. Uma delas relata os atos de Rick Rescorla, de 62 anos de idade, veterano tanto do exército britânico quanto do norte-americano e herói da Guerra do Vietnã. Ele foi responsável por evacuar muitas centenas de pessoas da torre sul do World Trade Center e as acalmava cantando antigas canções de sua região natal na Inglaterra. Quando um de seus colegas disse que ele também precisava sair do edifício, sua resposta foi: “Assim que eu tiver certeza de que todos estão lá fora.” Ao telefone com a esposa desesperada, Rescorla disse: “Pare de chorar! Preciso tirar essas pessoas em segurança. Se algo acontecer comigo, quero que você saiba que nunca estive mais feliz.” Seus restos mortais nunca foram encontrados.

Outra história é a de Welles Crowther, de 24 anos, que ficou conhecido como “o homem de bandana vermelha”. Crowther mostrou o caminho da escada para as pessoas e as incentivou a ajudar os outros, enquanto carregava uma jovem ferida por 15 andares. Após deixá-la com um grupo de sobreviventes em segurança, voltou a subir as escadas para auxiliar mais gente. Mas o edifício caiu, e ele não conseguiu voltar.

Em um mundo tão cruel e competitivo, o que motiva pessoas como Rescorla e Crowther a sacrificar a própria vida em prol de pessoas que nunca haviam visto antes? Você teria coragem suficiente para fazer o mesmo? Em Tiago 1:17, lemos: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, que não muda como sombras inconstantes” (NVI). Paulo explica que Deus “derramou Seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo” (Rm 5:5, NVI), e até mesmo no coração de não cristãos, que, às vezes, são mais amorosos e cuidadosos com os outros do que muitos professos cristãos.

Por sermos cristãos, devemos demonstrar o amor abnegado de Cristo e Sua compaixão ao mundo. O mandamento de Jesus para nós hoje é: “Que vos ameis uns aos outros; assim como Eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois Meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13:34, 35). Como planetas do sistema solar de Deus, devemos refletir a luz do Sol da Justiça (Ml 4:2) a todos ao redor!


Segunda-feira – 10 de setembro

Fraude para vencer

Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. 1 Coríntios 9:24

Houve um tempo no mundo ocidental em que a honestidade e a integridade eram cultivadas e valorizadas. Muitas pessoas costumavam dizer “minha palavra é um documento” e levavam a sério aquilo que diziam. Contudo, a sociedade vem perdendo muitos de seus valores morais mais básicos. Não dá para confiar em um número cada vez maior de políticos, e vários atletas têm recorrido a fraudes para vencer as competições.

A maratona anual de Berlim é uma das maiores e mais populares corridas de rua do mundo. Em 10 de setembro de 2000, um grupo de 33 atletas pulou alguns controles de marcação do tempo. Eles começaram a correr normalmente; mas, de repente, causaram surpresa ao desaparecer e só reaparecer perto do fim da prova. Decidiram pegar um atalho, indo de metrô em vez de fazer todo o percurso. No entanto, o plano não funcionou conforme esperavam. Parece que se esqueceram do chipcomputadorizado que estavam usando para registrar o tempo a cada cinco quilômetros. Assim, os 33 corredores foram automaticamente desqualificados; e, seu tempo, removido do resultado final da competição.

As fraudes se tornaram um hábito em muitas culturas e até mesmo um sinônimo de esperteza. Porém, nós, cristãos fiéis, não podemos aceitar que práticas culturais minem os princípios universais da Palavra de Deus. Lembre-se: “A integridade dos retos os guia; mas, aos pérfidos, a sua mesma falsidade os destrói” (Pv 11:3). E mais: “Se você conseguir enganar alguém, não pense que a pessoa é tola. Reconheça que ela lhe dispensou uma confiança maior do que você merecia” (Autor desconhecido).

O consultor de empresas Ednilson E. Cintra afirma: “É melhor perder com a verdade do que vencer com a mentira.” Deus espera que sejamos honestos em uma sociedade desonesta e não vendamos nossa alma por preço algum. Mantenha na lembrança as palavras de Ellen White: “A maior necessidade do mundo é a de homens – homens que não se comprem nem se vendam; homens que no íntimo de seu coração sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo nome exato; homens, cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao polo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus” (Educação, p. 57). Que você e eu sejamos essas pessoas!


Domingo – 9 de setembro

Um legado em prol da vida

Não retribuam a ninguém mal por mal. Procurem fazer o que é correto aos olhos de todos. Façam todo o possível para viver em paz com todos. Romanos 12:17, 18, NVI

Aobra extraordinária de algumas pessoas só é apreciada depois que morrem. Em 1927, Max Ehrmann (1872-1945) escreveu Desiderata (latim “coisas desejadas”), texto em prosa poética. Ele morreu no dia 9 de setembro de 1945, e seu texto inspirador permaneceu desconhecido do grande público até o início da década de 1970, quando se tornou erroneamente conhecido como um texto anônimo de 1692. Ele diz o seguinte:

Vá placidamente por entre o barulho e a pressa e lembre-se da paz que pode haver no silêncio. Tanto quanto possível, sem sacrificar seus princípios, conviva bem com todas as pessoas. Diga a sua verdade calma e claramente e ouça os outros, mesmo os estúpidos e ignorantes, pois eles também têm sua história. Evite as pessoas vulgares e agressivas, elas são um tormento para o espírito.

Se você se comparar aos outros, pode tornar-se vaidoso ou amargo, porque sempre existirão pessoas superiores e inferiores a você. Usufrua suas conquistas, assim como seus planos. Manter-se interessado em sua carreira, mesmo que humilde, é um bem verdadeiro na sorte incerta dos tempos. Tenha cautela em seus negócios, pois o mundo é cheio de artifícios, mas não deixe isso lhe cegar a virtude que existe. Muitos lutam por ideais nobres e por toda parte a vida é cheia de heroísmo.

Seja você mesmo. Sobretudo, não finja afeições. Não seja cínico sobre o amor, porque, apesar de toda aridez e desencantamento, ele é tão perene quanto a relva. Aceite gentilmente o conselho dos anos, renunciando com benevolência às coisas da juventude. Alimente a força do espírito para ter proteção em um súbito infortúnio. Mas não se torture com temores imaginários. Muitos medos nascem da solidão e do cansaço.

Adote uma disciplina sadia, mas não seja exigente demais. Seja gentil consigo mesmo. […] Esteja em paz com Deus […]. E, quaisquer que sejam as suas lutas e aspirações no ruidoso tumulto da vida, mantenha a paz em sua alma. Apesar de todas as falsidades, maldades e sonhos desfeitos, este ainda é um belo mundo. Alegre-se. Empenhe-se em ser feliz!

Reflita sobre esses conselhos e considere como eles podem melhorar sua vida pessoal e social. Essas orientações podem nos ajudar a ter uma vida mais equilibrada, em um mundo que está se tornando cada vez mais desumano.


Sábado – 8 de setembro

Pontes de esperança

Porque desde criança você conhece as Sagradas Letras, que são capazes de torná-lo sábio para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus. 2 Timóteo 3:15, NVI

Aeducação é a chave mestra que abre duas portas importantes. A primeira é a porta de acesso ao passado, à sabedoria acumulada das gerações anteriores. A segunda é a porta rumo ao futuro, proporcionando esperança para uma vida mais digna. Kofi Annan, ex-secretário-geral das Nações Unidas, sugeriu que o “letramento é uma ponte da miséria à esperança”.

A Declaração Universal de Direitos Humanos (1948), Artigo 26, afirma que “todos têm direito à educação” e prescreve que “a educação fundamental deve ser obrigatória”. Com o propósito de incentivar nações e comunidades a alcançar essa meta, no dia 17 de novembro de 1965 a Unesco estabeleceu que 8 de setembro passaria a ser o “Dia Internacional da Alfabetização”. Mesmo assim, em 2013, ainda havia 774 milhões de adultos – 64% deles do sexo feminino – que careciam de habilidades básicas de leitura e escrita. Em 2015, um relatório das Nações Unidas revelou que mais de 100 milhões de crianças do mundo não estão na escola.

Preocupada com esse problema extremamente sério, a Igreja Adventista do Sétimo Dia publicou uma declaração oficial sobre “Alfabetização”, na assembleia da Associação Geral de 1995, realizada em Utrecht, na Holanda. O documento alerta que “a incapacidade de ler impacta todos os aspectos da vida de uma pessoa – poder de gerar renda, oportunidades de carreira, acesso a informações de cuidados com a saúde e até mesmo a habilidade de educar apropriadamente uma criança. Sem saber ler, poucas portas de oportunidade podem se abrir”.

De uma perspectiva mais religiosa, o documento declarou: “Os adventistas reconhecem uma razão mais vital para compartilhar o dom da leitura. Cremos que a habilidade de ler a Palavra de Deus – as boas-novas da salvação – não deveria ser reservada para poucos privilegiados. Declaramos que todo homem, toda mulher e toda criança deveriam ter acesso às verdades e ao poder enobrecedor da Bíblia.”

Existem pessoas analfabetas perto de onde você mora ou trabalha? Se há, você poderia mobilizar sua comunidade e organizar um ministério a fim de ensiná-las a ler e escrever. Enquanto elas desenvolvem as habilidades de leitura e escrita, você também pode lhes mostrar os ensinos maravilhosos da Palavra de Deus. Ao fazer isso, você construirá pontes de esperança para a vida presente dessas pessoas e também para a eternidade!


Sexta-feira – 7 de setembro

A queda de Jerusalém

Quando, porém, virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei que está próxima a sua devastação. Lucas 21:20

Um dos capítulos mais trágicos da história de Israel foi a conquista e destruição de Jerusalém pelos exércitos romanos no ano 70 d.C., conforme predito por Jesus em seu sermão escatológico (ver Mt 24; Lc 21). Além das advertências de Cristo, ocorreram vários acontecimentos estranhos, como avisos sobrenaturais das calamidades iminentes que levariam à ruína da cidade.

Flávio Josefo, no livro A Guerra dos Judeus, menciona que uma estrela semelhante a uma espada e um cometa foram vistos por um ano inteiro. Uma forte luz brilhou por meia hora à noite em volta do altar e do templo. Uma novilha deu à luz um cordeiro no meio do templo a caminho de ser sacrificada. A porta oriental do templo, extremamente pesada e trancada com toda segurança, se abriu sozinha.

Quatro anos antes do início da guerra, quando a cidade ainda desfrutava paz e prosperidade, um estranho chamado Jesus, filho de Ananias, começou a clamar em voz alta: “Uma voz do oriente, uma voz do ocidente, uma voz dos quatro ventos, uma voz contra Jerusalém e a casa santa, uma voz contra os noivos e as noivas, e uma voz contra todo esse povo!” Ele continuou a proclamar essas palavras até ser morto por uma pedra durante o cerco da cidade.

Jesus Cristo advertira Seus discípulos, dizendo que, quando vissem Jerusalém sitiada de exércitos, deveriam saber que sua desolação estava próxima e fugir da Judeia para as montanhas (Lc 21:20, 21). Eusébio explica que “o povo da igreja de Jerusalém foi ordenado, por um oráculo dado mediante revelação antes da guerra, para aqueles que estivessem dentro da cidade e tivessem condições, fugissem e fossem habitar em uma das cidades da Pereia, à qual deram o nome de Pella” (História Eclesiástica).

No dia 7 de setembro de 70 d.C., Jerusalém foi completamente tomada pelos romanos. Entretanto, todos aqueles que levaram a sério a advertência de Cristo e saíram da cidade foram salvos! Assim como Cristo mencionou os sinais da queda de Jerusalém, Ele também enfatizou que diversos eventos indicariam a aproximação de Sua segunda vinda e o fim do mundo. Nas palavras Dele: “Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei a vossa cabeça; porque a vossa redenção se aproxima” (Lc 21:28)!


Quinta-feira – 6 de setembro

Graça que basta

Mas Ele me disse: “Minha graça é suficiente para você, pois o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.” 2 Coríntios 12:9, NVI

Oser humano sempre tem a tendência de esperar mais de Deus do que já recebeu e de sempre pedir mais a Ele do que merece. A leitura do dia 6 de setembro da Bíblia Devocional Graça Diária, de Max Lucado, chama-se “Isso é tudo?” e sugere que a graça revelada na cruz é suficiente para nós. No livro Nas Garras da Graça, o mesmo autor ilustra esse conceito por meio da analogia de um avião fretado cujo motor subitamente pega fogo. O piloto sai correndo da cabine e grita: “Vamos cair! Precisamos evacuar!”. Então arranja um paraquedas para cada um dos passageiros, dá algumas instruções e abre a porta.

Antes de pular do avião, a primeira passageira pede um “paraquedas cor-de-rosa”. O piloto meneia a cabeça em descrença e diz: “Não basta o fato de eu já ter lhe dado um paraquedas?”. O segundo se aproxima da porta com outro pedido: “Gostaria de saber se você pode me dar a certeza de que não vou sentir náusea durante a queda?”. O piloto responde: “Não, mas posso lhe dar a certeza de que você terá um paraquedas para o salto”.

Cada passageiro chega com um pedido e recebe um paraquedas. “Por favor, capitão” – diz um deles – “eu tenho medo de altura. Será que você poderia retirar meu medo?”. O piloto gentilmente empurra o camarada porta afora. Um passageiro quer óculos de proteção, outro solicita botas, outro ainda deseja esperar o avião chegar mais perto do solo. Outro ainda suplica: “Será que você não pode mudar de planos? Vamos cair junto com o avião. Quem sabe sobrevivemos!”.

“Vocês não entendem!” – grita o piloto enquanto ajuda um por um. – “Eu lhes dei um paraquedas; isso basta”. Somente um item era necessário para o salto e ele o providenciou. Colocou o instrumento estratégico nas mãos dos passageiros. O presente era adequado. Mas eles se contentaram? Não. Permaneceram inquietos, ansiosos e até mesmo exigentes.

Em nossa jornada espiritual neste mundo pecaminoso e cheio de dor, Deus nos provê Sua graça salvadora e até nos incentiva a pedir outras bênçãos (Mt 7:7-11). Mas isso não quer dizer que tudo que pedirmos nos será providenciado. Sejamos agradecidos por Sua graça salvadora ilimitada e não reclamemos quando as bênçãos adicionais nem sempre vierem da maneira que esperamos.


Quarta-feira – 5 de setembro

Cuidados com a saúde

Se ouvires atento a voz do Senhor, teu Deus, e fizeres o que é reto diante dos Seus olhos, e deres ouvido aos Seus mandamentos, e guardares todos os Seus estatutos, nenhuma enfermidade virá sobre ti, das que enviei sobre os egípcios; pois Eu sou o Senhor, que te sara. Êxodo 15:26

Tanto o dom da vidaquanto a bênção da saúdesão tesouros especiais que devem ser valorizados e preservados da melhor maneira possível. Entretanto, temos a tendência de cuidar dessas riquezas somente quando as doenças nos ameaçam. Nesse aspecto, deveríamos levar mais a sério o provérbio: “É melhor prevenir do que remediar.” Em outras palavras, é melhor evitar uma doença do que curá-la.

Foi durante a década de 1860 que os adventistas do sétimo dia começaram a promover a mensagem de saúde de maneira mais intencional. Algo crucial para esse processo foi a ampla visão que Ellen White recebeu no dia 5 de junho de 1863, na qual lhe foram mostrados os princípios básicos da reforma de saúde. Em 25 de dezembro de 1865, Deus lhe mostrou que a denominação deveria fundar a própria instituição de saúde, na qual poderia aplicar seus princípios com maior consistência. Finalmente, em 5 de setembro de 1866, o Instituto Ocidental de Reforma de Saúde foi inaugurado em Battle Creek, recebendo posteriormente o nome de Sanatório de Battle Creek. Em 1875, o Dr. John Harvey Kellogg ingressou na equipe de funcionários e foi nomeado superintendente médico no ano seguinte, aos 24 anos de idade. Essa instituição se tornou precursora do sistema de instituições de saúde dirigido pela igreja ao redor do mundo.

Por que a igreja administra um sistema hospitalar tão dispendioso? Não seria muito mais fácil apenas realizar milagres de cura, como muitos pregadores populares fazem na atualidade? Os adventistas do sétimo dia creem que Deus ainda é capaz de realizar milagres, assim como fez no passado, porém com muito menos ostentação e publicidade do que alguns líderes religiosos gostam de receber (cf. Mc 1:40-45). Além disso, muitos entre eles apenas “realizam” as curas, sem jamais educar as pessoas para que tenham um estilo de vida saudável.

Se, por um lado, as doenças nem sempre resultam de um estilo de vida pecaminoso (Jo 9:1-3), por outro, muitas são as bênçãos derivadas de um estilo de vida saudável (Êx 15:26). Não nos contentemos em apenas ensinar nossos princípios de saúde aos outros, mas vamos praticá-los em nossa vida também. Nosso discurso precisa receber o apoio de nosso exemplo pessoal.


Terça-feira – 4 de setembro

O Império Romano

O quarto reino será forte como ferro; pois o ferro a tudo quebra e esmiúça; como o ferro quebra todas as coisas, assim ele fará em pedaços e esmiuçará. Daniel 2:40

Daniel 2 apresenta uma sequência simbólica de quatro grandes reinos –Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia e Roma – que conquistariam outras nações e, por fim, sucumbiriam diante de outro poder político. O quarto desses reinos claramente se refere ao Império Romano, inaugurado quando Augusto César se tornou o primeiro imperador de Roma (31 a.C.). Em seu auge, o império se tornou a estrutura sociopolítica mais abrangente e poderosa de toda a civilização ocidental. Mas o grande Império Romano caiu em 4 de setembro de 476 d.C. quando, no oeste, Rômulo Augusto foi deposto pelo rei germânico Flávio Odoacro. A parte oriental permaneceu, formando o Império Bizantino, até a queda de Constantinopla diante dos turcos otomanos em 1453 d.C.

O que provocou o declínio e a queda do Império Romano? Sem dúvida, essa é uma questão muito complexa. Em 1984, Alexander Demandt contou 210 teorias sobre o motivo por que Roma caiu, e novas teorias já apareceram desde então. Mas, no ano de 1776, Edward Gibbon sugeriu: “O declínio de Roma foi o resultado inevitável da grandeza imoderada. A prosperidade fez madurar o princípio da decadência; as causas da destruição se multiplicaram com a vastidão das conquistas; e assim que o tempo ou um acidente removeu os apoios artificiais, o estupendo edifício caiu diante da pressão do próprio peso.”

De uma perspectiva humana, a queda de Roma foi provocada principalmente por fatores políticos, econômicos e sociais. Da perspectiva bíblica, porém, devemos reconhecer que “o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer” (Dn 4:32). Ellen White explica: “A cada nação que tem alcançado destaque no cenário mundial tem sido permitido que ocupe seu lugar na Terra, para que se possa ver se ela cumpre o propósito do ‘Vigia e Santo’ […]. Cada qual teve seu período de prova e fracassou; perdeu sua glória, perdeu seu poder, e seu lugar foi ocupado por outra nação” (Educação, p. 125, 126).

Deus está conduzindo a história humana a seu clímax: o estabelecimento de Seu reino eterno, “que jamais será destruído e que nunca será dominado por nenhum outro povo” (Dn 2:44, NVI).


Segunda-feira – 3 de setembro

Sou inocente

Não se envolva em falsas acusações, nem condene à morte o inocente e o justo, porque não absolverei o culpado. Êxodo 23:7, NVI

Afalta de evidências conclusivas pode levar a vereditos injustos, como aconteceu no caso de Nicholas Yarris. Após vários meses de muita expectativa, no dia 1o de julho de 1982, ele foi condenado por homicídio, sequestro e abdução. Chegou a receber sentença de morte. Mesmo assim, continuou a afirmar inocência. Isso levou a uma longa batalha por testes de DNA nas evidências da cena do crime. Com base em resultados decisivos, em 3 de setembro de 2003, o tribunal isentou Yarris das acusações. Algumas questões adicionais foram esclarecidas e, em 2004, ele finalmente foi liberto da prisão, após passar 22 anos atrás das grades por um crime que não cometeu.

Por ter sido detento no corredor da morte, Yarris tinha todos os motivos do mundo para se tornar louco, frustrado e simplesmente desistir de viver. Por 14 anos, não teve permissão de abraçar outro ser humano e passou por extrema privação sensorial. No entanto, “da fraqueza [tirou] força” (Hb 11:34, NVI) e aproveitou o tempo para se instruir, lendo milhares de livros. Aprendeu alemão e estudou psicologia a fim de se entender melhor, compreender os outros à sua volta e manter a própria sanidade. Hoje, ele compartilha essa experiência de vida e aprendizado com muitas pessoas ao redor do mundo.

Quatro semanas depois de sair da prisão, Yarris deu uma entrevista reveladora, na qual afirmou: “O ato de encontrar sanidade na casa da insanidade é humildade. É preciso abrir mão de todo o ego. Ele é tirado à força de você, e depois você tenta ressuscitar algo daquilo que encontrar, de qualquer coisa que tenha restado. É preciso tentar achar aquela única coisa boa que existe dentro de você. Ela precisa se tornar tudo e, a partir disso, você deve tentar edificar algo.” E mais: “A despeito das expectativas de todos de que eu demonstre amargura, raiva e incapacidade de deixar de lado aquilo que me aconteceu, estou tentando me concentrar em tudo que há de bom.”

No livro de Apocalipse, a alma dos mártires clama metaforicamente pela justiça vindicadora de Deus (Ap 6:9, 10). Mesmo que essa vindicação não ocorra tão rapidamente quanto esperado, pela graça de Deus devemos reclamar menos e agir mais, tentando tirar forças até mesmo das circunstâncias mais desastrosas.


Domingo – 2 de setembro

Faculdade Oberlin

Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele. Provérbios 22:6

Aeducação cristã deve transmitir conhecimento, desenvolver a capacidade de raciocínio e perpetuar valores espirituais e morais. No dia 2 de setembro de 1833, a Faculdade Oberlin foi fundada para ser uma instituição de ensino independente, autossustentável, voltada para educar os estudantes “de maneira completa, treinando o corpo, o intelecto e o coração para o serviço ao Senhor”. No início dos anos 1840, por exemplo, os alunos aprendiam um trabalho manual; recebiam uma alimentação vegetariana; não tinham acesso a chá, café e condimentos fortes; adotavam um código modesto de vestuário, sem roupas apertadas nem peças ornamentais; usavam a Bíblia como livro didático e eram proibidos de ler romances.

Não existe nenhuma ligação direta entre a Faculdade Oberlin e o sistema educacional adventista do sétimo dia. Entretanto, seguindo os conselhos inspirados de Ellen White, muitos internatos da denominação adotaram várias dessas reformas educacionais e de saúde. Um dos pioneiros da educação adventista, Edward A. Sutherland, chegou a promover a Oberlin como modelo de educação cristã. Embora diversas instituições educacionais adventistas continuem em alguma medida adotando esses preceitos, a Oberlin os deixou de lado há muitas décadas. Isso levanta uma pergunta muito importante: Por que instituições educacionais originalmente guiadas por sólidos princípios bíblicos tendem a perdê-los, deixando-se absorver pela cultura que as cerca?

No livro The Dying of the Light (A Morte da Luz), James T. Burtchaell demonstra como colégios e universidades perderam sua identidade religiosa original. Ele argumenta que, primeiramente, a religião se transforma em uma questão individual, em lugar de ser a cultura generalizada da instituição; depois, o elemento cognitivo é substituído por uma nova ênfase pietista. Em outras palavras, a ênfase doutrinária original dá lugar a uma forma mais subjetiva de religião, abrindo as portas para o secularismo e a aculturação. Ellen White chegou a alertar: “Se uma influência mundana tiver que dominar nossa escola, seja ela então vendida aos mundanos, e assumam eles o total controle” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 5, p. 25).

Ao fortalecer nosso sistema educacional, estamos moldando o futuro de nossa igreja. Que esse sistema permaneça fiel aos princípios bíblicos sobre os quais foi originalmente edificado e que consistem na única razão de sua existência!


Sábado – 1 de setembro

Uma visita a Auschwitz

Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração. Gênesis 6:5

Poucos lugares que visitei me impressionaram tanto quanto o Museu Estatal de Auschwitz-Birkenau em Oswiecim, no sul da Polônia. Eu estava palestrando em um congresso bíblico para pastores poloneses e, no dia 1º de setembro de 2004, um jovem me levou para visitar o terrível campo de concentração que funcionou ali entre 1940 e 1945. Em cima do portão principal, ainda é possível ler a cruel inscrição: “O trabalho liberta”. Ao longo de toda a visita, não pude conter a tristeza profunda de verificar evidências tão tangíveis daquilo que os seres humanos são capazes de fazer como agentes de Satanás.

Ao chegar a Auschwitz, a maioria dos prisioneiros era incinerada imediatamente nas câmaras de gás, e suas cinzas eram usadas como fertilizante nos campos da região. Inicialmente, aqueles que eram poupados eram fotografados a fim de ser identificados. No entanto, depois de passarem por diversas torturas contínuas, inclusive fome severa e trabalho escravo, a aparência mudava tanto que não conseguiam mais ser reconhecidos. Por isso, o processo de identificação teve de ser substituído pela mera numeração dos prisioneiros. Além disso, algumas das atrocidades mais cruéis que ocorreram ali foram os experimentos médicos e genéticos em seres humanos. Um dos principais objetivos era esterilizar as mulheres eslavas e fazer as arianas conceberem gêmeos. Toneladas de cabelo feminino foram vendidas para as indústrias têxteis fabricarem tapetes e uniformes para os soldados nazistas.

Ao refletir sobre essas e tantas outras atrocidades, a pergunta que fica é: Como isso pode ter ocorrido na metade do século 20, em plena Europa tão culturalmente desenvolvida? Humanamente falando, o nazismo foi a mais trágica mistura entre a filosofia niilista de um Deus morto (propagada por Friedrich Nietzsche) e o evolucionismo, com sua sobrevivência do mais apto, tudo isso em um momento histórico no qual boa parte dos recursos econômicos da Alemanha eram controlados por judeus.

Foi uma expressão prática do governo de Satanás, o qual, segundo ele, era muito “melhor” que o de Deus! É inegável que os seres humanos são pecadores por natureza e, longe do Senhor, tendem a se destruir. Somente Deus tem poder para trazer real estabilidade para o nosso mundo, para nossos círculos sociais e para nossa vida. Por favor, não deixe Deus de fora de nenhum dos seus planos!


SETEMBRO 2018


Sexta-feira – 31 de agosto

Oportunidades para salvar

É necessário que façamos as obras Daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar. João 9:4

As pessoas famosas não deixam de ser humanas, com sentimentos próprios e necessidades espirituais. Entretanto, os métodos convencionais de evangelismo podem não funcionar tão bem com elas como seria de se esperar. Uma das melhores maneiras de alcançá-las é cuidar delas com discrição, quando estão enfrentando uma crise existencial.

Diana, princesa de Gales, estava passando por grande angústia enquanto a mídia expunha sua vida particular. Em outubro de 1994, ela chegou a ir a Washington, DC, para passar um fim de semana com Lúcia Martins Flecha de Lima, sua amiga íntima e “segunda mãe”, esposa do embaixador brasileiro nos Estados Unidos. Preocupados com toda a situação e fazendo alusão à nossa cidadania brasileira, minha esposa e eu enviamos para Diana um exemplar do livro O Desejado de Todas as Nações, de Ellen White, com uma dedicatória e uma carta carinhosa. Um mês depois, Maureen A. Stevens, funcionária do escritório do Príncipe de Gales, nos enviou uma mensagem curta, expressando a gratidão da princesa por nossa carta e pelo presente, enviando-nos “seus desejos de tudo de bom” para nós.

O mundo ficou chocado quando os noticiários anunciaram que Diana havia morrido em um terrível acidente de carro em Paris, por volta de 0h20 do domingo, 31 de agosto de 1997. Não sabemos se ela chegou a ler o livro que lhe enviamos. É provável que não. Mas fizemos nosso melhor quando ela estava mais receptiva a gestos de apreço como esse. De acordo com as palavras do próprio Cristo, devemos trabalhar “enquanto é dia”, pois “a noite vem, quando ninguém pode trabalhar” (Jo 9:4).

Em realidade, “cada ano, milhões e milhões de pessoas passam para a eternidade inadvertidas e não salvas. Hora a hora, nas variadas atividades da vida, apresentam-se oportunidades de alcançar e salvar pessoas. E essas oportunidades vêm e vão continuamente. Deus deseja que as aproveitemos o melhor possível. Dias, semanas e meses vão-se passando; temos menos um dia, uma semana, um mês em que fazer nossa obra” (Parábolas de Jesus,p. 373).

Na proclamação do evangelho eterno, devemos não só aproveitar as oportunidades que existem, como também criar novas situações para testemunhar de nossa fé. Da mesma forma que o apóstolo Paulo solicitou uma chance de pregar até ao imperador romano (At 25:1-12), também devemos tentar evangelizar as pessoas mais influentes de nossa sociedade.


Quinta-feira – 30 de agosto

Um casamento humilde

É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas. Se um cair, o amigo pode ajudá-lo a levantar-se. Eclesiastes 4:9, 10, NVI

As cerimônias de casamento são ocasiões especiais nas quais as noivas se transformam em princesas, usando o vestido de seus sonhos. No entanto, nem todo casal tem condições de custear uma cerimônia cheia de requinte.

No domingo, 30 de agosto de 1846, o pastor Tiago Springer White e a senhorita Ellen Gould Harmon se posicionaram perante o juiz de paz Charles Harding, em Portland, Maine, e se casaram. Não houve cerimônia matrimonial, e Ellen não usou nenhum vestido especial de casamento. Não querendo ser um fardo para os outros, Tiago trabalhou por um tempo carregando pedras em uma estrada de ferro, sem receber o que merecia por seus esforços. Depois, começou a cortar lenha do começo da manhã até escurecer para ganhar cerca de 50 centavos de dólar por dia. Na metade de 1848, ele e dois amigos conseguiram um terreno de 40 hectares para cortar grama, recebendo 2,18 dólares por hectare. O jovem ministro se alegrou: “Louvado seja o Senhor! Espero ganhar alguns dólares para empregar na causa de Deus” (Vida e Ensinos, p. 118).

Depois de se instalar em Rochester, Nova York, em 1852, Ellen descreveu seu novo lar: “Alugamos uma casa velha por cento e setenta e cinco dólares por ano. Temos o prelo na casa. […] Haveríeis de rir se nos vísseis e a nossa mobília. Compramos duas velhas armações de cama por vinte e cinco centavos de dólar cada. Meu marido trouxe para casa seis cadeiras velhas, dentre as quais não se acham duas iguais, pagando pelas mesmas um dólar. Logo presenteou-me com mais quatro cadeiras velhas sem assento, que lhe custaram setenta e dois centavos de dólar. A armação era forte, e fiz para elas assentos de lona. Manteiga é coisa tão cara que não a compramos, tampouco podemos nos abastecer de batatas. Usamos molho em lugar de manteiga, e nabos em vez de batatas. Nossas primeiras refeições foram tomadas numa tábua colocada sobre duas barricas de farinha vazias. Estamos dispostos a suportar privações para que a obra de Deus possa avançar” (ibid., p. 143-145).

Esse era o espírito de sacrifício pessoal e compromisso dos pioneiros adventistas, para espalhar as três mensagens angélicas nos primeiros dias de nosso movimento. Os tempos mudaram, mas o que podemos fazer para continuar e concluir a obra no mesmo espírito?


Quarta-feira – 29 de agosto

Amigos bajuladores

O homem que lisonjeia a seu próximo arma-lhe uma redeaos passos. Provérbios 29:5

Nossa tendência natural é apreciar quem nos aplaude e evitar quem nos critica. É inquestionável que inimigos podem minar nossa reputação e dificultar bastante nossa vida, conforme relatou Davi em alguns dos salmos imprecatórios (Sl 35, 58, 69, 109, etc.). Às vezes, porém, nossos melhores amigos podem se tornar nossos piores inimigos. Ao passo que os inimigos destacam nossos pontos fracos e erros, os amigos podem acabar apenas nos elogiando e desculpando nossas falhas.

Em 29 de agosto de 1899, Ellen White escreveu da Austrália uma carta de advertência para John Harvey Kellogg, que estava se tornando cada vez mais autossuficiente e independente. Ela afirmou: “E por que eu lhe tenho escrito com tanta frequência? Porque não há nenhuma outra pessoa que você considere que tenha autoridade suficiente para dar ouvidos. Assim a questão me foi apresentada. Seus irmãos e colegas na faculdade de medicina e no sanatório não podem ajudá-lo. Você é a própria autoridade. Se as pessoas que se relacionam com você fossem tão verdadeiras quanto deveriam, você ouviria delas palavras de conselho que não tem escutado” (Carta 135, 1899).

Dois reis de Israel foram desencaminhados por seguir o conselho equivocado de amigos bajuladores. O primeiro foi o Roboão (1Rs 12:1-24), que rejeitou o conselho dos anciãos e seguiu as sugestões dos jovens que haviam crescido com ele. Em consequência, a nação de Israel se dividiu em reino de Israel (norte) e reino de Judá (sul). O segundo foi Acabe (2Cr 18), que se cercou de 400 profetas bajuladores para concordar com ele contra a mensagem de Micaías, a quem odiava por repreendê-lo. As atitudes inconsequentes de Acabe lhe custaram a vida.

A sabedoria popular adverte: “A bajulação não leva a lugar algum.” Não ajuda o bajulador em si, que é desonesto com a própria consciência e hipócrita com o suposto amigo. Além disso, acaba enganando a pessoa que é bajulada, ao gerar uma sensação de falsa certeza. Nós devemos substituir críticas amargas por admoestação sincera e trocar bajulação enganosa por apreço honesto. Além disso, é preciso evitar “conselhos gratuitos” a quem não quer ser aconselhado (Pv 9:7-9). Falar a palavra certa para a pessoa certa no lugar certo pode causar um impacto positivo na vida de alguém!


Terça-feira – 28 de agosto

Eu tenho um sonho”

Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Filipenses 3:13, 14

Um dos piores problemas sociais do mundo é o racismo, uma forma de segregação social na qual as pessoas são julgadas não por aquilo que são, mas pela cor da pele e origem étnica. Conscientes do perigo e das ameaças desse problema, muitas pessoas têm aderido a movimentos políticos e sociais antirracistas.

No dia 28 de agosto de 1963, mais de 200 mil pessoas se reuniram em Washington, DC, para a “Marcha sobre Washington”, ajuntamento político em prol da justiça racial e de oportunidades iguais de trabalho para os afro- americanos. O evento culminou com o famoso discurso de Martin Luther King Jr., no qual ele afirmou: “Eu tenho o sonho de que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de seu credo: ‘Defendemos que tais verdades são evidentes, a saber, que todos os seres humanos foram criados iguais.’”

Mas como vencer o racismo e outras formas de discriminação? Devemos odiar aqueles que nos odeiam e discriminar os que nos discriminam? Se assim for, acabamos acrescentando mais combustível ao motor, produzindo um ambiente totalmente infectado pelo ódio. Conforme Luther King declarou em outro momento: “Retribuir ódio com ódio aumenta ainda mais a escuridão de uma noite já desprovida de estrelas. As trevas não afastam as trevas. Só a luz é capaz de fazer isso. O ódio é incapaz de dar fim ao ódio. Só o amor consegue fazê-lo.” Não surpreende, então, que Jesus tenha ordenado: “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mt 5:44). Só o amor é eficaz para lubrificar as engrenagens enferrujadas de nossa sociedade.

Luther King lutou até o último dia de sua vida contra o racismo e a segregação com sua estratégia de resistência não violenta. Ele nos ensina uma grande lição. A tarefa de vencer a tendência natural de odiar aqueles que nos odeiam e ignorar quem nos ignora é um processo contínuo e infindável de ser transformado cada vez mais à imagem e semelhança de Cristo. Somente a graça divina pode nos capacitar a combater a injustiça, vencer o ódio e propagar o amor.


Segunda-feira – 27 de agosto

Conferências bíblicas

Vocês estudam cuidadosamente as Escrituras, porque pensam que nelas vocês têm a vida eterna. E são as Escrituras que testemunham a meu respeito. João 5:39, NVI

Os adventistas do sétimo dia se consideram um movimento profético do tempo do fim, levantado por Deus para a restauração final da verdade bíblica. O grande desapontamento milerita de outubro de 1844 desafiou aqueles que se tornariam os fundadores da Igreja Adventista do Sétimo Dia a estudar a Bíblia. Ellen White explicou: “Houve diligente estudo das Escrituras, ponto por ponto. Quase noites inteiras foram consagradas ao diligente exame da Palavra. Pesquisávamos em busca da verdade como de tesouros ocultos. O Senhor Se nos revelou. Foi derramada luz sobre as profecias, e soubemos que recebíamos instrução divina” (Mensagens Escolhidas, vol. 2, p. 109).

No fim de 1846, os principais líderes adventistas observadores do sábado – José Bates, Tiago White e Ellen White – já estavam bem unidos acerca das principais doutrinas distintivas do movimento iniciante. Logo eles começaram a compartilhar as verdades recém-descobertas com outros ex-mileritas. As sete conferências bíblicas de fim de semana realizadas em 1848 em diferentes locais do nordeste dos Estados Unidos foram cruciais nesse processo. Uma delas ocorreu em Volney, Nova York (18 e 19 de agosto). Cerca de 35 pessoas participaram da reunião, defendendo todo tipo de ponto de vista equivocado. De acordo com Ellen White, era difícil encontrar dois entre eles que concordassem entre si.

Outra conferência importante foi realizada nos dias 27 e 28 de agosto de 1848, no celeiro de Hiram Edson, em Port Gibson, Nova York. Nesse local, Edson, Owen R. L. Crosier e Franklin B. Hahn haviam estudado as bases bíblicas para a doutrina do santuário, pouco tempo depois do desapontamento de outubro de 1844. Durante a conferência, Ellen White teve uma visão acerca da importância de os irmãos deixarem de lado suas diferenças e se unirem em torno da verdade bíblica. De fato, as conferências bíblicas de 1848 trouxeram muita união entre os fiéis.

Herdamos de nossos pioneiros um sistema doutrinário bem consolidado e consistente. Contudo, precisamos manifestar hoje o mesmo espírito de compromisso incansável com a oração e o estudo das Escrituras que eles demonstravam. Passar tempo com Deus e Sua Palavra é a condição inegociável para todo movimento verdadeiro de reavivamento e reforma. Por isso, em lugar de ter pequenos grupos apenas de natureza social e relacional, por que não criar também grupos de estudo a fim de aprofundar nosso entendimento da Bíblia?


Domingo – 26 de agosto

Rios de água viva

Quem crer em Mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. João 7:38

Existem rios enormes no mundo, mas nenhum deles pode se comparar ao gigantesco Amazonas, o maior de todos eles. Habitado por diversas tribos indígenas vivendo ao longo de suas margens, estima-se que o Amazonas foi encontrado pelos europeus em fevereiro de 1542 pelo explorador espanhol Don Francisco de Orellana. Rio abaixo, seguindo a correnteza, sua expedição chegou ao oceano Atlântico no dia 26 de agosto de 1542. Desde então, o Amazonas tem cativado o interesse de muitos exploradores, inclusive de Theodore Roosevelt e Jacques Cousteau.

Com uma bacia de aproximadamente 1.100 afluentes, o Amazonas deságua no oceano Atlântico aproximadamente 6.591 quilômetros cúbicos de água por ano. Maior do que os sete maiores rios seguintes somados, representa cerca de 20% da descarga fluvial do mundo. Mas isso não é tudo.

Em 17 de agosto de 2011, no Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Geofísica no Rio de Janeiro, Valiya Hamza e Elizabeth Tavares Pimentel detalharam a descoberta de um rio subterrâneo que flui quilômetros abaixo do poderoso Amazonas. Os dados científicos sugerem que esse rio é quase tão extenso quanto o Amazonas; porém, centenas de vezes mais largo e muito mais lento, desaguando nas profundezas do oceano Atlântico.

A bacia amazônica é somente parte do ciclo muito mais amplo da água no mundo. Nesse ciclo, “o lago e o oceano, o rio e as fontes – cada um tira para dar” (Educação, p. 103). Por mais gigantesco que seja, o rio Amazonas só consegue ser o que é por causa dos rios menores e até pequeninos riachos que se unem para alimentá-lo e desaguar suas águas no oceano. Mas nem as águas do oceano permanecem ali. Uma porcentagem significativa evapora e então retorna para a terra em forma de chuva, alimentando o ciclo da água.

Não importa se você é um rio enorme ou apenas um pequeno riacho. O que realmente tem valor é se você está cumprindo sua tarefa dentro do plano geral de Deus. Você e eu devemos ser “receptáculo e condutor de sua energia vivificadora”, a qual deriva da Bíblia (Educação, p. 192). Que bênçãos fluiriam para o mundo se cada um de nós fosse um receptáculo-condutor da mensagem de salvação divina!


Sábado – 25 de agosto

Deus está morto?

Diz o insensato no seu coração: Não há Deus. Salmo 14:1

Muitos filósofos e cientistas modernos têm negado a existência de Deus. Entretanto, poucos se tornaram tão satíricos em relação a Deus e ao sistema de valores cristãos quanto o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, que nasceu no dia 15 de outubro de 1844 e morreu em 25 de agosto de 1900. Ele é amplamente conhecido por sua filosofia niilista, seu conceito de que “Deus está morto”e sua ideia do homem superior ou super-homem, que inspirou o regime nazista.

O conceito de que “Deus está morto” permeia boa parte dos escritos de Nietzsche. Por exemplo, no livro A Gaia Ciência, ele declarou: “Os deuses também se decompõem! Deus morreu! Deus continua morto! E fomos nós que o matamos!” Na famosa obra de sua autoria Assim Falava Zaratustra, acrescentou: “Todos os deuses morreram; agora viva o Super-homem!”.

Quando Nietzsche declarou que “Deus está morto”, não estava subentendendo que Deus existiu no passado e depois morreu no sentido literal. Para ele, Deus nunca existiu e, por meio do Iluminismo, todos os princípios e valores morais cristãos absolutos entraram em colapso. Com base na perspectiva dele, a vida não tem nenhum significado, propósito ou valor intrínseco. Esse conceito ajudou a corroer os valores morais de nossa sociedade.

Numa época em que muitos negam a existência de Deus, ainda existem pessoas sérias que continuam a confiar Nele. Conta-se que, certa vez, Billy Graham foi desafiado com a declaração: “Billy, você fala muito sobre Deus como se Ele estivesse vivo. Deus está morto. Ele não tem mais nenhum poder sobre as questões humanas.” Billy respondeu simplesmente: “Não estou sabendo da morte de Deus. Falei com Ele hoje de manhã.”

Podemos provar a existência de Deus? Não, somos incapazes de prová-la ou refutá-la. Mas temos evidências suficientes para crer Nele. O rei Davi declarou: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das Suas mãos” (Sl 19:1). E o próprio Deus nos desafia: “Ergam os olhos e olhem para as alturas. Quem criou tudo isso?” (Is 40:26, NVI). Deus não está morto. Ele está absolutamente vivo e cuida de nós, até mesmo daqueles que negam Sua existência!


Sexta-feira – 24 de agosto

Sem tempo para fugir

Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição, como vêm as dores de parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão. 1 Tessalonicenses 5:3

Pompeia era uma cidade romana próspera que atraía muitos turistas ricos. Com cerca de 12 mil habitantes, a cidade tinha um belo teatro romano e um sistema de água corrente para três direções: para as fontes públicas, para os banhos públicos e para a casa dos residentes abastados. As escavações arqueológicas revelaram um sistema de prostituição e orgias sexuais alastrado por toda a cidade. Havia inclusive seis banhos públicos romanos, o Lupanar Grande (principal prostíbulo de Pompeia) e vários outros bordéis, 153 tavernas e, ao longo da cidade, muitas paredes decoradas com imagens e grafites pornográficos. Alguns autores classificaram Pompeia como a capital sexual do império romano.

Pompeia não foi destruída sem advertências. Já em 62 a.C., um forte terremoto danificou grande parte da cidade. Muitos habitantes foram mortos naquela ocasião. Na manhã do dia 24 de agosto de 79 a.C., o vulcão Vesúvio entrou em erupção, espalhando pelo ar uma grande nuvem em formato de cogumelo de rocha e gás superaquecido. Por ficar a cerca de oito quilômetros de distância, Pompeia não foi imediatamente atingida pela lava vulcânica. Por isso, pelo menos algumas pessoas ainda puderam escapar. Na manhã seguinte, porém, uma nuvem de gás tóxico tomou conta da cidade, sufocando todos os 2 mil habitantes que ali permaneceram. Então um dilúvio de cinzas vulcânicas enterrou completamente a cidade, dando trágico fim à sua devassidão.

A Bíblia fala sobre outras civilizações ímpias que foram castigadas por Deus por suas iniquidades insolentes: os antediluvianos (Gn 6), Sodoma e Gomorra (Gn 19) e Babilônia (Dn 5). A essa lista podemos acrescentar também Pompeia e Herculano. Uma vez que o mundo está se tornando como nos dias de Noé (Mt 24:37-39) e como Sodoma e Gomorra (Jd 7), o que mais podemos esperar além de sua iminente destruição?

Sim, o mundo logo será destruído por intervenção da mão divina. Mas o mesmo fogo que consumirá o pecado com todas as suas expressões também purificará a Terra, preparando-a para a nova criação. Então haverá “novos céus e nova terra, onde habita a justiça” (2Pe 3:13).


Quinta-feira – 23 de agosto

Resistir

Então, sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações, por causa do Meu nome. Mateus 24:9

Todo cristão genuíno precisa pagar um preço por sua fé. Esse preço varia de acordo com as circunstâncias nas quais o cristão está inserido e no nível de seu compromisso com a Palavra de Deus.

Poucas pessoas pagaram um preço tão alto por sua fé quanto os huguenotes, que eram protestantes franceses calvinistas. Uma forte onda de violência católica contra os huguenotes começou na noite de 23 para 24 de agosto de 1572, a qual se tornou conhecida como o massacre do dia de São Bartolomeu. Começou em Paris e se espalhou para outros centros urbanos e regiões rurais, durando várias semanas. As estimativas modernas do número de mortos na França variam de cinco a 30 mil pessoas.

O Edito de Nantes, de 1598, assinado pelo rei Henrique IV da França, concedeu aos huguenotes tolerância religiosa significativa. No entanto, em 1685, Luís XIV revogou o Edito, e isso aumentou a hostilidade contra os huguenotes, o que levou à fuga de até 400 mil do país, arriscando a própria vida.

Em 1730, uma jovem huguenote de 19 anos de idade foi presa e confinada na torre de Constance, na cidade de Aigues-Mortes, no sul da França. O nome dela era Marie Durand (1711-1776), e seu crime era ter um irmão pastor protestante. Tudo que ela precisava fazer para sair da cadeia era dizer: “Eu me retrato.” Em vez disso, ela entalhou em uma pedra da prisão a palavra francesa résister (“resistir”). Marie passou 38 anos (1730-1768) na prisão por causa de sua fé!

Você estaria disposto a pagar um preço tão elevado por sua fé? Louvado seja o Senhor se sua resposta for afirmativa. De todo modo, há um imenso contraste entre a convicção inamovível de muitos mártires cristãos e as crenças ajustáveis do cristianismo pluralista que predomina atualmente. Os mártires viveram em uma época de intolerância religiosa. Para eles, a verdade era a verdade, a despeito das circunstâncias e daquilo que as autoridades políticas e eclesiásticas diziam.

Os tempos mudaram. Hoje, em muitos países do mundo, temos a bênção da liberdade religiosa. Infelizmente, porém, o efeito colateral da liberdade tende a ser a falta de comprometimento. Muitos cristãos hoje gostam de ser politicamente corretos! Desfrutemos a liberdade que temos, sem perder o compromisso com a Palavra de Deus e a disposição em pagar o preço por nossa fé.


Quarta-feira – 22 de agosto

A luz do mundo

Eu vim como luz para o mundo, a fim de que todo aquele que crê em Mim não permaneça nas trevas. João 12:46

Aluz é uma forma de energia que viaja em ondas e nos permite enxergar tudo o que podemos ver. Isso significa que somos absolutamente dependentes da luz para descobrir o mundo ao nosso redor e explorar o que podemos de nosso universo infinito. Você é capaz de ler este livro por causa da luz que brilha nas páginas e em seus olhos. O conhecimento que temos acerca das dimensões do Universo se deve à luz das estrelas que nos alcança e ao nosso conhecimento sobre a velocidade da luz.

Até o século 17, acreditava-se que a luz podia percorrer qualquer distância imediatamente e não havia o conceito de “velocidade da luz”. As primeiras tentativas de mensurá-la foram feitas pelo cientista holandês Isaac Beeckman e pelo astrônomo e físico italiano Galileu Galilei. A maioria das medições mais precisas começou com o astrônomo dinamarquês Ole Rømer (1644-1710) no Observatório Real em Paris. Com base em suas observações do movimento dos planetas, Rømer estimou que a luz viajaria a uma velocidade aproximada de 220 mil quilômetros por segundo. Em 22 de agosto de 1676, ele anunciou algumas de suas descobertas fundamentais na Academia Real de Ciências em Paris. Estudos posteriores feitos por outros cientistas ajudaram a definir com maior precisão esse número. Em 1983, o 17º Congresso Geral de Pesos e Medidas adotou a velocidade de 299.792,458 quilômetros por segundo como o valor da velocidade da luz no vácuo.

É impressionante perceber que Jesus Se referiu a Si mesmo como “a luz do mundo” (Jo 8:12). E explicou mais: “Eu vim como luz para o mundo, a fim de que todo aquele que crê em Mim não permaneça nas trevas” (Jo 12:46). Assim como a escuridão física significa ausência de luz, trevas espirituais querem dizer ausência de Jesus na vida. Logo, quando Ele entra em nossa existência, brilha a luz, e as trevas vão embora.

Os cristãos têm o dever de refletir a luz de Cristo para os outros. No Sermão do Monte, Jesus chegou a declarar: “Vós sois a luz do mundo. […] Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5:14, 16). Logo, as pessoas deveriam ver a luz de Cristo refletida em nós e por meio de nós, indicando o caminho certo para o lar celestial.


Terça-feira – 21 de agosto

Sempre me contemplando

Os olhos do Senhor estão em toda parte, observando atentamente os maus e os bons. Provérbios 15:3, NVI

Um dos mais famosos furtos de obras de arte ocorreu no Museu do Louvre, em Paris, no dia 21 de agosto de 1911. Nada menos que a “Monalisa”, de Leonardo da Vinci, foi roubada por um funcionário do museu e guardada em seu apartamento por mais de dois anos. Esse foi o maior desastre para essa pintura do início do século 16, considerada “a obra de arte mais conhecida, mais visitada, mais comentada por escrito, mais cantada e mais parodiada do mundo” (John Lichfield). Ela foi devolvida ao Louvre em janeiro de 1914. As pessoas apreciam o sorriso de Monalisa, bem como o efeito artístico que permite que os olhos dela sempre acompanhem quem a vê, a despeito do ângulo em que a pessoa esteja.

É possível que a pintura adventista mais famosa e conhecida seja o mural “O Cristo do caminho estreito”, de Elfred Lee, em exibição permanente no centro de visitantes do Ellen G. White Estate, em Silver Spring, Maryland. Dedicado em 22 de outubro de 1991, o quadro é uma representação pictórica da primeira visão de Ellen White, enriquecida por vários momentos históricos cruciais do adventismo do sétimo dia e seus líderes influentes. No centro do mural, Cristo está de braços abertos. Assim como acontece com a Monalisa, os olhos de Jesus na imagem acompanham quem olha para ela. Certa vez, perguntei a Elfred Lee qual o segredo desse efeito. Ele me contou que, quando os olhos são bem pintados, esse é o efeito natural.

Os olhos sempre contempladores tanto de Monalisa quanto de Cristo nos lembram de que “os olhos do Senhor estão em toda parte, observando atentamente os maus e os bons” (Pv 15:3, NVI). Há um imenso contraste entre aqueles que alegam: “O Senhor não nos vê, o Senhor abandonou a terra” (Ez 8:12), e os que reconhecem: “Para onde me ausentarei do Teu espírito? Para onde fugirei da Tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a Tua mão, e a Tua destra me susterá” (Sl 139:7-10).

O que mudaria em sua vida se você tivesse a consciência constante de que Deus o está contemplando? Lembre-se: você pode se esconder dos outros, mas nunca de si mesmo nem do Senhor. Nunca perca de vista a presença permanente de Deus!


Segunda-feira – 20 de agosto

O Paraíso Reconquistado

Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos. Romanos 5:19

As primeiras páginas da Bíblia nos contam a dramática história do paraíso original e de como ele se degenerou por causa da transgressão de Adão e Eva (Gn 3). As últimas páginas das Escrituras retratam o esplêndido paraíso restaurado (Ap 21; 22), depois que Deus fizer “novas todas as coisas” (Ap 21:5). Entre as duas cenas contrastantes, encontramos o drama humano em andamento, no qual cada pessoa decide qual será o próprio destino.

O poeta inglês John Milton (1608-1674) produziu os mais célebres poemas épicos sobre essas cenas. Completamente cego desde 1652, Milton ditava seus poemas, contando com o auxílio de copistas e amigos. Ele assinou o contrato de publicação de O Paraíso Perdido e, quatro meses depois, em 20 de agosto de 1667, o editor Samuel Simmons registrou a obra. Conta-se que Thomas Ellwood, que estudou latim com Milton, o abordou com o seguinte comentário: “Muito falaste aqui sobre o paraíso perdido, mas o que tens a dizer acerca do paraíso encontrado?”

Milton refletiu sobre o assunto e, algum tempo depois, produziu a obra de continuação O Paraíso Reconquistado (1671). Esse curto poema épico retrata uma série de debates entre Cristo e Satanás. Nele, Jesus compensa o fracasso de Adão e Eva ao resistir vitoriosamente às tentações do diabo. Conforme Paulo declarou muito bem, “como, pela desobediência de um só homem [Adão], muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só [Cristo], muitos se tornarão justos” (Rm 5:19). A extraordinária vitória de Jesus sobre Satanás pode nos livrar do cativeiro do pecado e finalmente nos levar ao paraíso restaurado.

O Grande Conflito (p. 648) narra o emocionante momento no qual Cristo levará Adão de volta ao paraíso no qual ele vivia. Então Adão “compreende que isso é na verdade o Éden restaurado, mais lindo agora do que quando fora dele banido […]. Olha em redor de si e contempla uma multidão de sua família resgatada, no Paraíso de Deus. Lança então sua brilhante coroa aos pés de Jesus e, caindo a Seu peito, abraça o Redentor. Dedilha a harpa de ouro, e pelas abóbadas do Céu ecoa o cântico triunfante: ‘Digno, digno, digno, é o Cordeiro que foi morto, e reviveu!’”

Você e eu precisamos estar lá também!


Domingo – 19 de agosto

O povo da Bíblia

Guardo coração as Tuas palavras, para não pecar contra Ti. Salmo 119:11

Os adventistas do sétimo dia costumavam se denominar “O Povo da Bíblia”. Muitos deles faziam o ano bíblico e demonstravam sua familiaridade com as Escrituras em debates doutrinários com outros cristãos. Muitos adventistas tinham bons resultados em importantes concursos de conhecimento bíblico tanto nacionais quanto internacionais.

Em 19 de agosto de 1958, a final do Primeiro Concurso Internacional da Bíblia aconteceu na Universidade Hebraica de Jerusalém. O concurso foi patrocinado pelo canal de televisão Israel Broadcasting Corporation a fim de comemorar o aniversário de dez anos da nação. Os finalistas representavam 15 países diferentes. Irene Santos, professora adventista brasileira, de 39 anos de idade, ficou em terceiro lugar.

No Segundo Concurso Internacional da Bíblia em Jerusalém (1961), Yolanda da Silva, outra professora adventista brasileira e esposa de pastor, recebeu a segunda colocação, mas depois foi elevada à medalha de ouro. O pastor adventista J. J. B. Combrinck, da África do Sul, ficou em quinto lugar. Graham Mitchell, contador da indústria adventista de alimentos saudáveis Sanitarium, na Austrália, ganhou o Terceiro Concurso Internacional da Bíblia em Jerusalém (1964). Manuel Jara Calderon, adventista da Bolívia, ficou em quarto lugar no Quarto Concurso Internacional da Bíblia (1969). Em 1981, Francisco Alves de Pontes (apelidado de “Chico Bíblia”), mais um adventista brasileiro, ganhou o segundo lugar, mas também foi elevado à medalha de ouro, como havia acontecido com Yolanda da Silva.

Esses nomes são apenas algumas representações de muitos outros adventistas fiéis que eram e ainda são apaixonados pela Palavra de Deus. Como família e indivíduos adventistas, precisamos resgatar o bom hábito de memorizar trechos da Bíblia. Muito mais importante, porém, do que recitar passagens bíblicas é interpretá-las corretamente e viver em conformidade com seus ensinos. Que desastre seria para nós acabar tendo apenas um grande cérebro, mas o coração vazio!

Cristo rogou por seus seguidores: “Santifica-os na verdade; a Tua palavra é a verdade” (Jo 17:17). Nossa abordagem de memorização das Escrituras e nossa religião intelectual, por melhores que sejam, necessitam ser santificadas pelo poder transformador da Palavra de Deus. Deixemos de lado todas as críticas humanas e ouçamos com humildade e obediência a Palavra do Senhor!


Sábado – 18 de agosto

Colégio em Madison

Estas palavras que, hoje, Te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. Deuteronômio 6:6, 7

Aeducação cristã significa fazer discípulos que dão prosseguimento ao modelo de serviço redentor em prol da humanidade exemplificado por Cristo. Esse modelo deve caracterizar cada professor e instituição educacional adventista. Poucas instituições educacionais desenvolveram com tanta eficiência o ideal de serviço abnegado quanto a Escola Normal e Agrícola de Nashville, renomeada em 1937 como Faculdade de Madison, então em Madison, Tennessee.

Ellen White tinha uma preocupação especial com a obra no sul dos Estados Unidos. Por isso, em 1904, E. A. Sutherland e Percy T. Magan abdicaram de suas funções na Faculdade Missionária Emmanuel (hoje Universidade Andrews) e se mudaram para Nashville. Seguindo os conselhos de Ellen White, compraram uma fazenda de 160 hectares, a fim de criar uma instituição educacional autossustentada. Na Review and Herald de 18 de agosto de 1904, ela apelou: “Enquanto esses irmãos vão para o sul a fim de encabeçar uma obra pioneira em um campo difícil, pedimos ao nosso povo que torne a obra deles o mais eficaz possível, auxiliando-os no estabelecimento da nova escola próximo a Nashville.”

Todo o sistema educacional em Madison era baseado no sacrifício pessoal, em economia estrita e persistente, um plano de estudo principal e autogoverno, contando com o estudo da Bíblia como característica principal. Funcionando como uma grande família comunitária, professores e alunos trabalhavam e estudavam juntos. Para Sutherland, “nossa escola dá aos alunos não só preparo para a vida, mas deve permitir que adquiram experiência de vida”. Os estudantes deveriam sair de lá e começar as próprias pequenas réplicas de Madison. A formação que recebiam era tão eficiente e inspiradora que os formados na instituição estabeleceram cerca de 40 pequenas escolas autossustentadas em comunidades pobres no sul dos Estados Unidos.

Os tempos mudaram. Hoje, muitos dentre nós estão mais interessados nos próprios direitos e privilégios do que em se sacrificar pela causa de Deus. O serviço altruísta é um princípio cristão universal. Que diferença pode- ríamos fazer se resgatássemos o espírito de simplicidade e serviço que caracterizou os anos dourados do colégio em Madison!


Sexta-feira – 17 de agosto

Azaria Chamberlain

Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más. Eclesiastes 12:14

Michael e Lindy Chamberlain estavam apenas começando um acampamento com a família em Uluru (também conhecido como Ayers Rock), no desertoaustraliano. Desfrutavam momentos agradáveis com seus dois meninos, Aidan e Reagan, e com a filhinha de dois meses de vida, Azaria. Mas, na noite de domingo, 17 de agosto de 1980, Azaria foi tirada da barraca da família, e seu corpo nunca foi encontrado. Lindy relatou à polícia local que vira um dingo– um cão selvagem australiano – sair da barraca e, como já era de se esperar, uma semana depois, um turista encontrou o macacão, as botinhas, a fralda e a camisetinha ensanguentados de Azaria. A investigação inicial concluiu que nenhum membro da família Chamberlain fora responsável pela morte da bebezinha. Mas esse não foi o fim da história, que se tornou o julgamento mais alardeado pela mídia em toda a história da Austrália.

Alguns culparam Lindy por não se comportar como uma mãe enlutada. Outros alegaram que a Igreja Adventista do Sétimo Dia era uma seita que matava recém-nascidos como parte de suas cerimônias religiosas bizarras. Um grupo supôs que Azaria teria sido levada a um local deserto para ser oferecida em sacrifício. O fato de Michael ser pastor ordenado da denominação fortaleceu essa interpretação. Um suposto médico de Azaria chegou a publicar uma nota anônima dizendo que o nome dela significava “sacrifício no deserto”. Assim, em 1982, Lindy foi condenada por homicídio em primeiro grau e sentenciada à prisão perpétua. Michael, por ser cúmplice do fato, recebeu uma sentença de 18 meses em regime aberto.

O livro de John Bryson, Um Grito no Escuro (1985), apresentou uma abordagem profunda acerca do caso Chamberlain e sugeriu que eles poderiam ter sido condenados injustamente. Em setembro de 1988, a Corte de Recursos Criminais do Território do Norte da Austrália revogou por unanimidade todas as acusações contra Lindy e Michael. Dois meses depois, estreou o filme Um Grito no Escuro. Por fim, no dia 12 de junho de 2012, a juíza Elizabeth Morris anunciou que a morte de Azaria realmente foi causada por um dingo.

Esse é apenas um dos muitos exemplos de como a justiça humana pode ser falha. Por sua vez, a justiça divina nunca se engana. Se você é vítima de algum julgamento humano injusto, saiba que, um dia, Deus elucidará todos esses casos.


Quinta-feira – 16 de agosto

Evitando tragédias

Mas, se a sentinela vir chegar a espada e não tocar a trombeta para advertir o povo, e a espada vier e tirar a vida de um deles, aquele homem morrerá por causa de sua iniquidade, mas considerarei a sentinela responsável pela morte daquele homem. Ezequiel 33:6, NVI

Na trágica manhã de 11 de setembro de 2001, quando as aeronaves comerciais sequestradas se chocaram contra o World Trade Center e o Pentágono, Zacarias Moussaoui estava em uma cadeia de Minnesota, preso por problemas de imigração. Ele havia chegado aos Estados Unidos em fevereiro de 2001 e levantado suspeitas depois de pagar grandes somas em dinheiro a uma escola de aviação. O imigrante insistiu em ser treinado para pilotar um “grande pássaro”, ou seja, um Boing 747 Jumbo, a despeito de sua falta de habilidade óbvia até mesmo em aviões pequenos. Sua estranha conduta despertou muita preocupação.

Moussaoui foi preso no estado de Minnesota em 16 de agosto de 2001, por volta das quatro da tarde, acusado de violar os termos de seu visto. Ao fazer contato com agências de inteligência internacional, o escritório do FBI de Mineápolis descobriu que ele poderia ter conexão com terroristas. A equipe entrou em contato imediato com o FBI de Washington, solicitando autorização para iniciar uma investigação completa, incluindo a busca nos registros do computador de Moussaoui e em seus pertences. No entanto, o procedimento foi negado. Ele foi permitido somente após os ataques de 11 de setembro e confirmou que o computador continha toda a estratégia dos terroristas.

Algumas distrações e omissões podem ter consequências devastadoras. Muitos dos problemas sem solução que enfrentamos são aqueles que não foram resolvidos quando deveriam. A realidade é que temos a tendência de ser mais reativos do que proativos. Não são muitos que conseguem prever a colheita já na semente, e o incêndio destruidor na primeira faísca. Assim aconteceu no caso de Moussaoui, em que os agentes superiores do FBI acharam que sua equipe local estivesse exagerando.

Ao lidar com questões espirituais, somos responsáveis perante Deus por “emitir um som claro” com nossa trombeta (1Co 14:8, NVI). O Senhor espera não só que advirtamos os outros, mas também que ouçamos as advertências que Ele nos envia. Necessitamos de sabedoria divina para nunca exagerar nem negligenciar os problemas que enfrentamos. Uma palavra de alerta dita no tempo certo, para a pessoa certa, de maneira ética, nem sempre será apreciada, mas poderá evitar problemas imensos no futuro.


Quarta-feira – 15 de agosto

Sonhos colossais

Os demais acontecimentos do reinado de Ezequias, todas as suas realizações, inclusive a construção do açude e do túnel que canalizou água para a cidade, estão escritos no livro dos registros históricos dos reis de Judá. 2 Reis 20:20, NVI

Nem todas as árvores produzem frutos sempre na mesma época. Algumas, como a figueira, podem frutificar a cada dois anos. Desde a semente, o abacateiro pode levar de cinco a treze anos até estar maduro o suficiente para dar frutos. Da mesma maneira, nem todos os nossos melhores sonhos se materializam tão rapidamente quanto gostaríamos. Dois projetos extraordinários de engenharia hidráulica podem ilustrar muito bem esse princípio.

O primeiro é o túnel de Siloé, também conhecido como túnel de Ezequias. Jerusalém vivia a iminência de um cerco assírio, liderado por Senaqueribe. A fim de garantir um suprimento seguro de água, o rei Ezequias ordenou a escavação de um túnel de rocha que levasse água da fonte de Giom até o tanque de Siloé. Com 533 metros de comprimento e um declínio de 30 centímetros, o túnel curvo foi escavado por duas equipes: um grupo cavando de um lado da rocha, e o outro, do outro lado, encontrando-se depois no meio. Esse projeto impressionante foi concluído durante o reinado de Ezequias.

Outro grande projeto é o Canal do Panamá, que conecta o oceano Atlântico ao Pacífico. Pedro Arias Dávila, o governador que fundou a cidade do Panamá em 1514, recebeu da coroa espanhola a incumbência de encontrar um lugar natural para unir os dois oceanos. Com o tempo, muitos passos importantes foram dados. Por fim, no dia 15 de agosto de 1914, um canal de 77 quilômetros foi inaugurado com a primeira embarcação a atravessá-lo. Somente quatro séculos mais tarde o sonho original foi plenamente implementado.

Conforme já mencionado, nem todas as árvores dão fruto ao mesmo tempo. Nem todos os nossos sonhos podem virar realidade na mesma época. É possível que alguns de nossos melhores planos levem mais do que nosso tempo de vida para se tornar realidade. Seja humilde o suficiente para dar o seu melhor em tudo aquilo que fizer, mesmo que outros recebam a honra por um projeto que você iniciou ou desenvolveu. Se sua intenção for glorificar a Deus em tudo que realizar (Mt 5:16; 1Co 10:31), não precisa se frustrar caso não receba louvores por suas conquistas.


Terça-feira – 14 de agosto

Ele morreu por mim

Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o Justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito. 1 Pedro 3:18

Nenhum sacrifício humano pode ser comparado ao sacrifício infinito de Cristo na cruz do Calvário. Ainda assim, porém, temos alguns exemplos de pessoas que morreram pelos outros. No final de julho de 1941, três prisioneiros desapareceram do campo de concentração Auschwitz, no sul da Polônia. A fim de deter mais tentativas de fuga, o comandante do campo representante da SS nazista ordenou que outros dez prisioneiros morressem de fome. Um deles era Franciszek Gajowniczek, que gritou: “Minha esposa! Meus filhos!” Tocado por essas palavras, o frade franciscano Maximilian Kolbe (1894-1941) se voluntariou para trocar de lugar com ele.

Após duas semanas de desidratação e fome, somente Kolbe continuava vivo. Querendo esvaziar a cela, os guardas lhe aplicaram uma injeção letal de fenol no dia 14 de agosto de 1941. Ele morreu aos 47 anos de idade, e seus restos mortais foram cremados no dia seguinte. Ele morreu voluntariamente por Franciszek Gajowniczek (1901-1995), que viveu por mais 53 anos. Quando Gajowniczek estava com 93 anos de idade, ainda se recordava daquele dia: “O padre Kolbe disse ao comandante: ‘Quero ir no lugar do homem que foi escolhido. Ele tem mulher e filhos. Eu sou sozinho. Sou um frade católico.’”

Esse episódio nos lembra daquilo que Cristo fez por nós há 2 mil anos. Ellen White escreveu: “O Redentor do mundo foi tratado como nós merecíamos, para que pudéssemos receber o tratamento a que Ele tinha direito. Ele veio ao nosso mundo e tomou nossos pecados sobre Sua alma divina, a fim de que pudéssemos receber Sua justiça imputada. Foi condenado pelos nossos pecados, nos quais não tinha participação, para que fôssemos justificados por Sua justiça, na qual não tínhamos parte. O Redentor do mundo Se entregou por nós. Quem era Ele? A Majestade do Céu, derramando o próprio sangue sobre o altar da justiça pelos pecados do ser humano culpado” (Review and Herald, 21 de março de 1893).

Cristo não sofreu uma morte natural. Ele morreu a segunda morte em nosso lugar, para que todos aqueles que estão Nele não a sofram (Ap 20:6). “Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no Seu Filho” (1Jo 5:11).

Obrigado, nosso Senhor Jesus Cristo, porque vieste sofrer e morrer por mim! Por meio de Seu sacrifício excelso, posso ser justificado e ter a vida eterna. Amém!


Segunda-feira – 13 de agosto

Declínio moral

Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem. Mateus 24:38, 39

O mundo atual é melhor ou pior do que há 200 anos? A resposta depende da perspectiva adotada. Do ponto de vista tecnológico, ele melhorou de maneira significativa. Socialmente falando, porém, os valores morais decaíram de forma drástica. Mesmo assim, ainda existem ilhas de casamentos estáveis em nosso oceano social, assolado por todo tipo de tempestade imoral.

Billy Graham e Ruth Bell se casaram em 13 de agosto de 1943. O inspirador matrimônio dos dois durou quase 64 anos, até o falecimento dela, em 14 de junho de 2007. Certa vez, quando lhe perguntaram acerca das frequentes ausências do marido, Ruth respondeu: “Prefiro ter um pouquinho do Billy do que muito de qualquer outro homem.” No dia anterior à morte da esposa, ele afirmou: “Ruth é minha alma gêmea e melhor amiga. Não consigo imaginar viver um único dia sem ela ao meu lado. Estou mais e mais apaixonado por ela hoje do que quando nos conhecemos, há mais de ٦٥ anos, enquanto éramos estudantes no Wheaton College.” Infelizmente, não são muitos os casais modernos capazes de construir juntos um casamento romântico tão duradouro!

Na metade da década de 1970, o preceptor do internato onde eu estudava citava a famosa declaração de Ruth Graham: “Se Deus não punir a América, precisará pedir desculpas a Sodoma e Gomorra.” É inquestionável que muitas coisas mudaram desde então! Se ela estava preocupada com o declínio moral do mundo daquela época, o que dizer da situação atual? Por exemplo, no meio do ano de 2014, o jornal The Telegraph relatou que usuários britânicos do Facebook já podiam escolher entre 71 opções diferentes de gênero.

Cristo nos advertiu dizendo que o estilo de vida antediluviano de comer e beber, casar e se dar em casamento seria praticado logo antes do fim do mundo (Mt 24:37-39). O declínio moral da sociedade exige que ou Deus intervenha nas questões humanas ou a humanidade se destruirá. Contudo, louvado seja o Senhor porque em breve Cristo virá eliminar toda maldade e fundar Seu reino de justiça (Dn 7:13, 14).


Domingo – 12 de agosto

Investindo na juventude

Ninguém despreze a tua mocidade; pelo contrário, torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza. 1 Timóteo 4:12

Muitos grandes líderes do mundo têm reconhecido o valor e o potencial de moldar a mente das novas gerações. Alguns o fizeram por uma boa causa; outros, por motivos ruins, como no caso de Adolf Hitler e sua “Juventude Hitlerista”. No dia 14 de setembro de 1935, ele disse a um grupo de 54 mil rapazes e moças reunidos em Nurenberg: “Vocês são o futuro da nação, o futuro do Reich alemão.” Hitler também tinha plena consciência de que “aquele que controla a escola controla os jovens, e aquele que controla os jovens controla o futuro!” Não é de se espantar que, por volta de 1936, cerca de 97% de todos os professores das escolas públicas da Alemanha haviam se unido à Liga Nacional Socialista de Professores.

Em contraste, muitas organizações jovens cristãs têm estimulado as novas gerações a viver os princípios bíblicos e a cumprir a missão evangélica. Dentre as mais influentes delas, está a Associação Cristã de Moços, fundada em 1844, em Londres, a fim de promover o desenvolvimento saudável do “corpo, da mente e do espírito”; e também o Movimento de Estudantes Voluntários para Missões Estrangeiras (SVM), organizado em 1886 com o propósito de recrutar universitários dos Estados Unidos para o serviço missionário em terras estrangeiras. Por muitos anos, a Sociedade de Missionários Voluntários da Igreja Adventista do Sétimo Dia foi impulsionada pelo lema: “A mensagem do advento a todo o mundo nesta geração.”

Em dezembro de 1999, a Assembleia Geral das Nações Unidas votou que 12 de agosto se tornaria o Dia Internacional do Jovem. Isso faz parte da estratégia das Nações Unidas “de aumentar a qualidade e a quantidade de oportunidades disponíveis para os jovens a fim de poderem participar de forma plena, eficaz e construtiva da sociedade”. Que bênção se os jovens adventistas puderem ter oportunidades semelhantes também em nossas igrejas locais!

Ellen White declarou: “Com tal exército de obreiros como o que poderia fornecer a nossa juventude devidamente preparada, quão depressa a mensagem de um Salvador crucificado, ressuscitado e prestes a vir poderia ser levada ao mundo todo!” (Educação, p. 271). Toda congregação adventista deveria se tornar uma verdadeira escola de treinamento para as novas gerações. O que você e sua igreja têm feito para transformar isso em realidade?


Sábado – 11 de agosto

“Querido filho”

Filho meu, ouve o ensino de teu pai e não deixes a instrução de tua mãe. Provérbios 1:8

Quando você pensa em seus pais (ou na pessoa que o criou), o que lhe vem à mente? Ainda se lembra dos conselhos sábios e da instrução útil que recebeu? Que valores morais eles esperavam que você levasse para a vida inteira? Você ainda guarda cartas ou e-mails que lhe enviaram?

No dia 11 de agosto de 1868, Ellen White escreveu uma carta muito instrutiva sobre o desenvolvimento do caráter para Edson, seu filho de 19 anos. Ela começou dizendo: “Sou grata a nosso Pai celestial pelos esforços que você tem feito para superar cada defeito de caráter. Serão os vencedores que verão a Jesus como Ele de fato é e se tornarão à sua semelhança” (Carta 20, 1868). Então o aconselhou a continuar “andando na luz que Deus lhe tem dado”. Ele deveria não só orar mas também colocar em prática suas orações.

Por ser uma mãe amorosa, Ellen incentivou o filho e manter a consciência limpa. Aconselhou: “Transforme a vontade de Deus em sua regra de conduta em todas as coisas – tanto nas pequenas, quanto nas grandes questões. […] Como será agradável e satisfatória a recordação de que, ao longo da vida, embora exposto a muitas tentações ferrenhas, suas mãos não se mancharam pela desonestidade nem seu coração foi contaminado por tentações acariciadas” (ibid.).

Na esfera financeira, Ellen acrescentou: “A extravagância necessita de recursos e, se o dinheiro não puder ser obtido com honestidade, será arranjado desonestamente. O amor pelos prazeres e por roupas finas tem levado muitos jovens à prisão e até à forca. Sempre faça questão de viver dentro de sua renda. Passe sem coisas que trariam consigo uma dívida. Nunca compre nada sem ter todo o dinheiro para pagar” (ibid.).

Ellen chamou a atenção do filho para o exemplo de integridade moral de José, o qual “aprendeu a governar ao aprender, primeiramente, a obedecer” (Cristo Triunfante, p. 102). Ela concluiu: “Meu querido filho, não se coloque acima da simplicidade de uma humilde vida cristã. Permita que o caráter de José seja seu caráter; que a força dele para resistir à tentação seja a sua força. Seus esforços serão bem-sucedidos se você os fizer na força de Deus. Que a bênção de Jesus repouse sempre sobre você, é a oração de sua mãe” (ibid.).

Hoje é um bom dia para refletir nos sábios conselhos recebidos de seus pais e de outros cristãos verdadeiros. Pela graça de Deus, o dia de hoje pode ser um novo começo em sua vida!


Sexta-feira – 10 de agosto

Reconversão

Mas nós tínhamos que celebrar a volta deste seu irmão e alegrar-nos, porque ele estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi achado. Lucas 15:32, NVI

Irmãos e irmãs que vivem sob o mesmo teto podem desenvolver caráter diferente e seguir caminhos distintos, como foi o caso de Esaú e Jacó (Gn 25:21-34). Na família de Tiago e Ellen White, o filho mais velho, Henry Nichols, tinha uma personalidade mais estável, enquanto seu irmão, James Edson, era cheio de altos e baixos, especialmente no aspecto financeiro. Além disso, sua vida espiritual também não era como deveria. Ao longo dos anos, Ellen escreveu a ele diversas cartas de apelo, mas sem muitos resultados positivos.

Certa vez, Edson chegou a confessar em carta à mãe: “Não possuo nenhuma inclinação religiosa.” Ellen percebia que Satanás estava desencaminhando seu filho e orava com fervor por ele. Numa ocasião, enviou-lhe uma longa carta e apelou: “Sua história religiosa não precisaria ser tão vacilante, mas firme e verdadeira. Entretanto, você é livre para seguir o próprio rumo. Você tem sido forte em um momento, mas trôpego no outro. Estou resolvida a adverti-lo e fazê-lo ouvir: ‘Este é o caminho’” (Carta 123, 1893). Esse apelo se tornou o ponto de virada na vida de Edson.

No dia 10 de agosto de 1893, ele escreveu à mãe: “Entreguei-me plena e totalmente e nunca desfrutei tanto a vida quanto agora. Por anos, tenho sentido tamanha pressão, com tanto para realizar e isso ficava em meu caminho. Agora entreguei tudo a meu Salvador, e o fardo não pesa mais sobre mim. Não sinto o desejo de participar de diversões e prazeres que consistiam na soma das minhas alegrias de antes, mas meu prazer está nos encontros para cultuar com o povo de Deus, de uma maneira que nunca havia sentido antes.” Alguns dias depois, acrescentou: “Provei como é andar nos próprios caminhos e como é triste! Agora desejo o caminho de Deus e sei que ele será bom.” A partir de então, Edson teve uma vida espiritual muito estável.

Talvez você também tenha tentado administrar sua vida à própria maneira, sem sucesso. Neste momento, você pode se entregar por completo a Deus. Se necessário, pode passar por uma nova experiência de conversão, assim como o filho pródigo (Lc 15:11-32). Nosso Pai celestial está mais do que disposto a aceitar e a transformar você em um cidadão de Seu reino eterno. Creia nisso


Quinta-feira – 9 de agosto

Torre inclinada

E todo aquele que ouve estas Minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia. Mateus 7:26

Às vezes, somos tentados a começar um novo projeto sem pensar o bastante em seus desdobramentos e nas consequências duradouras. Esse foi o caso da célebre Torre inclinada de Pisa, na Itália. Seu alicerce começou a ser lançado no dia 9 de agosto de 1173, mas a torre em si só foi concluída cerca de 200 anos depois. A construção é formada por sete andares regulares, com um andar menor para o sino no topo. Ela tem cerca de 56 metros de altura e pesa 14.500 toneladas. Foi construída sobre solo instável, composto de argila macia, com camadas intermediárias de areia. Já durante a construção, o solo começou a ceder, e o prédio iniciou o processo de inclinação. Muitos esforços já foram feitos para impedir que a torre tombe.

Assim como a Torre de Pisa foi construída sobre solo instável de argila, a vida espiritual de muitos professos cristãos repousa sobre a forma superficial e instável da religião subjetiva. Jesus abordou esse assunto no fim do famoso Sermão do Monte. Já em Mateus 7:21, lemos: “Nem todo o que Me diz: Senhor, Senhor! entrará reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade de Meu Pai, que está nos Céus.”

A questão se tornou ainda mais explícita na Parábola dos Dois Construtores (v. 24-27). Algumas pessoas creem que a parábola diz respeito somente à aceitação ou rejeição pessoal de Jesus Cristo. E sabemos que “ninguém pode lançar outro fundamento”, além de Jesus Cristo (1Co 3:11). Mas a real questão aqui vai além do mero reconhecimento e da simples confissão Dele como “Senhor, Senhor”. Tem que ver com aquele que “ouve estas minhas palavras e as pratica” e com aquele “que ouve estas Minhas palavras e não as pratica” (Mt 7:24, 26).

Nunca devemos nos esquecer de que “a religião que vem de Deus é a única que leva a Ele” (O Desejado de Todas as Nações, p. 189). Ideologias humanas vêm e vão como ondas do oceano. Somente “a palavra de nosso Deus permanece eternamente” (Is 40:8). Aqueles que fundamentam a vida no alicerce inabalável da Palavra de Deus “resplandecerão […] como as estrelas, sempre e eternamente” (Dn 12:3).


Quarta-feira – 8 de agosto

Auto-suficiência

Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia! 1 Coríntios 10:12, NVI

Algumas pessoas sabem subir a escada do sucesso, mas não sabem como sair dela. Alvin Toffler (1928-2016) chegou a advertir: “Nada é mais perigoso do que o sucesso de ontem.”

Alonzo T. Jones (1850-1923) aceitou a mensagem adventista e foi batizado em Walla Walla, Washington, em 8 de agosto de 1874. Em 1878, foi ordenado ao ministério e se tornou um líder influente do adventismo. Com Ellet J. Waggoner, desempenhou um papel fundamental na pregação da justificação pela fé na assembleia da Associação Geral de 1888, em Mineápolis. Contudo, depois de 1901, a amizade com o Dr. John H. Kellogg fortaleceu sua autossuficiência e o sentimento de amargura antiorganizacional. Jones tentava incessantemente minar a liderança de Arthur G. Daniells como presidente da Associação Geral.

Em 19 de setembro de 1892, Ellen White afirmou: “É bem possível que os pastores Jones ou Waggoner sejam derrubados pelas tentações do inimigo. Mas se isso acontecer, não significa que não transmitiram uma mensagem de Deus nem que toda a obra realizada por eles foi um erro” (Carta 24, 1892). Infelizmente, faltou-lhes humildade e, como consequência, eles falharam em viver a mensagem que haviam pregado com tamanha eficácia para milhares de pessoas. Com o tempo, Kellogg, Waggoner e Jones acabaram saindo da igreja.

Em 1907, Jones recebeu a orientação de entregar sua credencial ministerial e, no ano seguinte, foi removido do rol de membros da igreja. Mesmo assim, ele solicitou uma audiência na assembleia da Associação Geral de 1909, realizada em Washington, DC. Na ocasião, apresentou um longo discurso em tom acusatório e se reuniu por três vezes com os principais líderes da igreja. Na última, após um longo apelo por reconciliação, o presidente, Arthur G. Daniells, estendeu as mãos do outro lado da mesa e disse: “Venha, irmão Jones, venha.” Jones se levantou e vagarosamente estendeu a mão. Entretanto, de repente, a puxou de volta e declarou: “Não! Nunca!”, e se assentou, para nunca mais voltar à igreja.

Muito mais importante do que começar bem é terminar bem. Orgulho e autossuficiência cobram um alto preço! A história de Alonzo T. Jones poderia ter terminado de maneira bem diferente se ele houvesse permanecido humilde e agradecido por aquilo que o Senhor realizara por meio dele.


Terça-feira – 7 de agosto

O amor de Deus

Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor. Romanos 8:38, 39

Muitos autores habilidosos e compositores talentosos têm usado as mais selecionadas palavras para descrever o amor de Deus. Um deles foi Frederick M. Lehman (1868-1953), que nasceu em Mecklenburg, Alemanha, no dia 7 de agosto de 1868, e emigrou para os Estados Unidos com a família aos quatro anos de idade. Ele escreveu e publicou centenas de hinos e compilou cinco hinários. Mas reconheceu que o amor de Deus ultrapassa todas as habilidades humanas de comunicação. Em 1917, na cidade de Pasadena, Califórnia, escreveu o maravilhoso hino “Sublime Amor” (Hinário Adventista do Sétimo Dia, nº 31).

A segunda estrofe do hino diz: “Se em tinta o mar se transformasse, / E em papel o céu também, / E a pena ágil deslizasse, / Dizendo o que esse amor contém, / Daria fim ao grande mar, / Ao esse amor descrever, / E o céu seria mui pequeno / pra tal relato conter.” E o coro acrescenta: “Sublime amor, o amor de Deus! / Oh! maravilha sem-par! / Por esse amor, eternamente, / A Deus iremos louvar.”

Em 1889, Ellen White escreveu: “Todo o amor paternal que veio de geração em geração através do coração humano e toda fonte de ternura que se abriu na alma do homem não passam de tênue riacho em comparação com o ilimitado oceano, quando postos ao lado do infinito, inesgotável amor de Deus. A língua não o pode exprimir, nem a pena é capaz de o descrever. Pode-se meditar nele todos os dias de nossa vida; pode-se esquadrinhar diligentemente as Escrituras a fim de compreendê-lo; pode-se reunir toda faculdade e poder a nós concedidos por Deus, no esforço de compreender o amor e a compaixão do Pai celestial; e todavia existe ainda um infinito para além. Pode-se estudar por séculos esse amor; não obstante jamais se poderá compreender plenamente a extensão, a largura, a profundidade e a altura do amor de Deus em dar Seu Filho para morrer pelo mundo. A própria eternidade nunca o poderá bem revelar” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 5, p. 740).

Se você decidir contemplar o amor de Deus e se abrir à sua influência transformadora, sua vida nunca mais será a mesma!


Segunda-feira – 6 de agosto

O rei Davi

Disse-lhe Jesus: Por que Me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram. João 20:29

Críticos questionaram diversos registros bíblicos que ainda não haviam sido confirmados por outros documentos extrabíblicos da mesma época. Por exemplo, sem nenhuma confirmação arqueológica de sua existência, o rei Davi era considerado apenas mais uma figura mitológica. Em julho de 1993, porém, uma escavação liderada pelo arqueólogo israelense Avraham Biran descobriu, no sítio de Tel Dan, no norte de Israel, o fragmento de um monumento de pedra, ou estela, comemorando a vitória de um rei arameu sobre o “rei de Israel” e o “rei da casa de Davi” (Judá).

O jornal The New York Times do dia 6 de agosto de 1993 saiu do prelo com um artigo intitulado “De um sítio arqueológico israelita, notícias da casa de Davi”. A publicação relatou que pesquisadores bíblicos classificaram aquela descoberta como “fenomenal”, “extraordinária” e “sensacional”. Em novembro de 2016, a Biblical Archeology Staff (Equipe de Arqueologia Bíblica) enfatizou que a inscrição da estela fragmentada “provou que o rei Davi da Bíblia foi uma figura histórica genuína, não simplesmente uma criação literária fantasiosa de escritores e editores bíblicos posteriores. E talvez o mais importante: a estela, erigida por um dos inimigos antigos mais ferrenhos de Israel mais de um século após a morte de Davi ainda o reconhecia como o fundador do reino de Judá”.

Isso levanta a pergunta crucial: Devemos confiar mais nas fontes extrabíblicas do que no relato das Escrituras em si, ou deveria ser o contrário? Se considerarmos que a Bíblia é apenas mais uma expressão religiosa e cultural da antiguidade, então devemos esperar confirmação externa de seus relatos históricos. Mas, se aceitarmos a reivindicação bíblica de ser a Palavra infalível de Deus (2Pe 1:19-21; Ap 22:18, 19), não devemos questionar a validade de seus relatos históricos.

Somente na Bíblia encontramos “a história de nossa raça, não maculada por orgulho e preconceito humanos” (Educação, p. 173). Apenas nela “a cortina é afastada, e contemplamos em todas as dimensões e em toda a marcha e contramarcha das paixões, do poder e dos interesses, poderio e paixões humanas, a força de um Ser misericordioso, que executa, de forma silenciosa e paciente, as determinações de Sua própria vontade” (ibid.). Uma aceitação plena da Palavra de Deus pela fé fortalecerá nossa crença e transformará nossa vida!


Domingo – 5 de agosto

Resgate no Atacama

Chegando-se ele à cova, chamou por Daniel com voz triste; disse o rei a Daniel: Daniel, servo do Deus vivo! Dar-se-ia o caso que o teu Deus, a quem tu continuamente serves, tenha podido livrar-te dos leões? Daniel 6:20

O mundo acompanhava avidamente as notícias sobre a mina de San José no deserto do Atacama, norte do Chile. Em 5 de agosto de 2010, às 14h05, o acesso principal à mina de cobre foi bloqueado pelo desmoronamento de cerca de 700 mil toneladas de rocha diorítica, equivalente ao dobro da massa do edifício Empire State. As passagens alternativas foram bloqueadas por pedras que caíram ou estavam ameaçadas pelo movimento das rochas que continuava a ocorrer. Um grupo de 33 mineiros ficou preso 700 metros debaixo da terra. O suprimento emergencial de alimentos estocado tinha a intenção de durar apenas dois ou três dias. Havia também uma escassez perigosa de água e ar. Seria possível haver sobreviventes?

Na superfície, perto da entrada da mina, ficava o Acampamento Esperança, com mais de 2 mil familiares, trabalhadores e representantes da imprensa, auxiliados pelo pastor local adventista do sétimo dia, Carlos Parra Díaz. O processo de resgate demorou muito mais do que o esperado. Após 17 dias, a equipe conseguiu acesso à mina com uma broca de 17 centímetros. Os mineiros colaram na broca um pedaço de papel escrito em letras vermelhas: “Estamos no abrigo, os 33.” Muitos suprimentos foram enviados por meio daquele buraco. Foram feitas aberturas mais largas e, após 69 dias, todos os 33 mineiros foram resgatados por meio de cápsulas de resgate de aço. As pessoas celebraram a chegada de cada um deles. Com o custo total de 20 milhões de dólares, essa foi a missão de resgate mais desafiadora da história na área da mineração.

Assim como os mineiros ficaram presos na mina de San José, por meio da queda de Adão e Eva, toda a humanidade foi aprisionada pelo pecado e condenada a morrer. Mas Deus desenvolveu um plano extraordinário de resgate para nos salvar. Cristo veio ao mundo, morreu na cruz, ressuscitou dos mortos e consagrou para nós um “novo e vivo caminho” de acesso ao Céu (Hb 10:20). Esse plano de resgate foi tão eficiente que Paulo chegou a dizer que “onde aumentou o pecado, transbordou a graça” (Rm 5:20, NVI).

Você consegue imaginar as celebrações que acontecerão no Céu quando os remidos de todas as eras finalmente adentrarem as cortes celestiais? Você e eu precisamos estar entre os vitoriosos resgatados pela graça extraordinária de Deus!


Sábado – 4 de agosto

Depositários se tornam doadores

No dia imediato, resolveu Jesus partir para a Galileia e encontrou a Filipe, a quem disse: Segue-me. […] Filipe encontrou a Natanael e disse-lhe: Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei, e a quem se referiram os profetas: Jesus, o Nazareno, filho de José. João 1:43, 45

AReview and Herald do dia 4 de agosto de 1853 publicou uma nota interessante sobre a disseminação da mensagem adventista em Michigan. Ela dizia: “Acabei de retornar de Hastings. Fizemos cinco reuniões ali. O Senhor nos abençoou grandemente com Seu Espírito Santo. Os santos foram confortados e revigorados. Os pecadores tremeram e choraram. Dois professaram a verdade durante os cultos, e outros dois declararam a intenção de guardar o sábado do Senhor nosso Deus. Há outros ainda convencidos de que temos a verdade. […] Alguns serão batizados na primeira oportunidade que houver. […] Cremos que a mensagem do terceiro anjo está crescendo rapidamente aqui e que o Senhor está abrindo caminho para o alto clamor.”

Quem escreveu essas palavras? Elas saíram da pena de David Hewitt, o primeiro adventista do sétimo dia de Battle Creek, Michigan. O interessante é que, em 1852, quando decidiu pregar a mensagem adventista em Battle Creek, José Bates usou uma estratégia peculiar. Foi até o carteiro local, que supostamente conhecia todos da cidade, e lhe perguntou quem era “o homem mais honesto da cidade”. O carteiro respondeu que a pessoa indicada era David Hewitt. Então Bates foi até a casa de Hewitt e compartilhou com ele e sua família a mensagem adventista. Eles a aceitaram com alegria e, conforme evidencia a nota acima, David se tornou um dedicado missionário adventista.

Em João 1:43 a 51, lemos sobre Jesus chamando Filipe, o qual, por sua vez, chamou Natanael. Isso ilustra a natureza da missão evangélica: aqueles que são alcançados passam a trabalhar pela salvação de outros. Em realidade, “todo verdadeiro discípulo nasce no reino de Deus como missionário. Aquele que bebe da água viva faz-se fonte de vida. O depositário torna-se doador. A graça de Cristo no coração é uma vertente no deserto, fluindo para refrigério de todos, e tornando os que estão quase a perecer, ansiosos de beber da água da vida” (O Desejado de Todas as Nações, p. 195).

A mensagem do evangelho não pode ser guardada somente para nós como um tesouro escondido. Ela precisa ser partilhada com os outros (Mt 25:14-30). Quais são seus planos pessoais para compartilhar essa mensagem maravilhosa?


Sexta-feira – 3 de agosto

Medidas radicais

Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte. Provérbios 14:12

Tudo fora cuidadosamente planejado para um agradável fim de semana juntos na ilha de Tangier, na baía de Chesapeake, estado da Virgínia. Miriam Wells e John Wesley Taylor V esperavam desfrutar momentos maravilhosos com o filho na ilha. Na manhã de sexta, 3 de agosto de 2012, eles passaram pela região metropolitana de Washington, DC, então pegaram a rodovia de quatro pistas a fim de chegar à marina, na qual entrariam em um barco que os levaria até a ilha. Como a estrada estava quase deserta, Miriam ligou o piloto automático a quase cem quilômetros por hora, para não precisar mais ficar acelerando o carro.

A viagem estava indo bem até Miriam perceber que o piloto automático estava preso naquela velocidade e o freio não o desabilitava mais. Ela tentou diferentes opções, mas nada parecia dar certo. John logo sugeriu que ela levasse o carro para o acostamento e desligasse o motor. Com o motor desligado, o carro deslizou até parar. Então John ligou para seu mecânico, para tentar descobrir o que acontecera de errado com o piloto automático. O mecânico lhe deu instruções precisas de como localizar e desativar o cabo defeituoso. Sem o piloto automático, a família conseguiu chegar a tempo na marina.

Há momentos na vida em que a única coisa que podemos fazer é desligar o motor e parar. Quando questões morais estão envolvidas, por exemplo, precisamos tomar uma decisão radical e dar fim ao comportamento imoral. Essa decisão pode envolver uma perda momentânea, mas evitará um desastre futuro. Na situação de receber o diagnóstico de uma doença terminal, a única opção que resta é, talvez, a calma aceitação da realidade. No livro Em Busca de Sentido, Viktor E. Frankl afirma: “Quando já não somos capazes de mudar uma situação, […] somos desafiados a mudar a nós próprios.”

De fato, a vida é uma sequência de decisões. Algumas são mais fáceis de serem tomadas, ao passo que outras são mais difíceis. Não importa o nível de dificuldade, sempre vale a pena relembrar a “Oração da Serenidade”, de Reinhold Niebuhr, que começa com o pedido: “Senhor, concede-nos graça para aceitar com serenidade aquilo que não pode ser mudado, coragem para mudar aquilo que é possível mudar e sabedoria para diferenciar entre um e outro.”

Tenha em mente a oração anônima que diz: “Senhor, ajuda-me a lembrar que não acontecerá nada hoje que não possamos resolver juntos.”


Quinta-feira – 2 de agosto

Honra em meio ao sofrimento

Por isso, também os que sofrem segundo a vontade de Deus encomendem sua alma ao fiel Criador, na prática do bem. 1 Pedro 4:19

Os adeptos da ideologia chamada Confissão Positiva sugerem que nossas palavras tenham poder sobrenatural para mudar as circunstâncias e moldar destinos. Presumindo que todo pecado, enfermidade, doença, tristeza e lamento foram lançados sobre Jesus (cf. Is 53:3-5), esses pregadores incentivam seus ouvintes a fazer uma confissão positiva: “Hoje sou perdoado, curado, saudável e abençoado.” Para eles, só a falta de fé pode impedir alguém de receber a cura física.

Em 2 de agosto de 1982, o teólogo e filósofo norte-americano Francis Schaeffer (1912-1984) escreveu uma carta de ânimo a um pastor cuja esposa, Sharon, sofria de esclerose múltipla. Schaeffer afirmou: “Creio que, às vezes, o Senhor nos dá a cura direta, e já vi isso acontecer em meu ministério ao longo dos anos. Sem dúvida, isso é para o louvor de Deus, e nós ficamos gratos. Entretanto, existe o perigo constante e pernicioso de cair na ideia de que, se alguém é um cristão verdadeiro e tem fé suficiente, tal pessoa sempre será curada. Com certeza nãoé isso que a Bíblia ensina. O Novo Testamento tem vários textos que mostram de maneira conclusiva que nem todos os cristãos daquela época eram curados. Essa ideia leva as pessoas a se esquecerem de que Deus não é um computador, mas um Pai celestial pessoal que deve ter permissão para responder em Sua sabedoria individual e infinita, cheia de amor. Já vi gente extremamente fiel e amorosa ficar arrasada ao ouvir outros dizerem que, se a cura não vier, é porque lhe falta espiritualidade e oração. Sem dúvida, às vezes é isso mesmo que acontece, mas dizer a alguém que tem uma doença aguda que esse sempre é o caso equivale a jogar a culpa sobre os ombros de quem realmente não necessita disso […]. Não existe nada mais cruel do que um grupo de pessoas jogando a culpa sobre alguém enfermo que não precisa de nada disso.”

A Confissão Positiva oferece egoisticamente uma coroa sem cruz (Mt 16:24). Em contraste, o apóstolo Paulo suportou com paciência seu espinho na carne. Ele se alegrava em meio a suas enfermidades (2Co 12:7-10). E o apóstolo Pedro nos incentiva a nos regozijar por sermos participantes dos sofrimentos de Cristo (1Pe 4:13).

Deixemos Deus ser Deus em nossa vida e aceitemos Seus planos para nós!


Quarta-feira – 1 de agosto

“Coluna partida? Não!”

Pois o zelo pela Tua casa me consome, e os insultos daqueles que Te insultam caem sobre mim. Salmo 69:9, NVI

Aldus Manutius (1449-1515) disse sabiamente: “Não é o trabalho que mata, mas seu excesso.” Entre os pioneiros adventistas, Tiago White (1821-1881) cairia na segunda categoria. Seu lema era “melhor desgastar do que enferrujar”. Ele acabou se forçando, ao longo dos anos, a fazer mais do que seu forte corpo seria capaz de tolerar. Aos 44 anos, foi vítima de um forte derrame paralisante. Após se recuperar, continuou a trabalhar tão intensamente quanto sempre.

Em 1881, sua esposa, Ellen, tentou convencê-lo de que eles deviam se afastar dos fardos de Battle Creek. No entanto, Tiago respondeu: “Onde estão os homens para realizar esta obra? Onde estão aqueles com interesse altruísta em nossas instituições, que defenderão aquilo que é correto, sem se deixar afetar por qualquer influência com a qual entrarem em contato?” Com lágrimas nos olhos, acrescentou: “Minha vida foi dedicada ao estabelecimento dessas instituições. Parece-me a morte ter de deixá-las. São como filhos e não posso me separar delas. Essas instituições são instrumentos do Senhor para a realização de uma obra específica.”

Tiago ficara doente, mas já havia se recuperado. Em certa manhã de sábado, o casal White foi visto no púlpito do tabernáculo de Battle Creek. Dois dias depois, em  de agosto de 1881, Tiago ficou enfermo repentinamente e, no sábado seguinte, faleceu no Sanatório de Battle Creek. Embora a causa da morte tenha sido malária, por trás de tudo estavam os anos de excesso de trabalho, carregando nas costas a igreja em desenvolvimento. Como ele tinha apenas 60 anos na época e morreu sem completar seu ministério, algumas pessoas propuseram colocar uma coluna partida em seu túmulo. Entretanto, Ellen respondeu: “Nunca! […] nunca! Ele fez, sozinho, o trabalho de três homens. Nunca será colocado sobre seu túmulo um monumento partido” (Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 105).

Com tristeza, ela ainda declarou: “Lado a lado trabalhamos na causa de Cristo por trinta e seis anos, e esperávamos permanecer juntos para testemunhar o glorioso final. Mas tal não era a vontade de Deus. O protetor eleito em minha juventude, o companheiro de minha vida, aquele que partilhara de meus trabalhos e aflições foi-me arrebatado, e fiquei sozinha para concluir minha obra e travar a batalha” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 1, p. 105, 106).

Às vezes, precisamos reduzir o ritmo para conseguir chegar mais longe!


AGOSTO 2018


Terça-feira – 31 de julho

Jornada rumo ao desconhecido

Ora, disse o Senhor a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei. Gênesis 12:1

Afamília deveria ser uma instituição social na qual a vida começa e o amor nunca termina. Um lugar em que pais e filhos desfrutam juntos os momentos mais preciosos. Entretanto, a presença do pecado destruiu o ideal divino, e até mesmo famílias bem consolidadas sofrem com a dor da separação. Mais cedo ou mais tarde, chega o momento em que os filhos saem de casa para estudar, trabalhar em novos empregos ou formar a própria família. Os pais ficam com a “síndrome do ninho vazio”, e os filhos enfrentam o desafio de voar por conta própria.

Na clínica onde minha esposa e eu fazíamos consultas quando ela estava grávida de nosso filho, William, havia uma pequena moldura com as palavras: “Um filho é uma flor que desabrocha em sua vida e então desaparece em forma de adulto.” É a mais pura realidade! No entanto, assim como os pais sentem saudade dos bebês fofinhos, os filhos também podem enfrentar muito estresse e tristeza quando precisam sair de casa e começar a jornada rumo ao desconhecido.

Ruth E. Van Reken nasceu em 31 de julho de 1945, nos Estados Unidos e foi criada por 13 anos na Nigéria. Seus pais eram missionários, e ela foi enviada para um internato quando tinha apenas seis anos de idade. No tocante livro de sua autoria, Letters Never Sent (Cartas Nunca Enviadas), ela publicou diversas cartas descrevendo os próprios sentimentos de pertencer, ao mesmo tempo, a toda parte e a lugar nenhum. Ela inicia a primeira carta (de setembro de 1951) dizendo:

“Queridos mamãe e papai, estou me sentindo péssima. Algo está apertando tão forte dentro de mim que mal consigo respirar. Vocês disseram que seria divertido entrar no avião e vir para o internato, mas até aqui não está sendo nada disso. Eu não conseguia parar de chorar no avião, mas não queria que as outras crianças soubessem. Fiquei com o rosto grudado na janela, para que elas achassem que eu estava olhando para as nuvens. Quando cheguei à escola esta tarde, ainda estava chorando e não conseguia parar”.

Os pássaros não podem permanecer para sempre no ninho. Chega a hora em que necessitam voar por conta própria. Mas ao fazerem isso, nunca devem se esquecer de suas origens. Da mesma maneira, se você já saiu da casa de seus pais ou o fará em breve, lembre-se de permanecer conectado àqueles que o amam e cuidam de você. Os laços familiares são sagrados e devem ser preservados de maneira saudável.


Segunda-feira – 30 de julho

Dia do amigo

Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. João 13:34

Os amigos fazem nossa vida valer a pena. O popular autor e orador Steve Maraboli sugeriu: “Os amigos são remédio para o coração ferido e vitaminas para a alma esperançosa.” O dramaturgo grego Eurípides (c. 484-406 a.C.) declarou: “Os amigos demonstram seu amor em meio aos problemas, não em tempos felizes.” Em outras palavras, eles permanecem ao nosso lado quando todos os outros vão embora.

Em 2011, a Assembleia Geral das Nações Unidas definiu que 30 de julho seria o Dia Internacional do Amigo. A decisão foi baseada na “ideia de que a amizade entre povos, países, culturas e indivíduos pode inspirar esforços de paz e construir pontes entre as comunidades”. No entanto, a amizade também é uma das ferramentas mais poderosas para conduzir pessoas a Cristo.

Em dezembro de 1977, a revista Ministry publicou como artigo de capa o texto do pastor Clark B. McCall, intitulado “Por que não usar a rede também?”. Nesse artigo, o pastor Clark relatou como funcionava seu bem- sucedido programa chamado “Rede de Gentileza”, inspirado nesta declaração de Ellen White: “Se nos humilhássemos perante Deus, e fôssemos bondosos e corteses, compassivos e piedosos, haveria uma centena de conversões à verdade onde agora há apenas uma” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 9, p. 189).

McCall pedia aos membros da igreja que oferecessem um serviço voluntário semanal como gentileza. A lista de serviços incluía, por exemplo, telefonemas, serviço de babá, carona, auxílio com o trabalho doméstico e visitas gerais. Essa abordagem centrada na amizade foi desempenhada com cuidado e, aos poucos, derrubou o muro de preconceito e resultou em vários estudos bíblicos. O pastor explicou que, por meio dessa ênfase, uma de suas igrejas teve um aumento de 2.000% em batismos, em relação ao ano anterior.

Para produzir frutos, porém, a amizade e a bondade precisam ser intencionais. Foi-nos revelado que Cristo “misturava-Se com os homens como uma pessoa que lhes desejava o bem. Manifestava simpatia por eles, ministrava-lhes às necessidades e granjeava-lhes a confiança. Ordenava então: ‘Segue-Me’ (Jo 21:19)” (A Ciência do Bom Viver, p. 143).

Por que não usar o evangelismo por meio da amizade como estratégia regular para levar pessoas a Jesus? Pense nisso e ore por alguém que você gostaria de alcançar por meio de uma estratégia tão agradável e eficaz.


Domingo – 29 de julho

Votos matrimoniais

Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne. Gênesis 2:24

Você se lembra da melhor cerimônia de casamento da qual participou? O que fez com que ela se destacasse em relação a todas as outras? Uma bela decoração, convidados bem vestidos, momentos emocionantes, tudo isso chama nossa atenção em um casamento, mas nada atrai mais os olhos do que a visão da noiva em seu vestido. Algumas pessoas parecem acreditar que, quanto maior e mais pomposa for a cerimônia de casamento, mais feliz será o casal ao longo da vida. Mas esse não é necessariamente o caso!

Uma das cerimônias de casamento mais magníficas de todos os tempos aconteceu no dia 29 de julho de 1981 na catedral de São Paulo, em Londres. O denominado “casamento do século” teve 3.500 convidados. Além disso, cerca de 750 milhões de pessoas assistiram à cerimônia pela televisão ao redor do mundo. O anel de noivado/casamento da noiva era formado por 14 diamantes, que cercavam uma safira azul do Ceilão de 12 quilates, incrustrada em ouro branco de 18 quilates. Seu vestido de casamento se tornou um dos mais famosos no mundo inteiro. De fato, tudo parecia perfeito para o príncipe Charles e Lady Diana Spencer viverem felizes para sempre. O casal teve dois lindos filhos (os príncipes William e Harry). Diana até acreditava que “a família é a coisa mais importante do mundo”. Infelizmente, porém, Charles e Diana se separaram em 1992 e se divorciaram em 1996.

Quase todos os casais prometem amar, honrar e apreciar o cônjuge a vida inteira, a despeito das circunstâncias, “enquanto ambos viverem”, “até que a morte os separe”. Depois de fazer promessas, por que as pessoas mudam de ideia e sentimento com tamanha facilidade, deixando de honrar seus votos? Boa parte do problema atual é que “o casamento deixou de ser uma função social para se tornar uma fonte de gratificação pessoal” (Terezinha Féres Carneiro).

Algumas igrejas têm o costume de realizar cultos de renovação do compromisso para casais casados. Mas os cônjuges não precisam esperar essas oportunidades ocasionais. Por que não renovar os votos com frequência em casa mesmo? Hoje, vocês podem realizar uma cerimônia simples refazendo o compromisso com Deus e um com o outro. A bênção do Senhor repousará sobre você e sua família.


Sábado – 28 de julho

As suas obras os acompanham”

Então, ouvi uma voz do céu, dizendo: Escreve: Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem das suas fadigas, pois as suas obras os acompanham. Apocalipse 14:13

No chão da igreja de St. Thomas, em Leipzig, Alemanha, é possível ver uma placa de bronze com a inscrição “Johann Sebastian Bach”, marcando o local onde ele foi enterrado. É apenas um nome, mas ele fala por si só, evocando memórias do grande compositor e de seu legado musical extraordinário para a humanidade.

É interessante notar que, no dia 28 de julho, dois influentes ícones da música barroca faleceram. O primeiro foi o compositor italiano e virtuoso violinista Antonio Vivaldi (1678-1741), que morreu em Viena, no dia 28 de julho de 1741. Ele produziu cerca de 500 concertos, inclusive a famosa obra As Quatro Estações, para violino e orquestra de câmara. O segundo foi o compositor e músico alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750), que morreu em Leipzig, Alemanha, no dia 28 de julho de 1750. Especialistas dizem que há hoje 1.128 peças musicais de Bach disponíveis. Muitas outras se perderam. Consegue imaginar quantas pessoas tocaram ou, pelo menos, apreciaram as obras desses dois compositores? Eles morreram há muito tempo, mas “as suas obras os acompanham”.

Talvez você não se torne tão famoso quanto Vivaldi e Bach, mas sua influência é mais importante do que provavelmente você reconheça. Reflita nesta declaração: “Quão pouco sabem acerca da influência de seus atos diários sobre a vida de outros. Talvez suponham que o que digam ou façam não tem muita influência, quando importantíssimos são os resultados de nossas palavras e ações para o bem ou para o mal. Atos e expressões considerados diminutos e insignificantes são elos na longa cadeia dos acontecimentos humanos” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 3, p. 542). Deus leva em conta a “influência exercida, para o bem ou para o mal”, bem como os “resultados de vasto alcance” (O Grande Conflito, p. 482).

Se seu nome um dia aparecer em uma placa de bronze como a que vi na igreja de St. Thomas, de que você acha que as pessoas lembrariam ao pensar em você? Qual é o legado de sua vida? Qualquer que seja nosso nível de influência, todos somos chamados a exercer influência salvadora sobre todos ao nosso redor. Minha esperança é que todos aqueles que seguirem nossas pegadas sejam conduzidos ao reino eterno!


Sexta-feira – 27 de julho

Paixão pelas missões

Estive continuamente viajando de uma parte a outra, enfrentei perigos nos rios, perigos de assaltantes. 2 Coríntios 11:26, NVI

Como você se sentiria se fosse chamado para servir ao Senhor em uma região inóspita, distante, cheia de doenças tropicais e serpentes letais? O que acharia de deixar para trás seu lar, os parentes e amigos, para trilhar um futuro incerto?

Essa foi a história de Leo e Jessie Halliwell, que serviram ao Senhor no Brasil ao longo de 38 anos, a maior parte deles na Região Amazônica. Com seu pequeno barco missionário, a Luzeiro, o casal subia e descia o imenso rio Amazonas, navegando entre as cidades de Belém e Manaus. Estima-se que tenham tratado mais de 250 mil pessoas, acometidas por doenças tropicais e outras enfermidades, espalhando a mensagem adventista em comunidades ribeirinhas isoladas.

Em seu livro inspirador, Light Bearer to the Amazon (Luzeiro no Amazonas), Leo Halliwell afirmou: “Somos gratos porque o Senhor tem nos dado saúde para trabalhar na Região Amazônica. Não consideramos um sacrifício, mas um privilégio. E dedicaremos o restante de nossa vida a ajudar a terminar a obra na União Norte-Brasileira.” Em 1958, o casal Halliwell se aposentou e retornou para os Estados Unidos, deixando para trás um legado extraordinário de serviço altruísta pelos pobres e necessitados.

Na noite de 27 de julho de 1959, Leo e Jessie Halliwell receberam a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, a maior comenda concedida pelo governo brasileiro a estrangeiros que prestaram serviço notável ao país. Em seu discurso, o representante do governo chamou o casal Halliwell de “pessoas excepcionais”, que “figuram entre os poucos capazes de dar tudo, sem esperar nada em troca”. Em resposta, Leo Halliwell comentou: “Só posso dizer que, quando chegamos ao Brasil, há quase 40 anos, achamos o povo brasileiro muito bondoso, amável e cortês. […] Hoje, nossos melhores amigos estão no Brasil. Estamos nos Estados Unidos, mas nosso coração permanece no Brasil. Nossos melhores amigos continuam ao longo do rio Amazonas, no norte do país” (Review and Herald, 21 de janeiro de 1960).

Os Halliwell e muitos outros missionários adventistas tinham verdadeira paixão pelos campos missionários. E você? Já pensou em se tornar missionário também? Tanto além-mar quanto perto de casa, você pode e deve ser um missionário para o Senhor!


Quinta-feira – 26 de julho

Oh! Que esperança!

Aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus. Tito 2:13

Os adventistas do sétimo dia são o povo da esperança. Ao longo do tempo, têm pregado e cantado com o coração sobre a gloriosa segunda vinda de Cristo. Um exemplo foi a assembleia da Associação Geral em San Francisco, Califórnia, cujo tema foi “Oh! Que Esperança!”. Wayne H. Hooper (1920-2007), membro do quarteto Arautos do Rei dos Estados Unidos recebeu a incumbência de escrever uma música tema para o evento. Depois de muita oração, ele compôs tanto a letra quando a melodia do hino com o mesmo título: “Oh! Que Esperança!” (Hinário Adventista do Sétimo Dia, nº 469). Sua inspiradora letra diz:

Oh! que esperança vibra em nosso ser,

Pois aguardamos o Senhor!

Fé possuímos, que Jesus nos dá,

Fé na promessa que nos fez.

Eis que o tempo logo vem,

E as nações daqui e além

Bem alerta vão cantar:

Aleluia! Cristo é Rei!

Oh! que esperança vibra em nosso ser,

Pois aguardamos o Senhor.

A assembleia da Associação Geral de 1962 teve início na noite de quinta­feira, 26 de julho, ocasião em que os delegados cantaram o hino pela primeira vez. “Oh! Que Esperança!” se transformou em um dos mais amados cânticos adventistas e foi a música tema de várias outras assembleias (1966, 1975, 1995, 2000 e parte da de 2015). Foi traduzido para vários outros idiomas. Antes da assembleia da Associação Geral de 1995, cujo tema foi “Unidos em Cristo”, pediram a Hooper que escrevesse uma segunda estrofe, a qual foi acrescentada ao hino.

O mais importante, porém, é a mensagem do cântico e o que ele significa para nós. Estamos agora muito mais perto da segunda vinda do que quando o hino foi cantado pela primeira vez em 1962. Qual é nossa empolgação para esse evento? Ellen White adverte: “Cada dia que passa nos leva para mais perto do fim. Mas, leva-nos, também, para mais perto de Deus?” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 9, p. 27). Por favor, reflita sobre isso hoje!


Quarta-feira – 25 de julho

A imitação de Cristo

De novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem Me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida. João 8:12

Nosso mundo está cheio de heróis, atores e modelos humanos que podem facilmente nos distrair e até nos desencaminhar. Se nos consideramos cristãos, então Jesus Cristo deverá ser nosso herói e modelo, digno de ser imitado. Ellen White declarou muito bem: “Temos apenas uma fotografia perfeita de Deus, e esta é Jesus Cristo.” (Comentário Bíblico Adventista, vol. 7, p. 1.006).

Os Irmãos da Vida Comum foram uma comunidade religiosa católica pietista fundada por Gerard Groote na Holanda do século 14. Eles se dedicavam ao estudo e ensino das Escrituras, à caridade e a copiar obras religiosas e inspiradoras. Um dos membros da comunidade foi Tomás de Kempis, que nasceu na Alemanha por volta de 1380 e morreu na Holanda em 25 de julho de 1471. Seu amado livro, o clássico A Imitação de Cristo, estimula a religião prática e a verdadeira piedade.

Kempis nos desafia: “Que te aproveita discutires sabiamente sobre a Trindade, se não és humilde, desagradando, assim, a essa mesma Trindade? Na verdade, não são palavras elevadas que fazem o homem justo; mas é a vida virtuosa que o torna agradável a Deus. Prefiro sentir a contrição dentro de minha alma a saber defini-la. Se soubesses de cor toda a Bíblia e as sentenças de todos os filósofos, de que te serviria tudo isso sem a caridade e a graça de Deus? ‘Vaidade de vaidades, tudo é vaidade’ (Ec 1:2), senão amar a Deus e só a Ele servir.”

Necessitamos crescer continuamente em Cristo: “Se não podes con- tinuamente estar recolhido, recolhe-te de vez em quando, ao menos uma vez por dia, pela manhã ou à noite. De manhã toma resoluções, e à noite examina tuas ações: como te houveste hoje em palavras, obras e pensamentos, porque nisso, talvez não raro, tenhas ofendido a Deus e ao próximo.” Mas Kempis nos adverte contra a teoria presunçosa da perfeição sem pecado: “Toda a perfeição, nesta vida, é mesclada de alguma imperfeição, e todas as nossas luzes são misturadas de sombras.”

A religião prática e a verdadeira piedade consistem simplesmente em imitar a Cristo. Ele inclusive nos garantiu: “Basta ao discípulo ser como o seu mestre, e ao servo, como o seu senhor” (Mt 10:25). Que O imitemos hoje e todos os dias!


Terça-feira – 24 de julho

O último poema

E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. Apocalipse 21:4

Algumas pessoas entram sutilmente em nossa vida, roubam nossos sentimentos e então vão embora como se nada tivesse acontecido. Uma citação popular diz: “Os sentimentos não vão embora, mas as pessoas, sim.” E alguém confessou: “Meu maior erro é achar que as pessoas se importam tanto comigo quanto eu com elas.”

Annie R. Smith (1828-1855) foi uma jovem extremamente doce e talentosa. Em 1851, ela enviou o poema “Não temais, pequeno povo” para Tiago White. Ele gostou tanto da composição que, além de publicá-la na Review and Herald, também a convidou para se mudar para Rochester, Nova York, a fim de se tornar revisora do periódico. Lá ela se apaixonou pelo belo e jovem pregador John N. Andrews, que parecia corresponder a seus sentimentos, mas não se casou com ela. Em novembro de 1855, Annie voltou para West Wilton, New Hampshire, sofrendo de tuberculose. À medida que os meses se passavam e sua força diminuía gravemente, ela e a mãe passaram a conversar abertamente sobre sua morte.

Numa terça-feira de manhã, 24 de julho de 1855, Annie escreveu seu último poema:

Ó, não derrames uma lágrima no lugar onde eu dormir;

Aos vivos, não aos mortos o choro deves dirigir;

Por que lamentar pelos cansados que repousam docemente,

Livres na sepultura dos fardos e ais da vida justamente?

Annie morreu em paz dois dias depois. Em 26 de agosto de 1855, Ellen White escreveu para John N. Andrews: “Vi que o melhor que você pode fazer agora é se casar com Angeline […]. A decepção de Annie lhe custou a vida. Vi que você [John] foi imprudente no caso dela [de Annie] […]; simpatizando com ela em tudo” (Carta 1, 1855). Parece bem evidente que, embora Andrews não estivesse mais perto de Annie, a vida da moça chegou ao fim com seus sentimentos ainda ligados a ele. Por favor, nunca brinque com os sentimentos das outras pessoas, pois elas podem acabar pagando um preço alto demais!

Apesar de toda a dor emocional e do sofrimento físico, o último poema de Annie confirma que ela terminou seus dias em paz com Deus. Conforme bem expresso em alguns de seus escritos anteriores, a jovem aguardava o glorioso dia no qual Deus “enxugará dos olhos” e do coração “toda lágrima” de Seus filhos sofredores.

Que bendita esperança nós temos!


Segunda-feira – 23 de julho

Um verdadeiro adventista

Contudo, alegrem-se, não porque os espíritos se submetem a vocês, mas porque seus nomes estão escritos nos céus. Lucas 10:20, NVI

Desde seus primórdios, a Igreja Adventista do Sétimo Dia tem experimentado uma rápida taxa de crescimento e significativa expansão geográfica. A Review and Herald de 23 de julho de 1857 publicou um artigo curto intitulado “A Causa”, no qual Tiago White relatou que o número de adventistas observadores do sábado em 1849 era de “cerca de cem” pessoas. Esse número cresceu para 200 em 1850, 2 mil em 1852, e 3.500 em 1863. Em 2017, a igreja alcançou um total de mais de 20 milhões de membros ao redor do mundo. Louvado seja Deus por esse crescimento extraordinário!

Temos, como igreja, uma organização sólida e uma mensagem bíblica consistente. Mas quantos de nós vivemos em conformidade com essa mensagem? As parábolas de Cristo sobre o reino (ver Mt 13) esclarecem que nem todos os que entram para a igreja estão verdadeiramente convertidos e prontos para perseverar até o fim.

Em 1867, Ellen White advertiu: “Nomes são registrados nos livros da igreja, mas não no livro da vida. Vi que não existe um entre vinte jovens que saiba o que seja a religião experimental” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 1, p. 504). No início da década de 1890, ela acrescentou: “É uma solene declaração que faço à igreja, de que nem um entre vinte dos nomes que se acham registrados nos livros da igreja está preparado para finalizar sua história terrestre, e estaria tão verdadeiramente sem Deus e sem esperança no mundo, como o pecador comum” (Serviço Cristão, p. 40).

Essas declarações não devem ser usadas estatisticamente para calcular quantos membros de nossa congregação entrarão no Céu e quantos ficarão de fora. Lembre-se de que a separação final entre o trigo e o joio, entre os bons e os maus, é uma tarefa do tempo do fim reservada aos anjos de Deus, não a nenhum ser humano (Mt 13:27-30, 47-50). As afirmações de Ellen White são advertências solenes para que cada um de nós examine a própria vida e saia de uma condição espiritual morna, característica de Laodiceia (Ap 3:14-22).

Na igreja, necessitamos hoje de mais reformadores da própria vida do que da vida dos outros. Ser um adventista genuíno está muito mais ligado a viver do que falar. Que o seu nome e o meu permaneçam escritos no Livro da Vida do Cordeiro (Ap 21:27)!


Domingo – 22 de julho

Vitória sobre as tentações

Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. Tiago 4:7

Atentação é uma força poderosa e assídua. Muitas pessoas, em vez de resistir a ela, apenas dão desculpas para cair. Por exemplo, um dos personagens do dramaturgo e romancista irlandês Oscar Wilde disse: “Consigo resistir a tudo, menos à tentação.” A atriz de cinema norte-americana Mae West confessou: “Em geral, eu evito a tentação, exceto quando não consigo resistir a ela.” Essas declarações minam o poder transformador do evangelho.

Em um sermão pregado em Harbor Heights, Michigan, em 22 de julho de 1891, Ellen White advertiu: “As tentações nos cercarão enquanto vivermos. Satanás nos tentará de uma maneira e, se não nos vencer, nos tentará de outra. E assim seus esforços nunca cessarão” (Sermons and Talks, vol. 1, p. 154). Em 1858, ela declarou que “o poder de Satanás hoje para tentar e enganar é dez vezes maior do que nos dias dos apóstolos” (Spiritual Gifts, vol. 2, p. 277). Cientes disso, devemos identificar nossas fraquezas pessoais e aprender como vencê-las pela graça de Deus.

Randy Alcorn destacou sabiamente: “Sempre é mais fácil evitar a tentação do que resistir a ela.” Assim como Adão e Eva deveriam ter permanecido longe da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 2:15-17), precisamos evitar todas as circunstâncias que podem nos levar ao pecado. Mesmo assim, tentações previsíveis e imprevisíveis procurarão nos enganar. Não temos poder em nós mesmos para vencer as estratégias de Satanás. A vitória só pode ser obtida se primeiramente nos sujeitarmos a Deus e, depois, revestidos do poder Dele, resistirmos ao diabo (Tg 4:7).

Cristo é nosso exemplo confiável de resistência às tentações, pois Ele, “como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado” (Hb 4:15, NVI). Jesus enfrentou a tentação com oração (Mt 26:36-46), fidelidade incondicional à Palavra de Deus (Mt 4:1-11) e cântico de músicas apropriadas (Educação, p. 166). Essas devem ser nossas estratégias também.

Se nos colocarmos nas mãos de Deus, Ele nos protegerá de “todos os dardos inflamados do Maligno” (Ef 6:16). Ele não permitirá que sejamos tentados além do que podemos suportar e providenciará um caminho de escape (1Co 10:13, NVI). Toda tentação que vencemos nos fortalece a superar outras. Por isso, seja forte no Senhor!


Sábado – 21 de julho

Deuses que não são deuses

E estão vendo e ouvindo como este indivíduo, Paulo, está convencendo e desviando grande número de pessoas aqui em Éfeso e em quase toda a província da Ásia. Diz ele que os deuses feitos por mãos humanas não são deuses. Atos 19:26, NVI

Éfeso era uma cidade portuária e um importante centro comercial no Mediterrâneo. Seu famoso Templo de Ártemis era uma das sete maravilhas do mundo antigo. O edifício foi originalmente construído por volta de 550 a.C., e queimado por um indivíduo chamado Heróstratos em 21 de junho de 356 a.C., na mesma noite em que Alexandre, o Grande, nasceu. Os efésios decidiram construir um templo maior e mais esplendoroso para substituir o incendiado. Alexandre ofereceu auxílio financeiro para o projeto, mas os orgulhosos efésios recusaram, dizendo: “Como um deus pode ajudar outro?” A nova edificação era cercada por degraus de mármore que levavam a um terraço. Dentro dele, havia 127 colunas de mármore e uma estátua da deusa grega Ártemis (equivalente à deusa romana Diana), protetora da caça, das mulheres e das virgens.

Paulo foi a Éfeso em sua terceira viagem missionária, e sua pregação incomodou a adoração popular à deusa Ártemis. Em Atos 19:23 a 41 (NVI), está relatado que Demétrio, artífice de miniaturas de prata de Ártemis, suscitou um levante contra Paulo. Disse aos colegas ourives: “Não somente há o perigo de nossa profissão perder sua reputação, mas também de o templo da grande deusa Ártemis cair em descrédito e de a própria deusa, adorada em toda a província da Ásia e em todo o mundo, ser destituída de sua majestade divina.” Inflamados pelo discurso de Demétrio, as multidões bradaram por cerca de duas horas: “Grande é a Ártemis dos efésios!”

Os ourives efésios ficaram ofendidos pelo ensino de Paulo de que “os deuses feitos por mãos humanas não são deuses” (At 19:26, NVI). “Cessado o tumulto, Paulo mandou chamar os discípulos e, depois de encorajá-los, despediu-se e partiu para a Macedônia” (At 20:1). Aparentemente, a deusa Ártemis e seus ourives efésios triunfaram, mas não para sempre. Embora o templo tenha sido reconstruído após ser saqueado e destruído pelos ostrogodos em 268 d.C., ele perdeu a importância com a disseminação do cristianismo.

Lembre-se: os deuses feitos por seres humanos vêm e vão, assim como quem os fabrica. Somente aqueles cuja fé está ancorada no único Deus verdadeiro e em Sua Palavra permanecerão para sempre.


Sexta-feira – 20 de julho

A semana mais extraordinária

Mas Eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a Mim. Jo 12:32, NVI

A exploração do espaço por astronautas havia acabado de começar; mas, em seu discurso de 1961 para o congresso norte-americano acerca das necessidades nacionais urgentes, o presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, declarou: “Esta nação deveria se comprometer a conquistar a meta, antes do fim da década, de fazer o homem pisar na Lua e retornar em segurança para a Terra.” Oito anos depois, no dia 20 de julho de 1969, a Apollo 11 pousou com sucesso na Lua. Neil Armstrong, a primeira pessoa a andar na superfície lunar, descreveu a experiência como “um pequeno passo para o homem, mas um salto gigantesco para a humanidade”.

Em 24 de julho, a cápsula que transportava Neil Armstrong, Michael Collins e Edwin Aldrin caiu no oceano Pacífico, trazendo os três astronautas de volta para o planeta em segurança. Eles foram retirados do mar e permaneceram por 21 dias em quarentena no porta-aviões USS Hornet, como precaução contra os “germes da Lua”. Por trás de uma janelinha de vidro, o presidente Nixon os saudou e acrescentou: “Esta é a semana mais extraordinária da história desde a criação. Por conta do que vocês realizaram, o mundo nunca esteve mais unido.”

Atualmente há pessoas que defendem o argumento de que algumas das imagens mostradas da Lua naquele dia haviam sido pré-gravadas em um simulador de voo. Não importa o que digam os defensores dessa teoria da conspiração, é inegável que a missão Apollo 11 foi, de fato, uma grande conquista científica; porém, não tão importante quanto sugeriu o presidente Nixon. Ela nunca pode se comparar aos eventos da Semana da Paixão, quando o próprio destino do ser humano estava em jogo. Enquanto a cápsula levou três homens à Lua, a cruz de Cristo dá, aos seres humanos, livre acesso à presença de Deus, no Céu.

A missão Apollo 11 despertou empolgação e expectativa mundial. Eu era criança, morava no sul do Brasil e estava acompanhando avidamente a cobertura ao vivo do acontecimento pelo rádio. Mas nem esse nem qualquer outro evento na história da humanidade “uniu mais” as pessoas do que a cruz de Cristo. Paulo nos conta, em 2 Coríntios 5, que, na cruz, “ Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (v. 19). Então o apóstolo faz um apelo: “Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus” (v. 20). Esta é a sua chance! Não adie mais essa decisão.


Quinta-feira – 19 de julho

Direitos das mulheres

Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. Gálatas 3:28

O relato da criação declara que tanto o homem quanto a mulher foram criados por Deus à própria imagem e semelhança (Gn 1:26, 27). O fato de Eva ter sido feita de uma das costelas de Adão subentende paridade e companheirismo (Gn 2:21-24). Conforme Matthew Henry afirmou, “a mulher foi criada de uma costela, no lado de Adão. Não da sua cabeça, para dominá-lo, nem dos seus pés, para ser pisada por ele, mas do seu lado, para ser igual a ele. De debaixo do seu braço, para ser protegida, e de perto do seu coração, para ser amada” (Comentário Bíblico Matthew Henry, sobre Gn 2:21-25). Mas o pecado distorceu a relação entre homens e mulheres (Gn 3:16) e, ao longo das eras, inúmeras mulheres têm sido anuladas e oprimidas por homens.

Nos Estados Unidos, uma reviravolta influente para reverter essa situação foi a Convenção de Seneca Falls, realizada na capela wesleyana da cidade de Seneca Falls, no interior do estado de Nova York, nos dias 19 e 20 de julho de 1848. Reconhecendo que, pela criação, “a mulher é igual ao homem”, a “Declaração de Direitos e Sentimentos” da convenção denunciou diversas “injustiças e usurpações por parte dos homens em relação às mulheres”, reivindicando o direito das mulheres de serem “esclarecidas no tocante às leis sob as quais vivem”, de falar em reuniões públicas, de participar do voto eletivo, etc.

Homens e mulheres são iguais não só pela criação, mas também pela redenção. Aliás, a criação e a redenção são os dois grandes niveladores dos seres humanos. Tanto homens quanto mulheres foram criados por Deus e, de igual modo, salvos pelo sacrifício expiatório de Cristo na cruz. Não surpreende então que Paulo tenha destacado que não há “homem nem mulher”, pois todos são “um em Cristo Jesus” (Gl 3:28). Mesmo assim, porém, a Bíblia mantém uma distinção sexual clara entre homens e mulheres que não deve ser anulada (Lv 18:22; 20:13). Qualquer tentativa de invalidar essa distinção é considerada uma distorção da criação divina (Rm 1:24-28).

Durante Seu ministério terreno, Cristo respeitou, protegeu e defendeu as mulheres de discriminações de ordem social e religiosa (Jo 4:1-42; 8:1-11). Qualquer forma de abuso sexual e discriminação social contra elas é uma ofensa direta contra o Criador e Mantenedor das mulheres!


Quarta-feira – 18 de julho

Marie Curie

Mas Ele foi traspassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre Ele, e pelas Suas feridas fomos curados. Isaías 53:5, NVI

Maria Sklodowska nasceu no ano de 1867 em Warsaw, Polônia, onde começou sua formação e prática científica. Em 1891, foi para Universidade de Paris para continuar seus estudos de física, química e matemática. Depois de se casar com Pierre Curie, ficou conhecida como Marie Curie. Em 1903, Marie ganhou o Prêmio Nobel de física com o esposo e Henri Becquerel por suas pesquisas na área de radioatividade. Em 1911, também recebeu o Prêmio Nobel de química por seu trabalho com o polônio e o rádio. Marie Curie foi a primeira mulher a receber um Prêmio Nobel e a única na história a ganhar dois.

Em 18 de julho de 1898, Marie e o marido publicaram a descoberta de um elemento químico que denominaram “polônio”, em homenagem à terra natal dela. Cinco meses depois (26 de dezembro), o casal anunciou um segundo elemento, que chamaram de “rádio” (derivado da palavra em latim para “raio”). Com base na mesma expressão, também cunharam o termo “radioatividade”. Curie morreu em 1934 de anemia aplástica por causa da exposição à radiação de tubos de ensaio que ela carregava nos bolsos durante as pesquisas e das unidades móveis de raios X que montou durante o tempo em que serviu na Primeira Guerra Mundial. Ela morreu devido à exposição ao mesmo elemento radioativo que descobriu e pesquisou sem as medidas de segurança que tomamos hoje.

A Bíblia nos conta que Jesus veio a este mundo resolver o problema do pecado, e a única maneira de fazer isso era morrendo por eles. A Bíblia explica que “Deus tornou pecado por nós Aquele que não tinha pecado, para que Nele nos tornássemos justiça de Deus” (2Co 5:21, NVI). “Mas Ele foi traspassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre Ele, e pelas Suas feridas fomos curados” (Is 53:5, NVI). Ainda assim, Ele permaneceu “sem pecado” (Hb 4:15).

Durante Sua encarnação, “Cristo tomou sobre Si todos os efeitos do pecado sem ser infectado por ele” (Eric C. Webster); de outro modo, não poderia ser nosso Salvador, mas Ele próprio precisaria de alguém que O salvasse. Entretanto, louvado seja Deus por nosso Salvador sem pecado que vitoriosamente carregou nossos pecados sem Se tornar pecador!


Terça-feira – 17 de julho

Unidos para sempre

Depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor. 1 Tessalonicenses 4:17

Algumas despedidas deixam um espaço vazio em nosso coração. É triste ver a partida de alguém em cuja companhia desejamos passar cada minuto. É doloroso pedir a alguém que fique quando sabemos que, em realidade, a pessoa deseja nos deixar. Parte o coração nos despedir de alguém que sabemos que nunca mais encontraremos novamente. Não há dúvida de que todos ansiamos por uma terra na qual não se diz adeus.

Isaac Watts (1674-1748) nasceu em Southampton, Reino Unido, no dia 17 de julho de 1674. Conhecido como o “pai da composição de hinos ingleses”, Watts escreveu cerca de 600 hinos. Em 1706, compôs o belo “Oh! Nunca Separar!” (Hinário Adventista do Sétimo Dia, nº 565). Sua primeira estrofe e coro dizem o seguinte:

Há um país de gozo e luz

Onde só santos há;

Prazeres há ali a flux;

É sempre dia lá.

Marchamos para a terra além

E vamos a Jerusalém;

Iremos com Jesus reinar

E nunca mais nos separar.

Esse era um dos hinos preferidos de Guilherme Miller, que pediu a seus familiares que o cantassem para ele repetidamente antes de sua morte, em 1849. Ao longo dos anos, muitas assembleias da Associação Geral e campais adventistas foram encerradas com esse hino e a emocionante pergunta: “Seria esta nossa última assembleia ou reunião, para que a próxima já aconteça no Céu?”

Jesus não voltou tão depressa quanto os pioneiros adventistas esperavam. Entretanto, não se esqueça de que Sua segunda vinda agora está muito mais próxima do que quando Isaac Watts escreveu a letra dessa bela canção ou quando Guilherme Miller costumava cantá-la. Também está muito mais próxima do que quando assembleias e reuniões campais adventistas terminaram com esse hino. Sem dúvida, muito em breve Jesus surgirá nas nuvens do céu a fim de nos levar para o lar e, então, “nunca mais” iremos “nos separar”.


Segunda-feira – 16 de julho

Novos profetas?

E acontecerá, depois, que derramarei o Meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões. Joel 2:28

Nós, adventistas do sétimo dia, acreditamos que Ellen G. White (1827-1915) foi chamada por Deus para uma função profética especial ligada à restauração da verdade bíblica no tempo do fim. As profecias estavam se cumprindo, e ela esperava que Jesus voltasse enquanto ainda estivesse viva (cf. 1Ts 4:15-17). Entretanto, com a passagem do tempo, ela se convenceu cada vez mais de que talvez precisasse descansar. Na manhã de sábado do dia 10 de julho de 1915, seu filho Willy orou com ela. Depois disso, Ellen sussurrou para ele: “Sei em quem tenho crido” (2Tm 1:12). Em seguida, ela disse algumas palavras às mulheres no quarto. Na tarde de sexta-feira, 16 de julho de 1915, às 15h40, ela faleceu de forma tranquila, após 70 anos de um ministério profético muito produtivo.

Com frequência, nos últimos anos de sua vida, Ellen White era indagada se Deus levantaria outro profeta verdadeiro. Sua resposta consistente era que o Senhor não lhe dera informação acerca desse assunto específico. Em 1907, ela escreveu: “Abundante luz tem sido comunicada a nosso povo nestes últimos dias. Seja ou não poupada a minha vida, meus escritos falarão sem cessar, e sua obra irá avante enquanto o tempo durar. Meus escritos são conservados em arquivo no escritório, e mesmo que eu não deva viver, essas palavras que me têm sido dadas pelo Senhor terão vida ainda e falarão ao povo” (Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 55).

Ellen White morreu há mais de um século, e alguns adventistas se perguntam se devemos esperar outro profeta. Em geral, citam Joel 2:28, texto no qual Deus prometeu derramar Seu Espírito “sobre toda a carne”, e as pessoas profetizariam, teriam sonhos e visões. Isso subentende que todos se tornariam profetas? Penso que não. Deus pode conceder revelações proféticas esporádicas a indivíduos – assim como fez com faraó (Gn 41:1-36) e Nabucodonosor (Dn 2) – sem chamá-los para se tornar Seus mensageiros.

O melhor é deixar essa questão para o “Deus que é sábio demais para errar, e bom demais para nos causar dano” (O Cuidado de Deus, p. 298). Enquanto isso, vamos ler, estudar e praticar os escritos proféticos disponíveis para nós. Eles são mais do que suficientes para nos conduzir com segurança ao nosso lar celestial!


Domingo – 15 de julho

As pedras estão clamando

Mas Ele lhes respondeu: Asseguro-vos que, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão. Lucas 19:40

Uma das descobertas arqueológicas mais significativas de todos os tempos foi a Pedra de Roseta, em exposição no Museu Britânico desde 1802. Alguns estudiosos afirmam que ela foi encontrada no dia 15 de julho de 1799 pelo capitão francês Pierre-François Bouchard. Outros argumentam que ela foi descoberta em 19 de julho, ou até mesmo em agosto. A despeito dessas pequenas discrepâncias, sabemos com certeza que ela foi encontrada entre julho e agosto de 1799 na vila de Roseta, no delta do Nilo, durante a campanha de Napoleão contra o Egito.

A Pedra de Roseta é uma antiga estela de granodiorito com um decreto de 196 a.C. exaltando Ptolomeu V como deus. A mesma inscrição foi entalhada três vezes em hieróglifos egípcios antigos, em demótico e em grego. Thomas Young decodificou o texto em demótico, e isso ajudou Jean François Champollion a decifrar os hieróglifos em 1822. Esse conhecimento deu acesso a muitas outras inscrições em hieróglifos do Egito antigo.

Essa e outras descobertas arqueológicas permitiram que as pedras “clamassem” em um momento crítico da história mundial. De um lado, a chamada Alta Crítica (conhecida mais tarde como Método Histórico-crítico) começou a questionar a origem divina da Bíblia e a negar muitos de seus relatos históricos. De outro, a arqueologia no Oriente Médio começou a confirmar a historicidade de vários desses relatos. Mas alguém pode perguntar: A Bíblia realmente precisa ser endossada por fontes externas?

Quando a Bíblia é aceita como a Palavra de Deus, autenticada por ela própria, é preciso permitir que ela avalie criticamente todas as outras fontes de conhecimento, não o contrário. Ainda assim, porém, a arqueologia tem dado contribuições significativas para a reconstrução do contexto histórico e cultural de muitos acontecimentos bíblicos: como os povos antigos construíam suas casas, como trabalhavam, como se casavam, etc. Por exemplo, o interessante livro Crucifixion (Crucifixão), deMartin Hengel, expôs os métodos usados na crucifixão romana, lançando nova luz sobre a morte cruel de Jesus na cruz.

Obrigado, Senhor, por todas as descobertas que têm confirmado as Escrituras e nos ajudado a compreender melhor o mundo dos tempos bíblicos!


Sábado – 14 de julho

Bebês esquecidos

Haverá mãe que possa esquecer seu bebê que ainda mama e não ter compaixão do filho que gerou? Embora ela possa esquecê-lo, Eu não Me esquecerei de você! Isaías 49:15, NVI

No palco da vida, devemos esquecer as falhas de nossas performances do passado e nunca nos distrair do importante papel que estamos desempenhando agora. Algumas distrações não fazem muita diferença, mas outras podem ter consequências irreversíveis.

Em 14 de julho de 2016, o website ABC postou o artigo de alerta de Nicole Pelletiere, “Síndrome do Bebê Esquecido: Morte por superaquecimento dentro do carro se torna o pesadelo de um pai”. A autora conta a trágica história de Sophia Rayne Cavaliero (“Ray Ray”), que foi esquecida no carro em Austin, Texas, em 25 de maio de 2011, pouco depois de completar um ano de vida. Reeves, a mãe da menina, estava se preparando para uma reunião por videoconferência em casa. Por isso, Brett, o pai de Ray Ray, deveria levar a garotinha à creche. Naquele dia, ela estava com um belo vestido novo que a professora lhe dera de presente.

Às 13h15, Reeves foi buscar o marido no escritório para almoçar. Enquanto falava sobre como Ray Ray havia ficado linda com o vestido, Brett estranhamente emudeceu. De repente, pediu à esposa que o levasse de volta ao seu trabalho. Ela imaginou que ele havia esquecido algo. No entanto, quando perguntou o que estava acontecendo, Brett respondeu: “Não me lembro de ter deixado Ray Ray na creche hoje de manhã.” Reeves ligou imediatamente para a polícia. Os paramédicos trabalharam por 40 minutos tentando reanimar a garotinha, e então a levaram para o hospital infantil local. Pouco depois, ela foi declarada morta por parada cardíaca.

Tragicamente, a Síndrome do Bebê Esquecido é mais comum do que se possa imaginar. Ray Ray foi apenas uma das 33 crianças que morreram nos Estados Unidos naquele ano por causa do superaquecimento do carro no qual foram deixadas. Entretanto, em Isaías 49:15 encontramos a maravilhosa promessa de que, até mesmo se os pais se esquecerem do próprio filho, Deus nunca Se esqueceria de nós. “Ele conhece cada indivíduo por nome, e cuida de cada um como se não houvesse na Terra nenhum outro por quem houvesse dado Seu bem-amado Filho” (A Ciência do Bom Viver, p. 229).

Alguns pais têm um filho favorito em relação aos outros (Gn 37:3, 4), mas o Senhor não discrimina ninguém. Isso quer dizer que cada um de nós, inclusive você, é o filho preferido Dele.


Sexta-feira – 13 de julho

O número 13

Falava Ele ainda, quando chegou uma multidão; e um dos doze, o chamado Judas, que vinha à frente deles, aproximou-se de Jesus para O beijar. Jesus, porém, lhe disse: Judas, com um beijo trais o Filho do Homem? Lucas 22:47, 48

Muitas pessoas ainda consideram que o 13 é um número de azar. Evitam se assentar na fileira 13 em aviões ou se hospedar no andar 13 de hotéis. Têm medo das sextas-feiras 13 e, ainda pior para alguns, de sexta-feira 13 de agosto. Nesses dias, preferem ficar em casa e não fazer nenhum negócio sério. Mas como essas superstições começaram?

Há várias teorias que justificam o “13 azarado”. Por exemplo, em contraste com o 12, símbolo de completude, o número 13 tem sido considerado incompleto. Alguns místicos argumentam que Jesus e os 12 apóstolos formavam um grupo de 13; mas, quando Judas, o traidor, foi embora, o grupo se reduziu para o ideal de doze. No dia 13 de abril de 1970, um dos tanques de oxigênio da Apollo 13 explodiu, e a missão precisou ser abortada. Vários exemplos semelhantes poderiam ser acrescentados a essa lista.

Acerca da “sexta-feira 13”, alguns argumentam que a sexta-feira na qual Judas traiu Jesus foi o dia 13 de nisã do calendário judaico, ao passo que as únicas possibilidades seriam os dias 14 ou 15 de nisã. Na sexta-feira 13 de outubro de 1307, Filipe IV da França prendeu centenas de cavaleiros templários. É importante destacar que o romance Sexta-feira 13, de Thomas W. Lawson, ajudou a popularizar a superstição.

A “sexta-feira 13 de agosto” uniu algumas dessas teorias com a má reputação de agosto em algumas culturas. Por exemplo, as noivas portuguesas evitavam se casar em agosto porque era o mês no qual os marinheiros costumavam partir em longas viagens, e as mulheres recém-casadas não queriam ser deixadas sozinhas, sem lua de mel. No Brasil, agosto é conhecido como o mês azarado dos cachorros loucos, no qual os cães costumavam ser vacinados contra raiva.

Sem dúvida, muitos desastres aconteceram em sextas-feiras 13, assim como nos outros dias do ano. Tudo depende da perspectiva da qual se olha. O problema começa quando as coincidências passam a ser encaradas como norma e as exceções são consideradas a regra. Para aqueles que confiam em Deus e colocam a vida em Suas mãos, não há motivo para se preocupar com superstições infundadas. Afinal, “se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8:31).


Quinta-feira – 12 de julho

A vida de Cristo

O Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio Dele, mas o mundo não O conheceu. Veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam. João 1:10, 11

A encarnação do Filho de Deus é o mistério mais incrível que já aconteceu. De que modo o Criador e Mantenedor do Universo inteiro assumiu a natureza humana e viveu entre nós como um pobre ser humano? De fato, a vida de Cristo é o assunto mais sublime sobre o qual podemos refletir. Nenhum outro tema tem poder transformador tão forte.

Desde os primeiros dias de seu ministério profético, Ellen White escreveu muito sobre Cristo. Durante os anos que passou na Austrália (1891-1900), também dedicou boa parte de seu tempo a um abrangente projeto sobre a vida de Cristo. Em 12 de julho de 1892, ela escreveu em seu diário: “Esta tarde, escrevi uma série de páginas sobre a vida de Cristo. Anseio por uma grande porção do Espírito de Deus, para que seja capaz de escrever as coisas de que as pessoas necessitam” (Manuscrito 34, 1892). Esse foi o início de um grande projeto que resultaria na publicação de três livros muitos inspiradores: O Maior Discurso de Cristo (1896), O Desejado de Todas as Nações (1898) e Parábolas de Jesus (1900).

Na sexta-feira, 15 de julho de 1892, ela escreveu uma carta para Ole A. Olsen, presidente da Associação Geral, na qual reconheceu: “Caminho com tremor perante Deus. Não sei como falar ou registrar com a pena o grande tema do sacrifício expiatório. Não sei como apresentar assuntos do poder vivo que aparecem diante de mim. Tremo com medo de diminuir o grande plano da salvação por meio de palavras baratas. Prostro minha alma com temor e reverência perante Deus e digo: ‘Quem é suficiente para estas coisas?’” (Carta 40, 1892).

Com o auxílio de uma assistente editorial, Ellen White usou o conteúdo de muitos artigos que já havia escrito sobre o assunto, várias citações confiáveis de outros autores, aspectos da vida de Cristo mostrados para ela em visão e muitas informações novas que escreveu sob a orientação do Espírito Santo. Finalmente, em outubro de 1898, O Desejado de Todas as Nações saiu do prelo como uma das exposições mais maravilhosas da vida e do ministério de Cristo.

Hoje temos os quatro evangelhos do Novo Testamento e muitas outras reflexões confiáveis sobre a vida de Cristo, inclusive os três livros mencionados acima. Que tal começar um novo plano de leitura e estudo sobre a vida do nosso amado Salvador Jesus Cristo?


Quarta-feira – 11 de julho

Cuidando do nosso tempo

Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio. Salmo 90:12

Nós existimos na dimensão do tempo e inclusive mensuramos nossa existência por meio da contagem dos anos. As civilizações antigas usavam relógios solares a fim de marcar as horas do dia. Ao longo dos séculos, relógios mecânicos foram desenvolvidos, os quais passaram a ser movidos por corda ou por um pêndulo.

O Big Ben, em Londres, é o maior relógio carrilhão de quatro faces do mundo. “Big Ben” é o apelido do grande sino do relógio, mas, por extensão, pode se referir também ao relógio em si e até mesmo à torre do relógio. O grande relógio começou a funcionar no dia 31 de maio de 1859, e o Big Ben badalou a hora pela primeira vez alguns meses depois, em 11 de julho de 1859. No entanto, após dois meses, o grande sino estragou e ficou em silêncio por quatro anos. Durante esse período, a hora era marcada pelo sino do último quarto de hora.

Com o tempo, os relógios mecânicos convencionais foram, em sua maioria, substituídos pelos eletrônicos e até mesmo por relógios de quartzo e de pulso. Os relógios atômicos modernos alcançaram um nível extraordinário de precisão. Os fabricantes afirmam que os relógios atômicos de estrôncio nunca atrasarão nem adiantarão um segundo por 15 bilhões de anos. Hoje também escutamos sobre horários padrões, como o Tempo Médio de Greenwich (TMG), o Tempo Atômico Internacional (TAI) e o Tempo Universal Coordenado (conhecido pela sigla em inglês UTC), que são escalas de tempo muito precisas.

Por mais significativas que sejam as medidas temporais, o mais importante para cada um de nós é como gastamos o tempo que temos. Ellen White aconselha: “Só se pode viver esta vida uma vez” (Filhas de Deus, p. 150). “A vida é misteriosa e sagrada. É a manifestação do próprio Deus, fonte de toda a vida. Preciosas são as oportunidades que ela encerra, e devem ser zelosamente aproveitadas. Uma vez perdidas, desaparecem para sempre” (A Ciência do Bom Viver, p. 397).

O tempo é um dom sagrado de Deus para cada um de nós. Devemos considerá-lo tão precioso quanto a própria vida. Não existimos fora do tempo e não podemos estendê-lo, encurtá-lo nem recuperá-lo. A única coisa que podemos e devemos fazer é definir nossas prioridades e administrar nossa vida da melhor maneira possível dentro do tempo disponível para nós.

O relógio não para, e cada momento tem consequências eternas. Então por que não fazer uma pausa e refletir sobre como você tem gastado seu tempo? Que o Senhor nos ajude a sempre fazer uso de nosso tempo com sabedoria!


Terça-feira – 10 de julho

Missionários voluntários

Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim. Isaías 6:8

Cuidar dos jovens significa cuidar do futuro da igreja. Com o objetivo de ajudar seus amigos não muito espirituais, Luther Warren (de 14 anos) e Harry Fenner (de 17) organizaram, em 1879, na pequena igreja do interior em Hazelton, Michigan, a primeira sociedade adventista do sétimo dia de jovens. Outras sociedades semelhantes surgiram em diferentes partes dos Estados Unidos e em outros países.

Um evento crucial para a organização da obra em favor dos jovens adventistas foi a Convenção de Jovens e da Escola Sabatina realizada de 10 a 21 de julho de 1907 em Mount Vernon, Ohio. As palestras e o debate enfatizaram o engajamento da juventude na missão adventista ao mundo. Após cuidadoso estudo e muita deliberação, a convenção decidiu o seguinte: “Resolvido: que a organização dos jovens na Associação Geral, nas Uniões e Associações locais ficará conhecida como Departamento de Jovens Missionários Voluntários e que a organização nas igrejas locais receberá o nome de Sociedade de Jovens Missionários Voluntários Adventistas do Sétimo Dia.”

O presidente da Associação Geral, Arthur G. Daniells, que participou da convenção, observou que esse nome identificava: (1) o nome de nossa denominação, “adventistas do sétimo dia”; (2) o segmento da igreja envolvido, “sociedade de jovens” e (3) o propósito do departamento, “missionários voluntários”. Ao longo dos anos, os missionários voluntários, hoje conhecidos como jovens adventistas, se tornaram uma das forças mais dinâmicas de cuidado espiritual e evangelismo da igreja.

Ellen White fez o seguinte apelo: “Para que a obra possa avançar em todos os ramos, Deus pede vigor, zelo e coragem juvenis. Ele escolheu a juventude para ajudar no progresso de Sua causa. Planejar com clareza de espírito e executar com mãos valorosas exige energias novas e sãs. Os jovens, homens e mulheres são convidados a consagrar a Deus a força de sua juventude, a fim de que, pelo exercício de suas faculdades, mediante vivacidade de pensamento e vigor de ação, possam glorificá-Lo, e levar salvação a seus semelhantes” (Obreiros Evangélicos, p. 67).

Como estão os jovens em sua igreja? Ligados a Cristo e unidos? E você, como vai? O que você pode fazer para crescer espiritualmente e também ajudar outros a renovar sua fé e seu compromisso com a missão?


Segunda-feira – 09 de julho

Estude a Palavra

Procure apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar e que maneja corretamente a palavra da verdade. 2 Timóteo 2:15, NVI

Em minha infância, eu gostava de participar do programa de jovens no sábado à tarde em nossa igreja, que ficava na zona rural. Entre outras atividades empolgantes, havia um concurso de quem era a pessoa mais rápida a encontrar e ler passagens bíblicas específicas. Geralmente, minha irmã Eleda ganhava a disputa. Parece que a Bíblia dela sempre se abria automaticamente nos diferentes versículos! Entretanto, esse exercício seria praticamente impossível nas primeiras Bíblias, que eram divididas somente por livros, sem capítulos ou versículos.

Isso começou a mudar com uma iniciativa de Stephen Langton (c. 1150-1228), um influente arcebispo da Cantuária que faleceu em 9 de julho de 1228. Ele recebe o crédito por ter dividido a Bíblia na disposição padrão moderna de capítulos. Em 1448, o rabino judeu Mordecai Nathan subdividiu o Antigo Testamento em versículos. Em 1551, Robert Stephanus (também conhecido como Robert Estienne) manteve a divisão essencial de Nathan do Antigo Testamento e acrescentou uma subdivisão semelhante ao Novo Testamento. A primeira Bíblia completa com divisões em capítulos e versículos foi a Bíblia de Genebra, de 1560, uma influente tradução protestante para o inglês, anterior à versão King James.

Na realidade, o que significa manejar corretamente a Palavra da verdade? Compreende pelo menos quatro aspectos importantes: (1) demonstrar familiaridade com a Bíblia; (2) respeitar a Bíblia como a Palavra de Deus; (3) interpretar corretamente seu conteúdo; e (4) permitir que a Palavra de Deus transforme nossa vida. “Ao tomar a Bíblia nas mãos, lembrai-vos de que estais sobre terra santa” (Fundamentos da Educação Cristã, p. 195).

Muito mais do que apenas um bom livro, a Bíblia deve ser a luz de nossa vida (Sl 119:105). “Tornai a Bíblia vosso conselheiro. Vossas relações com ela se estreitarão rapidamente se mantiverdes a mente livre das escórias do mundo. Quanto mais a Bíblia for estudada, tanto mais profundo será vosso conhecimento de Deus. As verdades de Sua Palavra vos serão escritas na alma, aí deixando indelével impressão” (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 484).

As Escrituras Sagradas trazem alegria, significado e esperança para nós. A Bíblia é a ponte divina que conecta o tempo com a eternidade (Is 40:6-8) e o mapa seguro para a vida eterna.


Domingo – 08 de julho

Nenhum inferno eterno

Não lhes deixará nem raiz nem ramo. Malaquias 4:1

Muitos pregadores e autores cristãos retrataram o inferno da maneira mais dramática possível. Por exemplo, em 8 de julho de 1741, Jonathan Edwards, célebre teólogo e pregador norte-americano do século 18, assustou a congregação em Enfield, Connecticut, com seu famoso sermão “Pecadores nas Mãos de um Deus Irado”. Ele afirmou sem rodeios que, a qualquer momento, os ouvintes impenitentes poderiam ser engolidos pelas “chamas reluzentes da ira de Deus”, a fim de sofrer incessantemente no inferno por “milhões e milhões de eras”. As pessoas imploraram tão alto pela misericórdia divina que Edwards não conseguiu terminar seu sermão.

Boa parte do conceito medieval de inferno foi expresso no poema épico de Dante Alighieri, A Divina Comédia, no qual o inferno é colocado no interior da Terra e alcançado por meio de nove círculos de sofrimento. Em seu livreto The Sight of Hell (A Visão do Inferno), o padre católico inglês John Furniss (1809-1865) ilustra o tormento eterno por meio de uma grande bola maciça de ferro, maior que os céus e a Terra. “Um pássaro vem uma vez a cada cem milhões de anos e apenas toca a grande bola de ferro com uma pluma de suas asas”. A queima dos pecados no inferno continua até depois da bola de ferro se desgastar por esse toque ocasional da pena! Mas se a vida neste planeta é tão curta (Sl 90:9, 10), por que Deus puniria os pecadores impenitentes de maneira tão severa e por toda a eternidade?

Quando criança e adolescente, Ellen Harmon (posteriormente White) muito se afligia com a noção de um inferno a queimar por toda a eternidade. Na mente de Ellen, “a justiça de Deus obscurecia Sua misericórdia e Seu amor”, até ela entender os ensinos bíblicos de que os seres humanos não são naturalmente imortais e que todos os pecadores impenitentes serão por fim destruídos (Life Sketches of Ellen G. White, p. 29-31, 48-50). Mais tarde, ela até escreveu que a exclusão dos ímpios do Céu e sua destruição final são atos de misericórdia divina por eles (O Grande Conflito, p. 543).

O pecado e o sofrimento tiveram um início e não faziam parte do plano original de Deus. Eles serão completamente erradicados quando o Senhor fizer “novas todas as coisas” (Ap 21:5) a fim de restaurar o Universo a sua perfeição original. O amor triunfará para sempre sobre o pecado!


Sábado – 07 de julho

Dia de sorte?

E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera. Gênesis 2:3

Desde os tempos antigos, o número “sete” tem sido considerado símbolo de completude e perfeição. O clímax da alegria e do contentamento era definido como “estar no sétimo céu”. Não é de se espantar que tenha ocorrido tanta expectativa mística em torno do sábado 7 de julho de 2007. A data calhou de cair no sétimo dia da semana, além de ser o sétimo dia do sétimo mês do sétimo ano do milênio. Esse dia do calendário foi numericamente abreviado como “7/7/07”.

Jogadores e apostadores previram que a data seria um dia de sorte. Um site de planejamento de casamento registrou 38 mil casais que escolheram esse dia para a cerimônia, mais do triplo do número de casamentos em qualquer outro dia do ano. Além disso, o evento “Terra Viva: Concertos para um Clima em Crise” foi realizado em diversas partes do mundo.

Enquanto isso, em muitas cidades brasileiras, a Igreja Adventista do Sétimo Dia organizou, para o dia 7/7/07, eventos especiais enfatizando que o sábado é o Dia Mundial da Alegria. Eu participei dessa grande cruzada pregando sobre o significado do sábado na igreja do campus do Unasp em Engenheiro Coelho. Que alegria celebrar o sábado no sétimo dia, segundo o mandamento (ver Êx 20:8-11)!

O sábado chega até nós toda semana, interrompendo nossa rotina de vida frenética e competitiva, a fim de nos fazer lembrar de nossas prioridades espirituais. Ele é o santuário de Deus no tempo, ensinando que a vida é mais importante que as coisas e nos convidando a passar um tempo especial com o Senhor e os outros seres humanos. O sábado é um canal de bênçãos para a humanidade e um protótipo do sábado que os remidos guardarão ao longo de toda a eternidade (Is 66:22, 23).

A convidativa promessa de Deus para nós hoje é: “‘Se você vigiar seus pés para não profanar o sábado e para não fazer o que bem quiser em Meu santo dia; se você chamar delícia o sábado e honroso o santo dia do Senhor, e se honrá-lo, deixando de seguir seu próprio caminho, de fazer o que bem quiser e de falar futilidades, então você terá no Senhor a sua alegria, e Eu farei com que você cavalgue nos altos da terra e se banqueteie com a herança de Jacó, seu pai’. É o Senhor quem fala” (Is 58:13, 14, NVI).


Sexta-feira – 06 de julho

Testemunho em meio às chamas

Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado. Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda. 2 Timóteo 4:6-8

Imaginemos que você estivesse visitando a cidade imperial de Constança (no sul da Alemanha) em julho de 1415. Naquela ocasião a cidade estava cheia de gente em razão do famoso Concílio de Constança (1414-1418), que tinha como objetivos: (1) resolver a controvérsia entre três papas simultâneos rivais – Gregório XII, Benedito XIII e João XXIII – cada um deles alegando ser o verdadeiro sucessor de Pedro; (2) reformar o governo eclesiástico e a vida moral; (3) erradicar as heresias.

No início da manhã de sábado do dia 6 de julho de 1415, João Hus, professor influente da Universidade de Praga, compareceu diante do concílio reunido na catedral de Constança. Foi oficialmente sentenciado como excomungado da igreja e criminoso. Seis bispos cumpriram a ordem de degradação. Retiraram suas roupas e destruíram sua coroa de clérigo; colocaram em sua cabeça um capuz coberto com imagens do diabo e com a palavra “arqui­herege” escrita; e encomendaram sua alma ao diabo. Escoltado pelas ruas de Constança, viu seus livros sendo queimados em praça pública.

No local da execução, seus braços foram amarrados atrás das costas; seu pescoço foi atado à escada por meio de uma corrente; palha e madeira foram empilhados em volta de seu corpo. Pela última vez, ofereceram-lhe a vida caso se retratasse. Ele respondeu: “Morrerei com alegria hoje na fé do evangelho que tenho pregado.” À medida que as chamas subiam, ele cantou duas vezes: “Cristo, Tu, ó filho do Deus vivo, tem misericórdia de mim.” O vento soprou o fogo sobre seu rosto, silenciando sua voz. Ele morreu orando e cantando. A execução de Hus despertou a nação boêmia, e a Reforma foi levada adiante pelos hussitas e, posteriormente, por Martinho Lutero.

João Hus refletiu o espírito dos mártires que preferiram morrer a trair seu Senhor e Salvador. Cremos que Hus receberá a “coroa da justiça”. Mas e você e eu? Temos o mesmo espírito?


Quinta-feira – 05 de julho

A ovelha Dolly

Todas as coisas foram feitas por intermédio Dele; sem Ele, nada do que existe teria sido feito. Nele estava a vida, e esta era a luz dos homens. João 1:3, 4, NVI

Deus é a Fonte da vida, cuja palavra poderosa trouxe à existência todos os seres vivos em Seu vasto Universo. “Os céus por Sua palavra se fizeram, e, pelo sopro de Sua boca, o exército deles. […] Pois Ele falou, e tudo se fez; Ele ordenou, e tudo passou a existir” (Sl 33:6, 9). Por serem apenas criaturas, os seres humanos são incapazes de criar quaisquer formas de vida, embora seja possível manipulá-las geneticamente.

Em 5 de julho de 1996, a ovelha Dolly nasceu por meio de uma série de experimentos genéticos e reprodutivos realizados pelo Instituto Roslin, em Edimburgo, Escócia. Ela foi clonada a partir de uma célula retirada da glândula mamária de uma ovelha da raça Finn Dorset, de seis anos de idade, e de um óvulo de uma ovelha da raça Scottish Blackface. Desde então, muitos outros grandes mamíferos foram clonados com sucesso. Esses experimentos poderiam abrir as portas para o desenvolvimento de uma nova geração humana geneticamente modificada.

Em fevereiro de 1997, o presidente norte-americano Bill Clinton pediu à Comissão Nacional de Aconselhamento Bioético dos Estados Unidos que estudasse as questões legais e éticas envolvidas nesses experimentos. A Comissão concluiu que era moralmente inaceitável que qualquer pessoa “do setor público ou privado, seja em ambiente clínico ou de pesquisa”, tentasse “criar uma criança usando clonagem por transferência de célula somática nuclear”.

A Declaração Universal da Unesco sobre o Genoma Humano e Direitos Humanos, assinada em 11 de novembro de 1997, afirmou: “Práticas contrárias à dignidade humana, como a clonagem reprodutora de seres humanos, não devem ser permitidas.” Em janeiro de 1998, o presidente francês Jacques Chirac fez o apelo para que fosse decretada a proibição da clonagem humana. Contudo, por quanto tempo a comunidade científica respeitará essas restrições?

É inquestionável que muitos experimentos genéticos ajudaram a resolver problemas tradicionalmente considerados incuráveis. Mas outras experiências se tornaram desrespeitosas a Deus e à Sua criação extraordinária. É importante lembrar que o Senhor criou a humanidade à Sua imagem e semelhança (Gn 1:26) e devemos respeitá-la assim. Deixemos Deus ser Deus e Sua criação permanecer conforme Sua intenção original.


Quarta-feira – 04 de julho

O debate de Leipzig

Então, Jesus lhe perguntou: Que está escrito na Lei? Como interpretas? Lucas 10:26

Você já discutiu com alguém que não enxerga as coisas da sua perspectiva? Sem pontos em comum, a discussão pode prosseguir quase que indefinidamente. Foi isso que aconteceu com Martinho Lutero no famoso debate de Leipzig, em 1519, considerado um dos maiores debates de toda a história da Europa.

Muita tensão estava surgindo entre o movimento protestante emergente e a Igreja Católica Romana. Após algumas discussões, os dois grupos concordaram em realizar um debate acadêmico em Leipzig, Alemanha. O evento começou oficialmente no dia 27 de junho. Johann Eck defendeu a Igreja Católica Romana, ao passo que Andreas Carlstadt representou o grupo protestante. Com sua leitura monótona, Carlstadt estava apresentando um bom conteúdo, mas perdendo o interesse dos ouvintes.

Já benquisto por muitos espectadores, Eck estava certo de que chegara o momento de trazer o próprio Lutero para a arena. Na manhã de 4 de julho de 1519, “os dois maiores debatedores da Alemanha” começaram a disputa. Lutero reconhecia que estava vivendo alguns dos dias mais cruciais de sua vida. Havia muito em jogo naquele debate! Por causa da falta de pontos em comum entre os oradores, nunca chegaram a um consenso. Ao passo que Lutero tentava permanecer fiel às Escrituras, Eck distorcia a Bíblia a fim de apoiar a autoridade do papa e a tradição católica. Assim, o debate terminou no dia 14 de julho com o público dividido.

Podemos aprender lições importantes com base naquele debate. Em primeiro lugar, nem todos que têm as melhores habilidades para convencer as pessoas estão mais fundamentados na verdade. Em muitos casos, a persuasão é usada para acobertar informações não confiáveis e distorcidas. Em segundo lugar, antes de estudar a Bíblia com alguém, precisamos ter a certeza de que a pessoa aceita a autoridade das Escrituras e está disposta a permitir que a Bíblia interprete a si mesma. Em um mundo com tantas interpretações conflitantes das Escrituras, somos chamados por Deus para exaltar “a Bíblia, e a Bíblia só, como norma de todas as doutrinas e base de todas as reformas” (O Grande Conflito, p. 595).


Terça-feira – 03 de julho

Nova Jerusalém

Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo. Apocalipse 21:2

Muitos cristãos ainda acreditam que Israel desempenhará um papel crucial no cenário escatológico do tempo do fim. Para eles, as profecias do Antigo Testamento acerca da restauração de Jerusalém e da fundação do reino messiânico (Zc 12–14) receberão um cumprimento literal. Para que isso ocorra, o Estado de Israel precisaria ser restabelecido, e o templo de Jerusalém, reconstruído em seu local original, no monte Moriá (2Cr 3:1).

Theodor Herzl (1860-1904) foi um jornalista e ativista político austro-húngaro. Ele fundou a Organização Sionista Mundial e promoveu a migração de judeus para a Palestina, visando à criação de um estado judaico. O líder morreu em 3 de julho de 1904, mas é considerado, de modo geral, o pai do Estado de Israel, fundado 44 anos depois.

Em seu popular livro A Agonia do Grande Planeta Terra (1970), Hal Lindsey sugeriu que, em 1948, havia começado a última contagem regressiva profética e, 40 anos depois (c. 1988), iniciaria uma suposta tribulação de sete anos, ao fim da qual (c. 1995) Cristo viria reinar em um trono literal em Jerusalém. Entretanto, todas essas datas passaram e nada aconteceu. O que deu errado na interpretação de Lindsay?

Em Daniel 9, Gabriel fala sobre a reconstrução do templo de Jerusalém ao final dos 70 anos de cativeiro babilônico (Dn 9:20-27). Esse é o ponto de partida tanto das 70 semanas de Daniel 9:24 a 27 quanto dos 2.300 dias simbólicos de Daniel 8:14. Entretanto, em nenhuma passagem a Bíblia fala sobre a fundação recente do Estado de Israel como ponto de início de qualquer período profético do tempo do fim, conforme Lindsay sugeriu. Muitas profecias do Antigo Testamento acerca da restauração de Jerusalém e do templo foram cumpridas pelos judeus que retornaram do cativeiro babilônico, conforme contam os livros de Esdras e Neemias.

A expectativa escatológica do Novo Testamento não se limita ao Estado de Israel e ao Oriente Médio. Em vez disso, trata-se de uma realidade celestial. Abraão aguardava a cidade “da qual Deus é o arquiteto e edificador” (Hb 11:10). E os filhos de Deus de todas as eras e do mundo inteiro O servirão de igual maneira perante Seu trono no templo celestial (Ap 7:15), dentro da nova Jerusalém (Ap 21:2). Essa também é nossa gloriosa herança!


Segunda-feira – 02 de julho

Os pontos de virada da vida

Ora, aconteceu que, indo de caminho e já perto de Damasco, quase ao meio-dia, repentinamente, grande luz do céu brilhou ao redor de mim. Então, caí por terra, ouvindo uma voz que me dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? Atos 22:6, 7

Você já enfrentou alguma situação ameaçadora que mudou radicalmente o rumo de sua vida? Algumas situações tristes podem ser causadas por nossos erros pessoais. Outras podem ocorrer por seguirmos um conselho equivocado. Outras ainda podem estar completamente fora de nosso controle. Elas simplesmente acontecem! A despeito das causas, a partir de então nossa vida nunca mais é a mesma.

Seguindo o desejo de seu pai, Martinho Lutero começou a estudar direito na Universidade de Erfurt, com uma carreira promissora pela frente. Seis semanas depois, tirou um período curto de férias para visitar os pais em Mansfeld. No caminho de volta, em 2 de julho de 1505, Lutero enfrentou uma tempestade horrível e foi lançado por terra por um raio assustador. Desesperado, clamou: “Ajuda-me, Sant’Ana e me tornarei monge.” Como seu pai era mineiro e Sant’Ana era a padroeira dos mineiros, não surpreende que tenha feito o voto a ela.

Alguns críticos consideram que a experiência de Lutero com o raio não passa de uma lenda, mas ele próprio a descreveu como fato. Não sabemos ao certo se, antes disso, ele já estava contemplando a possibilidade de se tornar monge ou não. De todo modo, foi um grande ponto de virada em sua vida. Na noite de 16 de julho, ele deu um jantar de despedida aos amigos. Na manhã seguinte, entrou para o mosteiro agostiniano de Erfurt, cidade com tantos mosteiros que era até chamada de “pequena Roma”. Esse foi o início de uma longa peregrinação religiosa, da qual ele emergiria como o poderoso reformador protestante.

“A vida começa no fim de sua zona de conforto” (N. D. Walsch). Um raio assustador ajudou Lutero a abrir mão dos estudos de Direito e começar uma nova vida no monastério. Uma teofania (aparição pessoal de Cristo) temível perto de Damasco converteu Saulo, de perseguidor dos cristãos a um apóstolo incansável de Jesus Cristo. De igual maneira, Deus pode nos tirar da zona de conforto a fim de nos usar em Sua causa.

Deus nos pergunta hoje: “A quem enviarei, e quem há de ir por nós?” Por que esperar medidas drásticas para nos despertar? Que a sua resposta seja a mesma de Isaías: “Eis-me aqui, envia-me a mim” (Is 6:8).


Domingo – 01 de julho

Verdadeiros milagres modernos

Caiam mil ao teu lado, e dez mil, à tua direita; tu não serás atingido. Salmo 91:7

Milagres carismáticos modernos ocorrem quase que exclusivamente em palcos, em frente a um imenso auditório e transmitidos por televisão ao maior número possível de pessoas. Mas Deus não depende de estratégias publicitárias para trabalhar em favor de seus servos fiéis (Mt 7:21-23). No inspirador livro Mil Cairão ao Teu Lado, Susi Hasel Mundy conta a história extraordinária de como Deus protegeu milagrosamente seu pai, Franz Hasel, e sua família dentro da Alemanha hitlerista durante a Segunda Guerra Mundial.

Franz Hasel, adventista do sétimo dia e pacifista convicto, foi recrutado e enviado para a Companhia Pioneira 699, tropa de elite de Hitler que construía pontes na frente do combate. Em 1o de julho de 1941, os pioneiros receberam a ordem de atravessar a fronteira da Polônia e entrar na Ucrânia. Após dias marchando, muitos soldados estavam extremamente exaustos. Aqueles que não conseguiam prosseguir, eram simplesmente deixados para trás para morrer doentes ou ser mortos pelos russos. Franz também estava esgotado e com febre muito alta. Suas meias estavam em farrapos e bolhas imensas cobriam os pés inchados.

Sem qualquer esperança quanto ao futuro, Franz orou: “Querido Senhor, Tu sabes que minha vida pertence a Ti. Quando saí de casa, senti a certeza de que Tu me levarias de volta em segurança para minha família. […] Mas aqui estou, doente e sem condições de continuar. Se não me ajudares, estarei perdido. Sei que és um Deus que cumpres Tuas promessas. Entrego-me em Tuas mãos.” Logo depois, adormeceu. O toque de alvorada foi às 3h15 da manhã. Para sua grande surpresa, seus pés estavam completamente curados, cobertos por pele nova e sem nenhuma casca! Essa foi apenas uma das várias ocasiões ameaçadoras nas quais Deus o protegeu.

Dos 1.200 que integraram a Companhia Pioneira, somente sete sobreviveram; dentre eles, Franz. A experiência de Franz expressa o cuidado protetor de Deus conforme prometido no Salmo 91:7: “Caiam mil ao teu lado […] tu não serás atingido.” Em seu lar, a esposa e os filhos de Franz testemunharam o cumprimento de Salmo 91:10: “Nenhum mal te sucederá, praga nenhuma chegará à tua tenda.” Inquestionavelmente, o poder de Deus não enfraqueceu, e Suas promessas jamais se desgastam. Ele cuida de você e nunca o abandonará. É capaz de protegê-lo hoje assim como fez com a família de Hasel.


JULHO 2018


Sábado – 30 de junho

Muros e pontes

Pois Ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um e destruiu a barreira, o muro de inimizade. Efésios 2:14, NVI

Na China, são encontradas algumas das estruturas mais impressionantes construídas pelo ser humano. Uma delas é a Grande Muralha, que começou a ser edificada por volta de 221 a.C., por ordem do imperador Qin Shi Huang. A fim de impedir invasões de nômades bárbaros ao Império Chinês, ela foi expandida de maneira significativa ao longo dos séculos. Uma pesquisa preliminar sugeriu que a edificação tinha somente 8.850 quilômetros de extensão. Mas, em 2012, estudos arqueológicos mais precisos revelaram que essa estrutura histórica, incluindo uma série de fortificações, tem 21.196 quilômetros de comprimento.

Outra construção chinesa impressionante é a Grande Ponte Danyang-Kunshan, uma ferrovia elevada de alta velocidade, com 164,8 quilômetros, entre Xangai e Nanjing. Ela atravessa o delta do rio Yangtze, com seus arrozais alagados, rios e lagos. Construída em apenas quatro anos por cerca de 10 mil trabalhadores, a ponte foi concluída em 2010 e aberta para serviço comercial em 30 de junho de 2011. É, de longe, a maior ponte já construída até aqui. Atualmente, a China tem tanto a muralha quanto a ponte de maior extensão do mundo.

O evangelho também nos convida a construir fortes muros espirituais para nos separar do pecado e pontes sociais concretas que nos aproximem dos pecadores que necessitam de salvação. Contudo, no que diz respeito aos relacionamentos interpessoais, “construímos muros demais e pontes de menos”, conforme escreveu Isaac Newton. De fato, há muitos construtores de muros, sem medo de separar casamentos, famílias e amizades próximas. Por outro lado, existem também construtores de pontes que superam todos os tipos de problemas a fim de reconciliar vínculos partidos.

Jesus foi uma pessoa extremamente sociável que quebrou muitos muros da sociedade de Seu tempo. “Em cada ser humano Ele divisava infinitas possibilidades. Via os homens como poderiam ser transfigurados por Sua graça” (Educação, p. 80). “Se nos humilhássemos perante Deus e fôssemos bondosos e corteses, compassivos e piedosos, haveria uma centena de conversões à verdade onde agora há apenas uma” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 9, p. 189).

Como nosso mundo seria diferente se você e eu nos tornássemos construtores de pontes para compartilhar o amor salvífico de Deus por aqueles que estão a perecer!


Sexta-feira – 29 de junho

Ética evangelística

Paulo respondeu: Assim Deus permitisse que, por pouco ou por muito, não apenas tu, ó rei, porém todos os que hoje me ouvem se tornassem tais qual eu sou, exceto estas cadeias. Atos 26:29

O evangelismo é o pulsar do coração da igreja e o motivo de sua existência. Mas, até que ponto podemos evangelizar as pessoas sem infringir sua liberdade religiosa? Essa pergunta crucial é abordada brevemente no documen­to “Declaração adventista do sétimo dia sobre liberdade religiosa, evangelismo e proselitismo”, emitida na assembleia da Associação Geral em Toronto, iniciada em 29 de junho de 2000. O texto reconhece que a “liberdade de religião é um direito humano básico”, subentendendo que nenhum método evangelístico de coerção pode ser utilizado em quaisquer circunstâncias. Os adventistas acreditam que “a fé e a religião são mais bem disseminadas quando as convicções são manifestadas e ensinadas com humildade e respeito, e quando o testemunho de vida do indivíduo se encontra em harmonia com a mensagem anunciada, evocando uma aceitação livre e alegre dos evangelizados”.

Ao convidarem outros a se unir à Igreja Adventista, os membros devem demonstrar respeito pelas demais denominações. C. Mervyn Maxwell (1925-1999) declarou: “Quando os adventistas convidam um amigo para deixar sua denominação e se tornar adventista do sétimo dia, não esperam que ele abra mão de tudo que conhece como metodista, batista, presbiteriano ou católico. Longe disso! Cada bela faceta da verdade que a pessoa aprendeu sobre Jesus em sua antiga igreja deve ser entesourada com fervor ainda maior dentro da Igreja Adventista do Sétimo Dia, acrescentado às coisas gloriosas que sabia a grande verdade virtuosa descoberta pelos adventistas do sétimo dia.”

Maxwell também diz: “Quando um adventista diz que tem ‘a verdade’, ele não está se vangloriando. Não se trata da verdade dele. É a verdade de Deus. Verdade esta que Deus revelou não para satisfazer a curiosidade, mas para ser espalhada por todos os lugares e para todos os que se dispuserem a ouvir, para todos aqueles por quem Cristo deu Sua vida” (Tell It to the World [Conte ao Mundo], p. 113, 114).

Algumas pessoas enfatizam em excesso a liberdade religiosa, ao ponto de menosprezar a grande comissão evangélica feita por Cristo(Mt 28:18-20). Outros salientam o proselitismoa ponto de impedir que as pessoas façam a escolha por si mesmas. Devemos pregar o evangelho com a mesma convicção e intencionalidade de Paulo, permitindo que cada pessoa tome sua decisão.


Quinta-feira – 28 de junho

A linguagem das roupas

Toda formosura é a filha do Rei no interior do palácio; a sua vestidura é recamada de ouro. Em roupagens bordadas conduzem-na perante o Rei. Salmo 45:13, 14

Em 28 de junho de 1837, aos 18 anos de idade, a rainha Vitória foi coroada rainha do poderoso Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda. Com apenas 1,52 metro de altura, ela reinou por 63 anos e influenciou o estilo de vida e a moda da chamada era vitoriana. “Antes de 1837-1901, os homens eram o foco da moda, mas com uma rainha no poder, as mulheres subiram ao palco. O papel da esposa passou a ser mostrar a posição e a riqueza do marido ao público, ao passo que o esposo em si se retraiu para os bastidores” (Sharina Al Falasi).

No decorrer da história, muitas outras personalidades políticas e estrelas sociais exerceram influência sobre o estilo de vida das pessoas. Contudo, as discussões sobre moda e vestuário tendem a ser acaloradas, divisoras e até competitivas. Por exemplo, no contexto religioso, alguns creem que o verdadeiro cristão nunca deve seguir a moda do mundo. Outros argumentam que a pessoa pode se vestir como quiser, pois o que importa é o interior, não o exterior. É inquestionável que nosso interior seja a fonte do comportamento exterior (Mc 7:21, 22). No entanto, muito mais do que uma mera forma de cobrir o corpo, as roupas são símbolos eloquentes de nosso gosto pessoal, condição social e valores morais.

No livro A Linguagem das Roupas, Alison Lurie declara: “Por milhares de anos, os seres humanos têm se comunicado uns com os outros primeiro pela linguagem do vestuário. Muito antes de me aproximar o suficiente para conversar com você na rua, em uma reunião ou festa, você anuncia seu sexo, sua idade e sua classe por meio daquilo que está vestindo – e é muito possível que me dê informações importantes (corretas ou incorretas) acerca de sua profissão, origem, personalidade, opiniões, gostos, desejos sexuais e humor atual. Talvez eu não consiga expressar em palavras aquilo que estou observando, mas registro as informações no inconsciente e, ao mesmo tempo, você faz o mesmo em relação a mim.”

Então, se o cristão é “sal da terra” e “luz do mundo” (Mt 5:13-16), como deve se vestir? Há princípios bíblicos úteis que tratam do assunto (1Tm 2:9, 10; 1Pe 3:3, 4). Resumidamente, o verdadeiro cristão deve se vestir, dentro do contexto de sua cultura, como o faz uma pessoa com valores morais elevados e de boa reputação.


Quarta-feira – 27 de junho

Os cegos tornarão a ver

Naquele dia os surdos ouvirão as palavras do livro, e, não mais em trevas e escuridão, os olhos dos cegos tornarão a ver. Isaías 29:18, NVI

Temos a promessa maravilhosa de que, no reino eterno de Deus, “os surdos ouvirão” e “os olhos dos cegos tornarão a ver” (Is 29:18). Um deleite antecipado dessa realidade pôde ser testemunhado durante o ministério terreno de Cristo (Mt 11:2-5). Mesmo hoje, porém, podemos fazer a diferença na vida das pessoas com deficiências.

Helen Adams Keller (1880-1968) nasceu em Tuscumbia, Estados Unidos, em 27 de junho de 1880. Com apenas um ano e sete meses, contraiu uma doença – diagnosticada como “febre cerebral” – que a deixou tanto surda quanto cega. A partir de 1887, Anne Sullivan se tornou sua professora e acompanhante, ajudando-a a desenvolver a habilidade de se comunicar. Em 1904, a jovem foi a primeira pessoa surda e cega a se graduar na faculdade. Por ser um símbolo de superação da cegueira e surdez, ela se encontrou com muitas autoridades e viajou o mundo apresentando palestras sobre otimismo e esperança, promovendo causas humanitárias.

Ao longo dos anos, Helen desenvolveu uma atitude muito positiva e inspiradora em relação à vida. Suas declarações indicam uma profunda experiência humana. Acerca da superação de problemas, ela afirmou: “Embora o mundo esteja cheio de sofrimento, também está repleto de superação dele.” Com base nas próprias lutas, era capaz de dizer: “O caráter não consegue se desenvolver em meio à facilidade e à tranquilidade. Somente por meio de provas e sofrimentos a alma se fortalece, a visão se aclara, a ambição se inspira e o sucesso é conquistado.”

Além disso, Helen também enfatizou o valor de identificar e aproveitar as oportunidades disponíveis. Ela advertiu: “Quando uma porta de felicidade se fecha, outra se abre. Com frequência, porém, demoramos tanto o olhar na porta fechada que não vemos aquela que se abriu para nós.” Para a autora, “a pessoa mais digna de pena no mundo é aquela que enxerga, mas não tem visão”. E mais: “As melhores coisas do mundo e as mais belas não podem ser vistas nem tocadas. Precisam ser sentidas com o coração.”

Em grande medida, Helen Keller superou suas limitações graças a Anne Sullivan, cujos olhos e ouvidos lhe deram visão e audição. Enquanto aguardamos com expectativa a restauração final de todas as nossas imperfeições (Ap 21:4), também podemos fazer a diferença na vida das pessoas que têm deficiências.


Terça-feira – 26 de junho

Combate ao câncer

Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por Sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus. Romanos 3:23, 24

A Organização Mundial da Saúde (OMS) identifica o câncer como a segunda principal causa de morte no mundo todo. Esse termo genérico se refere a um grande conjunto de doenças caracterizadas pelo crescimento anormal das células além de seus limites comuns, comprometendo tecidos e até mesmo órgãos do corpo. Uma das referências mundiais para o tratamento dessa enfermidade é a Universidade de Loma Linda, no sul da Califórnia.

Em 1970, o doutor James M. Slater e sua equipe começaram a desenvolver um sistema que conseguisse explorar plenamente o potencial de tratamento de pacientes com câncer por meio de partículas radioativas carregadas. O objetivo era guiar com exatidão o raio externo de radiação, a fim de que ele atingisse o tumor. Como parte desse ambicioso programa, em 1985, o doutor Slater propôs à universidade construir o primeiro acelerador de prótons dentro de um hospital, capaz de produzir uma forma mais precisa de radiação do que a padrão ou cirúrgica.

Apesar da forte oposição inicial, o centro de terapia com feixes de prótons foi construído, com o investimento de 45 milhões de dólares. O primeiro paciente, vítima de um tumor ocular, foi tratado em 23 de outubro de 1990. O tratamento de tumores cerebrais foi iniciado em março de 1991, e os tratamentos usando o gantry de rotação começaram em 26 de junho de 1991. Mais de 150 pessoas são tratadas todos os dias no centro, o primeiro do tipo nos Estados Unidos.

A luta contínua para curar o câncer ou, pelo menos, mantê-lo sob controle pode nos ensinar lições espirituais significativas. Primeiro, aquilo que o câncer representa para o corpo humano, o pecado simboliza para nossa vida espiritual e moral. De acordo com Billy Graham, “o pecado é como o câncer: destrói pouco a pouco. Lentamente, sem que nos apercebamos de sua insidiosa presença, ele vai se alastrando.”

Em seguida, infinitamente mais eficaz do que a terapia com feixe de prótons para a cura do câncer é o sacrifício de Cristo para nos curar do pecado. De acordo com Paulo, “todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por Sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3:23, 24). Embora alguns tipos de câncer ainda tenham pequena probabilidade de cura, todos os pecadores arrependidos podem ser perfeitamente curados por meio do sacrifício de Cristo na cruz. Louvado seja o Senhor por isso!


Segunda-feira – 25 de junho

Lei de Murphy

Mesmo quando eu andar por um vale de trevas e morte, não temerei perigo algum, pois Tu estás comigo; a Tua vara e o Teu cajado me protegem. Salmo 23:4, NVI

Você já teve um dia no qual tudo parecia dar errado? Se foi somente um dia, pode agradecer. Para algumas pessoas, o “dia de azar” pode durar quase que para sempre.

Roy Cleveland Sullivan (1912-1983) nasceu em Greene County, Estados Unidos. Ele foi atingido por um raio em 1942, aos 30 anos; outro raio o atingiu em 1969; um terceiro, em 1970; um quarto, em 1972; um quinto, em 1973; um sexto, em 1976; e, finalmente, um sétimo, em 25 de junho de 1977. Todos os sete acidentes foram documentados pelo superintendente do Parque Nacional Shenandoah. Sullivan ainda contava que, quando criança, fora atingido por outro raio que não chegou a ser documentado. Para quem gosta de matemática, vale dizer que a probabilidade de alguém ser atingido sete vezes por raios é de uma em 10 octilhões (ou seja, o número um seguido de 28 zeros!).

Algumas pessoas com inclinações místicas sugerem que Sullivan era amaldiçoado. Outras dizem que ele foi uma verdadeira vítima da lei de Murphy, a qual afirma que “tudo que tende a dar errado, invariavelmente dará errado”. Essa lei foi “formulada” pelo capitão norte-americano Edward A. Murphy (1918-1990) que, em 1949, trabalhava com uma equipe de engenheiros em um projeto da força aérea com o objetivo de verificar que quantidade de desaceleração súbita uma pessoa é capaz de suportar em uma colisão. Quando um membro de sua equipe instalou erroneamente alguns fios e cabos no equipamento de teste, Murphy o culpou, dizendo: “Se houver algum jeito de fazer errado, ele invariavelmente fará.” No entanto, outras pessoas já haviam feito declarações semelhantes, muito tempo antes disso.

A lei de Murphy pode conter certa verdade, mas é geral e pessimista demais. Ela até pode ser aplicada ao desafortunado Roy Sullivan, mas, e quanto à maioria da população mundial, que nunca enfrentou tragédias assim? Além disso, essa lei não dá espaço para os atos de disciplina amorosa que Deus dispensa a Suas criaturas (Ap 3:19).

Mesmo quando as coisas dão errado, nunca devemos nos esquecer de que o Senhor sempre cuida de nós durante os dias ensolarados, bem como nos dias nublados. O rei Davi declarou: “Mesmo quando eu andar por um vale de trevas e morte, não temerei perigo algum, pois Tu estás comigo; a Tua vara e o Teu cajado me protegem” (Sl 23:4, NVI). Olhe as belas rosas do caminho e ignore os espinhos!


Domingo – 24 de junho

Sucesso com humildade

Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas riquezas. Jeremias 9:23

Um dos maiores desafios da vida é saber combinar sucesso com humildade. Um homem que pareceu ter conseguido compreender esse equilíbrio foi o piloto de automobilismo Juan Manuel Fangio, nascido no dia 24 de junho de 1911 em Balcarce, Argentina. Durante a década de 1950, ele foi pentacampeão mundial de Fórmula 1. Em grande medida, sua carreira foi moldada por seu lema: “Deves sempre lutar para ser o melhor, porém jamais deves pensar que já tens alcançado.”

Lionel Messi, um dos jogadores de futebol mais bem-sucedidos de todos os tempos, nasceu em 24 de junho de 1987, em Rosário, Argentina. Extremamente habilidoso e muito bem remunerado, ele é o atleta que mais ganhou a Bola de Ouro – a mais importante premiação do futebol – na história. Messi afirmou à revista MoneyWeek: “O dinheiro não é um fator motivacional para mim. Dinheiro não me empolga nem me faz jogar melhor por saber que há benefícios em ser rico. Simplesmente sou feliz quando estou com a bola nos pés. Minha motivação vem de jogar o esporte que amo. Caso não fosse pago para ser jogador profissional, jogaria voluntariamente a troco de nada.”

Seja no esporte ou em qualquer outra iniciativa humana, sempre devemos nos perguntar: “Do fundo do coração, o que motiva meu comportamento? Por que estou tentando ser melhor que os outros?” De acordo com Jeremias 9:23, não há nada de errado em ser “sábio”, “forte” ou até mesmo “rico”, contanto que isso não se torne uma obsessão e fonte de exaltação pessoal. De acordo com Ellen White, “os homens não devem ser exaltados como grandes e maravilhosos. É Deus quem deve ser engrandecido” (Medicina e Salvação, p. 168). “A entrega do próprio eu é a essência dos ensinos de Cristo” (O Desejado de Todas as Nações, p. 523).

Crescer em Cristo significa se tornar cada vez menos egocêntrico e cada vez mais cristocêntrico. Isso quer dizer que nunca devemos nos considerar estrelas com luz própria, mas planetas que refletem a maravilhosa luz de Jesus, o Sol da justiça (Ml 4:2). Todas as nossas habilidades e conquistas devem levar glória e honra ao Senhor, o Criador e Mantenedor de nossa vida. O apóstolo Paulo nos aconselha: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1Co 10:31).


Sábado – 23 de junho

Vida dupla

Aproximem-se de Deus, e Ele se aproximará de vocês! Pecadores, limpem as mãos, e vocês, que têm a mente dividida, purifiquem o coração. Tiago 4:8, NVI

Algumas pessoas levam uma vida dupla – uma é a vida pública, considerada “verdadeira”, e a outra é a vida escondida, que deve ser mantida em segredo. Entretanto, por que alguns indivíduos se comportam assim? James Harvey Robinson (1863-1936) sugeriu: “O discurso dá ao ser humano um poder único de viver uma vida dupla, na qual se diz uma coisa e faz outra.” De modo geral, vidas e discursos duplos normalmente derivam da tendência humana de acobertar comportamentos pecaminosos e imorais.

Há muitas maneiras de desenvolver uma vida paralela, escondida. Por exemplo, em 23 de junho de 2003, foi lançado o website Second Life (Segunda Vida). Esse e outros sites de imersão permitem que as pessoas simplesmente fujam da realidade para um mundo virtual, começando ali “relacionamentos” novos e empolgantes, indo em busca daquilo que lhes dá prazer. Na maioria dos casos, esses relacionamentos paralelos são mantidos em segredo dos pais, cônjuge e filhos.

Charles H. Spurgeon, em seu livro John Ploughman’s Talk (Conversa de John Ploughman), traz um capítulo intitulado “Homens com Duas Faces”, no qual adverte: “Em alguns homens, só se pode confiar enquanto eles podem ser vistos, e não além, pois novas companhias os transformam em pessoas diferentes. Assim como a água, eles fervem ou congelam de acordo com a temperatura.” E acrescenta: “Não são todos que frequentam a igreja ou os cultos que oram de verdade, nem são aqueles que cantam mais alto os que mais louvam a Deus, nem os que mostram as expressões faciais mais chamativas que mais anseiam pelo Senhor.”

Realmente não sei até que ponto você tende a levar uma vida dupla. Talvez esse não seja seu caso. Mas se você tem permitido que um pecado acariciado corroa sua integridade moral e espiritual, gostaria de convidá-lo a entregar sua vida particular ao Senhor hoje, pedindo-Lhe forças para vencer suas fraquezas. Se possível, busque aconselhamento pastoral.

O conselho inspirado para hoje é: “Aproximem-se de Deus, e Ele se aproximará de vocês! Pecadores, limpem as mãos, e vocês, que têm a mente dividida, purifiquem o coração” (Tg 4:8, NVI). O Senhor é capaz de trazer consistência a suas tendências inconsistentes, para que sua vida particular entre em plena harmonia com sua imagem pública. O preço que você pagará ao abrir mão de seus pecados não é nada em comparação à paz de espírito que irá ganhar!


Sexta-feira – 22 de junho

“Mãe de Deus”

Foi assim o nascimento de Jesus Cristo: Maria, Sua mãe, estava prometida em casamento a José, mas, antes que se unissem, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Mateus 1:18, NVI

Se Maria, mãe de Jesus, ressuscitasse dos mortos, como você acha que ela reagiria a tudo que tem sido falado a seu respeito ao longo dos séculos? No relato do evangelho, encontramos um anjo que lhe diz: “Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres” (Lc 1:28, ARC). No entanto, muitos elementos foram acrescentados a isso pela tradição cristã e endossados por decisões eclesiásticas.

Quatro passos importantes contribuíram para a exaltação de Maria na história cristã. Primeiramente, ela começou a ser chamada de “Mãe de Deus”. O terceiro Concílio Ecumênico, iniciado em 22 de junho de 431 d.C. e realizado na Igreja de Maria em Éfeso, Anatólia, reconheceu oficialmente que Maria “gerou a Deus” e condenou aqueles que a consideravam apenas “geradora de Cristo”. O segundo passo foi a ênfase da Igreja Católica em relação à sua virgindade perpétua. O segundo Concílio de Constantinopla (553 d.C.) discorreu sobre “a santa e gloriosa Mãe de Deus, para sempre virgem Maria”.

O terceiro passo foi o dogma da imaculada conceição de Maria. A bula papal Ineffabilis Deus (1854) sugeriu que, desde o primeiro instante de sua concepção, a bendita virgem Maria “foi preservada imaculada de toda contaminação do pecado original”. O quarto passo foi o reconhecimento de que ela atuaria como mediadora da graça divina. A encíclica papal Lucunda Semper Expectatione (1894) afirmou: “O nosso suplicante recurso ao patrocínio de Maria funda-se no seu ofício de Mediadora da graça divina […], junto ao trono do Altíssimo.” Além disso, vários cardeais e bispos católicos já pediram ao Vaticano que também reconheça Maria como corredentora e comediadora com Cristo.

Por mais abençoada que Maria tenha sido pelo privilégio de ser mãe de Jesus, a Bíblia não endossa essas teorias baseadas no conceito da imortalidade natural da alma. Em nenhuma parte do Novo Testamento, ela é venerada como Mãe de Deus. Se nem mesmo anjos não caídos aceitaram ser adorados (Ap 22:8, 9), por que ela, um ser humano, seria? Louvado seja Deus por que temos “um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1Tm 2:5). Conforme Pedro afirmou, “não existe nenhum outro nome” além do nome de Cristo, pelo qual podemos ser salvos (At 4:12).


Quinta-feira – 21 de junho

Uma mensagem atemporal

Os céus e a terra passarão, mas as Minhas palavras jamais passarão. Quanto ao dia e à hora ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, senão somente o Pai. Marcos 13:31, 32, NVI

Jesus nos adverte contra a predição do momento de Seu retorno. Mesmo assim, muitas pessoas ignoraram esses avisos e se aventuraram nesse tipo de especulação. Após o desapontamento de outubro de 1844, os adventistas observadores do domingo propuseram pelo menos 21 novas datas para a segunda vinda. Entre os adventistas sabatistas, José Bates sugeriu que as sete vezes que o sumo sacerdote aspergia sangue perante o propiciatório (Lv 16:14) representavam sete anos que deveriam ser contados do outono de 1844 até o outono de 1851. Entretanto, todas essas especulações falharam.

Em novembro de 1850, Ellen White escreveu: “O Senhor me mostrou que o tempo não havia sido um teste desde 1844 e nunca mais o será” (Present Truth, novembro de 1850). Em 21 de junho de 1851, enquanto estava em Camden, Nova York, ela recebeu uma visão advertindo os adventistas contra a tentativa de identificar o cumprimento de qualquer profecia temporal após outubro de 1844. Ellen White explicou: “O Senhor mostrou-me que a mensagem deve ir, e que não deve depender de tempo; pois o tempo não será nunca mais uma prova. Vi que alguns estavam ficando com uma falsa agitação, nascida de pregar-se o tempo; vi que a terceira mensagem angélica pode subsistir sobre seu próprio fundamento e que não precisa de nenhum tempo para fortalecê-la. Ela irá com forte poder, fará sua obra e será abreviada em justiça” (Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 188).

Apesar dessa e de muitas outras admoestações posteriores de Ellen White, algumas pessoas sempre dão um jeito de justificar seu fascínio pessoal com a marcação de datas. Alguns argumentam que Jesus nos proibiu de saber somente “o dia e a hora” de Sua vinda (Mt 24:36; Mc 13:32), mas não o ano específico. Outros alegam que não podemos saber a data específica do segundo advento, mas que algumas profecias temporais, como as dos 1.290 e 1.335 dias (Dn 12:11, 12) ainda se cumprirão no futuro.

Algumas especulações proféticas podem parecer muito lógicas e convicentes. No entanto, aqueles que levam a sério as advertências de Cristo e as admoestações de Ellen White nunca se aventurarão nessas fantasias sem fundamento. A mensagem adventista não necessita desse tipo de bengala para seguir adiante.


Quarta-feira – 20 de junho

Quando Deus está à frente

Entrega o teu caminho ao Senhor, confia Nele, e o mais Ele fará. Salmo 37:5

Passando por grandes desafios financeiros, por que a Igreja Adventista deveria comprar uma terceira instituição médica no Sul da Califórnia? Em 10 de outubro de 1901, Ellen White escreveu em seu diário que viu um ótimo sanatório no Sul da Califórnia, com árvores frutíferas em seu terreno. Alguns pacientes estavam em cadeiras de rodas e, outros, ao ar livre, debaixo da sombra das árvores, com pássaros cantando. O lugar lhe pareceu tão familiar como se tivesse passado meses ali. Em 1904, os adventistas compraram as propriedades que se tornariam o Hospital de Paradise Valley, perto de San Diego, e o Centro Médico Adventista de Glendale. Nenhuma delas, porém, era a que Ellen White havia contemplado em visão.

Seguindo a orientação dela, o pastor John A. Burden tomou um empréstimo pessoal de mil dólares para dar entrada na compra do Hotel Loma Linda, em 29 de maio de 1905. Duas semanas depois, em 12 de junho, Ellen White visitou a propriedade pela primeira vez. “Willie, eu já estive aqui antes”, afirmou ao filho. Ele respondeu: “Não, mamãe, essa é a primeira vez.” Ao que ela replicou: “Então este é exatamente o local que o Senhor me mostrou, porque me é muito familiar. Precisamos comprar este lugar. Devemos raciocinar da causa para o efeito. O Senhor não nos deu esta propriedade para um propósito comum.”

Em 20 de junho de 1905, delegados de quase todas as 22 igrejas da Associação Sul da Califórnia apoiaram a compra, que finalmente foi negociada pelo valor de 38.900 dólares. O sanatório abriu as portas em novembro de 1905. Entretanto, Ellen White visualizava a instituição como uma faculdade deMedicina. Para ela, “a cura dos enfermos e o ministério da Palavra devem andar de mãos dadas” (Carta 274, 1906). E acrescentou: “A escola de medicina em Loma Linda deve ser da mais alta qualidade” e preparar os estudantes para “passar nos exames exigidos por lei de todos os que exercem a profissão como médicos regularmente qualificados” (Medicina e Salvação, p. 57, 58).

Ao longo dos anos, a Universidade de Loma Linda tem sido impulsionada por esse nobre ideal de excelência. Sua história nos lembra do que Deus pode fazer por nós se seguirmos Seu direcionamento, mesmo em meio a circunstâncias adversas. Ele conhece o futuro, que ainda nos é desconhecido.  Quando entregamos a vida e os planos nas Suas mãos, Ele realiza o que está além do nosso alcance.


Terça-feira – 19 de junho

A mensagem de 1888

De fato, vocês ouviram falar Dele, e Nele foram ensinados de acordo com a verdade que está em Jesus. Efésios 4:21, NVI

Vários ministérios independentes adventistas do sétimo dia alegam ser os verdadeiros arautos da “mensagem de 1888”. No entanto, como deveríamos entender essa mensagem? Essas afirmações se referem às apresentações e aos debates doutrinários que ocorreram durante a assembleia da Associação Geral em Mineápolis, de 17 de outubro a 4 de novembro de 1888, e também ao longo do Concílio Ministerial, que havia começado uma semana antes. Os assuntos abordados incluíram a identificação dos dez chifres proféticos de Daniel 7, a lei em Gálatas 3 e a justificação pela fé.

Em 5 de agosto de 1888, Ellen White escreveu uma carta aberta aos delegados da assembleia. Ela começou dizendo: “Sentimos a impressão de que este ajuntamento será a reunião mais importante da qual vocês já participaram. Deve ser um período de busca fervorosa pelo Senhor e de humilhar o coração diante Dele. Espero que vocês considerem que esta é a mais preciosa oportunidade para orar e buscar conselho juntos.” Depois, na mesma mensagem, acrescentou: “A interpretação correta das Escrituras não é tudo que Deus requer. Ele ordena não só que conheçamos a verdade, mas também que a pratiquemos, conforme ela é em Jesus” (Carta 20, 1888).

Durante as reuniões, Ellen White endossou as pregações cristocêntricas apresentadas por Alonzo T. Jones e Ellet J. Waggoner. Sua ênfase estava muito mais nas mensagensbíblicas apresentadas do que nos mensageiroshumanos. Contudo, algumas pessoas interpretam em seu apoio mais do que ela própria intencionava.

Em 19 de junho de 1889, Ellen White abordou o assunto em um sermão pregado na cidade de Rome, estado de Nova York (Manuscrito 5, 1889). Na ocasião, explicou: “Já me fizeram esta pergunta: O que você acha da luz que estes homens estão apresentando? Ora, eu a tenho apresentado a vocês durante os últimos 45 anos – os incomparáveis encantos de Cristo! É isso que tenho tentado colocar na mente de vocês! Quando o irmão Waggoner apresentou essas ideias em Mineápolis, foi o primeiro ensino claro sobre o assunto que ouvi de lábios humanos, com exceção das conversas que tive sobre o tema com meu esposo.”

Para ela, a mensagem de 1888 é, em essência, uma ênfase doutrinária nos “incomparáveis encantos de Cristo” e na “verdade” “conforme ela é em Jesus”, somada a uma profunda experiência pessoal com Ele!


Segunda-feira – 18 de junho

A cerca de arame

Ora, o Deus da paciência e da consolação vos conceda o mesmo sentir de uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, para que concordemente e a uma voz glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Romanos 15:5, 6

Muitos missionários adventistas sacrificaram a vida ao levar o evangelho eterno aos lugares mais remotos do mundo. A Review and Herald de 17 de junho de 1909 anunciou que a Associação Geral havia votado Ferdinand A. Stahl para ser missionário na Bolívia. Alguns dias depois, ele e a esposa partiram com os dois filhos para o campo missionário. Dedicaram-se a uma obra médico-missionária e educacional extraordinária em meio aos índios do lago Titicaca e em outras regiões da Bolívia e do Peru.

No livro de sua autoria, In the Land of the Incas (Na Terra dos Incas), Stahl relatou sua experiência com os nativos de um local chamado Umuchi. Depois de lhes contar que Jesus voltaria em breve para buscar Seu povo fiel, os índios responderam positivamente ao ensino. Ao fim do culto, o cacique perguntou a Stahl quando ele voltaria para lhes ensinar mais. O missionário sentia-se relutante em fazer uma promessa, mas o cacique insistiu. Então Stahl prometeu: “Se eu não voltar, outra pessoa virá”. Em resposta, o chefe indígena argumentou: “Mas como saberei que a outra pessoa nos ensinará as mesmas coisas?”

O missionário pegou uma pequena pedra e a partiu em dois pedaços. Deu uma metade ao cacique e acrescentou que, quem fosse ensiná-los, levaria a outra. Três anos depois, Stahl voltou à região de Umuchi e foi ver o cacique, que estava viajando por algumas semanas. Contudo, sua esposa apareceu e perguntou: “Por que você demorou tanto a voltar?” Os nativos estavam muito ansiosos para ouvir mais sobre a mensagem adventista.

Logo depois de chegar ao campo missionário, Stahl declarou: “Sem dúvida, a Bolívia é um bom campo de trabalho, pois é muito necessitado. Tive o privilégio de fazer uma viagem pelo país e observei as mesmas condições em todos os lugares: densas trevas, pessoas vivendo sem saber por quê. […] Entretanto, tais dificuldades são uma inspiração para nós. Quanto maiores as dificuldades, mais ajuda podemos clamar da parte de Deus. Quanto mais intensos os desafios, mais firmemente nos agarramos a Cristo, que tudo sabe sobre eles e sofreu todas as coisas por nós.”

Esse espírito de sacrifício pessoal deve motivar e inspirar nossos esforços também.


Domingo – 17 de junho

A pedra quebrada

E lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir. Atos 1:11

Muitos missionários adventistas sacrificaram a vida ao levar o evangelho eterno aos lugares mais remotos do mundo. A Review and Herald de 17 de junho de 1909 anunciou que a Associação Geral havia votado Ferdinand A. Stahl para ser missionário na Bolívia. Alguns dias depois, ele e a esposa partiram com os dois filhos para o campo missionário. Dedicaram-se a uma obra médico-missionária e educacional extraordinária em meio aos índios do lago Titicaca e em outras regiões da Bolívia e do Peru.

No livro de sua autoria, In the Land of the Incas (Na Terra dos Incas), Stahl relatou sua experiência com os nativos de um local chamado Umuchi. Depois de lhes contar que Jesus voltaria em breve para buscar Seu povo fiel, os índios responderam positivamente ao ensino. Ao fim do culto, o cacique perguntou a Stahl quando ele voltaria para lhes ensinar mais. O missionário sentia-se relutante em fazer uma promessa, mas o cacique insistiu. Então Stahl prometeu: “Se eu não voltar, outra pessoa virá”. Em resposta, o chefe indígena argumentou: “Mas como saberei que a outra pessoa nos ensinará as mesmas coisas?”

O missionário pegou uma pequena pedra e a partiu em dois pedaços. Deu uma metade ao cacique e acrescentou que, quem fosse ensiná-los, levaria a outra. Três anos depois, Stahl voltou à região de Umuchi e foi ver o cacique, que estava viajando por algumas semanas. Contudo, sua esposa apareceu e perguntou: “Por que você demorou tanto a voltar?” Os nativos estavam muito ansiosos para ouvir mais sobre a mensagem adventista.

Logo depois de chegar ao campo missionário, Stahl declarou: “Sem dúvida, a Bolívia é um bom campo de trabalho, pois é muito necessitado. Tive o privilégio de fazer uma viagem pelo país e observei as mesmas condições em todos os lugares: densas trevas, pessoas vivendo sem saber por quê. […] Entretanto, tais dificuldades são uma inspiração para nós. Quanto maiores as dificuldades, mais ajuda podemos clamar da parte de Deus. Quanto mais intensos os desafios, mais firmemente nos agarramos a Cristo, que tudo sabe sobre eles e sofreu todas as coisas por nós.”

Esse espírito de sacrifício pessoal deve motivar e inspirar nossos esforços também.


Sábado – 16 de junho

Justificando a fé

Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus. Romanos 5:1, 2

Jesus morreu pelo mundo inteiro, e Sua graça está disponível a todos os seres humanos. Se esse é o caso, por que nem todos serão salvos? A fé que justifica é a linha divisória entre ser salvo e permanecer perdido. É somente pela fé que podemos nos apropriar da graça salvadora de Cristo. Mas o que é fé justificadora?

Artur Weiser escreveu: “A fé sempre é uma reação humana a uma ação divina primária.” Em outras palavras, primeiro Deus Se revela a nós, e então aceitamos Sua revelação pela fé. De acordo com Ellen White: “A fé é dom de Deus, mas a faculdade de exercê-la é nossa. A fé é a mão pela qual a alma se apodera das ofertas divinas de graça e misericórdia” (Patriarcas e Profetas, p. 431).

Em sua “Conversa à Mesa” de 16 de junho de 1539, Martinho Lutero declarou: “A fé justifica não como obra, qualidade ou conhecimento, mas como o consentimento da vontade e a firme confiança na misericórdia de Deus. Pois se a fé fosse apenas conhecimento, então o diabo certamente se salvaria, pois ele possui o maior conhecimento de Deus e de todas as obras e maravilhas de Deus desde a criação do mundo” (Luther’s Works, vol. 54, p. 359, 360).

Lembre-se: A fé sem conhecimento doutrinário leva a uma credulidade instável e sem fundamento. É como um barco sem leme no meio do oceano. Em contrapartida, a fé que se limita a tal conhecimento se torna seca e presunçosa. Gera pessoas que professam ser cristãs, com um cérebro grande e um coração vazio. Em contrapartida, a fé justificadora subentende conhecimento doutrinário correto, mas vai além desse conhecimento e chega à presença do próprio Deus, onde Jesus Cristo, nosso grande sumo sacerdote, oferece Sua graça salvadora a todo cristão verdadeiro.

Uma de nossas maiores tentações é presumir que a doutrina correta da salvação possa nos salvar. Realmente necessitamos aliar a doutrina correta sobre Cristo a uma experiência salvadora com Ele. Louvado seja Deus se você já passou por essa experiência. Se ainda não, então você pode orar como o homem que disse a Jesus: “Creio, ajuda-me a vencer a minha incredulidade!” (Mc 9:24, NVI).


Sexta-feira – 15 de junho

Síndrome do camaleão

A Meu povo ensinarão a distinguir entre o santo e o profano e o farão discernir entre o imundo e o limpo. Ezequiel 44:23

Muitos animais se camuflam, misturando-se a determinadas características de seu ambiente. Por instinto, as vítimas em potencial se escondem dos predadores. Em contrapartida, os predadores também podem se camuflar a fim de surpreender as vítimas. Em uma atitude de defesa, alguns camaleões adaptam suas cores de acordo com a visão da espécie predadora específica (ave ou serpente) pela qual são ameaçados. De maneira semelhante, muitos cristãos minimizam a oposição do mundo misturando-se à cultura que os cerca. Ao fazer isso, ofuscam a perversidade do pecado.

A revista Signs of the Times de 15 de junho de 1876 publicou um artigo esclarecedor de Ellen White sobre os ensinos de Cristo. Nele, a escritora advertiu: “O maior perigo do mundo é que o pecado não parece pecaminoso. Esse é o maior dos males existentes dentro da igreja. O pecado é embelezado pela autocondescendência. Bem-aventurados de fato são aqueles que têm uma consciência sensível, que são capazes de chorar e se lamentar por sua pobreza espiritual e por se afastar de Deus; bem-aventurados os pobres de espírito, capazes de aceitar a repreensão que Deus lhes envia; e que, com confissões e o coração partido, assumem seu lugar, penitentes, em humilhação junto à cruz de Cristo. Deus sabe que é bom para os seres humanos trilhar um caminho duro e humilde, enfrentar dificuldades, passar por decepções e sofrer aflição. A fé é fortalecida quando se entra em conflito com a dúvida e se resiste à descrença pela força de Jesus.”

A tolerância ao pecado não altera sua natureza, apenas nos torna mais vulneráveis a ele. De acordo com Ellen White, “a conformidade aos costumes mundanos converte a igreja ao mundo; jamais converte o mundo a Cristo. A familiaridade com o pecado inevitavelmente o fará parecer menos repelente” (O Grande Conflito, p. 509). Combatendo esse processo de conformidade com o mundo, Ezequiel 44:23 diz que os líderes do povo de Deus devem ensinar a “a distinguir entre o santo e o profano” e “discernir entre o imundo e o limpo”. Antes de sermos capazes de ensinar essa diferença para os outros com eficácia, nós mesmos precisamos reconhecê-la e ser convencidos de sua existência.


Quinta-feira – 14 de junho

Exaltando o sábado

Assim, ainda resta um descanso sabático para o povo de Deus. Hebreus 4:9, NVI

Quando adolescente, Samuele Bacchiocchi, em Roma, sua cidade natal, era muitas vezes ridicularizado e rejeitado por ser um adventista do sétimo dia “herege”, que observava o sábado. Isso o desafiou a realizar uma investigação abrangente e profunda da história, da teologia e do significado desse dia especial. Esse processo chegou ao clímax em 14 de junho de 1974, quando defendeu sua tese de doutorado sobre a ascensão da observância do domingo no início da era cristã, na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma. Aliás, Bacchiocchi foi o primeiro não católico a se formar nessa renomada universidade, fundada em 1551 por Inácio de Loyola.

Com base em sua exaustiva investigação da Bíblia e de fontes históricas antigas, o pesquisador concluiu que a “adoção do domingo no lugar do sábado não ocorreu na igreja primitiva de Jerusalém, por autoridade apostólica, mas cerca de um século mais tarde, na igreja de Roma. Um somatório de fatores judaicos, pagãos e cristãos contribuíram para o abandono do sábado e a adoção da observância do domingo em seu lugar” (From Sabbath to Sunday [Do Sábado para o Domingo], p. 2).

Ainda assim, muitos autores cristãos continuam argumentando que a igreja apostólica começou a observar o domingo pouco depois da ressurreição de Cristo. No entanto, ao ler o relato da ressurreição nos quatro evangelhos, escritos muitos anos após o evento, só é possível encontrar referências comuns ao “primeiro dia da semana” (Mt 28:1; Mc 16:1, 2; Lc 23:54–24:1; Jo 20:1, 19, 26), sem nenhuma alusão à adoração dominical. Os discípulos se reuniram nesse dia de portas fechadas, não a fim de celebrar a ressurreição, mas porque estavam com medo dos judeus (Jo 20:19, 26).

Essas e outras evidências bíblicas confirmam a natureza vigente do sétimo dia, o sábado, como sinal da aliança entre o Senhor e Seus filhos. O sábado foi originalmente instituído para o bem da humanidade ao fim da semana da criação (Gn 2:1-3); chega até nós toda semana como o santuário imutável de Deus no tempo (Is 58:12-14); e continuará a ser observado quando o mundo for restaurado à sua perfeição original (Is 66:22, 23). A cada sábado, somos convidados a entrar no descanso deleitoso de Deus e receber Suas maravilhosas bênçãos (Hb 4:4, 9-11).


Quarta-feira – 13 de junho

Ele veio nos resgatar

Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido. Lucas 19:10

Em março de 2016, visitei o Museu de História Natural de Berna, na Suíça. Meu principal objetivo era ver a montagem taxidérmica de Barry (1800-1814), o mais famoso cão montanhês de resgate da história. Esse São Bernardo macho nasceu no albergue e mosteiro Grande São Bernardo, na fronteira alpina entre a Suíça e a Itália. Cerca de 2.500 metros acima do nível do mar, com temperaturas congelantes e nevascas, essa região apresentava desafios tremendos para aqueles que tentavam atravessá-la. Pessoas do albergue saíam com seus cães todos os dias a fim de procurar viajantes perdidos. Barry, o mais incansável de todos, recebe o crédito por ter resgatado mais de 40 pessoas.

Ao longo dos anos, ilustrações e livros de histórias mantiveram viva sua memória. Algumas lendas sugerem que ele carregava um barril pequeno com bebida forte em volta do pescoço; que, certa vez, encontrou um garoto semicongelado e o levou para o albergue nas próprias costas; e que, enquanto salvava a 41a pessoa, um dos soldados de Napoleão, este confundiu o cão de resgate com um lobo e o matou com sua baioneta. Esses mitos, porém, não minimizam o legado extraordinário de Barry. Em 13 de junho de 2014, duzentos anos após sua morte, o museu de Berna inaugurou uma exposição permanente chamada “Barry, o lendário São Bernardo”.

Ao contemplar Barry, meus pensamentos retrocederam mais de 200 anos. Eu o imaginei salvando viajantes nos Alpes nevados. Imediatamente em seguida, fui levado a pensar em outro resgate – que ocorreu há cerca de 2 mil anos, quando o Filho de Deus deixou as cortes celestiais e veio a este mundo perigoso a fim de cobri-lo com Sua graça salvadora. Naquele local, fiz uma oração silenciosa, agradecendo a Deus, primeiramente, por aquilo que fizera por meio daquele cão de resgate aos viajantes perdidos e, então, pela obra realizada mediante Seu Filho amado, em prol de todos os seres humanos.

As Escrituras nos garantem que a missão de resgate realizada por Cristo foi tão eficaz que “onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5:20), e que Ele é capaz de “salvar totalmente os que por Ele se chegam a Deus” (Hb 7:25). Apesar de nossa condição pecaminosa, Cristo “nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do Seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados” (Cl 1:13, 14).


Terça-feira – 12 de junho

Todos os dias, nosso melhor

“E direi a mim mesmo: ‘Você tem grande quantidade de bens, armazenados para muitos anos. Descanse, coma, beba e alegre-se’. Contudo, Deus lhe disse: ‘Insensato! Esta mesma noite a sua vida lhe será exigida. Então, quem ficará com o que você preparou?’” Lucas 12:19, 20, NVI

Imagine que é domingo, 12 de junho de 2005, e você está no Stanford Stadium, para a 114a cerimônia de formatura da Universidade Stanford. O mais surpreendente é que o discurso principal está sendo proferido por um convidado sem nenhuma graduação universitária, que vários anos antes fora forçado a sair da empresa que ajudara a fundar e que recentemente recebera o diagnóstico de câncer no pâncreas. Ele apenas conta três histórias da própria vida. Entretanto, seu discurso de 15 minutos se torna um dos mais célebres já proferidos naquela renomada instituição de ensino.

Quem é esse orador? Como você deve saber, trata-se de Steve Jobs (1955-2011), presidente e cofundador da Apple e dos estúdios Pixar. Walter Isaacson o descreve como “um empreendedor criativo, cuja paixão pela perfeição e cujo ímpeto feroz revolucionaram seis indústrias: computadores pessoais, filmes de animação, música, telefones, tablets e publicação digital”. Foi o principal idealizador de diversos produtos da Apple.

Em seu discurso, Jobs declarou: “Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo, ou seja, todas as expectativas externas, todo o orgulho, todo o medo de passar vergonha ou falhar, cai diante da morte, deixando apenas o que é realmente importante.” E confessou: “Nos últimos 33 anos, tenho me olhado no espelho a cada manhã e perguntado a mim mesmo: ‘Se hoje fosse o último dia da minha vida, eu gostaria de fazer o que farei hoje?’” Steve Jobs morreu em 5 de outubro de 2011, com apenas 56 anos, mas deixou para o mundo um legado tecnológico extremamente rico.

Ellen White aconselha: “Devemos vigiar e trabalhar e orar como se este fosse o último dia a nós concedido. Quão intensamente zelosa, então, seria nossa vida! Quão de perto seguiríamos a Jesus em todas as nossas palavras e ações!” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 5, p. 200). Que mudanças você precisa fazer para colocar em prática esse conselho?


Segunda-feira – 11 de junho

Sustentados pela oração

Então, os discípulos, aproximando-se de Jesus, perguntaram em particular: Por que motivo não pudemos nós expulsá-lo? E ele lhes respondeu: […] esta casta não se expele senão por meio de oração e jejum. Mateus 17:19-21

O verdadeiro missionário é um instrumento do Espírito Santo na sagrada tarefa de conduzir pecadores do reino de Satanás para o reino de Jesus Cristo (Cl 1:13, 14). Muitos missionários e pregadores habilidosos têm usado talentos impressionantes e os melhores recursos disponíveis, mas falhado mesmo assim. Como explicar isso?

Em 11 de junho de 1883, Ellen White escreveu uma carta a seu filho, Willie, chamando atenção para os desafios evangelísticos que a igreja enfrentava na Califórnia. Com o pano de fundo do grande conflito entre Deus e Satanás em mente, ela destacou que somente por meio da oração incessante esses esforços missionários podiam alcançar verdadeiro êxito. Ela afirmou:

“Dizemos aos obreiros que eles devem realizar o trabalho missionário com espírito de oração e se aproximar das pessoas, e que não devem sentir que, depois de entregar um folheto ou reunir nomes, sua obra está terminada. Satanás e seus anjos os cercam para anular todos os esforços que fizeram. Enquanto caminham pelas ruas, devem orar pedindo graça e que os anjos de Deus os rodeiem. A menos que façam isso, a artimanha dos demônios destruirá os esforços realizados, e a verdade não encontrará acesso aos corações. Assim, toda a cidade seria advertida em vão.”

“Quando toda a igreja da Escócia estava tomando algumas resoluções para fazer concessões à fé, abrindo mão de seus sólidos princípios, um homem [John Knox] se determinou a jamais ceder um jota ou um til. Ele dobrou os joelhos perante Deus e suplicou: ‘Dá-me a Escócia, senão eu morro’. Essa oração insistente foi ouvida. Que a oração intensa e cheia de fé se levante por toda parte! ‘Dá-me as almas hoje enterradas sob os escombros dos erros, senão eu morro! Traze-as para o conhecimento da verdade em Jesus’” (Carta 20, 1883).

Atualmente existe a forte tendência de depender mais de nossas sofisticadas estratégias evangelísticas do que do poder do Espírito Santo. Alguns pregadores carismáticos e pentecostais chegam a tentar manipular a obra do Espírito Santo. Em vez de querer usá-Lo, que tal permitir que Ele nos use? Trabalhando com humildade em atitude de oração, assim como John Knox fez, poderemos gerar resultados imensuráveis e duradouros!


Domingo – 10 de junho

Alexandre, o Grande

Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Marcos 8:36, NVI

Algumas pessoas arruinaram uma carreira pública brilhante ao não serem capazes de se controlar. Um exemplo clássico é o de Alexandre, o Grande (356-323 a.C.), que foi educado pelo célebre filósofo grego Aristóteles e se tornou um grande símbolo de poder e sucesso. Aos 20 anos, ele se tornou rei da Macedônia. Pouco depois, invadiu e conquistou as cidades-estado gregas. Expandiu significativamente seu domínio ao derrotar o Império Persa, no Oriente, e o Egito, ao sul, onde fundou a cidade de Alexandria, em homenagem a si mesmo. Indo ainda mais ao Leste, tentou ocupar a Índia, mas suas tropas, exaustas, recusaram-se a lutar mais, forçando o monarca a abrir mão de seu ambicioso plano. Enquanto estava em Babilônia, Alexandre morreu, em 10 de junho de 323 a.C., no palácio de Nabucodonosor II, aos 32 anos, após contrair uma febre e ficar doente por 12 dias.

A verdadeira causa da enfermidade de Alexandre ainda é um mistério não resolvido. Alguns estudiosos modernos sugerem que ele pode ter contraído febre tifoide, malária ou até varíola. Outros historiadores estão convencidos de que o vinho que o jovem rei bebeu em uma festa na casa de um amigo chamado Médio estava intencionalmente envenenado. Ainda há aqueles que descartam essa teoria, porque 12 dias seria tempo demais para alguém envenenado sobreviver. O historiador grego antigo Diodoro explicou que o monarca sentiu dores após beber uma enorme taça de vinho sem mistura, em homenagem a Hércules. De todo modo, Alexandre conquistou o mundo em 12 anos, mas foi conquistado por uma febre que ceifou sua vida em 12 dias!

O trágico fim de Alexandre pode nos ensinar lições importantes. Jesus fez uma pergunta crucial: “Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”(Mc 8:36). Ravi Zacharias acrescenta: “Na tentativa de ser razoável, o ser humano se tornou irracional. Na tentativa de se divinizar, o ser humano se desfigurou. Na tentativa de ser livre, tornou-se escravo. E assim como Alexandre, o Grande, conquistou o mundo à sua volta, mas não conquistou a si mesmo.” Lembre-se: “O homem sábio não se deixará governar e dominar por seus apetites e paixões, mas os controlará e governará” (Conselhos sobre Saúde, p. 588).


Sábado – 9 de junho

Diante do imperador

Porque, esta mesma noite, um anjo de Deus, de quem eu sou e a quem sirvo, esteve comigo, dizendo: Paulo, não temas! É preciso que compareças perante César, e eis que Deus, por Sua graça, te deu todos quantos navegam contigo. Atos 27:23, 24.

A história tem sido moldada por pessoas de fortes convicções e ousadia, que não se deixam envergonhar, como no caso do apóstolo Paulo. Ele escreveu aos cristãos em Roma: “Pois não me envergonho do evangelho” (Rm 1:16). Para os líderes da igreja de Éfeso, declarou que estava tão comprometido em “testemunhar o evangelho da graça de Deus” que não considerava nem a própria vida preciosa para si mesmo (At 20:24). Seus ensinos eram confirmados por seu exemplo de vida, como na ocasião em que apelou a César (At 25:11, 12).

O César ou imperador romano a quem Paulo apelou foi ninguém menos que o poderoso e cruel Nero (37-68 d.C.). No livro Atos dos Apóstolos (p. 492-513), Ellen White narrou o julgamento do apóstolo perante o imperador cujo nome fazia o mundo tremer. Naquela hora crucial, o destemido missionário foi deixado sozinho, sem ninguém ao seu lado (2Tm 4:16, 17). Que contraste gritante entre um dos mais degradados governantes de todos os tempos e um dos maiores cristãos de todos os tempos! Paulo apresentou convincentemente as verdades do evangelho e do juízo divino. Por um instante, o coração de Nero foi tocado pela mensagem cristã.

Poucos anos depois, os dois homens selaram para si destinos opostos. Em 67 d.C., Nero sentenciou Paulo à decapitação, e o apóstolo entregou a vida com a total certeza de que um dia ressuscitaria dos mortos para receber a “coroa da justiça” (2Tm 4:6-8). Depois de instabilizar a própria classe dominante e os comandantes de seu exército, Nero fugiu de Roma em pânico e cometeu suicídio em 9 de junho de 68 d.C., sem esperança de salvação.

Ellen White afirmou: “O que a igreja necessita nestes dias de perigo é de um exército de obreiros que, como Paulo, se tenham educado para utilidade, que tenham uma profunda experiência nas coisas de Deus, e que sejam cheios de fervor e zelo. Necessita-se de homens santificados e abnegados; homens que não se esquivem a provas e responsabilidades; homens que sejam corajosos e verdadeiros” (Atos dos Apóstolos, p. 507). Você está disposto a ser uma pessoa assim?


Sexta-feira – 8 de junho

Tantos deuses

Não terás outros deuses diante de Mim. Êxodo 20:3.

Nosso mundo está cheio de deuses, todos eles competindo com o único Deus verdadeiro. Por exemplo, os antigos gregos acreditavam na existência de 12 deuses no Olimpo e muitas outras divindades inferiores, todos com forma e paixões humanas. Aristóteles supostamente disse: “Os homens criam deuses à própria imagem, não só no que diz respeito à forma, mas também a seu modo de vida.” Um século antes, Xenófanes havia declarado: “Sim, e se bois, cavalos ou leões tivessem mãos e pudessem pintar com elas, produzindo obras de arte como os homens fazem, cavalos pintariam deuses em forma de cavalo, e bois em forma de boi, criando os corpos dos deuses à imagem de seus diversos tipos. […] Os etíopes pintam seus deuses negros e de nariz arrebitado. Os trácios dizem que os seus são ruivos e de olhos azuis.”

Os dois filósofos gregos estavam certos quanto aos deuses e ídolos que os seres humanos criam para si (Is 44:9-20). O problema começa quando, confusas e frustradas por tantas divindades inventadas ao longo do tempo, as pessoas passam a considerar que o único Deus verdadeiro não passa de mais uma projeção humana.

No livro Uma História de Deus (1994), Karen Armstrong sugeriu que os profetas de Israel atribuíam “os próprios sentimentos e suas experiências pessoais a Deus” e que, “em certo sentido, os monoteístas criaram um Deus para si”. Em 8 de junho de 2009, a obra de Robert Wright, A Evolução de Deus, foi lançada com perspectiva humanista semelhante. Para o autor, “o monoteísmo abraâmico cresceu organicamente do ‘primitivo’ por um processo mais evolutivo do que revolucionário”.

No centro dessa discussão está a pergunta: O que a Bíblia fala sobre Deus é apenas uma recriação humana ou uma revelação divina? Tanto Armstrong quanto Wright ficariam com a primeira opção; entretanto, a Bíblia defende a segunda. Recebemos a garantia de que “jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo” (2Pe 1:21, NVI).

Aqueles que insinuam que o Deus bíblico é um deus criado estão recriando uma divindade humana para si. Esse é o caso de qualquer um ou de qualquer coisa que tome o lugar de Deus em nossa vida ou se torne uma divindade para nós. O mandamento é claro: “Não terás outros deuses diante de Mim” (Êx 20:3). A única maneira de evitar a idolatria é acreditar em Deus.


Quinta-feira – 7 de junho

Amor imensurável

Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3:16.

Você tem um texto preferido da Bíblia? Caso tenha, o que ele significa para você? Um dos versículos favoritos e mais citados das Sagradas Escrituras é João 3:16. William Barclay o considerava “a própria essência do evangelho”, e outros autores chamaram-no de “a Bíblia em miniatura”.

Na noite de 7 de junho de 1885, Charles H. Spurgeon fez um sermão memorável sobre João 3:16 no Tabernáculo Metropolitano, em Londres. Ele afirmou: “O que havia no mundo para que Deus o amasse? Não havia nada de amável nele. Nenhuma flor perfumada havia crescido neste árido deserto. Inimizade a Ele, ódio à Sua verdade, desrespeito à Sua lei, rebelião a Seus mandamentos – esses eram os espinhos e as ervas daninhas que cobriam a terra estéril.” Mesmo assim, “em meio às ruínas da humanidade, houve espaço para mostrar o quanto Jeová ama os filhos dos homens. […] Quando o grande Deus entregou Seu Filho, Ele deu a Si mesmo, pois Jesus, em Sua natureza, não é menor do que Deus. Quando Deus concedeu Deus para nós, Ele deu a Si mesmo. O que mais Ele poderia dar? Deus concedeu Seu tudo. Quem é capaz de medir esse amor?”

Um autor desconhecido encontrou em João 3:16 os 12 “maiores” superlativos:

“Deus” – o maior em amor

“amou de tal maneira” – o maior grau

“o mundo” – o maior número

“que deu” – o maior ato

“Seu Filho unigênito” – o maior presente

“para que todo” – o maior convite

“Nele” – a maior Pessoa

“crê” – a maior simplicidade

“não pereça” – a maior promessa

“mas” – a maior diferença

“tenha” – a maior certeza

“vida eterna” – a maior posse

Que concentração extraordinária de superlativos expressos em apenas 28 palavras! João 3:16 pode se tornar ainda mais significativo se você substituir as palavras “mundo” e “todo aquele” pelo seu nome. Afinal, Deus ama você!


Quarta-feira – 6 de junho

Exaltando a Bíblia

Pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis coparticipantes da natureza divina, livrando-vos das corrupções das paixões que há no mundo. 2 Pedro 1:4.

A assembleia da Associação Geral de 1909 ocorreu no campus da Faculdade Missionária de Washington, atual Universidade Adventista de Washington (Washington, DC). Ellen White, então com 81 anos, fez a longa viagem de Santa Helena, Califórnia, até a assembleia. Ao longo da programação, Ellen falou 11 vezes. Ela sentia que aquela seria a última vez que pregaria em uma reunião da igreja mundial.

Na tarde de domingo, 6 de junho de 1909, às três da tarde, Ellen White fez um sermão de despedida, intitulado “Participantes da natureza divina”. Ela afirmou: “Tivemos muitas reuniões preciosas aqui e precisamos aproveitar ao máximo nosso privilégio. É bem provável que nunca mais haja um encontro nesta Terra de todos que aqui estão. Mas desejo encontrar este povo no reino de Deus. […] Que o Senhor nos ajude a viver de acordo com Sua Palavra. Todos necessitamos da verdade em Jesus. Que representemos a Cristo e a verdade onde quer que formos. Que nos coloquemos em posição de glorificar a Deus.”

“Oh, que cena de alegria haverá quando o Cordeiro de Deus colocar a coroa da vitória sobre a cabeça dos remidos! Nunca mais você será tentado a pecar! Você verá o Rei em Sua beleza. E aqueles que você ajudou a ir para o Céu o encontrarão lá. Lançarão os braços a seu redor e reconhecerão o que fez por eles.”

“Irmãos, nós nos separaremos em pouquinho tempo, mas não nos esqueçamos daquilo que ouvimos nestas reuniões. […] Lembremo-nos de que devemos ser participantes da natureza divina e que os anjos de Deus se encontram bem ao nosso redor, que não precisamos ser dominados pelo pecado. […] Peço a Deus que essa seja a experiência de cada um de nós e que, no grande dia do Senhor, todos sejamos glorificados juntos.”

Após concluir a pregação, Ellen White estava se dirigindo da plataforma a seu assento. De repente, voltou ao púlpito e pegou a Bíblia que havia usado para ler. Ela a abriu, levantou-a com as mãos trêmulas por causa da idade avançada e disse: “Irmãos e irmãs, recomendo-lhes este Livro.” Sem mais, fechou a Bíblia e desceu da plataforma. Essas foram suas últimas palavras em uma assembleia mundial da igreja.


Terça-feira – 5 de junho

Saúde integral

Amado, acima de tudo, faço votos por tua prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma. 3 João 2.

O ano de 1863 trouxe sérios desafios para os adventistas do sétimo dia. Em seu início, dois dos filhos de Tiago e Ellen White tiveram difteria, com inflamação aguda da garganta e febre alta. Enquanto isso, a Guerra Civil norte-americana (1861-1865) estava em andamento, e o projeto de lei acerca do recrutamento militar, assinado em 3 de março, tornou-se uma séria ameaça para aqueles que se recusassem a ingressar no exército da União. Como se não fosse o bastante, muita energia estava sendo aplicada no desenvolvimento de uma estrutura organizacional que culminou com o estabelecimento, em maio de 1863, da Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Não surpreende, portanto, que Tiago White e outros líderes estivessem esgotados, necessitando cuidar da própria saúde.

Na noite de sexta-feira, 5 de junho de 1863, Ellen White estava na casa de Aaron Hilliard, em Otsego, Estados Unidos, quando recebeu sua mais abrangente visão sobre a mensagem de saúde. Foi-lhe mostrado um “plano geral” de “reforma de hábitos e práticas”. Ela viu que é “um dever sagrado zelar de nossa saúde” e falar “contra a intemperança de toda espécie – intemperança no trabalho, no comer, no beber e no uso de medicamentos”. Muita ênfase foi dada sobre a necessidade de cultivar “uma disposição mental cheia de ânimo, esperança e paz” a fim de fortalecer a saúde. Foi feita alusão a vários outros agentes que promovem a saúde, inclusive a água pura, como “o grande remédio de Deus” (Mensagens Escolhidas, vol. 3, p. 279, 280).

Essa visão deu início a um novo estilo de vida adventista, o qual foi enriquecido por visões posteriores e descobertas científicas. Por experiência própria, sei que a mudança de hábitos e a reeducação do paladar nem sempre são tarefas fáceis. Visto que Ellen White “comia muita carne”, teve dificuldade em abrir mão desse hábito. Certa vez, ela até colocou os braços em cima do estômago e disse para si mesma: “Não provarei nenhum pedacinho. Comerei alimento simples, ou absolutamente nada comerei” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 2, p. 371).

Nossa natureza pecaminosa tende a distorcer os princípios divinos a fim de encaixá-los em nossos hábitos e gostos, mas devemos assumir o controle da situação. Uma vez que Deus deseja que sejamos tão saudáveis quanto possível em todas as dimensões da vida (3Jo 2), por que não nos colocar, por Sua graça, em conformidade com todos esses princípios? Afinal, trata-se de um “dever sagrado”!


Segunda-feira – 4 de junho

Amor eterno

O amor jamais acaba. 1 Coríntios 13:8

O nome do empresário norte-americano Henry Ford (1863-1947) é associado à indústria automotiva e ao desenvolvimento da técnica de linha de montagem na produção industrial em massa. Entretanto, pouco se fala sobre sua esposa, que proveu todo o apoio de que ele necessitava durante 59 anos.

Em 11 de abril de 1888, Henry Ford se casou com Clara Jane Bryant. Inicialmente, eles foram morar em uma fazenda que ele havia ganhado do pai. Em 1891, o casal se mudou para Detroit, onde o jovem começou a trabalhar como engenheiro na Companhia de Iluminação Edison. Com um horário de trabalho flexível, ele iniciou o desenvolvimento de seu “Quadriciclo”, um veículo de quatro rodas que andava sozinho, impulsionado por um motor a gasolina. Durante os primeiros anos, a família Ford morou em dez casas diferentes de aluguel. Clara acreditava no esposo e o apoiava, mesmo sem nenhuma evidência concreta de que suas invenções um dia dariam certo.

Finalmente, em 4 de junho de 1896, Ford fez o test drive de seu Quadriciclo pela avenida Grand River, em Detroit. James Bishop, seu principal assistente, foi de bicicleta à frente para alertar as carruagens e os pedestres que passavam sobre a aproximação do veículo. Em 1903, a indústria automotiva Ford foi inaugurada e, em 1908, ele lançou o Ford T, modelo de automóvel extremamente bem-sucedido. Esse foi só o começo de uma trajetória de negócios de êxito absoluto.

Henry Ford nunca teria se tornado quem se tornou sem o apoio de sua amada esposa. Ele chegou a declarar: “Minha melhor amiga é aquela que traz à tona o melhor em mim.” Em 1940, James Bone perguntou ao empresário o que gostaria de fazer “em uma encarnação futura”. Sem hesitar, Ford respondeu: “A única coisa que eu gostaria de ter certeza é de que minha esposa seria a mesma.” Henry e Clara Ford não só ajudaram a aperfeiçoar a indústria automobilística, como também deixaram o legado de um casamento estável.

O amor genuíno não é um sentimento vulnerável que se deixa abalar por circunstâncias adversas. Em vez disso, trata-se de um compromisso incondicional, nas palavras de Paulo, “como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5:25). Que esse amor incondicional una os casamentos!


Domingo – 3 de junho

Getsêmani

Ele se afastou deles a uma pequena distância, ajoelhou-se e começou a orar: ‘Pai, se queres, afasta de Mim este cálice; contudo, não seja feita a Minha vontade, mas a Tua’. Apareceu-lhe então um anjo do céu que o fortalecia. Lucas 22:41-43, NVI

O ministério terreno de Cristo estava prestes a terminar, e logo Ele enfrentaria uma morte cruel na cruz. No jardim do Getsêmani, Jesus travou uma das batalhas mais dramáticas contra as hostes do mal. Em 3 de junho de 1897, a revista Signs of the Times publicou o emocionante artigo “Getsêmani”, de Ellen White. Por favor, reflita em oração nas seguintes citações desse texto.

“Foi ali que o misterioso cálice tremeu na mão de Cristo. Ali o destino de um mundo perdido ficou em jogo. Ele recusaria ser o penhor da raça humana? Satanás cercou a humanidade de Jesus com um horror de grande escuridão, tentando-O a pensar que Deus O havia abandonado.”

“Os mundos não caídos e os anjos celestiais observaram com intenso interesse, à medida que o conflito se aproximava do fim. Satanás e sua confederação do mal, as legiões da apostasia, observavam com toda atenção essa grande crise na obra da redenção. Os poderes do bem e do mal aguardavam para ver que resposta seria dada à oração que Cristo repetiu três vezes. Em meio a essa crise terrível, quando tudo estava em jogo, quando o cálice misterioso tremeu na mão do Sofredor, os céus se abriram, uma luz brilhou em meio às trevas tempestuosas da hora da crise, e um anjo que permanece na presença de Deus, ocupando a posição da qual Satanás caiu, apareceu ao lado de Cristo. Que mensagem ele trouxe? […] Disse-lhe que não precisaria tomar o amargo cálice, que não necessitaria carregar a culpa da humanidade?”

“O anjo não foi tirar o cálice da mão de Cristo, mas fortalecer o Salvador para que o tomasse, assegurando-Lhe do amor do Pai. Foi dar poder ao Suplicante divino-humano. O anjo apontou para os céus abertos, contando-Lhe acerca das almas que seriam salvas como resultado de Seus sofrimentos […]. Deu-lhe a certeza de que Seu Pai era maior e mais poderoso do que Satanás, que Sua morte resultaria na total derrota de Satanás e que o reino deste mundo seria dado aos santos do Altíssimo. Disse-Lhe que veria o trabalho de Sua alma e ficaria satisfeito, pois contemplaria a multidão dos remidos, salvos, eternamente salvos.”


Sábado – 02 de junho

Concessões agradáveis

Quando entrares na terra que o Senhor, teu Deus, te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daqueles povos. Deuteronômio 18:9

Todos sabem que é mais fácil descer uma colina do que subi-la. Da mesma forma, é mais fácil fazer concessões de nossos valores religiosos do que preservá-los. Por esse motivo, Moisés advertiu os israelitas antes de entrarem na terra de Canaã: “Quando entrares na terra que o Senhor, teu Deus, te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daqueles povos.” Entretanto, como esse processo acontece?

Na revista Signs of the Times de 2 de junho de 1881, Ellen White declarou: “Muitos acham que precisam fazer algumas concessões para agradar aos parentes e amigos descrentes. Como nem sempre é fácil estabelecer o limite, uma concessão prepara o caminho para outra, até que os que antes eram verdadeiros seguidores de Cristo moldam a vida e o caráter segundo os costumes do mundo. A ligação com Cristo é interrompida. São cristãos apenas de nome. Quando vem o momento da prova, então se vê que sua esperança não tem fundamento. Venderam a si mesmos e a seus filhos ao inimigo. Desonraram a Deus e, na revelação de Seus justos juízos, colherão o que semearam. Cristo lhes dirá, como disse ao Israel antigo: ‘Vocês não fizeram o que Eu disse. Em vez disso, vejam o que fizeram!’” (citado em Mensagens aos Jovens, p. 432).

As intenções são inocentemente boas – apenas “para agradar aos parentes e amigos descrentes” – e podem até assumir um tom evangelístico. As pessoas acham que, ao se aproximar mais do estilo de vida de seus conhecidos, os alcançarão mais facilmente com a mensagem adventista. No entanto, não devemos nos esquecer de que “a conformidade aos costumes mundanos converte a igreja ao mundo; jamais converte o mundo a Cristo” (O Grande Conflito, p. 509). O resultado, por sua vez, é bastante previsível – “uma concessão prepara o caminho para outra”, na estrada descendente rumo aos “costumes do mundo”.

Quando normas religiosas e valores morais estão em jogo, nosso posicionamento deve ser tão claro e intransigível quanto o de Daniel e seus amigos na corte babilônica (Dn 1 e 3). Você deve ser uma pessoa movida por princípios. Por isso, nunca venda sua alma apenas para agradar parentes e amigos.


Sexta-feira – 01 de junho

Nossas necessidades mais profundas

Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. Salmo 42:1

Norma Jeane Mortenson nasceu em Los Angeles, em 1o de junho de 1926. Infelizmente, ela foi abandonada pela mãe biológica, cresceu sem saber quem era o pai e mais tarde foi levada para viver com pais adotivos que tinham problemas mentais. Norma passou a maior parte da infância em orfanatos ou lares adotivos. Alguns autores creem que ela tenha sido vítima de abuso sexual no início da infância. Muito jovem, aos 16 anos, casou-se com James Dougherty que, em 1944, partiu para o combate no Oceano Pacífico, durante a Segunda Guerra Mundial. Esses traumas de infância e reveses da vida deixaram marcas indeléveis em sua personalidade.

O fotógrafo documentarista David Conover recebeu o crédito por ter descoberto Norma como modelo, e Bent Lyon fez os contatos para que a jovem fizesse um teste de atuação no estúdio de cinema Fox. Aos 20 anos, ela recebeu o nome de “Marilyn Monroe” – “Marilyn” em homenagem à atriz Marilyn Miller, e “Monroe” por ser o sobrenome de solteira de sua mãe biológica. Ao longo dos anos, Marilyn Monroe construiu uma carreira bem-
sucedida como estrela de cinema. Entretanto, na manhã de 5 de agosto de 1962, ela foi encontrada morta em sua casa, em Los Angeles, provavelmente por causa de uma overdosede barbitúricos.

Quer seja verdadeira, quer não, a história de vida de Marilyn confirma a realidade inegável de que beleza física e sucesso público são incapazes de suprir nossas necessidades emocionais e existenciais mais profundas. Por volta de 1951, Monroe escreveu em um de seus diários: “Sozinha!!!!! Eu sou sozinha – estou sempre sozinha, não importa o que aconteça!”

No poema “Mal Secreto”, Raimundo Correia sugere: “Se se pudesse, o espírito que chora, / Ver através da máscara da face, / Quanta gente, talvez, que inveja agora / Nos cause, então piedade nos causasse!” A verdade é que muitos corações humanos sangram com feridas morais e sociais que se recusam a ser curadas.

O prefácio de O Desejado de Todas as Nações fala sobre o “inexprimível anseio” do coração humano que não se satisfaz com “prazeres, fortuna, conforto, fama [ou] poder”. Esses anseios vêm de Deus para nos conduzir a Jesus, o único capaz de trazer real sentido à vida. Se o passado ainda magoa você, seu presente é instável e o futuro é incerto, entregue sua vida a Cristo e deixe que Ele tome conta de todos os seus fardos.


JUNHO 2018


Quinta-feira – 31 de maio

Cordas quebradas

Não to mandei Eu? Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, por que o Senhor, teu Deus, é contigo por onde quer que andares. Josué 1:9

Umaapresentaçãomusical excepcional costuma derivar da combinação de três componentes fundamentais: a peça que está sendo tocada, a qualidade do instrumento utilizado e a habilidade de quem está tocando. Um instrumento excelente nas mãos de um músico principiante não faz muita diferença. Em contrapartida, até mesmo um instrumento comum nas mãos de um virtuoso musicistapode fazer grande diferença.

O italiano Niccolò Paganini (1782-1840) foi um violinista e compositor extremamente habilidoso. Alguns chegam a considerá-lo o mais famoso virtuosedo violino de todos os tempos. Em 31 de maio de 1794, Paganini fez sua estreia pública em Gênova, sua cidade natal, aos 11 anos de idade. Provavelmente, seus dedos fossem longos e flexíveis por causa da síndrome de Marfan, e isso permitiu que desenvolvesse técnicas novas e difíceis de tocar o instrumento. Além disso, ele também gostava de impressionar o auditório com algumas exibições especiais. Por exemplo, ele aumentava um semitom da corda Lá de seu violino, ou tocava “A Dança das Bruxas” com uma só corda, depois de usar uma tesoura no palco para cortar as outras três. Em qualquer um dos casos, o público sempre ficava impressionado com suas apresentações surpreendentes.

Algumas pessoas são tão habilidosas e bem-sucedidas em sua carreira que podem ser comparadas ao próprio Paganini. A maioria de nós, porém, talvez se pareça mais com seu violino de cordas quebradas. Ao olhar para nós mesmos, enxergamos apenas fraquezas e limitações. Quem sabe duvidemos de que Deus possa nos usar de alguma maneira. Outras pessoas podem até confirmar as dúvidas que temos, diminuindo ainda mais nossa autoestima baixa.

Assim como no caso de Paganini, o que realmente importa não é o número de cordas que nos resta, mas as mãos do artista. Deus é capaz de usar você, mesmo que apenas uma das cordas esteja no lugar. E ainda que todas as cordas tenham se estragado, Ele pode acrescentar quantas cordas novas à sua vida forem necessárias. A única condição é se colocar nas mãos Dele e permitir que o Senhor faça a própria vontade em sua vida, dando a Ele toda honra e glória por suas conquistas. A promessa divina para hoje é: “Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, por que o Senhor, teu Deus, é contigo por onde quer que andares” (Js 1:9).


Quarta-feira – 30 de maio

Kata Ragoso

Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego. Romanos 1:16

Cada assembleia da Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia é um evento único com delegados, convidados especiais e outros visitantes do mundo todo. Um dos pontos altos das reuniões de 1936 e 1954, ambas realizadas em San Francisco, foi a presença de Kata Ragoso, delegado das Ilhas Salomão, no Sul do Pacífico, que se tornou pastor ordenado e presidente de uma Missão.

Em 30 de maio de 1936, Ragoso contou à assembleia que ele e seu povo, presos nas profundezas do paganismo, “viviam uma vida de pecado”, e seus “pensamentos eram continuamente maus”. Adoravam espíritos malignos, tinham vícios de todos os tipos e praticavam atos de violência, inclusive a caça e degola dos inimigos. Contudo, 25 anos antes, um missionário chamado G. F. Jones havia chegado à ilha e pregado a mensagem adventista a ele e à comunidade. Pela graça de Deus, eles “lançaram fora as cadeias do paganismo” e vivenciaram uma transformação completa – inclusive nas áreas de alimentação e higiene.

Ragoso afirmou: “Agora conseguimos viver felizes e em paz por causa do maravilhoso evangelho que nos foi trazido. Quero dizer-lhes com toda certeza, nesta tarde, que nenhum dos meus conterrâneos que aceitou essa gloriosa mensagem deseja voltar à adoração de ídolos e ao paganismo. Hoje, cinco mil pessoas de minha tribo se alegram com vocês, na mensagem da breve volta do Salvador. Mais de cem são pastores, professores e líderes que trabalham em meio aos nossos compatriotas” (Review and Herald,2/6/1936).

O evangelho eterno é muito mais do que uma simples teoria maravilhosa. É poder transformador! Ellen White disse que as conversões que Cristo realiza nas vidas humanas, por intermédio de Sua misericórdia e graça abundante, são “tão admiráveis que Satanás, com toda a sua vanglória de triunfo, com toda a sua confederação para o mal, reunida contra Deus e contra as leis de Seu governo, fica a olhá-las como a uma fortaleza, inexpugnável aos seus sofismas e enganos. São para ele um mistério incompreensível” (Testemunhos Para Ministros e Obreiros Evangélicos, p. 18). A maravilhosa graça já transformou vidas incontáveis ao longo dos tempos! Você e eu necessitamos desse poder transformador em nossa vida também.


Terça-feira – 29 de maio

No topo da montanha

Levanto os meus olhos para os montes e pergunto: De onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra. Salmo 121:1, 2, NVI

Os alpinistas gostam de escalar montanhas altas e, muitas vezes, cobertas de neve. O monte Everest, a montanha mais alta do mundo, é considerado o maior de todos os desafios. Seu pico está localizado a 8.850 metros acima do nível do mar, e escalá-lo é extremamente perigoso. Além da água congelante e do risco óbvio de quedas desfiladeiro abaixo, os alpinistas sofrem os efeitos da altitude extrema, normalmente chamados de “mal da montanha”.

Algumas das primeiras expedições que tentaram escalar o Everest desistiram ou nunca retornaram. Em 29 de maio de 1953, às 11h30, após sete semanas de jornada, o alpinista neozelandês Edmund Hillary e seu guia nepalês Tenzing Norgay finalmente chegaram ao topo do monte. Com pouco suprimento de oxigênio, os dois permaneceram somente 15 minutos no “teto do mundo”.

As montanhas e o alpinismo podem nos ensinar lições significativas. Enquanto subimos a escada social, devemos nos lembrar de que “quanto mais alto na montanha, mais forte sopra o vento”, e que o topo é um lugar solitário. A experiência de Moisés com os israelitas no deserto demonstra que até mesmo líderes honestos e qualificados enfrentam incompreensões, críticas e oposição. Os líderes de sucesso precisam ser criativos, mas toda inovação desperta contestação.

Do ponto de vista religioso, houve uma época na história de Judá em que o povo construía para si lugares altos “sobre todos os montes” (1Rs 14:23, NVI). Mas no Salmo 121:1 e 2, o salmista afirma: “Levanto os meus olhos para os montes e pergunto: De onde me virá o socorro?”. Então ele reconhece que seu auxílio não vem das montanhas, mas “do Senhor, que fez o céu e a terra”.Por mais majestosas e perigosas que sejam as grandes montanhas, elas não têm poder nem são capazes de prestar ajuda alguma. Somente Aquele que “pesou os montes na balança e as colinas nos seus pratos” (Is 40:12, NVI) é capaz de nos ajudar em nossas necessidades mais desafiadoras. Entregue seus problemas a Ele e confie!


Segunda-feira – 28 de maio

O poder da alegria

O coração alegre é bom remédio, mas o espírito abatido faz secar os ossos. Provérbios 17:22

Os rostinhos sorridentes encontrados nos emoticons se tornaram uma das expressões mais populares nas mídias modernas. Seu uso é quase obrigatório em mensagens eletrônicas, pois expressam visualmente as reações emocionais dos usuários. Em muitos casos, porém, enquanto os rostos sorriem, o coração chora. Por isso, além de acrescentar emoticons risonhos a nossas mensagens, também devemos cultivar verdadeiramente um coração alegre, que pode melhorar nossa beleza estética, bem como nossa saúde física e emocional (Pv 15:13; 17:22).

O popular médico, comediante e ativista social norte-americano Hunter Doherty Adams, mais conhecido como Patch Adams, nasceu em Washington, DC, no dia 28 de maio de 1945. Quando adolescente, sentiu-se frustrado com o amor capitalista pelo dinheiro e com as desigualdades sociais. Então decidiu superar seus traumas pessoais levando alegria à vida de pessoas doentes que enfrentaram dor extrema, em especial, crianças. Com a ajuda de alguns amigos, fundou o Gesundheit Institute, hospital comunitário gratuito com o objetivo de promover conexões de compaixão pelos pacientes, com ênfase no humor e na brincadeira. Suas práticas de saúde inovadoras foram retratadas no filme Patch Adams: O Amor é Contagioso (1998).

Adams explica: “O riso melhora o fluxo sanguíneo até as extremidades do corpo e amplia a função cardiovascular. O riso libera endorfinas e outros elementos químicos que melhoram o humor natural e têm função analgésica, aumentando a transferência de oxigênio e nutrientes para os órgãos internos. O riso impulsiona o sistema imunológico e ajuda o corpo a combater doenças, células cancerosas, bem como infecções virais, bacterianas e de outras naturezas. Ser feliz é a melhor cura para todas as doenças!” Entretanto, Adams não concorda que “rir é o melhor remédio”. Para ele, “a amizade, sem dúvida, é o melhor remédio”.

Lembre-se de que alguém pode ser engraçado, mas não ser afeiçoado, pode sorrir sem se importar. Kabral Araújo alerta: “Um sorriso vale mais que mil palavras, mas uma única palavra pode acabar com mil sorrisos.” Em vez de viver apenas para nós mesmos, podemos transformar nosso mundo em um lugar melhor ao levar alegria para a vida dos outros. Em uma sociedade fria e competitiva, devemos cultivar um coração feliz e cuidadoso que transborde de contentamento. Um sorriso pode acender a luz da alma, mas somente a amizade é capaz de mantê-la ligada. Sejamos mais alegres e amistosos!


Domingo – 27 de maio

A orquestra de Deus

A intenção dessa graça era que agora, mediante a igreja, a multiforme sabedoria de Deus se tornasse conhecida dos poderes e autoridades nas regiões celestiais. Efésios 3:10, NVI

Ao refletir sobre a condição de sua igreja local, que analogia poderia retratá-la da melhor maneira? Por exemplo, Paulo comparou a igreja ao corpo humano com seus vários órgãos e membros (1Co 12:12-31). Outros se referem a ela como um hospital espiritual, com muitos pacientes enfermos. Certa vez, um amigo me contou que sua igreja poderia ser comparada à popular rede de conveniências norte-americana 7-Eleven (sete-onze), pois os membros só iam à igreja no sétimo dia às onze horas da manhã, horário de início do culto.

Numa época em que o cristianismo havia perdido boa parte de sua identidade original, João Calvino (1509-1564) motivou e supervisionou a reforma das estruturas eclesiásticas, educacionais e políticas de Genebra. Ele significou para o mundo de fala francesa aquilo que Lutero representou para a Reforma nos países de língua alemã. O reformador francês morreu no dia 27 de maio de 1564, em Genebra, mas deixou para o cristianismo um legado impressionante de modelo eficiente de organização eclesiástica.

Uma das analogias mais interessantes de Calvino acerca da igreja é a de uma orquestra. Ao comentar o Salmo 135:13, afirmou: “O mundo inteiro é um teatro para a demonstração da bondade, sabedoria, justiça e poder divinos, mas a igreja é como se fosse a orquestra – sua parte mais notável. Quanto mais perto Deus Se aproxima de nós, quanto mais íntima e generosa a comunicação de Seus benefícios, mais atentamente somos chamados a considerá-los.”

Essa declaração deve nos levar a uma profunda reflexão. Imagine por um instante que sua igreja de fato seja uma orquestra. Os instrumentos estão bem afinados? Todos os músicos estão tocando a mesma partitura e no mesmo compasso? E mais: Quão impressionada ficaria a plateia com a música que está sendo executada? De acordo com Mark Dever, “a igreja é o evangelho em forma visível”. Nesse caso, que tipo de evangelho sua igreja local tem tornado evidente?

Sua congregação é a orquestra de Deus para a comunidade na qual se localiza. Talvez você possa analisar hoje algumas estratégias práticas capazes de melhorá-la, a fim de que toque a melhor música, da maneira mais maravilhosa possível. Lembre-se de que Deus não merece nada menos do que nosso melhor!


Sábado – 26 de maio

Religião do coração

Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a Si mesmo Se entregou por mim. Gálatas 2:19, 20

Religião é muito mais do que a mera aceitação racional de determinadas crenças doutrinárias. Também é mais do que expressões emocionais esporádicas em alguns cultos e reuniões de oração. Subentende uma verdadeira experiência de conversão, que leva a um compromisso diário e incondicional com Jesus. Significa ser crucificado para o mundo e viver uma nova vida em Cristo, permitindo que, por intermédio de Sua Palavra, Ele controle nossos pensamentos, nossas palavras e ações.

Essa foi a ênfase de Nicolaus von Zinzendorf (1700-1760), que nasceu no dia 26 de maio de 1700, em Dresden, Alemanha, e se tornou um influente bispo pietista da Igreja Moraviana. Preocupado com a ortodoxia luterana estéril de sua época, ele enfatizou a “religião do coração”, que exerceu forte influência sobre a vida de John Wesley, o fundador do Metodismo.

Assim como o apóstolo Paulo entregou toda a vida a Cristo (Gl 2:20), Zinzendorf fez o mesmo. Ao refletir sobre o significado da cruz para a própria salvação, o grande reavivador moraviano afirmou: “Essas feridas tinham o objetivo de me comprar. Essas gotas de sangue foram derramadas para me obter. Não pertenço a mim mesmo hoje. Sou de outro alguém. Fui comprado por um preço. E viverei cada momento deste dia a fim de que o grande Comprador de minha alma receba plena recompensa por Seus sofrimentos.”

Por ser tão apaixonado por Cristo, Zinzendorf não conseguia aceitar nenhuma forma passiva e confinada de religião. Ele chegou a declarar: “Não pode haver cristianismo sem comunidade.” Em seu amor por Jesus, o líder pietista também tinha forte paixão pela missão. Em suas palavras, “missão, no fim das contas, é simplesmente isto: todo coração com Cristo é um missionário, todo coração sem Cristo é um campo missionário”.

Depois de refletir nessas declarações tão significativas de Zinzendorf, devemos nos perguntar: Como estamos recompensando os sofrimentos de Cristo em nosso favor? Talvez sua religião seja mais uma iniciativa intelectual, sem uma experiência verdadeira com o Jesus que transformou sua vida. Qualquer que seja o caso, lembre-se de que você não pertence a si mesmo, mas foi comprado por Cristo e deve viver e trabalhar para Ele. O Salvador deve guiar cada momento de sua vida.


Sexta-feira – 25 de maio

O poder da oração

Se Me pedirdes alguma coisa em Meu nome, Eu o farei. João 14:14

A oração é o método de Deus para nos manter em sintonia com Ele, e a condição para receber algumas de Suas mais preciosas bênçãos. Ao estudar as Escrituras, pode-se ver que algumas dádivas são concedidas quer oremos, quer não (Mt 5:45). Outras são reservadas àqueles que as pedem e têm um coração fiel (Pv 28:9). Cristo destacou essa condição quando afirmou: “Se Me pedirdes alguma coisa em Meu nome, Eu o farei” (Jo 14:14). No entanto, algumas pessoas, como George Müller, foram além do que se espera ao viver em completa dependência de Deus.

George Müller (1805-1898) nasceu na Alemanha; mas, quando tinha 23 anos, mudou-se para Londres, a fim de trabalhar como missionário entre os judeus. As coisas não ocorreram conforme o esperado e, em 25 de maio de 1832, ele se mudou para Bristol, Inglaterra. Ali fundou e dirigiu o orfanato de Ashley Down, no qual cuidou de 10.024 órfãos durante sua vida. Ele também abriu 117 escolas, que proporcionaram educação cristã para mais de 120 mil crianças. Todo o sistema do orfanato era administrado por meio da oração, sem pedir dinheiro a ninguém. Müller guardou o registro de mais de 50 mil preces atendidas, afirmando que nenhuma delas permaneceu sem resposta.

Dentre as respostas à oração mais conhecidas, houve uma em que 300 crianças estavam prontas para ir à escola, mas não havia comida para o desjejum. Müller pediu que se assentassem à mesa e então agradeceu pelo alimento. Quando terminou de orar, um padeiro bateu à porta com pão quentinho suficiente para alimentar a todos, e o leiteiro doou dez latas grandes de leite porque sua carroça havia quebrado em frente ao orfanato.

Enquanto viajava para a América do Norte, Müller abordou o capitão do navio a vapor e perguntou se chegariam a tempo para um compromisso que ele tinha em Quebec, Canadá, na tarde de sábado. O comandante respondeu que, por causa da forte cerração, seria impossível. Müller replicou: “Não, meus olhos não se concentram na densidade da neblina, mas no Deus vivo que controla todas as circunstâncias de minha vida.” Ele orou e, em menos de cinco minutos, a cerração desapareceu. Diante desse testemunho, o capitão se tornou cristão.

Müller tinha uma vida intencional de oração, e nós podemos fazer o mesmo. É possível que Deus nem sempre responda a nossas orações da maneira como gostaríamos, mas Ele nunca deixa sem resposta uma prece sincera. Podemos confiar Nele!


Quinta-feira – 24 de maio

Manhattan

O reino dos céus é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo homem, tendo-o achado, escondeu. E, transbordante de alegria, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo. Mateus 13:44

Imagine que você é um dos mais de 137 mil turistas que visitam a ilha de Manhattan todos os dias. Localizada no coração da cidade de Nova York, ela é considerada o centro do capitalismo mundial. Se você tem interesse por economia e relações internacionais, deve conhecer a sede das Nações Unidas e as duas principais bolsas de valores do mundo: a Bolsa de Valores de Nova York e o mercado de ações Nasdaq. Além disso, precisa ir à Times Square, à Broadway, ao Central Park, ao Grand Central Terminal e ao Empire State Building. No entanto, entre os viajantes, não são muitos os que procurariam uma imobiliária, pois o preço de vendas de propriedades residenciais na ilha costuma ser superior a 15 mil dólares o metro quadrado!

O nome “Manhattan” significa “ilha de muitas colinas”. Originalmente, ela pertencia à tribo Lenape. Contudo, em 24 de maio de 1626 (ou pelo menos em algum momento entre maio e junho de 1626), Peter Minuit comprou-a para a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, por mercadorias equivalentes a 60 florins, antiga moeda da Holanda. Alguns autores sugerem que a porção de terra foi adquirida pelo equivalente a 24 dólares. Com a inflação, poderíamos dizer que o valor atualizado seria de pouco mais de mil dólares. Qualquer que seja o valor, Minuit jamais imaginaria o quanto a ilha se tornaria valiosa um dia!

Na pequena parábola do tesouro escondido (Mt 13:44), Jesus comparou o reino do Céu a algo muito mais valioso do que todas as posses terrenas, inclusive a ilha de Manhattan. Algumas pessoas podem presumir, com base nessa parábola, que um cristão genuíno não deve ter nenhum bem terreno. Entretanto, a parábola da grande ceia (Lc 14:15-24) esclarece que a real questão não é ter um pedaço de terra ou umas juntas de bois, nem mesmo se casar. O problema é permitir que essas coisas substituam nosso compromisso incondicional com o reino de Deus.

Assim como Peter Minuit fez um investimento imprevisível ao comprar a ilha de Manhattan, devemos usar nossos talentos para a causa de Deus, mesmo sem saber exatamente quais serão os resultados (Mt 25:14-30). Faça seu melhor para o Senhor e deixe os resultados nas mãos Dele. Você não vai se desapontar!


Quarta-feira – 23 de maio

“Será?”

Saireis com alegria e em paz sereis guiados; os montes e os outeiros romperão em cânticos diante de vós, e todas as árvores do campo baterão palmas. Isaías 55:12

A conversão é uma experiência tão profunda e extraordinária com Jesus que nem mesmo Satanás com todas as suas hostes é capaz de entender plenamente seu significado (Ellen White, Filhos e Filhas de Deus, p. 356). Foi isso que experimentou Charles Wesley (1707-1788) ao se converter no domingo, 21 de maio de 1738. Ele chegou a confessar: “Agora me encontro em paz com Deus e me alegro na esperança de amar a Cristo.”

De um novo coração, surgiu um novo cântico sobre sua peregrinação espiritual. Ele escreveu em seu diário na terça-feira, 23 de maio de 1738: “Acordei sob a proteção de Cristo e abri mão de mim, alma e corpo, para Ele. Às nove, comecei a escrever um hino sobre minha conversão, mas fui convencido a parar, por medo do orgulho. O Sr. Bray apareceu e me incentivou a prosseguir, a despeito de Satanás. Orei para Cristo permanecer a meu lado e terminei o hino.”

Charles Wesley não identificou qual foi o hino específico que compôs naquela ocasião. No entanto, fica bem claro que se referiu ao maravilhoso “And Can It Be?” (Será?), número 198 do Hinário Adventista norte-americano, que relata com ternura como o pecador é justificado pela justiça de Cristo e pode se aproximar com ousadia do trono eterno. A primeira estrofe e o coro dizem:

Será que eu passei a ter
Interesse pelo sangue do Salvador?
Morreu Ele por mim? Eu que Sua dor causei!
Por mim? Cuja morte provoquei?
Amor extraordinário! Como pode ser
Que Tu, meu Deus, por mim foste morrer?
Amor extraordinário! Como pode ser
Que Tu, meu Deus, por mim foste morrer?

Muitos salmos do Antigo Testamento são orações que refletem as experiências espirituais dos salmistas. Que tal usar a música “And Can It Be?” ou outro hino de que você goste para refletir hoje, transformando-o em sua expressão de oração e louvor? Envolvido com suas muitas atividades diárias, é possível manter sua mente conectada com Deus.


Terça-feira – 22 de maio

João Wycliffe

Sereis odiados de todos por causa do Meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo. Mateus 10:22

Os verdadeiros heróis cristãos permanecem incondicionalmente fiéis a Cristo e à Sua Palavra, mesmo diante das mais fortes pressões. Um exemplo inspirador é o de João Wycliffe (1320-1384), professor de teologia em Oxford. Ele exaltou com ousadia a liderança de Cristo, a autoridade das Escrituras e a salvação pela graça mediante a fé. Preocupado com esses ensinos, o papa Gregório XI promulgou, em 22 de maio de 1377, cinco bulas condenando a obra de Wycliffe por promover “certas proposições e conclusões errôneas e falsas, com sabor até de depravação herética, que tendem a enfraquecer e destruir a posição de toda a igreja e até mesmo do governo secular”.

Em resposta às bulas papais, Wycliffe declarou: “Eu professo e afirmo ser, pela graça de Deus, um cristão sensato (isto é, verdadeiro e ortodoxo) e, enquanto houver fôlego em meu corpo, proclamarei e defenderei a legalidade de minhas posições. Estou pronto para defender minhas convicções até a morte. Em todas as minhas conclusões, segui as Sagradas Escrituras e os santos doutores e, caso se possa provar que elas são opostas à fé, delas me retratarei voluntariamente.”

No dia 4 de maio de 1415, o Concílio de Constança excomungou Wycliffe retroativamente e baniu seus escritos. Suas obras deveriam ser queimadas; e seu cadáver, retirado de solo consagrado. Essa ordem, confirmada pelo papa Martinho V, foi executada em 1428, isto é, 43 anos após o falecimento do pré­-reformador inglês. Na presença de várias autoridades eclesiásticas, seus restos mortais foram tirados do túmulo em Lutterworth, queimados até se tornarem cinzas e jogados no riacho Swift, que ficava próximo. Alguém chegou a colocar um epitáfio em seu antigo túmulo, chamando-o de “instrumento do diabo, inimigo da igreja, autor da confusão entre o povo comum”.

Em sua principal obra, The Church History in Britain (História da Igreja na Grã-Bretanha), Thomas Fuller declarou: “Assim, esse riacho [Swift] conduziu as cinzas ao Avon, o Avon ao Severn, o Severn a mares estreitos e, estes, ao grande oceano. Dessa maneira, as cinzas de Wycliffe são o emblema de sua doutrina, que hoje está espalhada pelo mundo inteiro.” Pela graça de Deus, nós também herdamos esse maravilhoso legado da verdade. Mesmo que não precisemos pagar um preço tão alto pela fé, devemos ter o mesmo compromisso que Wycliffe demonstrou. Carreguemos essa tocha até o fim!


Segunda-feira – 21 de maio

Organização da igreja

Escolheu Moisés homens capazes, de todo o Israel, e os constituiu por cabeças sobre o povo: chefes de mil, chefes de cem, chefes de cinquenta e chefes de dez. Êxodo 18:25

O rápido crescimento do movimento adventista do sétimo dia despertou a necessidade de uma estrutura organizacional capaz de integrar as comunidades adventistas dispersas. Entretanto, vários pioneiros ainda ecoavam as palavras de George Storrs, pregador milerita influente, que declarou em fevereiro de 1844: “Nenhuma igreja pode ser organizada por invenção humana, pois se torna Babilônia no momento em que é organizada.” Em resposta a esse conceito, Ellen White destacou na Review and Herald de 27 de agosto de 1861 que alguns temiam que “se tornariam Babilônia caso se organizassem”, mas que, de fato, era a falta de organização que havia transformado muitas igrejas em uma “perfeita Babilônia, confusão”.

A formação da estrutura organizacional adventista ocorreu em três níveis básicos. A primeira foi a organização de igrejas locais. Embora grupos de adventistas observadores do sábado tenham começado a se estabelecer na metade da década de 1840, foi somente nos anos 1850 que esses grupos começaram a eleger diáconos, anciãos e tesoureiros. O segundo nível foi a formação de Associações estaduais. Em 1861, a primeira Associação adventista do sétimo dia foi instituída em Michigan; em 1862, seis outras Associações foram organizadas. O terceiro nível foi o estabelecimento da Associação Geral, que ocorreu em Battle Creek, Michigan, em 21 de maio de 1863. A constituição das Uniões, bem como das Divisões, só ocorreu no início do século 20.

Alguns podem indagar: “Será que ainda precisamos de uma estrutura organizacional para a igreja?” Ellen White declarou: “Ninguém acaricie o pensamento de que podemos dispensar a organização. A construção dessa estrutura custou-nos muito estudo e orações, em que rogávamos sabedoria e as quais sabemos que Deus ouviu. Foi edificada sob Sua orientação, por meio de muito sacrifício e contrariedades. Nenhum de nossos irmãos esteja tão iludido que tente derrubá-la, pois acarretaria assim um estado de coisas que nem é possível imaginar. Em nome do Senhor declaro-vos que ela há de ser firmemente estabelecida, robustecida e consolidada” (Testemunhos Para Ministros e Obreiros Evangélicos, p. 27, 28).


Domingo – 20 de maio

A divindade de Cristo

Pois em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade. Colossenses 2:9, NVI

Muitas discussões e distorções teológicas derivam da tendência humana de enfatizar excessivamente um lado da “moeda” em detrimento do outro. Um exemplo clássico está nas discussões cristológicas dentro da igreja primitiva. Muitos se perguntavam: Como Cristo pode ser Deus e homem ao mesmo tempo? Quão divino e quão humano Ele é?

Ário (256-336 d.C.), sacerdote de Alexandria, Egito, trouxe muita confusão ao debate quando defendeu que Cristo era mais do que humano, porém menos do que divino. Para ele, na eternidade passada, Deus havia criado o Filho, o qual, por sua vez, teria criado todas as coisas. O Concílio de Niceia iniciou formalmente em 20 de maio de 325 d.C., a fim de lidar com a heresia ariana. Após um mês de reunião, a assembleia promulgou o Credo Niceno original, afirmando que Jesus Cristo foi “gerado, não criado, da mesma substância do Pai” e considerando aqueles que sugeriam que “houve um tempo no qual Ele não foi assim” como anátemas.

Na tradição reformada, a Confissão de Westminster (1646) declarou: “Na unidade da Divindade existem três pessoas com a mesma substância, o mesmo poder e a mesma eternidade: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. O Pai não é de ninguém, nem gerado, nem procedente; O Filho é eternamente gerado do Pai; o Espírito Santo é eternamente procedente do Pai e do Filho.” Entretanto, podemos mesmo dizer que nosso Senhor Jesus Cristo é “eternamente gerado do Pai”?

Em João 3:16 a palavra grega monogenes foi incorretamente traduzida por “unigênito” (ARA), ao passo que seu verdadeiro significado é “único” (NTLH). Uma vez que Ele sempre teve vida em Si mesmo, Cristo podia dizer que era a fonte de vida (Jo 14:6). Por essa razão, em Isaías 9:6 Ele é chamado de “Deus Forte” e “Pai da Eternidade”. Paulo explica que em Cristo “habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (Cl 2:9). E Ellen White afirma: “Em Cristo há vida original, não emprestada, não derivada” (O Desejado de Todas as Nações, p. 530).

Que Salvador extraordinário e poderoso nós temos! Por sempre ter sido Deus no mais elevado sentido, pôde reassumir “toda a autoridade nos céus e na terra” e nos prometer: “Eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mt 28:18, 20, NVI). Podemos confiar plenamente em Sua maneira de cuidar de nós e nos conduzir!


Sábado – 19 de maio

O Dia Escuro

Mas, naqueles dias, após a referida tribulação, o Sol escurecerá, a Lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. Marcos 13:24, 25

Em geral, as pessoas preferem dias ensolarados a dias chuvosos e nublados. Muitos pagãos e místicos veneravam o Sol como rei dos astros e fonte de luz para o mundo. Em contraste, Deus escureceu o Sol em alguns momentos cruciais da história humana. Por exemplo, a nona praga contra a terra do Egito provocou três dias de escuridão absoluta (Êx 10:21-23). Enquanto Jesus estava na cruz, o Sol deixou de brilhar por três horas (Lc 23:44, 45). De acordo com o Apocalipse, quando o quinto anjo derramar sua taça da ira de Deus sobre a Terra, o reino da besta se tornará “em trevas” (Ap 16:10).

Ao falar sobre os sinais do tempo do fim que precederiam Seu retorno, Jesus disse: “O Sol escurecerá, a Lua não dará a sua claridade” (Mc 13:24, 25; cf. Jl 2:31). Autores adventistas têm associado esse sinal específico ao “Dia Escuro”, que ocorreu em 19 de maio de 1780, conforme atesta Ellen White no livro O Grande Conflito (p. 306-309). Esse fenômeno foi observado no estado da Nova Inglaterra, nos Estados Unidos, e em partes do Canadá. Testemunhas relataram que o dia se tornou completamente escuro, estendendo suas trevas até a manhã seguinte. Durante as horas da noite, a Lua apareceu vermelha. Alguns acreditam que o “Dia Escuro” foi causado por uma mistura de fumaça de incêndios florestais, cerração intensa e cobertura de nuvens.

Se o “Dia Escuro” foi causado por fatores naturais, como pode ser um sinal do tempo do fim? Lembre-se de que, no início do sexto selo apocalíptico, “sobreveio grande terremoto. O Sol se tornou negro como saco de crina, a Lua toda, como sangue, as estrelas do céu caíram pela terra, como a figueira, quando abalada por vento forte, deixa cair os seus figos verdes” (Ap 6:12, 13). Como cumprimento dessa profecia, tanto o grande terremoto de Lisboa, em 1o de novembro de 1755, quanto a chuva de meteoros, em 13 de novembro de 1833, tiveram causas naturais. Se assim foi, por que o “Dia Escuro” de 1780 não poderia ter origem semelhante?

Deus pode usar tanto eventos naturais quanto sobrenaturais para nos acordar de nossa segurança descuidada e mornidão espiritual. Ele o fez incontáveis vezes no passado e, se necessário, pode fazê-lo novamente.


Sexta-feira – 18 de maio

Dízimos e ofertas

E, chamando os Seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta viúva pobre depositou no gazofilácio mais do que o fizeram todos os ofertantes. Porque todos eles ofertaram do que lhes sobrava; ela, porém, da sua pobreza deu tudo quanto possuía, todo o seu sustento. Marcos 12:43, 44

Deus instituiu o sistema de dízimos e ofertas com o propósito triplo de combater nosso egoísmo, sustentar o ministério evangélico e promover as missões estrangeiras. Ainda assim, algumas pessoas argumentam que o mau uso de tais recursos pelos canais regulares da igreja justifica que o doador envie suas dádivas diretamente para projetos e ministérios alternativos “mais confiáveis”.

Review and Herald de 18 de maio de 1869 publicou um artigo curto escrito por John N. Andrews chamado “O Sistema dos Dízimos”. Acerca de sua origem, Andrews sugeriu que “o sistema de dízimos não surgiu com o sacerdócio levítico, mas com o de Melquisedeque, sob cuja ordem hoje nos encontramos (Hb 7). Logo, nós nos encontramos sob a obrigação de devolvê-lo como cristãos. E se qualquer um desejar doar tanto quanto a viúva pobre, não perderá sua recompensa”.

O sacerdócio nos tempos de Jesus havia se tornado extremamente corrupto. Cristo poderia ter desencorajado a viúva pobre de contribuir com o sistema sacerdotal. Em vez disso, Ele a elogiou por aquilo que fez (Mc 12:41-44; Lc 21:1-4). Ellen White explica: “As pessoas abnegadas e consagradas que devolvem a Deus o que Lhe pertence, como Ele requer, serão recompensadas segundo as suas obras. Ainda que os recursos assim consagrados sejam mal aplicados, de modo que não venham a preencher os fins que o ofertante tinha em vista – a glória de Deus e a salvação de almas – aqueles que fizeram o sacrifício em sinceridade de coração, com a única finalidade de glorificar a Deus, não perderão sua recompensa” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 2, p. 519).

Ela ainda faz um apelo a nós: “Ninguém se sinta na liberdade de reter o dízimo, para empregá-lo segundo seu juízo. […] Deus não mudou; o dízimo tem de ser ainda empregado para a manutenção do ministério. A abertura de novos campos requer mais eficiência ministerial do que possuímos agora, e é preciso haver meios no tesouro” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 9, p. 247, 250). Portanto, levemos nossos dízimos e nossas ofertas fiéis à casa do tesouro (Ml 3:10).


Quinta-feira – 17 de maio

As festas de Israel

São estas as festas fixas do Senhor, as santas convocações, que proclamareis no seu tempo determinado. Levítico 23:4

É comum as pessoas gostarem de comemorar o aniversário ou as férias com familiares e amigos, ou então envolverem-se em algum projeto específico. Nos tempos antigos, Deus separou várias festas anuais para os israelitas. Estas eram dividias em dois ciclos principais (ver Lv 23). Primeiramente, ocorriam as festas da primavera, que incluíam a Páscoa, a Festa dos Pães Asmos, a Festa das Primícias e oPentecostes. Depois, vinham as festas do outono, que abrangiam a Festa das Trombetas, o Dia da Expiação e a Festa dos Tabernáculos. Todos os homens deIsrael deveriam celebrar três dessas festas em Jerusalém: a Páscoa, o Pentecostes e a Festa dos Tabernáculos.

Uma carta de Guilherme Miller, publicada no periódico milerita Signs of the Times (Sinais dos Tempos), em 17 de maio de 1843, tem relevância especial para a interpretação das festas hebraicas. Ele sugeriu que as festas da primavera se cumpriram durante o primeiro advento e sofrimento de Cristo. Já as festas do outono deviam se cumprir em relação ao segundo advento. Acerca do primeiro ciclo de festas, o Novo Testamento declara que Jesus morreu na cruz como o “Cordeiro de Deus” (Jo 1:29), “nosso Cordeiro pascoal” (1Co 5:7); também afirma que Ele ressuscitou dos mortos como “as primícias dos que dormem” (1Co 15:20); e diz que o Espírito Santo desceu sobre os discípulos no dia de Pentecostes (At 1:8; 2:1-4).

De maneira semelhante, o segundo ciclo de festas começou a se cumprir durante a expectativa da segunda vinda de Cristo, no tempo do fim. Assim como a Festa das Trombetas anuncia a breve chegada do Dia da Expiação, o movimento do segundo advento proclamou que os 2.300 dias-anos simbólicos de Daniel 8:14 terminariam na década de 1840, ocasião em que o santuário seria purificado. Por fim, o ano de 1844 foi definido como o início do dia antitípico da expiação. A Festa dos Tabernáculos, por sua vez, ainda se cumprirá durante o milênio, período no qual os santos permanecerão no Céu (Ap 20), antes de se estabelecerem de maneira permanente na Terra renovada (Ap 21:1-4).

Vivemos hoje no grande dia antitípico da expiação. Assim como se esperava que os antigos israelitas afligissem a alma (Lv 16:29; 23:27), devemos consagrar nossa vida em compromisso total com o Senhor, a fim de estar prontos para Seu breve retorno.


Quarta-feira – 16 de maio

A maior motivação

Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens. Colossenses 3:23

Aristóteles afirmou: “Qualidade não é um ato, mas um hábito.” Trata-se do hábito de sempre melhorar a qualidade daquilo que estamos fazendo. Essa era a filosofia do italiano Antonio Stradivari (c. 1644-1737), o grande fabricante de violinos, cujos instrumentos continuam a ser renomados por sua qualidade tonal excepcional. Por exemplo, em 16 de maio de 2006, um violino Stradivari de 1707 foi vendido em um leilão na cidade de Nova York por 3,5 milhões de dólares. Outro violino Stradivari em exibição no Museu Ashmolean, na Inglaterra, vale o equivalente a 15 milhões de dólares. Por que os instrumentos Stradivari ou Stradivarius (em latim) autênticos são tão valiosos?

Os especialistas explicam que a qualidade desses instrumentos depende da habilidade de escolher a madeira certa, as ferramentas apropriadas, o melhor formato para o violino e um bom verniz. Acerca da madeira, o fabricante de violinos Tibor Szemmelveisz, da Hungria, explicou: “Pode haver uma diferença imensa de qualidade até mesmo em pedaços da mesma árvore, dependendo se vêm do lado da árvore voltado para o sul ou para o norte, ou da parte superior ou inferior de uma colina.”

Muitas pessoas gostariam de receber as honras que Stradivari obteve por suas realizações, mas não estão dispostas a pagar o preço de seu compromisso. A fim de dar uma contribuição valiosa em vida, precisamos superar a tendência natural à preguiça e mediocridade, para então nos aperfeiçoar continuamente.

Ronnie Oldham declarou muito bem: “A excelência é resultado de cuidar mais do que os outros pensam ser sábio, arriscar mais do que os outros pensam ser seguro, sonhar mais do que os outros consideram prático e esperar mais do que os outros creem ser possível. É o compromisso com o desempenho de alta qualidade que produz resultados extraordinários de valor duradouro. Excelência significa crer no aperfeiçoamento contínuo e nunca se satisfazer com menos do que algo pode ser. É a qualidade como estilo de vida.”

Existem pessoas mais automotivadas que as outras. A despeito de qual seja nossa condição, temos uma motivação muito superior para o aperfeiçoamento contínuo: glorificar a Deus. Nas palavras de Paulo: “Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens” (Cl 3:23). Tudo que Deus faz é realizado com perfeição. E nós, seus embaixadores, devemos fazer sempre nosso melhor também.


Terça-feira – 15 de maio

Instituto Butantã

Deus tornou pecado por nós Aquele que não tinha pecado, para que Nele nos tornássemos justiça de Deus. 2 Coríntios 5:21, NVI

As serpentes despertam diferentes reações naqueles que as veem. Algumas pessoas amam esses animais, outras se sentem temerosas em relação a eles. Há muitos anos, minha esposa e eu visitamos, na cidade de São Paulo, o famoso Instituto Butantã, o maior fabricante de imunobiológicos e biofarmacêuticos da América Latina e um dos maiores do mundo. Fundado em 23 de fevereiro de 1901, é conhecido internacionalmente por sua coleção de serpentes venenosas, além de ter uma grande quantidade de lagartos, aranhas, escorpiões e insetos peçonhentos colecionados durante mais de cem anos.

A partir da extração do veneno de répteis e insetos, o instituto desenvolve vacinas contra diversas doenças, incluindo tuberculose, raiva, tétano e difteria. O centro também produz antídotos para picadas de serpentes peçonhentas. Infelizmente, em 15 de maio de 2010, um incêndio no prédio de coleções destruiu mais de 70 mil espécies de serpentes, bem como mais de 450 mil espécies de artrópodes, incluindo escorpiões, opiliões (como a aranha-bode), miriápodes (como a lacraia e o piolho-de-cobra) e aranhas.

O processo de extração do veneno de serpente para produzir o soro antiofídico pode exemplificar o que Cristo fez por nós na cruz. Ao carregar nossos pecados, sem Se tornar pecador, Ele providenciou um antídoto eficaz contra o pecado (2Co 5:21). Esse princípio foi bem ilustrado pelo episódio das serpentes abrasadoras (Nm 21:4-9). Os israelitas estavam morrendo em virtude da picada delas; entretanto, aqueles que fossem mordidos, mas olhassem para a serpente de bronze, teriam vida. O próprio Jesus declarou: “E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que Nele crê tenha a vida eterna” (Jo 3:14, 15).

O terrível incêndio que destruiu a grande coleção de serpentes do Instituto Butantã em 2010 nos lembra da destruição final da “antiga serpente, que se chama diabo e Satanás,” e de seus anjos maus, ao fim do milênio (Ap 12:9; 20:7-10). As ações triunfantes de Deus sobre o mal, prometidas pela primeira vez no jardim do Éden (Gn 3:15) e confirmadas na cruz (Jo 12:31), serão finalmente concluídas, para todo o sempre. Então o veneno do pecado será definitivamente erradicado do Universo, para nunca mais infectar alguém outra vez.


Segunda-feira – 14 de maio

Perfeito em Cristo

Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Filipenses 3:12

Atualmente, muitos cristãos ficam confusos em relação aos conceitos bíblicos de santificação e perfeição. Alguns argumentam que podemos e devemos alcançar a perfeição nesta vida, pois Deus nunca nos pediria algo que não temos condições de fazer. Outros afirmam que é impossível, pois só Deus e as criaturas não caídas são perfeitos. Uma das contribuições teológicas mais úteis sobre esse assunto foi feita pelo doutor Hans K. LaRondelle (1929-2011).

Hans LaRondelle nasceu em 18 de abril de 1929, na Holanda. Quando tinha 20 anos, leu um exemplar do livro O Grande Conflito, deEllen G. White, e aceitou a mensagem adventista. Em sua carreira, tornou-se um dos mais influentes teólogos da denominação.

Em 14 de maio de 1971, ele defendeu sua tese doutoral em Teologia Sistemática pela Universidade Reformada Livre, em Amsterdã. Traduzido ao português, o título da tese seria: “Perfeição e Perfeccionismo: Um estudo ético­dogmático da perfeição bíblica e do fenômeno do perfeccionismo”. Esse estudo destaca que a verdadeira perfeição bíblica envolve crescimento contínuo à imagem e semelhança de Cristo. Entretanto, é sempre cristocêntrica e nunca egocêntrica. Ela “participa do mesmo modo de ser do reino de Deus; é presente e futura” (p. 327). Conforme Ellen White explicou muito bem, “quanto mais perto você estiver de Jesus, mais cheio de faltas sentirá que é, pois sua visão ficará mais clara” (Caminho a Cristo, p. 64).

Toda discussão em torno da verdadeira e falsa santificação e perfeição pode ser resolvida com facilidade na esfera prática ao se refletir na parábola de Jesus sobre o fariseu e o publicano (Lc 18:9-14). O fariseu estava satisfeito com a própria condição espiritual e julgava os outros, inclusive seus irmãos de fé. O publicano, em contrapartida, estava preocupado com as próprias fraquezas e não expunha os defeitos alheios, como fazia o fariseu. Em outras palavras, a verdadeira santificação gera um sentimento de indignidade pessoal e misericórdia em relação aos outros. A falsa santificação alimenta o orgulho e a crítica aos outros, inclusive à comunidade de crentes.


Domingo – 13 de maio

Dia das mães

“Leve este menino e o crie para mim, que eu pagarei pelo seu trabalho. A mulher levou o menino e o criou.” Êxodo 2:9, NTLH

Mães cuidadosas são a encarnação do amor de Deus em meio à humanidade. Abraham Lincoln confessou: “Tudo que sou ou que um dia almejo ser, devo ao anjo que é minha mãe.” No domingo, 10 de maio de 1908, Anna Jarvis realizou uma cerimônia memorial em homenagem à sua mãe, Ann, que havia morrido em 9 de maio de 1905, lembrando-se também de todas as outras mães. Essa celebração é considerada a primeira observância oficial do Dia das Mães nos Estados Unidos.

Em 9 de maio de 1914, o presidente norte-americano Woodrow Wilson determinou que o Dia das Mães nacional deveria ser celebrado todo segundo domingo de maio. Nesse dia, a bandeira dos Estados Unidos deve ser exibida em todos os prédios públicos, casas particulares e outros locais adequados, “como expressão pública de amor e reverência pelas mães” norte-americanas.

Uma mãe modelo dos tempos bíblicos foi Joquebede (Nm 26:59). Por cerca de 12 anos, ela educou seu filho Moisés para Deus. “Esforçou-se por embeber seu espírito com o temor de Deus e com o amor à verdade e justiça, e fervorosamente orava para que ele pudesse preservar-se de toda a influência corruptora. Mostrou-lhe a loucura e o pecado da idolatria, e cedo o ensinou a curvar-se e a orar ao Deus vivo, que unicamente poderia ouvi-lo e auxiliá-lo em toda a emergência. Ela conservou consigo o rapaz tanto quanto pôde; foi, porém, obrigada a entregá-lo quando ele estava com aproximadamente doze anos. Foi levado de sua humilde choupana ao palácio real, para a filha de Faraó, e se tornou seu filho. Contudo, mesmo ali, ele não perdeu as impressões recebidas na infância” (Patriarcas e Profetas,p. 243, 244). Da mesma maneira, devemos preparar nossos filhos para enfrentar os desafios de nosso mundo contemporâneo.

Neste domingo, 13 de maio de 2018, vários países comemoram o Dia das Mães. Por isso, gostaria de louvar a Deus pelas três mães maravilhosas que Ele me concedeu: minha mãe, Frieda, que me deu a vida e cuidou de mim durante meus primeiros anos; minha sogra, Cenira, que se tornou minha segunda mãe; e minha esposa, Marly, mãe de nossos três filhos. Como eu as amo! Você também pode prestar tributo especial às mães do seu coração.

Que o Senhor abençoe todas as mães que acabaram de ler esta mensagem devocional. Gostaria de lhes desejar muita saúde e alegria, bem como a bênção de ter sua família unida em Cristo. Feliz Dia das Mães!


Sábado – 12 de maio

A mulher da lâmpada

Aproximou-se, enfaixou-lhe as feridas, derramando nelas vinho e óleo. Depois colocou-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e cuidou dele. Lucas 10:34, NVI

A vida que vale a pena ser vivida se concentra nos outros, não somente em nós mesmos. Ellen White declarou: “Não passaremos por este mundo senão uma vez. Todo bem que nos for dado fazer, devemos fazer sincera, infatigavelmente, naquele espírito que Cristo pôs em Sua obra” (Conselhos aos Professores, Pais e Estudantes, p. 267).

Florence Nightingale (1820-1910) nasceu no dia 12 de maio de 1820, em Florença, Itália, e seu nome foi inspirado no da cidade. Na juventude, estudou Enfermagem na Alemanha e começou a trabalhar em Londres. Durante a Guerra da Crimeia (1853-1856), ela e sua equipe de enfermagem melhoraram grandemente as condições sanitárias de um hospital de base britânico, reduzindo em dois terços o índice de mortalidade. Eles criaram uma cozinha para atender às necessidades alimentares dos pacientes, uma lavanderia para providenciar lençóis limpos, uma sala de aula e uma biblioteca para estímulo intelectual e entretenimento. Nightingale cuidava sem cessar dos militares. À noite, ela carregava uma lâmpada enquanto tratava paciente após paciente. Os soldados sentiam-se emocionados e confortados por sua compaixão sem fim e chegaram a chamá-la de “a mulher da lâmpada” e “o anjo da Crimeia”.

De fato, ela aliava tanto profissionalismo eficiente quanto amor dedicado. Suas estratégias ajudaram a melhorar as práticas de cuidado aos enfermos e sua vida tocante inspirou muitas gerações de enfermeiros. Ainda hoje, algumas cerimônias de formatura de Enfermagem chegam ao ápice acendendo a vela e recitando o juramento de Nightingale, em homenagem à “mulher da lâmpada”.

Florence afirmou: “Atribuo meu sucesso a isto: nunca dei nem aceitei nenhuma desculpa.” Ela aconselhou: “Por isso, nunca perca a oportunidade de promover um início prático, por menor que seja, pois é maravilhoso perceber quantas vezes, em tais questões, a semente de mostarda germina e cria raízes.” Também enfatizou a importância de aliar empatia e cooperação: “Corramos a corrida na qual todos vencerão, alegrando-nos com os sucessos alheios, como se fossem nossos, e lamentando seus fracassos, onde quer que se encontrem, como se fossem nossos. Somos todos um só Enfermeiro.”

O exemplo de vida de Nightingale deve nos inspirar a sair e brilhar por Jesus. Hoje, você pode fazer uma grande diferença na vida de alguém!


Sexta-feira – 11 de maio

Ignorando a palavra profética

Porém o Senhor lhes enviou profetas para os reconduzir a Si; estes profetas testemunharam contra eles, mas eles não deram ouvidos. 2 Crônicas 24:19

Os seres humanos têm a tendência de não levar a palavra de Deus tão a sério quanto deveriam. Esse foi o problema dos antediluvianos (Hb 11:7), dos contemporâneos de Jesus (Mt 23:29-36) e também daqueles que administravam o Sanatório de Battle Creek.

No início de 1900, Ellen White afirmou que “o Senhor separou o Dr. Kellogg para realizar uma obra especial”, mas sob sua liderança, o Sanatório de Battle Creek estava perdendo sua identidade original (Manuscrito 6, 1900). Em 18 de fevereiro de 1902, a instituição foi destruída pelo fogo, e Ellen White identificou a tragédia como um juízo da parte de Deus. Dois dias depois, ela advertiu: “Uma responsabilidade solene repousa sobre os responsáveis pelo Sanatório de Battle Creek. Construirão eles uma instituição gigantesca ou cumprirão o propósito divino de estabelecer organizações em muitos lugares?” (Manuscrito 76, 1903).

Desconsiderando as advertências de Ellen White, o Dr. John H. Kellogg e sua equipe decidiram reconstruir o hospital e fazê-lo ainda maior em Battle Creek. Todas as circunstâncias pareciam favorecer sua decisão, inclusive a expectativa popular generalizada de que isso aconteceria, muitas promessas de doações financeiras feitas tanto por comunidades adventistas quanto não adventistas e a grande venda do livro que Kellogg estava prestes a lançar, The Living Temple (O Templo Vivo). Assim, no domingo 11 de maio de 1902, com cerca de 10 mil pessoas reunidas, a pedra fundamental do novo Sanatório de Battle Creek foi lançada.

Logo, porém, promessas não cumpridas e crises financeiras mostraram que era muito mais fácil planejar do que custear o projeto. A publicação do livro The Living Temple foi controversa desde o início. O Dr. Kellogg estava se distanciando cada vez mais do pensamento e da liderança da igreja. Com o tempo, assumiu controle absoluto sobre o Sanatório e no dia 10 de novembro de 1907 foi excluído do rol de membros do tabernáculo de Battle Creek.

Os antediluvianos poderiam ter salvado a própria vida caso tivessem seguido as advertências proféticas de Noé. Da mesma maneira, muitas dores de cabeça relacionadas ao Sanatório de Battle Creek poderiam ter sido poupadas se os conselhos proféticos de Ellen White tivessem sido atendidos. Lembre-se: a palavra profética pode não ser a mais lógica ou significativa para nós, mas no longo prazo sempre é a melhor e mais digna de confiança!


Quinta-feira – 10 de maio

Benditas adversidades

Da fraqueza tiraram força. Hebreus 11:34

O exército alemão havia acabado de invadir o território da Holanda. Na tarde da sexta-feira, 10 de maio de 1940, o governador-geral das Índias Holandesas Orientais anunciou pelo rádio que todos os homens alemães com mais de 16 anos em suas colônias seriam presos. Siegfried H. Horn (1908-1993) era um missionário adventista do sétimo dia alemão e sabia que podia ser detido a qualquer momento. Mesmo assim, ele subiu em sua motocicleta e foi à igreja naquela noite, onde pregou sobre “Os sofrimentos de Jesus”. Logo que chegou em casa, a polícia apareceu. Ele foi aprisionado e ficou sem ver sua amada esposa por mais de seis anos.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Horn foi prisioneiro de guerra; primeiramente, dos holandeses na Indonésia e, depois, dos ingleses na Índia. Com acesso a livros, ele desenvolveu na prisão suas habilidades em línguas bíblicas e ensinou seus companheiros de cárcere. Após a guerra, imigrou para os Estados Unidos, onde concluiu sua formação acadêmica. Por um curto período, estudou com o professor William A. Albright, na Universidade Johns Hopkins e, em 1951, obteve o doutorado em Egiptologia na Universidade de Chicago.

Por 25 anos, o doutor Horn lecionou Arqueologia e História da Antiguidade no Seminário Teológico Adventista do Sétimo Dia na Universidade Andrews. Ele escreveu vários artigos introdutórios e os comentários sobre Gênesis, Êxodo, Esdras e Neemias no Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia; foi o principal autor do Dicionário Bíblico Adventista do Sétimo Dia; deu início ao programa doutoral do Seminário; fundou o Museu Arqueológico Siegfried H. Horn; foi o editor-fundador do periódico Andrews University Seminary Studies (Estudos do Seminário da Universidade Andrews); e inaugurou e dirigiu as escavações arqueológicas em Tell Hesban, a Hesbom bíblica, na Jordânia.

As crises não significam necessariamente resultados negativos. Elas podem gerar novos inícios e dar uma nova direção à vida. Enquanto algumas pessoas se tornam vítimas de circunstâncias desastrosas, outras usam isso para o próprio bem. Por exemplo, os anos que o doutor Horn passou como prisioneiro de guerra redirecionaram toda sua carreira. Você não precisa enxergar as crises de sua vida como muros de obstrução. Elas podem ser apenas passos mais altos que conduzam a um futuro mais brilhante. Lembre-se, você “tudo [pode] Naquele que [o] fortalece” (Fp 4:13)!


Quarta-feira – 09 de maio

As feridas em Suas mãos

Se alguém lhe disser: Que feridas são essas nas Tuas mãos?, responderá Ele: São as feridas com que fui ferido na casa dos Meus amigos. Zacarias 13:6

A Adventist Review de 9 de maio de 2013 publicou em sua capa uma imagem impressionante de Jesus. Era ligeiramente borrada, com um par de óculos em destaque no centro da ilustração, para que o leitor pudesse ver, com mais clareza, por meio das lentes sobrepostas ao desenho, partes da face de Jesus. Quem foi o autor dessa imagem? Ninguém menos do que Harry Anderson, conhecido ilustrador adventista, extremamente talentoso, que pintou alguns dos mais belos retratos de Cristo.

Filho de pais suecos, Harry Anderson nasceu em 11 de agosto de 1906, em Chicago. Em 1944, tornou-se adventista do sétimo dia e logo depois começou a desenhar para a editora Review and Herald. O artista produziu cerca de 300 ilustrações de temas religiosos para a igreja. Em 1945, Anderson concluiu a obra “O que aconteceu com suas mãos?”, provavelmente a mais conhecida de sua autoria. Nessa pintura vanguardista, Jesus foi retratado com três crianças modernas.

A ambientação inovadora da imagem despertou muita oposição, até mesmo da própria equipe do departamento de arte da Review and Herald. Entretanto, grande medida do preconceito inicial desapareceu depois que um dos funcionários relatou uma experiência reveladora. Certa noite, sua filhinha estava folheando seu exemplar do livro The Children’s Hour (A Hora das Crianças). Quando chegou à imagem “O que aconteceu com suas mãos?”, correu até o pai e disse: “Papai, eu também quero me assentar no colo de Jesus!” Então ele percebeu que ilustrações modernas poderiam ajudar crianças a se identificar melhor com Cristo.

Ellen White explica que, no juízo final, Jesus mostrará aos ímpios “Suas mãos com os sinais de Sua crucifixão. Os sinais desta crueldade sempre Ele os levará. Cada vestígio dos cravos contará a história da maravilhosa redenção da humanidade e o valioso preço por que foi comprada” (Primeiros Escritos, p. 179). Atualmente, porém, “em nosso favor Ele apresenta perante o Pai as cicatrizes da crucifixão, que Ele terá por toda a eternidade” (Nos lugares Celestiais, p. 77).

O Senhor declarou acerca de Sião: “Eis que nas palmas das Minhas mãos te gravei” (Is 49:16). Da mesma maneira, encontramos nas mãos de Jesus um símbolo de Seu amor incondicional por nós e a certeza de que Ele nunca nos abandonará.


Terça-feira – 08 de maio

O príncipe e o plebeu

A Si mesmo se humilhou, tornando-Se obediente até à morte e morte de cruz. Filipenses 2:8

A vida é cheia de contrastes e paradoxos. Às vezes, até mesmo nossos maiores planos vão por água abaixo, conforme ilustra o filme O Príncipe e o Mendigo, lançado oficialmente em 8 de maio de 1937, e com várias outras versões. Com base no romance homônimo de Mark Twain, de 1881, a obra retrata uma história imaginária em Tudor, Inglaterra. Dois meninos nascem no mesmo dia, mas em circunstâncias absolutamente diferentes. Tom é o filho plebeu do terrível criminoso John Canty, enquanto Eduardo VI é príncipe herdeiro do rei Henrique VIII, da Inglaterra. Quando adolescentes, eles se conhecem e ficam admirados ao perceberem a semelhança extraordinária da aparência de ambos. Como brincadeira, resolvem trocar de roupa. O problema é que logo em seguida, o capitão da guarda chega e não consegue identificar o príncipe vestido de plebeu, expulsando-o do palácio.

Quando Tom tenta revelar sua identidade, somente o conde de Hertford acredita nele. Todos os outros tinham certeza de que o “príncipe” estava com alguma doença mental. Então, quando o rei Henrique VIII morre, o conde ameaça contar toda verdade sobre Tom, a menos que o jovem faça tudo que o nobre mandar. Temendo quanto ao próprio futuro, o nobre também chantageia o capitão e o intimida para que localize e mate Eduardo, o príncipe verdadeiro. No entanto, Eduardo havia encontrado em Miles Hendon um protetor de confiança. Com a ajuda dele, consegue voltar ao palácio bem na hora da cerimônia de coroação, comprovando sua identidade e assumindo o trono. Por fim, Tom é nomeado guarda do novo rei, o conde de Hertford é exilado em caráter vitalício e Hendon recebe uma recompensa por seus serviços.

Esse filme popular nos dá uma vaga ideia do mistério glorioso da encarnação, conforme descrito por Paulo em Filipenses 2:5 a 11. Essa passagem maravilhosa fala do Cristo que deixou as cortes celestiais, veio a nosso mundo de pecado e assumiu nossa natureza humana. Ele viveu assim como os humildes de Sua época. Foi rejeitado por muitos daqueles a quem veio salvar. Em contraste com o príncipe Eduardo, da história de Mark Twain, Jesus continuou o processo de humilhação até a cruz, na qual morreu em meio a ladrões. Contudo, ressuscitou triunfantemente dos mortos, ascendeu de volta ao Céu e foi entronizado como “Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Ap 19:16).


Segunda-feira – 07 de maio

Alegre adoração

Vinde, cantemos ao Senhor com júbilo, celebremos o Rochedo da nossa salvação. Salmo 95:1

Imagine que, no dia 7 de maio de 1824, você está em Viena, Áustria. Sem explicar o que está prestes a ocorrer, um amigo o leva ao Teatro do Ducado da Caríntia. Assim que você entra no auditório, consegue perceber grande empolgação e muita expectativa para um evento de imensas proporções. A orquestra é maior do que de costume. Na hora marcada, o maestro sobe ao palco – ninguém menos que o grande Ludwig van Beethoven – para a estreia de sua Nona Sinfonia. Curiosamente, essa obra foi desaprovada por alguns críticos, que o censuraram por acrescentar um coral e solistas a uma sinfonia, recursos que ele inseriu no movimento final.

Naquela época, Beethoven já estava completamente surdo e não conseguiu ouvir a execução da própria composição. Um regente auxiliar, Michael Umlauf, assentou-se fora da visão do público, para marcar o tempo aos músicos. Quando o espetáculo terminou, o grande maestro estava alguns compassos atrasado e ainda regia. Então, a solista contralto se aproximou dele e o virou para a plateia, a fim de que ele recebesse os aplausos entusiasmados do público, que ovacionava a apresentação. Mesmo sem ouvir as palmas, ele pelo menos conseguia ver os gestos de aclamação. Beethoven saiu do palco em lágrimas, extremamente emocionado.

A letra original é da “Ode à Alegria” (1785), do célebre poeta alemão Friedrich Schiller. O poema fala de todas as pessoas se unindo em fraternidade universal e termina com as majestosas palavras: “Irmãos, acima do pavilhão celeste deve habitar um Pai amoroso. Caís em adoração, vós, milhões? Mundo, conheces teu Criador? Buscai-O nos céus; acima das estrelas deve Ele habitar.” Posteriormente, a letra cristã “Jubilosos Te Adoramos” (1907), de Henry van Dyke, foi acrescentada à melodia da Nona Sinfonia. Hoje, ela é cantada como um dos mais belos hinos de todos os tempos (ver hino 14 do Hinário Adventista do Sétimo Dia).

Ocupados com tantas atividades, podemos facilmente perder de vista o espírito de adoração derivado de um relacionamento verdadeiro entre Criador e criatura. No entanto, o primeiro versículo do salmo 95 nos convida: “Vinde, cantemos ao Senhor com júbilo, celebremos o Rochedo da nossa salvação.” O hino “Jubilosos Te Adoramos” chama todas as criaturas e até mesmo a criação a adorar com alegria seu Criador. Se você conhece o hino, que tal cantá-lo agora e mantê-lo na memória ao longo do dia? Tenha um tempo jubiloso com seu Criador e Redentor!


Domingo – 06 de maio

Sem religião

Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal. Gênesis 3:5

Alguns psicólogos lutam com a pergunta: “Deus criou o ser humano ou foi o ser humano que criou Deus?” Sigmund Freud (1858-1939), o fundador da psicanálise, nasceu em Freiburg, Império Austro-Húngaro, em 6 de maio de 1856, filho de pais judeus. Ele foi um dos pensadores mais influentes e controversos do século 20, desafiando a Deus e a natureza da religião. Desse modo, sonhou com uma sociedade madura e plena, liberta dos sistemas religiosos.

Baseando-se na necessidade da criança de receber “proteção paterna”, Freud via a noção de Deus como uma projeção humana dessa necessidade, ou seja, como “nada mais do que uma figura paterna exaltada”. Em seu ponto de vista, a religião seria “uma ilusão” e poderia ser comparada a “uma neurose infantil”. Para ele, “a religião pertenceu à infância da raça humana. Foi uma etapa necessária na transição da infância à maturidade. Promoveu valores éticos que eram essenciais à sociedade. Agora que a humanidade amadureceu, porém, a religião deve ser deixada para trás”.

Freud argumentou ainda: “Quando um ser humano se liberta da religião, tem mais chances de ter uma vida normal e plena.” Enquanto outros ateus negavam com veemência a existência de Deus e o significado da religião, ele sugeria um processo psicológico atraente e convincente para as pessoas migrarem do campo religioso infantil para uma sociedade não religiosa madura. Não surpreende que Tony Campolo o tenha classificado como “o apóstolo da descrença”.

Da perspectiva bíblica, toda a noção de amadurecer longe de Deus e de Sua Palavra ecoa de perto o discurso da serpente no jardim do Éden. De maneira muito sutil, ela primeiro classificou a palavra de Deus como restritiva demais e indigna de confiança, para depois oferecer um conhecimento mais liberal e confiável. A serpente argumentou: “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal.”

Freud morreu em 1939, mas muitos de seus discípulos fiéis continuam a rotular Deus e a religião da mesma maneira que ele fazia. Talvez você esteja sob pressão psicossocial para desistir de sua suposta “religião infantil”. Nunca se envergonhe da lealdade ao Senhor e à Sua Palavra (Lc 9:23-26)!


Sábado – 05 de maio

Até o último homem

Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com Ele. Atos 10:38

O sábado 5 de maio de 1945 foi um dia desafiador na Batalha de Okinawa. As tropas japonesas defendiam ferrenhamente sua última barreira: a Escarpa Maeda, penhasco imenso que os soldados chamavam de desfiladeiro Hacksaw, na frente da ilha de Okinawa. Quando os soldados norte-americanos chegaram ao topo do paredão, os inimigos os confrontaram com um contra-ataque vitorioso. Os oficiais dos Estados Unidos ordenaram retirada imediata. Todos os soldados obedeceram, exceto um – Desmond Doss – o qual, arriscando a própria vida, voltou à frente de batalha a fim de resgatar o maior número de soldados feridos. Naquela ocasião, ele salvou no mínimo 75 vidas.

Dias depois, o próprio Doss foi gravemente ferido por uma granada japonesa que caiu a seus pés, e pela bala de um franco-atirador que atingiu seu braço. Com muita dor e perdendo sangue, ele preferiu que outros soldados feridos recebessem atendimento antes dele, disposto até mesmo a morrer para que outros pudessem viver. Doss pagou um preço vitalício por seus atos de heroísmo. Por cinco anos e meio, recebeu tratamento para a tuberculose que contraiu durante a guerra. Por fim, um pulmão e cinco de suas costelas precisaram ser removidos. Entretanto, ele permaneceu em paz com a própria consciência.

Doss, um paramédico adventista do sétimo dia, não disparou uma arma sequer e nem carregava uma. Em vez de matar, ele escolheu curar, até mesmo durante as horas do sábado (Mt 12:12). Em 12 de outubro de 1945, Doss foi condecorado com a Medalha de Honra, entregue pelo presidente norte-americano Harry S. Truman. Ele foi o primeiro objetor de consciência a receber essa honraria, que foi sucedida por vários outros reconhecimentos. Sua história é contada no livro Soldado Desarmado (2016), de Frances M. Doss. Essa história extraordinária ganhou vida no célebre filme Até o Último Homem (2016), dirigido por Mel Gibson.

Nem sempre os verdadeiros heróis de guerra são aqueles que matam mais soldados inimigos. Podem ser aqueles que salvam mais vidas, como fez Desmond Doss. Ele se tornou um herói por viver e praticar o exemplo de Cristo, “o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com Ele”. O mundo necessita de mais heróis desse tipo!


Sexta-feira – 04 de maio

“Minha ilha de Patmos”

Eu, João, irmão vosso e companheiro na tribulação, no reino e na perseverança, em Jesus, achei-me na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. Apocalipse 1:9

Você já passou por uma experiência frustrante que acabou se tornando uma verdadeira bênção em sua vida? Já viu o sol brilhar através de nuvens muito escuras? Lembre-se de que alguns de nossos melhores sonhos precisam ser frustrados para que Deus possa nos conceder algo muito melhor e mais recompensador. Foi isso que ocorreu com Martinho Lutero após a famosa Dieta de Worms, em 1521.

Em 18 de abril, Lutero dissera às autoridades que sua consciência era “cativa da Palavra de Deus” e que, por isso, não se retrataria. Oito dias depois, ele e seu grupo começaram a viagem de volta para casa. Frederico, o Sábio, eleitor da Saxônia, sabia das ameaças que o intrépido monge enfrentava e formulou um plano para removê-lo do alcance de seus inimigos. Na noite de 3 de maio, enquanto Lutero passava por um bosque, quatro ou cinco cavaleiros armados atacaram a carruagem e o sequestraram. Primeiro, vestiram-no como cavaleiro, depois o levaram para o castelo de Wartburg, próximo a Eisenach, onde ele chegou, em 4 de maio de 1521. Ali, o reformador foi mantido preso em uma cela, como se fosse um terrível criminoso, até o cabelo e a barba crescerem o suficiente para esconder sua identidade. Ele era chamado pelo apelido de “cavaleiro George” [Junker Jörg].

Lutero permaneceu no castelo de Wartburg por dez meses. Ele o denominava “minha ilha de Patmos”, em alusão ao local em que João escreveu o Apocalipse. Isolado do mundo exterior e distanciado de sua vida ocupada em Wittenberg, o reformador teve muito tempo para produzir materiais que não teria condições de escrever em outro lugar. Em apenas 11 semanas, traduziu o Novo Testamento do grego para o alemão. Ali também escreveu diversos livros. Sem acesso à sua biblioteca, seus escritos ficaram impregnados de um forte sabor bíblico.

De fato, o Senhor é capaz de transformar experiências frustrantes em bênçãos verdadeiras. Na remota ilha de Patmos, o apóstolo João escreveu o Apocalipse. Isolado no castelo de Wartburg, Lutero traduziu o Novo Testamento para o alemão. Enquanto vivia na distante Austrália, Ellen White produziu sua obra clássica O Desejado de Todas as Nações. Nunca duvide do poder de Deus e de Sua guia providencial. Ele é capaz de abençoar e usar você em qualquer lugar em que o colocar!


Quinta-feira – 03 de maio

Esculturas religiosas

Farás dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório. Êxodo 25:18

O segundo mandamento do decálogo diz: “Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra” (Êx 20:4). Mas como podemos harmonizar essa declaração com as muitas esculturas existentes em nosso mundo?

Um dos escultores adventistas mais conhecidos foi o britânico Alan Collins (1928-2016). Várias de suas obras estão expostas na catedral Guildford, na Inglaterra, e em alguns campi universitários adventistas nos Estados Unidos. Por exemplo, na tarde de domingo, 3 de maio de 1981, sua escultura em bronze O bom samaritano foi inaugurada na Universidade de Loma Linda. Em 25 de abril de 1998, outra impressionante escultura em bronze, intitulada Legado da liderança – retratando John N. Andrews e seus dois filhos partindo para a Europa em 1874 –, foi desvelada em frente à Igreja Memorial dos Pioneiros, na Universidade Andrews.

No ano 2000, na assembleia da Associação Geral realizada em Toronto, Canadá, o grande trabalho escultural de 12 peças em bronze de Victor Issa, O Rei vem vindo, foi exposto. As esculturas retratam dez pessoas, representando todos oscontinentes, com o rosto radiante, contemplando a segunda vinda de Cristo. Após o fim da assembleia, a obra foi instalada permanentemente no saguão da sede da Associação Geral, em Silver Spring, Maryland.

Algumas pessoas questionam se essas esculturas não consistiriam em uma transgressão do segundo mandamento. Ao buscar uma resposta, porém, devemos nos lembrar de que tal proibição foi escrita em uma das tábuas de pedra colocadas dentro da arca da aliança, que tinha em sua tampa dois querubins de ouro. Logo, o mandamento não proíbe toda manifestação visual, pois esse tipo de arte adornava até mesmo o santuário terreno. “Não farás para ti nenhum ídolo” (Êx 20:4, NVI) parece expressar melhor o sentido dessa proibição.

Deus havia instruído Moisés a fazer “uma serpente de bronze” (Nm 21:9). Entretanto, posteriormente, quando os israelitas começaram a venerá-la, o rei Ezequias a destruiu (2Rs 18:4). Nesse contexto, o problema não é tanto o quenós vemos, mas comovemos. Até mesmo pessoas boas e coisas úteis podem acabar sendo veneradas. Assim, não importa qual seja sua natureza, todos os ídolos devem ser removidos de nossa vida, mas não necessariamente todo tipo de arte visual.


Quarta-feira – 02 de maio

Desafios contraculturais

Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis. 2 Timóteo 3:1

Nossa civilização é caracterizada pela mistura contraditória de progresso tecnológico e declínio moral. Isso deveria nos surpreender? De maneira nenhuma, pois Jesus mencionou que a mesma depravação que antecedeu o dilúvio reapareceria logo antes de Sua segunda vinda (Mt 24:37-39). O comportamento humano no tempo do fim – ou melhor, seu mau comportamento – está muito bem descrito também em 2 Timóteo 3:1 a 7 e em 2 Pedro 2:1 a 22. Esse declínio se tornou mais evidente nas décadas de 1960 e 1970, especialmente com o movimento de 1968.

Em Nanterre, região metropolitana de Paris, conflitos entre estudantes e autoridades da Universidade de Paris levaram a administração do campus a fechá-lo na quinta-feira, 2 de maio de 1968. Como consequência, o ato desencadeou enormes protestos na cidade. Levantes sociopolíticos semelhantes também aconteceram em Praga, Berlim, Chicago e outros lugares do mundo.

Ofendidos pela ironia da cultura contemporânea, sobretudo em virtude da Guerra do Vietnã (1955-1975), muitos jovens norte-americanos de ambos os sexos lançaram o contagiante lema “Faça amor, não faça guerra.” Fugindo de seus círculos familiares, alguns decidiram viver em colônias hippies distantes, encontrando no sexo, nas drogas e no rock and roll o ambiente ideal para expressar suas paixões desenfreadas. Os historiadores se referem a 1968 como o “ano que abalou o mundo” ou como o “ano que não terminou”. De fato, o mundo nunca mais foi o mesmo!

Os ventos contraculturais desse período crucial continuam a soprar atualmente com intensidade cada vez maior. Muitos valores religiosos e morais básicos são jogados ao chão. Todas as formas de autoridade são afrontadas. Por isso, quanto maiores os desafios, mais intensas devem ser nossas convicções. Esse é exatamente o tempo no qual todos os cristãos verdadeiros devem se levantar para ser “sal da terra” e “luz do mundo” (Mt 5:13-16). “Porque eis que as trevas cobrem a terra, e a escuridão, os povos; mas sobre ti aparece resplendente o Senhor, e a Sua glória se vê sobre ti” (Is 60:2). Demonstremos ao mundo o poder transformador da graça excelsa de Deus!


Terça-feira – 01 de maio

Coração dedicado à África

Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. E Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou. 2 Coríntios 5:14, 15

A história do cristianismo é iluminada por missionários corajosos como David Livingstone (1813-1873), que levou a tocha do evangelho aos mais remotos lugares do continente africano. Ele chegou à Cidade do Cabo em 1841 e, logo depois, começou a jornada rumo ao Norte, a fim de espalhar o evangelho por meio de “agentes nativos”. Cerca de três anos depois, foi atacado e ferido por um leão. Mesmo assim, ele não desistiu.

Em 2 de janeiro de 1845, Livingstone se casou com Mary, a filha mais velha do missionário Robert Moffat. A esposa o acompanhou em várias de suas viagens até ela morrer, em 1862. Apesar da triste perda, Livingstone prosseguiu em sua missão.

Depois de servir sua amada África por mais de 30 anos, Livingstone morreu de malária e disenteria em 1o de maio de 1873, no sudeste do lago Bangweulu, hoje na Zâmbia. Seus leais assistentes Chuma e Susi retiraram seu coração e o enterraram debaixo de uma árvore, perto do local onde ele morreu. Depois carregaram seu corpo até Bagamoyo, na Tanzânia. De lá, o corpo do missionário foi transportado para Londres e, enfim, foi sepultado na abadia de Westminster. Entretanto, seu coração permaneceu onde sempre esteve – no continente africano.

Livingstone não teve tanto sucesso em conseguir conversões diretas quanto em explorar o campo missionário, a fim de lançar as sementes do evangelho para que outros posteriormente colhessem os frutos. Ele declarou: “Embora eu veja poucos resultados, futuros missionários se depararão com conversões após cada sermão. Que eles não se esqueçam dos pioneiros que trabalharam em meio à densa escuridão, com poucos raios de luz para alegrá-los, com exceção daqueles que emanam da fé nas preciosas promessas da Palavra de Deus.”

Teria ele se arrependido de todos os anos que serviu na África? Nem um pouco! Corajosamente, explicou: “As pessoas falam do sacrifício que fiz ao passar tanto tempo de minha vida na África. Como é possível chamar de sacrifício o simples pagamento de uma pequena parte da grande dívida ao nosso Deus, que nunca seremos capazes de quitar?” Se Cristo Se sacrificou tanto por nós, por que não poderíamos nos sacrificar nos lugares de maior necessidade?

MAIO 2018 


ABRIL 2018

Segunda-feira – 30 de abril

Apelos culturais

E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Romanos 12:2

Um dos maiores desafios do povo de Deus ao longo dos séculos tem sido permanecer leal a Cristo diante do conflito com os valores sociais contemporâneos. A cultura sempre tentou o povo de Deus, mas a contracultura das décadas de 1960 e 1970 se tornou, por excelência, um período de rebelião contra os valores tradicionais.

Inconformados com a ironia da cultura da época, sobretudo a que justificava a Guerra do Vietnã (1955-1975), muitos jovens norte-americanos aderiram ao lema popular: “Faça amor, não faça guerra.” Fugindo dos círculos familiares, alguns decidiram viver em distantes colônias hippies, encontrando no amor livre, nas drogas e no rock psicodélico o ambiente ideal para dar vazão a seus desejos pecaminosos. O clímax desse movimento contracultural foi o festival de música Woodstock, realizado em Bethel, Nova York, de 15 a 18 de agosto de 1969.

A longa e desastrosa Guerra do Vietnã finalmente chegou ao fim com a queda de Saigon em 30 de abril de 1975, deixando mais de 58 mil norte-americanos mortos. O movimento hippie se dispersaria com o tempo, mas muitos dos ventos contraculturais dos anos 1960 e 1970 continuam a soprar hoje. Nossa sociedade contemporânea é excessivamente estimulada, tanto por sons quanto por imagens, e movida por uma cultura obcecada por sexo. Além disso, a mente pós-moderna questiona muitos dos valores absolutos da Bíblia.

Cercados por tantas tentações culturais, precisamos levar a sério as palavras do Salmo 119:9: “Como pode o jovem manter pura a sua conduta? Vivendo de acordo com a Tua palavra” (NVI). A paráfrase de Romanos 12:2 encontrada na versão A Mensagem acrescenta: “Não se ajustem demais à sua cultura, a ponto de não poderem pensar mais. Em vez disso, concentrem a atenção em Deus. Vocês serão mudados de dentro para fora. Descubram o que Ele quer de vocês e tratem de atendê-Lo. Diferentemente da cultura dominante, que sempre os arrasta para baixo, ao nível da imaturidade, Deus extrai o melhor de vocês e desenvolve em vocês uma verdadeira maturidade.”

Em sua oração sacerdotal, Jesus pediu ao Pai: “Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal” (Jo 17:15).

Que essa seja nossa oração hoje e todos os dias!


Domingo – 29 de abril

As vestes das bodas

Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou, pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos. Apocalipse 19:7, 8

Algumas cerimônias de casamento são tão perfeitas quanto possível: a decoração, os convidados, o cerimonial e, acima de tudo, a noiva e seu vestido. Uma delas foi o glamoroso casamento do príncipe William, duque de Cambridge, e Catherine (Kate) Middleton, no dia 29 de abril de 2011, na abadia de Westminster, em Londres. O vestido de casamento de Kate foi desenhado por Sarah Burton, diretora criativa da grife de alta-costura McQueen. O corpo principal do vestido foi feito de cetim marfim e branco, com 58 botões de gazar e organza nas costas. O corpete era decorado com motivos florais cortados de renda feita à máquina. Nas palavras de Mark Badgley, “é o tipo de vestido que o mundo inteiro vai querer usar”. Não surpreende que logo réplicas do vestido tenham sido produzidas para vender.

A Bíblia usa imagens diferentes de casamentos para descrever o relacionamento entre Cristo e Sua igreja fiel. Na parábola das bodas (ver Mt 22:1-14), a igreja não é retratada como a noiva do filho do Rei, mas como os convidados das bodas. Para essa ocasião especial, todos deveriam usar uma veste de casamento. O convidado que não a trajasse seria lançado nas trevas. Em contraste, na cena apocalíptica das bodas do Cordeiro (ver Ap 19:7-10), a perspectiva muda, e os santos aparecem como a noiva de Cristo, vestida de “linho finíssimo, resplandecente e puro”.

Se “todos os nossos atos de justiça são como trapo imundo” (Is 64:6, NVI), de que modo então as vestes de casamento podem ser definidas como “os atos de justiça dos santos” (Ap 19:8)? De acordo com Ellen White, essa roupa é “uma dádiva do rei. […] A justiça de Cristo e Seu caráter imaculado, é, pela fé, comunicada a todos os que O aceitam como Salvador pessoal” (Parábolas de Jesus, p. 309, 310). Assim como, na parábola do filho pródigo, o pai trocou as vestes do filho (Lc 15:11-32), Cristo quer nos vestir com as vestes sem mácula de Sua justiça e nos preparar para Sua festa de casamento.


Sábado – 28 de abril

Turismo espacial

Quando contemplo os Teus céus, obra dos Teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele Te lembres? E o filho do homem, que o visites? Salmo 8:3, 4

O filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804) afirmou: “Duas coisas me enchem a alma de crescente admiração e respeito, quanto mais intensa e frequentemente o pensamento delas se ocupa: o céu estrelado acima de mim e a lei moral dentro de mim.” A admiração e a curiosidade humanas sempre levaram astrônomos e cientistas espaciais a observar o mais longe possível as maravilhas do Universo de Deus. Até aqui, porém, astronautas profissionais conseguiram chegar à Lua e nada mais.

Em 1961, o cosmonauta soviético Yuri Gagarin se tornou o primeiro ser humano a ir ao espaço sideral. Desde então, o bilionário Dennis Tito sonhava em fazer essa jornada também. Finalmente, em 28 de abril de 2001, ele entrou para a missão Soyuz TM-32 e passou 7 dias, 22 horas e 4 minutos no espaço, orbitando a Terra 128 vezes. Assim, tornou-se o primeiro turista espacial a bancar sua própria viagem. Quanto essa aventura lhe custou? Ele pagou nada menos do que 20 milhões de dólares em sua passagem! E lembre-se: o viajante nem sequer deixou a órbita da Terra.

Na segunda vinda de Cristo, os filhos fiéis de Deus de todas as eras e de todos os lugares do mundo serão levados pelo espaço até o Céu (Jo 14:1-3). Somos informados de que essa viagem espacial durará “sete dias” (Primeiros Escritos, p. 16). Algumas pessoas especulam que uma semana é necessária para que aqueles que nunca guardaram o sábado possam fazê-lo antes de entrar no reino celestial. Na imaginação delas, o sétimo dia seria guardado em outro planeta. Mas isso nunca foi sugerido em nenhum texto da Bíblia nem nos escritos de Ellen White. A única coisa que ela diz é que a ascensão ao Céu durará sete dias. E quanto precisaremos pagar por isso? Nada, pois Deus já custeou tudo!

Enquanto voam pelo espaço, os astronautas permanecem confinados em suas pequenas naves, com apenas alguns colegas como companhia. Em contraste, os santos serão levados ao Céu pelo meio de transporte divino, desfrutando a companhia de todos os outros remidos da Terra, bem como dos santos anjos e do próprio Jesus Cristo. Nenhuma iniciativa ou realização humana pode ser comparada a essa recompensa suprema. Pela graça de Deus, você e eu também estaremos lá!


Sexta-feira – 27 de abril

Mulheres em missão

Uma esposa exemplar; feliz quem a encontrar! É muito mais valiosa que os rubis. Seu marido tem plena confiança nela e nunca lhe falta coisa alguma. Ela só lhe faz o bem, e nunca o mal, todos os dias da sua vida. Provérbios 31:10-12, NVI

Somos muito tocados pelo exemplo de compromisso e sacrifício de missionários corajosos como William Carey, que foi para a Índia em 1793; Robert Moffat, enviado para a África do Sul em 1816; David Livingstone, que partiu para a África em 1841. Mas e a esposa e os filhos deles? Muitas esposas missionárias pagaram um preço muito alto – quem sabe até mais alto que o dos maridos – para servir ao Senhor em campos missionários distantes. Precisando viver em meio a uma cultura pagã e lidando com longos períodos de solidão, algumas dessas mulheres enfrentaram crises emocionais sérias.

Mary Moffat (1821-1862), filha do renomado missionário escocês Robert Moffat, nasceu em Griquatown (ou Griekwastad), África do Sul, enquanto seus pais serviam lá como missionários. No dia 2 de janeiro de 1845, Mary se casou com outro missionário, chamado David Livingstone. Sua vida posterior se dividiu entre se unir ao esposo em viagens missionárias pelo continente africano e cuidar da educação dos filhos por alguns anos, na Grã-Bretanha. Enquanto estava com o esposo no campo missionário em Shupanga, Zambezi, Mary adoeceu e faleceu em 27 de abril de 1862. Na lápide de seu túmulo ficaram registradas as seguintes palavras: “Aqui repousam os restos mortais de Mary Moffat, a amada esposa do doutor Livingstone, na humilde esperança da alegre ressurreição em nosso salvador Jesus Cristo.” Mary sacrificou a vida pelo campo missionário africano tanto quanto o marido!

Deus conhece bem o nome das inúmeras mulheres e mães que trabalham nos bastidores. Ellen White afirma: “O trabalho da mãe muitas vezes se afigura, aos seus próprios olhos, sem importância. Raras vezes é apreciado. Pouco sabem os outros de seus muitos cuidados e encargos. Seus dias são ocupados com uma série de pequeninos deveres, exigindo todos paciente esforço, domínio de si mesma, tato, sabedoria e abnegado amor; todavia, ela não pode se vangloriar do que fez como de algum importante feito. […] Sente que nada fez. […] Seu nome pode não ser ouvido no mundo, acha-se, porém, escrito no livro da vida do Cordeiro” (A Ciência do Bom Viver, p. 376, 377).

Valorizemos todas as mulheres que trabalharam e ainda trabalham junto a seus maridos missionários!


Quinta-feira – 26 de abril

Imortalidade ou ressurreição

Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a Sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo. João 5:28, 29

Muitas pessoas se perguntam: Se a alma humana é naturalmente imortal, então por que o Novo Testamento ensina a ressurreição final dos mortos? Uma das respostas mais substanciosas para essa pergunta foi dada pelo preeminente teólogo protestante europeu e especialista em Novo Testamento Oscar Cullmann (1902-1999) em uma conferência sobre a imortalidade da alma, na Universidade Harvard, no dia 26 de abril de 1955. A palestra, com o título “Imortalidade da alma e a Ressurreição dos Mortos: O testemunho do Novo Testamento”, foi publicada pela primeira vez no Harvard Divinity School Bulletin (Boletim da Faculdade de Divindade da Harvard), vol. 21 (1955-1956), e posteriormente em forma de livreto.

Cullmann identificou uma tensão irreconciliável entre a ideia grega de imortalidade da alma e a crença cristã na ressurreição. Para ele, é impossível encontrar harmonia entre a noção filosófica grega da imortalidade natural da alma e a doutrina neotestamentária da ressurreição final dos mortos. É interessante que, por volta de 150 d.C., Justino de Roma (100-165) já advertira a igreja a esse respeito: aqueles que “dizem que não há ressurreição dos mortos, mas que no momento de morrer suas almas são recebidas no Céu, não os considereis como cristãos” (Diálogo com Trifon,cap. 80).

Em 1 Coríntios 15:16 a 18, o apóstolo Paulo argumenta: “Se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou” e, consequentemente, “os que dormiram em Cristo pereceram”. Se, por ocasião da morte, a alma dos justos é levada para o Céu (conforme muitos creem), então não existe nenhuma razão convincente nem mesmo para a ressurreição do próprio Cristo. Nesse caso, Paulo não poderia falar que aqueles que morreram em Cristo pereceram, pois eles já estariam no Céu com Jesus.

A boa notícia do Novo Testamento é que a morte, por mais cruel e triste que seja, foi totalmente vencida por Cristo por meio de Sua ressurreição. “Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará, em Sua companhia, os que dormem” (1Ts 4:14).

Um dos maiores consolos neste mundo é saber que todos os nossos amados que morreram em Cristo um dia ressuscitarão dos mortos para receber a vida eterna!


Quarta-feira – 25 de abril

Crenças fundamentais

Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós. 1 Pedro 3:15

Os primeiros adventistas do sétimo dia nunca tiveram a intenção de elaborar uma declaração formal de crenças fundamentais. Ao longo dos anos, porém, mais e mais pessoas perguntavam sobre as crenças da igreja, e declarações falsas estavam distorcendo a integridade da mensagem adventista. Por isso, em 1872, Uriah Smith escreveu uma Declaração dos Princípios Fundamentais Ensinados e Praticados pelos Adventistas do Sétimo Dia, com 25 declarações. Em 1889, esses princípios sofreram ligeira revisão e foram expandidos para 28 proposições. Uma nova declaração com 22 “crenças fundamentais” foi publicada no Year Book of the Seventh-day Adventist Denomination (Anuário da Denominação Adventista do Sétimo Dia) de 1931. E, no dia 25 de abril de 1980, a assembleia da Associação Geral em Dallas, Texas, votou a primeira declaração oficial de 27 crenças fundamentais.

A natureza do novo documento foi explicada em seu parágrafo introdutório: “Os adventistas do sétimo dia aceitam a Bíblia como seu único credo e consideram que algumas crenças fundamentais consistem no ensino das Sagradas Escrituras. Essas crenças, conforme definidas aqui, constituem a compreensão da igreja e a expressão dos ensinos das Escrituras. Espera-se que aconteçam revisões dessas declarações em assembleias da Associação Geral, quando a igreja for conduzida, pelo Espírito Santo, a um entendimento mais completo da verdade bíblica ou encontrar uma linguagem mais apropriada para expressar os ensinamentos da santa Palavra de Deus.”

Algo crucial nessa declaração é a distinção entre a Bíblia como o único credo inalterável e as crenças fundamentais, passíveis de revisão. Assim, em resposta à preocupação animista com poderes malignos, a assembleia da Associação Geral de 2005, realizada em Saint Louis, Missouri, acrescentou uma nova declaração (no 11) sobre o “Crescimento em Cristo”. Dez anos mais tarde, a assembleia da Associação Geral de 2015 em San Antonio, Texas, revisou a linguagem de várias das 28 crenças fundamentais, a fim de torná-las mais claras e compreensíveis.

Embora não tenham a intenção de substituir a Bíblia como nosso único credo, as 28 Crenças Fundamentais publicadas no Manual da Igreja Adventista do Sétimo Dia nos ajudam a explicar e a razão de nossa esperança (1Pe 3:15). Você deve conhecê-las bem e estar pronto para partilhá-las com os outros.


Terça-feira – 24 de abril

Explorando o Universo

Levantai ao alto os olhos e vede. Quem criou estas coisas? Aquele que faz sair o Seu exército de estrelas, todas bem contadas, as quais Ele chama pelo nome; por ser Ele grande em força e forte em poder, nem uma só vem a faltar. Isaías 40:26

Desde os tempos antigos, as pessoas têm observado e adorado o Sol, a Lua e as estrelas (Dt 4:19; 17:2, 3; Is 47:13, 14, etc.). Os estudos científicos do espaço sideral (astronomia) foram aperfeiçoados pelo desenvolvimento do telescópio e pela descoberta das leis físicas que controlam os corpos celestes em suas respectivas órbitas. Essas conquistas em andamento permitem que vejamos hoje aquilo que nenhuma geração jamais contemplou antes.

Após um longo processo de construção e testes, no dia 24 de abril de 1990, o telescópio espacial Hubble foi lançado na órbita baixa da Terra em um projeto da NASA em conjunto com a Agência Espacial Europeia. Ao gravitar para fora da atmosfera terrestre, esse observatório sediado no espaço tem proporcionado imagens extraordinárias do universo profundo. Algumas fotos são de galáxias localizadas a 13,2 bilhões de anos-luz de distância. Enquanto houver tempo, a ciência especial continuará a produzir imagens cada vez mais profundas do Universo. Ao longo da eternidade, porém, os filhos redimidos de Deus explorarão o Universo pessoalmente, sem qualquer necessidade de telescópio.

“Todos os tesouros do Universo estarão abertos ao estudo dos remidos de Deus. Livres da mortalidade, alçarão voo incansável para os mundos distantes – mundos que fremiram de tristeza ante o espetáculo da desgraça humana, e ressoaram com cânticos de alegria ao ouvir as novas de uma alma resgatada. Com indizível deleite os filhos da Terra entram de posse da alegria e sabedoria dos seres não caídos. Participam dos tesouros do saber e entendimento adquiridos durante séculos e séculos, na contemplação da obra de Deus. Com visão desanuviada, olham para a glória da criação, achando-se sóis, estrelas e sistemas planetários, todos na sua indicada ordem, a circular em redor do trono da Divindade. Em todas as coisas, desde a mínima até à maior, está escrito o nome do Criador, e em todas se manifestam as riquezas de Seu poder” (O Grande Conflito, p. 677, 678).

Nosso cérebro limitado não consegue nem apreender o significado completo das palavras Universo e eternidade. Como é extraordinário saber que o próprio Deus veio a este planeta pecador para nos salvar por Sua graça, concedendo-nos toda a eternidade para explorarmos as obras celestes de Suas mãos. Não é incrível?


Segunda-feira – 23 de abril

O homem na Arena

Porque sete vezes cairá o justo e se levantará. Provérbios 24:16

As pessoas que fazem história normalmente combinam tanto talento quanto perseverança. O célebre inventor norte-americano Thomas Edison, que acumulou 2.332 patentes de suas invenções no mundo inteiro, declarou, em certa ocasião, que: “Um gênio é 1% de inspiração e 99% de transpiração.” Ao ser questionado sobre os próprios erros, respondeu: “Não falhei dez mil vezes. Tive sucesso em descobrir dez mil jeitos que não funcionam.”

O valor de lutar com perseverança foi destacado por Theodore Roosevelt em seu discurso “A cidadania em uma República”, proferido em Sorbonne, Paris, no dia 23 de abril de 1910. O trecho mais citado do discurso é conhecido como “O homem na arena”, que diz o seguinte:

“Não é o crítico que importa nem aquele que mostra como o homem forte tropeça, ou onde o realizador das proezas poderia ter feito melhor. O crédito pertence ao homem que se encontra na arena, com o rosto manchado de poeira, suor e sangue; que luta com valentia; que erra e tenta de novo e de novo; […] que conhece os grandes entusiasmos e as grandes devoções; que se sacrifica por uma causa nobre; que ao menos conhece, no final, o triunfo de uma grande realização; e que, na pior das hipóteses, se fracassar, pelo menos fracassou ousando grandes coisas; e por isso o seu lugar não pode ser junto àquelas almas tímidas e frias que não conhecem nem vitórias nem derrotas.”

Você e eu também nos encontramos na arena do grande conflito entre o bem e o mal, com sua luta incessante “contra as forças espirituais do mal” (Ef 6:12). Não importa o quanto você seja talentoso ou perseverante; nesta batalha, nossos esforços certamente falharão se não forem fortalecidos e guiados pelo forte poder de Deus. Ellen White afirma que “o segredo do êxito está na união do poder divino com o esforço humano. Aqueles que levam a efeito os maiores resultados são os que mais implicitamente confiam no Braço todo-poderoso” (Patriarcas e Profetas, p. 509).

Deus está nos dando um novo dia. Por favor, não o enfrente com forças humanas. Você necessita de força e orientação divinas em tudo o que fizer e disser. Com Deus como companheiro, você pode ser mais do que vitorioso hoje.

Que o Senhor esteja próximo a você em todos os momentos!


O Cuidado com a Terra – 22 de Abril 2018

Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Gênesis 1:31

A Terra é nosso lar atual, e devemos cuidar dela. No entanto, muitos de seus recursos naturais estão sendo destruídos de maneira irresponsável por vazamentos de óleo, indústrias poluentes, esgoto a céu aberto, lixões tóxicos, pesticidas, devastação de florestas e extinção de animais selvagens.

No início de 1969, um imenso vazamento de óleo próximo à costa de Santa Bárbara, Califórnia, matou mais de 10 mil aves marinhas, golfinhos, focas e leões-marinhos. Em reação a esse desastre, os ativistas pressionaram para que fossem criadas leis ambientais, estimulada a educação ambiental e até mesmo estabelecido um Dia da Terra. Em 22 de abril de 1970, o primeiro Dia da Terra foi celebrado nos Estados Unidos. Cerca de 20 milhões de pessoas foram às ruas a fim de promover uma reforma ambiental. O movimento cresceu de maneira expressiva. Em 1990, cerca de 200 milhões de pessoas de 141 países aperfeiçoaram seus esforços de reciclagem, ajudando a abrir caminho para a Eco-92, no Rio de Janeiro.

No documento “Mordomia do meio ambiente” (1996), a Igreja Adventista do Sétimo Dia condenou oficialmente a destruição irresponsável dos recursos naturais e sugeriu mudanças significativas no estilo de vida. O documento declarou: “O adventismo do sétimo dia defende um estilo de vida simples, natural, no qual as pessoas não entram na corrida incessante por um excesso de consumo sem limites, acúmulo de bens e produção de lixo. É necessária uma reforma do estilo de vida, baseada no respeito pela natureza, na restrição do uso dos recursos mundiais, na reavaliação das necessidades pessoais e na reafirmação da dignidade da vida criada.”

Os adventistas creem que a Terra é resultado da criação de Deus, não de um acidente (Gn 1–2). Em sua forma original, o planeta “era muito bom” (Gn 1:31), e Deus ordenou a Adão que o cultivasse e guardasse (Gn 2:15). Cada nova geração humana – inclusive a nossa – deve cuidar da criação divina e preservá-la da melhor maneira possível. Devemos nos lembrar de que a natureza revela o caráter de seu Criador e, ao destruí-la, acabamos ofuscando essa revelação. O fato de que o Senhor criará, por fim, “novo céu e nova terra” (Ap 21:1) nunca deve ser usado como pretexto para a negligência. Ajudemos a transformar nosso mundo em um lugar melhor para se viver e em uma antecipação do mundo glorioso por vir!


Identidade em Risco – 21 de Abril 2018

Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Apocalipse 2:4

Estudos sociológicos da religião têm demonstrado que, de modo geral, os movimentos religiosos surgem com o propósito de reformar a cultura na qual existem. No entanto, dois ou três séculos depois que os pioneiros e aqueles que os conheciam já se foram, esses movimentos tendem a perder a identidade e a ser reabsorvidos exatamente pela mesma cultura que originalmente tentaram reformar. Esse processo pode ser identificado com facilidade no cristianismo pós-apostólico e no protestantismo pós-Reforma.

Na metade do século 19, o metodismo norte-americano era uma das denominações cristãs mais vibrantes e dinâmicas existentes. Com o passar do tempo, porém, começou a perder seu fervor original. Em 21 de abril de 1972, a Associação Geral da Igreja Metodista Unida aceitou oficialmente o pluralismo doutrinário. O grande princípio protestante de sola Scriptura (a exclusividade das Escrituras) foi substituído por quatro fontes semelhantes de autoridade doutrinária. Para os líderes metodistas, “a fé cristã é revelada nas Escrituras, iluminada pela tradição, vivida na experiência pessoal e confirmada pela razão”. Assim a denominação se abriu para uma série de ensinos e valores culturais conflitantes. O reflexivo livro de Jerry L. Walls, cujo título pode ser traduzido como O Problema do Pluralismo: Como recuperar a identidade metodista unida, destaca como o pluralismo minou gravemente a identidade metodista.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia vive hoje no segundo século de sua existência e vem sendo fortemente tentada pela cultura contemporânea. Mais do que nunca antes, devemos levar a sério o conselho de Paulo em Romanos 12:2, que diz o seguinte, segundo a versão A Mensagem: “Não se ajustem demais à sua cultura, a ponto de não poderem pensar mais. Em vez disso, concentrem a atenção em Deus. Vocês serão mudados de dentro para fora. Descubram o que Ele quer de vocês e tratem de atendê-Lo. Diferentemente da cultura dominante, que sempre os arrasta para baixo, ao nível da imaturidade, Deus extrai o melhor de vocês e desenvolve em vocês uma verdadeira maturidade.”

Vivemos em um mundo real e devemos nos portar como as pessoas de hoje, mas somente até o ponto em que a cultura não corroa os princípios e valores universais da Palavra de Deus.


Sexta-feira
20 de abril

O Céu é nosso lar

Então, ordenou o rei aos serventes: Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes. Mateus 22:13

Em setembro de 2014, visitei alguns lugares históricos do norte da Áustria. Na cidade de Braumau, minha atenção se voltou para uma antiga casa de esquina com uma pedra em frente. Inscritas na pedra estavam as seguintes palavras, em alemão: “Pela paz, liberdade e democracia. Fascismo nunca mais, advertem milhões de mortos.” O mais surpreendente é que foi exatamente naquela casa, cerca de 125 anos antes, no dia 20 de abril de 1889, que nasceu um bebê chamado Adolf Hitler. Quando sua mãe, Klara Hitler, o tomou nos braços pela primeira vez, jamais imaginou o impacto que seu garotinho causaria sobre o mundo nem como ele seria lembrado na história.

Enquanto estava ali, no local onde Hitler nasceu, pensei em todas as atrocidades da Segunda Guerra Mundial, as quais já haviam me tocado profundamente durante uma visita, em 2004, aos campos de concentração Auschwitz-Birkenau. Imaginei, em seguida, a cena final quando se encerrar o milênio que Apocalipse 20 descreve, na qual os ímpios de todas as eras ressuscitarão. Eles marcharão “pela superfície da terra” e cercarão “o acampamento dos santos e a cidade querida” (v. 9). Será a primeira e única vez na história do mundo em que todos os ímpios e poderes demoníacos se ajuntarão em uma união profana.

Por mais assustador que pareça, não podemos fugir da realidade de que não estar salvo significa não só perder a felicidade do Céu mas também fazer parte desse exército mau e demoníaco, muito mais miserável que as infames multidões nazistas da Segunda Guerra Mundial. Não é de se espantar que Jesus tenha advertido acerca dessa ocasião: “Haverá choro e ranger de dentes” (Mt 22:13). Não deveríamos, de maneira nenhuma, brincar com nossa salvação! Nada no mundo, nem posses, nem conquistas, pode se comparar com a bênção do Céu!

Ellen White apela: “Vi que todo o Céu está interessado em nossa salvação; e seremos nós indiferentes? Seremos descuidosos, como se fosse coisa de pouca importância o sermos salvos ou perdidos? Menosprezaremos o sacrifício feito por nós?” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 1, p. 124).

Você e eu precisamos chegar ao Céu! Lá é nosso lar.


Quinta-feira
19 de abril
 

Inteligências humanas

Deu também Deus a Salomão sabedoria, grandíssimo entendimento e larga inteligência como a areia que está na praia do mar. 1 Reis 4:29

Mesmo com todas as pesquisas científicas já realizadas e todo conhecimento disponível na atualidade, os neurocientistas ainda confessam que é praticamente impossível recriar a inteligência humana e entender como o cérebro funciona. Ainda assim, diversos testes psicológicos foram desenvolvidos para avaliar a inteligência humana.

No início do século 20, Alfred Binet e Théodore Simon propuseram uma “escala de notas da inteligência”, feita para testar a inteligência de crianças. No dia 19 de abril de 1912, no V Congresso de Psicologia Experimental em Berlim, Alemanha, William L. Stern apresentou um artigo sobre métodos psicológicos para testar a inteligência. Em seu estudo, usou a expressão “QI = quociente de inteligência” e sugeriu uma fórmula para calculá-lo. No entanto, até mesmo testes mais recentes esbarram em limitações. Alguns críticos dizem que QI significa “questionável e incompleto”!

Indo além da noção de inteligência apenas como o mero pensamento racional, o livro de Howard E. Gardner, Estruturas da Mente: A teoria das inteligências múltiplas (1983) identificou sete categorias de inteligências múltiplas (IM). Desde 1999, porém, Gardner aumentou esse número para as oito seguintes: linguística, lógico-matemática, espacial, corporal/cinestésica, interpessoal, intrapessoal e naturalista. Mas, em 2003, o próprio Gardner confessou: “À medida que tento entender os acontecimentos em áreas que variam da genética ao ciberespaço, eu gostaria de ter muito mais inteligências!”

Muito se fala também sobre a Inteligência Artificial (IA) vista em máquinas. Até mesmo essa inteligência, contudo, deriva de mentes humanas que as conceberam e desenvolveram. Se conseguíssemos entender as sinapses neurológicas de nosso cérebro, quando terminássemos de compreendê-las o cérebro já teria desenvolvido novas configurações. E esse processo não tem fim.

Muitos psicólogos modernos acreditam que as complexas e ilimitadas inteligências humanas derivaram meramente de um processo natural de evolução. Nós, cristãos, porém, sabemos que todas elas provêm de Deus, a Fonte de “toda boa dádiva e todo dom perfeito” (Tg 1:17, NVI), e devem ser usadas para Sua honra e glória (Jr 9:23, 24).

Você está usando suas inteligências e talentos dessa maneira?


Quarta-feira
18 de abril
 

“Aqui estou”

Quando vos levarem às sinagogas e perante os governadores e as autoridades, não vos preocupeis quanto ao modo por que respondereis, nem quanto às coisas que tiverdes de falar. Porque o Espírito Santo vos ensinará, naquela mesma hora, as coisas que deveis dizer. Lucas 12:11, 12

Um dos momentos mais dramáticos da Reforma Protestante ocorreu em 1521, na cidade de Worms, Alemanha. As exposições das Escrituras feitas por Martinho Lutero estavam minando a autoridade e os ensinos da Igreja Católica Romana. No dia 3 de janeiro, o papa Leão X excomungou Lutero e, três meses depois, o reformador foi chamado para uma audiência na Dieta de Worms, perante o soberano Carlos V, do Sacro Império Romano-germânico. Lutero chegou à cidade em 16 de abril e, no dia seguinte, compareceu ao concílio. Mostraram-lhe uma pilha de livros e então lhe perguntaram: (1) se reconhecia que eram de sua autoria e (2) se estava disposto a rejeitar seu conteúdo. Depois de concordar que ele próprio escrevera os livros, pediu mais tempo para refletir na segunda pergunta.

No fim da tarde de 18 de abril de 1521, Lutero apareceu novamente diante da dieta e foi confrontado mais uma vez com a segunda pergunta. Depois de explicar que seus livros abordavam diferentes assuntos, fizeram-lhe os seguintes comentários inquisidores: “Martinho, como você pode presumir que é o único a compreender o sentido das Escrituras? Colocaria seu julgamento acima do de tantos homens célebres e alegaria saber mais do que todos eles?”

Após lhe pedirem uma resposta direta, Lutero respondeu: “Já que Vossa Majestade e os senhores desejam uma resposta simples, falarei sem fazer nenhum rodeio. A menos que seja convencido pelas Escrituras e pela razão pura, não aceitarei a autoridade de papas e concílios, pois eles se contradizem. Minha consciência é cativa da Palavra de Deus. Não posso, nem irei me retratar de nada, pois agir de forma contrária à consciência não é certo, nem seguro. Que Deus me ajude. Amém!” (Roland H. Bainton, Here I Stand: A Life of Martin Luther [Aqui Estou: A vida de Martinho Lutero], p. 181-185.)

Nosso mundo pós-moderno deu origem a uma sociedade sem raízes e sem compromisso. São poucas as pessoas hoje dispostas a defender a autoridade das Escrituras, levando em conta as consequências de um posicionamento como esse! Nestes últimos dias, porém, o mundo e a igreja necessitam de mais indivíduos com essa convicção. Você está disposto a ser um deles?


Terça-feira
17 de abril
 

Reavivados por Sua Palavra

Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus. Atos 4:31

Recebemos a seguinte orientação: “Um reavivamento da verdadeira piedade entre nós, eis a maior e a mais urgente de todas as nossas necessidades” (Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 121). Reconhecendo isso, o Concílio Anual da Associação Geral de 2011 votou o projeto “Reavivados por Sua Palavra”, que foi lançado em 17 de abril de 2012 e terminou na Assembleia da Associação Geral de San Antonio, em julho de 2015. Cada membro da igreja foi incentivado a ler um capítulo específico da Bíblia todos os dias. Naquela sessão, o plano foi restabelecido com o título “Crede em seus profetas”, um programa de leitura de cinco anos das Escrituras e de trechos selecionados dos escritos de Ellen White.

Todos os reavivamentos verdadeiros na história do cristianismo começaram quando as pessoas iniciaram um movimento de súplica a Deus em oração fervorosa e passaram tempo em estudo dedicado de Sua Palavra. Por um lado, recebemos a instrução de que “nunca deve a Bíblia ser estudada sem oração” (Caminho a Cristo, p. 91). Em contrapartida, devemos reconhecer que “a leitura da Palavra de Deus prepara o espírito para a oração” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 1, p. 504). Assim, “espero que você seja [um] verdadeir[o] e sincer[o] cristã[o] dia a dia, buscando a Deus em oração. Não se ocupe tanto a ponto de não ter tempo para ler a Bíblia e buscar a graça de Deus com humilde oração” (Filhas de Deus, p. 160).

Precisamos reconhecer que reavivamento e reforma andam juntos. O reavivamento gera o ímpeto espiritual para a reforma; e a reforma é o resultado de qualquer reavivamento verdadeiro. Isso significa que um reavivamento sem reforma não passa de uma ilusão espiritual vazia; e a reforma sem reavivamento nada mais é do que formalismo ético. Se, no passado, muitos pregadores enfatizavam a reforma sem reavivamento, hoje a tendência é pregar o reavivamento sem reforma, porque as pessoas querem aceitar a Cristo como Salvador, mas não necessariamente como Senhor.

Outro aspecto básico do reavivamento verdadeiro é que ele gera um sentimento profundo de humildade e indignidade pessoal. Sempre que as pessoas ficam orgulhosas de si mesmas e passam a julgar os outros, podemos ter a certeza de que não é o Espírito Santo que as está dirigindo. Os planos mencionados acima têm a intenção de nos incentivar a buscar o Senhor. Mas não espere pelos outros. Busque o Senhor agora mesmo em sua vida!


Segunda-feira
16 de abril
 

Vozes de louvor

As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na Tua presença, Senhor, rocha minha e redentor meu! Salmo 19:14

Fomos chamados por Deus para proclamar o evangelho eterno em um mundo repleto de vozes eloquentes e convincentes. A fim de cumprir nossa missão com eficácia, devemos prestar atenção não só àquilo que dizemos (conteúdo), mas também a como dizemos (método). De acordo com Ellen White, “podemos ter conhecimentos, mas a menos que saibamos servir-nos corretamente da voz, nossa obra será um fracasso. Se não soubermos revestir nossas ideias com a linguagem apropriada, de que nos aproveitará a educação? O saber de pouco proveito nos será, a menos que cultivemos o talento da palavra” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 6, p. 380).

Em 1999, a Academia Brasileira de Laringologia e Voz escolheu 16 de abril como o dia anual de celebração do fenômeno da voz. Três anos depois (2002), o laringologista e professor português Mario Andrea, presidente da Sociedade Europeia de Laringologia, sugeriu que 16 de abril deveria receber muito mais atenção e se tornar o Dia Mundial da Voz. Seu objetivo era demonstrar a enorme importância da voz na vida de todas as pessoas; incentivá-las a avaliar sua saúde vocal; e convencê-las a aperfeiçoar ou manter bons hábitos vocais.

Um exemplo clássico de como os esforços pessoais podem nos ajudar a superar problemas de fala é a história de Demóstenes (384-322 a.C.), o maior de todos os oradores da Grécia antiga. Plutarco, historiador e biógrafo grego, conta que Demóstenes tinha um grave defeito de fala. Para superar o problema, ele montou um escritório no porão de sua casa, no qual exercitava a voz. Demóstenes se utilizou de estratégias interessantes. Para que não pudesse sair em público, ele raspava os cabelos de metade da cabeça. Além disso, falava com pedras na boca e recitava versos enquanto corria ou estava sem fôlego, a fim de superar sua dificuldade. Ele também falava diante de um grande espelho.

Existem aspectos da sua voz e habilidade de fala que você gostaria de melhorar? Deus é capaz de nos usar, apesar de nossas limitações e fraquezas. Ao combinar as técnicas corretas com esforços perseverantes, podemos superar muitas de nossas deficiências na fala. Você e eu devemos consagrar nossa voz a Deus, usando-a sempre para glorificar ao Senhor e edificar a humanidade, evitando fazer qualquer tipo de exaltação pessoal.


Domingo
15 de abril
 

Excesso de confiança

Alguns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós confiamos no nome do Senhor, o nosso Deus. Salmo 20:7, NVI

primeira metade do século 20 foi marcada por competição intensa entre empresas rivais de transporte marítimo. Em 1908, a White Star Line solicitou ao grupo Harland and Wolff, de Belfast, Irlanda, que construísse o maior e mais luxuoso navio a vapor. No dia 10 de abril de 1912, o novo cruzeiro RMS Titanic (a palavra significa “enorme em tamanho e força”) partiu de Southampton, Inglaterra, em sua viagem inaugural a Nova York. Quatro dias depois, porém, enquanto atravessava o Atlântico, às 23h40, o navio colidiu com um iceberg, que abriu grandes buracos no estibordo do navio. No início da manhã de 15 de abril de 1912, o Titanic se partiu ao meio e afundou menos de três horas após o acidente.

Várias mensagens telegráficas de outros navios haviam advertido o Titanic quanto aos icebergs no caminho, mas o capitão Edward J. Smith deixou o navio a pleno vapor e se retirou para seu quarto a fim de dormir por volta das 21h20. Os projetistas do Titanic consideravam que ele jamais afundaria, por essa razão só havia 20 botes salva-vidas no navio, e estes eram destinados ao resgate de sobreviventes de outros navios em naufrágio. A despeito das discrepâncias quanto ao número exato de pessoas a bordo, 710 foram resgatadas e mais de 1.500 pereceram no desastre. Aqueles que assistiram ao filme Titanic, de James Cameron, lançado em 1997, têm uma ideia geral de como foi essa tragédia histórica.

É possível aprender lições importantes com esse desastre tão colossal. O fato de o navio que “jamais afundaria” ter naufragado deve nos advertir contra o excesso de confiança nas conquistas humanas, inclusive as nossas. Davi tinha plena consciência dessa tendência quando declarou: “Alguns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós confiamos no nome do Senhor, o nosso Deus” (Sl 20:7, NVI). Mais cedo ou mais tarde, nossas melhores iniciativas perecem. Somente a obra que realizamos como colaboradores de Deus durará para sempre.

A reação autossuficiente do capitão Smith às advertências de outros navios teve consequências desastrosas. Isso demonstra o que pode acontecer quando escolhemos simplesmente não dar ouvidos a conselhos e instruções confiáveis. Também ilustra que pequenas decisões podem ter consequências imensas. É só refletir nos efeitos tão duradouros da decisão de Eva de comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.

Senhor, ajuda-nos hoje e a cada dia a tomar as decisões corretas de acordo com a Tua vontade!


Sábado
14 de abril
 

O mistério da vida

Graças Te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as Tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem. Salmo 139:14

Você já refletiu sobre a complexidade do corpo humano com seus muitos órgãos e sistemas interativos? Temos músculos controláveis (músculos voluntários) e incontroláveis (músculos involuntários); um sistema imunológico surpreendente e uma capacidade extraordinária de cura; e um cérebro extremamente misterioso, que desafia todas as pesquisas científicas. Como pensamentos e emoções são gerados? O que torna cada ser humano único e diferente dos outros?

Ao longo dos séculos, muitos cientistas têm tentado entender o corpo humano e suas funções variadas. Por exemplo, pesquisas sobre o DNA descobriram aspectos básicos das instruções genéticas ligadas ao desenvolvimento, crescimento e funcionamento dos organismos vivos. O tão conhecido Projeto Genoma consistiu no esforço para sequenciar o genoma humano completo. No dia 14 de abril de 2003, os pesquisadores anunciaram que o processo tinha sido concluído. No entanto, de acordo com os líderes do Projeto Cérebro Humano, a “compreensão do cérebro humano é um dos maiores desafios da ciência do século 21”.

Em 2 de abril de 2014, o periódico britânico Independent explicou: “Cada um de nós tem quase cem bilhões de células nervosas – neurônios – no cérebro (mais do que o total de estrelas da Via Láctea). Cada uma delas pode se conectar diretamente com possivelmente dez mil outras, totalizando por volta de cem trilhões de conexões neuronais. Se cada neurônio de um cérebro humano fosse colocado ao lado de outro, unindo extremidade a extremidade, seria possível dar a volta na Terra duas vezes com eles. Decifrar o enigma biológico do mais complexo de todos os órgãos faz o sequenciamento do genoma, por exemplo, parecer brincadeira de criança.”

Não é de se espantar que o salmista Davi tenha dito que fomos formados de modo admirável e assombrosamente maravilhoso (Sl 139:14). Por mais valiosos que sejamos por natureza, muito mais valor nos foi acrescentado quando Deus nos comprou com o “precioso sangue de Cristo” (1Pe 1:18, 19, NVI) para sermos “santuário do Espírito Santo” (1Co 6:19). Considerando que Deus investiu tanto em cada um de nós, como poderíamos não nos valorizar e deixar de cuidar adequadamente da própria saúde? “Vocês foram comprados por alto preço. Portanto, glorifiquem a Deus com o seu próprio corpo” (1Co 6:20, NVI).


Sexta-feira
13 de abril
 

Adoração celestial

O sétimo anjo tocou a sua trombeta, e houve fortes vozes nos céus que diziam: “O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do Seu Cristo, e Ele reinará para todo o sempre.” Apocalipse 11:15, NVI

Uma das composições musicais mais magníficas de todos os tempos é a obra “Messias”, de George F. Handel, mais conhecida pelo coro de “Aleluias”. Usando a letra cristocêntrica e baseada na Bíblia de Charles Jennens, Handel compôs sua obra-prima quando tinha apenas 24 anos. Ao fim da partitura, escreveu “SDG,” abreviação de Soli Deo Gloria, que quer dizer “só a Deus a glória”. A composição foi apresentada pela primeira vez em Dublin, Irlanda, no dia 13 de abril de 1742, para um público muito receptivo de 700 pessoas.

De acordo com uma tradição bastante disseminada, a prática de se colocar em pé durante o coro de “Aleluias” começou em março de 1743 na apresentação de estreia em Londres. Conta-se que o rei George II ficou tão emocionado que se pôs de pé e então todos no auditório fizeram o mesmo. Alguns críticos questionam a história por falta de evidências históricas da época. Independentemente de sua origem, essa prática atravessou séculos e continua a ser seguida como símbolo de reverência ao Cristo exaltado.

As “Aleluias” destacam algumas expressões sublimes de louvor celestial mencionadas no Apocalipse de João. Por exemplo: “O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do Seu Cristo, e Ele reinará para todo o sempre” (Ap 11:15, NVI). “Aleluia! Pois reina o Senhor, nosso Deus, o Todo-Poderoso” (19:6). Com base nas visões de João do reino celestial, o coro da composição louva o Cristo entronizado como “Rei dos Reis e Senhor dos Senhores” (Ap 19:16). A obra-prima de Handel pode ser considerada uma prévia da música do Céu!

Todo o plano da salvação foi concebido e colocado em prática para vivermos na presença do próprio Deus, a fim de permitir ao salvo “desfrutar a luz e a glória do Céu, ouvir os anjos cantarem, e com eles cantarmos também” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 1, p. 124). Muito mais importante, porém, do que simplesmente saber sobre os louvores do Céu, devemos nos preparar para louvar a Deus no Céu! Afinal, “se perdermos o Céu, perderemos tudo” (Filhos e Filhas de Deus, p. 365).

Se perdermos o Céu, perderemos o propósito de nossa existência. Pela graça de Deus, você e eu precisamos estar lá!


Quinta-feira
12 de abril
 

Do Éden ao Éden

Nós, porém, segundo a Sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça. 2 Pedro 3:13

As imagens produzem memórias duradouras que o tempo não é capaz de apagar. Há um provérbio chinês que diz: “Ouvir algo cem vezes não é melhor do que vê-lo apenas uma.” Um ditado popular inglês acrescenta: “Uma imagem equivale a mil palavras.” Com base nesse princípio, ao longo dos anos, muitos artistas adventistas têm retratado diversos acontecimentos fundamentais do plano da salvação.

Uma das coleções mais interessantes e inspiradoras de tais representações artísticas é a galeria de arte “Do Éden ao Éden”, localizada no saguão principal da sede da Associação Geral. Dedicada em 12 de abril de 2015, a mostra conta com mais de 70 quadros de vários artistas. O saguão inferior traz diversas obras ligadas ao período do Antigo Testamento. O saguão superior e seus corredores abrangem a era do Novo Testamento. E o átrio termina com imagens dos remidos nas cortes celestiais. Entretanto, a exibição inteira chega ao clímax com o quadro original de Nathan Greene, “A bendita esperança”, uma pintura impressionante da segunda vinda de Cristo. Cada obra traz consigo uma mensagem visual significativa. Contudo, toda a sequência temática revela que estamos bem às portas da eternidade.

A exibição “Do Éden ao Éden” consiste em uma representação microcósmica do plano da salvação, do qual receberemos uma demonstração macrocósmica sem precedentes ao fim do milênio, quando a Nova Jerusalém e o trono de Deus estiverem na Terra (Ap 21:1-3). Ellen White descreve a cena: “Por sobre o trono se revela a cruz; e semelhante a uma vista panorâmica aparecem as cenas da tentação e queda de Adão, e os passos sucessivos no grande plano para redimir os homens. […] O terrível espetáculo aparece exatamente como foi. Satanás, seus anjos e súditos não têm poder para se desviarem do quadro que é a sua própria obra. Cada ator relembra a parte que desempenhou” (O Grande Conflito, p. 666, 667).

A história humana está chegando ao fim, e cada um de nós é um ator no palco da vida. Conforme Deus planejou, tudo está em seu lugar para nossa salvação. E agora o Céu e a Terra observam com cuidado nossa atuação (1Co 4:9; Hb 12:1, 2). Que você e eu perseveremos fielmente em nossa jornada ao Éden restaurado, sem permitir que nada nem ninguém nos distraia desse alvo!


Quarta-feira
11 de abril
 
Aparências enganosas
Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei; porque o Senhor não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração. 1 Samuel 16:7

Quer gostemos disso, quer não, somos julgados pela aparência: assim funciona a sociedade, a partir de estereótipos e prejulgamentos. No entanto, por mais que um bom visual possa impressionar, jamais devemos nos esquecer de que “as aparências enganam” e que “a primeira impressão pode enganar a muitos”.

Quando o Senhor enviou Samuel à casa de Jessé a fim de ungir um novo rei para Israel (1Sm 16:1-13), o profeta ficou muito impressionado com a aparência de Eliabe e chegou a dizer: “Certamente, está perante o Senhor o Seu ungido” (v. 6). Mas Deus advertiu Samuel: “Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei; porque o Senhor não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração.”

Até mesmo Uriah Smith (1832-1903), vastamente reconhecido como o precursor da interpretação profética dentro dos círculos adventistas do sétimo dia, falhou dessa mesma maneira. Quando os primeiros automóveis chegaram a Battle Creek, alguns cavalos assustados fugiram e acabaram ferindo uma mulher. Convencido de que o problema era a aparência dos veículos, Smith projetou uma cabeça de cavalo de madeira para colocar na frente dos automóveis. No dia 11 de abril de 1899, seu criativo “Desenho para corpo-veicular” foi patenteado por um período de sete anos. Mas sua invenção não funcionou conforme o esperado, pois os cavalos se assustavam não com a forma, mas com o barulho daquelas primeiras carruagens sem cavalos.

Julgamentos muito apressados podem nos impedir de enxergar a beleza interior das pessoas. Com frequência, por trás de um rosto considerado não atraente, encontra-se um coração amoroso e uma personalidade brilhante. Muito mais importante do que nosso aspecto externo é a estética de um caráter que se assemelhe à imagem e semelhança de nosso Criador e Redentor. No entanto, se pudéssemos ver todos os seres humanos com os olhos do próprio Cristo, enxergaríamos não necessariamente aquilo que já são, mas o que ainda podem se tornar quando transformados pela graça excelsa de Deus (Fp 3:12-16).


Terça-feira

10 de abril
 Importando-se com os pecadores
Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos; pois não vim chamar justos, e sim pecadores [ao arrependimento]. Mateus 9:13

tendência humana é se importar mais com os prósperos e dar os melhores presentes aos mais ricos. Algumas pessoas, porém, vão contra essa tendência e se comprometem a servir as classes sociais desfavorecidas a discriminadas. Um deles foi William Booth (1829-1912), o fundador e primeiro general do Exército de Salvação.

William Booth nasceu no dia 10 de abril de 1829, em Nottingham, Reino Unido. Em 1844, teve uma experiência de conversão e, dois anos depois, tornou-se um pregador que promovia o reavivamento. Em 1865, Booth e a esposa, Catherine, fundaram a Sociedade do Reavivamento Cristão, que mais tarde se transformou no Exército de Salvação, a fim de alcançar os mais pobres e necessitados, inclusive alcoólatras, criminosos e prostitutas. Durante os primeiros anos, o Exército de Salvação enfrentou forte oposição da indústria do álcool, que não queria ver as classes mais baixas parando de beber. Catherine contou que Booth chegava “trôpego de fadiga em casa à noite, com as roupas muitas vezes rasgadas e curativos ensanguentados em volta da cabeça, onde uma pedra o havia atingido”.

Mas Booth não desistia! Ele chegou a declarar: “Enquanto houver mulheres chorando, como há agora, eu lutarei. Enquanto houver criancinhas passando fome, como há agora, eu lutarei. Enquanto homens continuarem a entrar na cadeia e de lá sair, como agora, eu lutarei. Enquanto restar um bêbado, uma moça perdida nas ruas, uma alma escura sem a luz de Deus, eu lutarei, lutarei até o fim!” Booth também recebe o crédito por ter dito: “O principal perigo que confronta o século vindouro é a religião sem o Espírito Santo, o cristianismo sem Cristo, o perdão sem arrependimento, a salvação sem regeneração, a política sem Deus e o céu sem inferno.”

Embora apreciasse o trabalho do Exército de Salvação, Ellen White também enfatizou que Deus levantou os adventistas do sétimo dia para restaurar as verdades bíblicas no contexto do tempo do fim. Isso significa que essa missão solene não pode ser substituída por um tipo de evangelho apenas social (Ministério Para as Cidades, p. 112-114). Enquanto cuidamos das necessidades físicas e sociais das pessoas, também devemos conduzi-las “a toda a verdade” (Mt 4:24; 28:20; Jo 16:13).


Segunda-feira
09 de abril
 

Falando em línguas

Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem. Atos 2:4

Muitos cristãos atuais argumentam que quem recebeu o batismo do Espírito Santo deve falar em línguas, assim como nos tempos apostólicos (At 2:1-13; 10:44-48; 19:1-7). Mas que tipo de línguas alguns dos cristãos primitivos falavam? Eles falavam línguas em êxtase ou idiomas humanos?

Línguas proferidas em estado de êxtase já estavam presentes em algumas religiões pagãs antigas e, mais tarde, até mesmo em alguns círculos cristãos restritos. Uma nova ênfase nessas línguas surgiu com o célebre reavivamento da rua Azusa em Los Angeles, Califórnia. No dia 9 de abril de 1906, William J. Seymour estava realizando reuniões carismáticas de oração em alguns lares, quando Edward Lee e vários outros que estavam presentes passaram por esse fenômeno. Dali, o movimento moderno de línguas se espalhou pelo mundo. Será que essas línguas têm a mesma natureza das que alguns dos cristãos primitivos falaram?

O apóstolo Paulo declarou que o verdadeiro dom de línguas foi concedido pelo Espírito Santo com propósito evangelístico, não a fim de obter uma posição especial dentro de uma comunidade monolíngue (1Co 14:9, 18, 19, 22, 27, 28). No dia de Pentecostes, os discípulos falaram em línguas humanas conhecidas, para que cada estrangeiro pudesse escutar o evangelho no próprio idioma (At 2:4-13). No caso de Cornélio, o dom de línguas foi um sinal de confirmação de que o evangelho também deveria ser pregado aos gentios (At 10:44-48). Em Corinto, o dom ajudou a espalhar a mensagem, uma vez que havia muitos residentes estrangeiros e viajantes de outras terras naquele importante centro comercial (At 19:1-7).

Não há dúvida de que o verdadeiro dom de línguas pode ser concedido hoje, como já ocorreu em alguns contextos missionários sem nenhum tradutor disponível. Mas a presença do Espírito Santo na vida se torna evidente não só por intermédio dos dons espirituais, que podem ser falsificados por Satanás (Êx 7:8-13, 20-22; 8:6, 7), mas pela produção do fruto do Espírito (Gl 5:22, 23). De acordo com Ellen White, “a todos os que aceitam a Cristo como Salvador pessoal, o Espírito Santo vem como consolador, santificador, guia e testemunha” (Atos dos Apóstolos, p. 49).

Não importa quais sejam suas habilidades e dons, você pode ser cheio do Espírito Santo e produzir frutos!


Domingo
08 de abril
 

Preconceito religioso

Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos; levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo. 2 Coríntios 4:8-10

Preconceito” é uma palavra fácil de pronunciar, mas difícil de suportar na vida diária. Pode significar simplesmente ser deixado de fora ou não ser bem-vindo, deixando evidente que sua ausência é mais desejada que sua presença. Em casos extremos, é possível sentir que a morte de uma pessoa é mais desejada do que sua vida. Qualquer que seja o caso, a discriminação sempre destrói a essência da dignidade humana.

A Sociedade Internacional de Direitos Humanos é uma entidade secular, fundada originalmente no dia 8 de abril de 1972, em Frankfurt, com o nome de Sociedade de Direitos Humanos. Dez anos depois (1982), alcançou seu status internacional e agora concentra boa parte de sua atuação na liberdade religiosa e de imprensa. Em 2009, a instituição estimou que cerca de 80% de todos os atos de preconceito religioso no mundo são contra os cristãos. Uma estimativa bem conservadora indica que 20 cristãos morrem todos os dias por causa de sua fé.

Massimo Introvigne, diretor do Centro de Estudos sobre Novas Religiões, destacou que, enquanto no século 20, os regimes comunistas ateus foram os maiores perseguidores dos cristãos, o ultrafundamentalismo islâmico assumiu seu lugar no século 21. Um cristão iraquiano anônimo revelou: “Os ataques aos cristãos continuam, e o mundo permanece em silêncio absoluto. É como se fôssemos engolidos pela noite.” John L. Allen Jr., autor de The Global War on Christians (A Guerra Global contra os Cristãos), define a perseguição global aos que frequentam igrejas como “a catástrofe não noticiada da nossa era”.

Após ler relatos assim, nossa tendência é odiar e discriminar os discriminadores e perseguidores. No entanto, preconceito não é capaz de vencer preconceito. Apenas o amor é capaz de vencê-lo. Ainda assim, devemos orar por aqueles que sofrem por sua fé ao redor do mundo e fazer nosso melhor para acabar com a discriminação em todas as suas formas, começando por nós mesmos.

Ame a todos e não pense menos de outras pessoas simplesmente porque não professam a mesma fé que você.


Sábado
07 de abril 2018
 

Investimento que vale a pena

Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus. 1 Coríntios 10:31

Para muitos, a saúde é uma poupança na qual se investe somente depois de não ser tão rentável como antes. Mesmo assim, ficamos na expectativa de extrair o máximo dela. Conforme afirmou muito bem A. J. Reb Materi: “Há pessoas demais gastando a saúde para obter riquezas, mas depois precisam gastar as riquezas para readquirir sua saúde.”

A Organização Mundial da Saúde (OMS) foi fundada no dia 7 de abril de 1948, sediada em Genebra, Suíça. O Dia Mundial da Saúde é comemorado todos os anos em 7 de abril, marcando a fundação da OMS e chamando atenção para importantes questões de saúde que o mundo enfrenta em escala global. Mas o que é saúde e como podemos promovê-la? De acordo com a OMS, “saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, não apenas a mera ausência de doenças ou enfermidades”.

Em A Ciência do Bom Viver, Ellen White explica: “Bem pouca é a atenção dada em geral à conservação da saúde. É incomparavelmente melhor evitar a doença do que saber tratá-la uma vez contraída. É o dever de toda pessoa, por amor de si mesma, e por amor da humanidade, instruir-se quanto às leis da vida, e a elas prestar conscienciosa obediência. Todos precisam familiarizar-se com esse organismo, o mais maravilhoso de todos, que é o corpo humano. Devem compreender as funções dos vários órgãos, e a dependência de uns para com os outros quanto ao bom funcionamento de todos. Cumpre-lhes estudar a influência da mente sobre o corpo, e do corpo sobre a mente, e as leis pelas quais são eles regidos” (p. 128).

De acordo com a autora, “ar puro, luz solar, abstinência, repouso, exercício, regime conveniente, uso de água e confiança no poder divino  eis os verdadeiros remédios. Toda pessoa deve possuir conhecimentos dos meios terapêuticos naturais, e da maneira de aplicá-los. […] Aqueles que perseveram na obediência a suas leis serão recompensados com saúde de corpo e de alma” (p. 127). Esses princípios têm sido a base de programas de saúde da Igreja Adventista em todo o mundo.

Já tendo o conhecimento de boa parte daquilo que foi mencionado, que tal você melhorar seu estilo de vida, levando a sério, em reflexão equilibrada, cada um desses princípios básicos?


Sexta-feira
06 de abril

Uma coroa imperecível

Todos os que competem nos jogos se submetem a um treinamento rigoroso, para obter uma coroa que logo perece; mas nós o fazemos para ganhar uma coroa que dura para sempre. 1 Coríntios 9:25, NVI

Em junho de 1998, visitei as cidades gregas de Atenas, Corinto e Olímpia. Perto da última cidade, conheci o complexo onde se realizavam os jogos olímpicos da Antiguidade, inclusive as ruínas do templo do Zeus de Olímpia e o velho Estádio. A primeira Olimpíada de que se tem registro ocorreu em 776 a.C., e os jogos aconteciam a cada quatro anos, durante uma festa religiosa em honra a Zeus, o maior de todos os deuses gregos. Os jogos olímpicos se tornaram a competição atlética mais importante do mundo antigo, mas foram realizados pela última vez em 393 d.C. Depois disso, os jogos foram proibidos pelo imperador Teodósio.

Quinze séculos depois, em 6 de abril de 1896, aconteceu a abertura dos primeiros jogos olímpicos modernos em Atenas. Desde então, eles voltaram a ser realizados a cada quatro anos, mas em uma cidade diferente a cada edição. Onze mulheres, representando as virgens vestais, vão até o local das Olimpíadas antigas e acendem a tocha olímpica com a luz do Sol concentrada por meio de um espelho parabólico. De Olímpia, a tocha é levada primeiro para o Estádio Panatenaico em Atenas e, de lá, para o local em que ocorrerão os jogos olímpicos.

Em 1 Coríntios 9:24 a 27, Paulo usou a imagem desses jogos antigos como analogia para a corrida cristã. Primeiramente, estimulou o cristão a ser um atleta vitorioso. Nos jogos olímpicos, “de todos os que correm no estádio, apenas um ganha o prêmio”. Na corrida cristã, porém, todos podem ser vitoriosos. Em segundo lugar, Paulo destacou que a recompensa cristã vale todos os esforços. Em Olímpia, o prêmio para o vencedor era uma guirlanda de oliveira selvagem e, em Corinto, havia uma coroa ainda mais perecível feita de aipo murcho. Mas o cristão vitorioso receberá “uma coroa que dura para sempre” (v. 25, NVI).

Em Hebreus 11:39 a 12:2, todos os que correram com fé, no passado, foram retratados de forma metafórica assistindo à nossa corrida e vibrando por nossa vitória. Entretanto, nós, cristãos, não devemos acender nossa tocha olímpica no santuário do Templo de Hera (esposa de Zeus), mas no altar da cruz do Calvário. E não esperamos receber apenas uma guirlanda perecível, mas a eterna “coroa da justiça” (2Tm 4:8).

Continue correndo rumo à vitória!


Quinta-feira
05 de abril
 

Graça valiosa

A minha graça te basta. 2 Coríntios 12:9

Muito se fala hoje sobre a “graça”. Mas o que ela realmente significa? Uma das melhores perspectivas a seu respeito foi elaborada pelo pastor, teológico e mártir luterano alemão Dietrich Bonhoeffer (1906-1945). Antagonista declarado do regime hitlerista, Bonhoeffer acreditava que “o silêncio diante do mal é o próprio mal”. E que “não falar é falar. Não agir é agir”. Bonhoeffer foi preso em 5 de abril de 1943, pela Gestapo, e executado por enforcamento no dia 9 de abril de 1945, apenas duas semanas antes da libertação do campo de concentração onde se encontrava. Ele viveu somente 39 anos, mas deixou para trás um valioso legado literário.

Em seu livro Discipulado, Bonhoeffer contrasta a graça barata com a graça valiosaEle explica: “A graça barata é inimiga mortal de nossa igreja. […] O que queremos dizer por graça barata é a graça que se resume à justificação do pecado, sem a justificação do pecador que se afasta do pecado e do qual o pecado se afasta. […] A graça barata é a pregação de perdão que não requer arrependimento, batismo sem disciplina eclesiástica, comunhão sem confissão, absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é graça sem discipulado, graça sem cruz, graça sem Jesus Cristo, vivo e encarnado”.

Em contrapartida, a graça valiosa “é valiosa porque nos chama a seguir e é graça porque nos chama a seguir Jesus CristoÉ valiosa porque custou a vida de um homem e é graça porque deu ao ser humano a única vida verdadeira. É valiosa porque condena o pecado e graça por justificar o pecador. Acima de tudo, é valiosa porque custou a Deus a vida de seu Filho: ‘fostes comprados por preço’ e aquilo que tanto custou para Deus não pode ser barato para nós. […] A graça é valiosa porque compele o ser humano a se submeter ao jugo de Cristo e segui-Lo; é graça porque Jesus diz: ‘O Meu jugo é suave e o Meu fardo é leve’”.

Além de ser valiosa, a graça salvadora de Deus também é ativa, libertando-nos da escravidão do pecado e nos dando a motivação correta para a obediência verdadeira. Conforme declarou Paulo, a salvação pela graça mediante a fé não é “de obras”, mas “para boas obras” (Ef 2:8-10, itálicos acrescentados). Cristo é a encarnação da graça divina. Logo, ter Cristo significa ter a graça maravilhosa de Deus conosco!


Quarta-feira
04 de abril
 

Cristo Redentor

É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós. Romanos 8:34

Todos os anos, turistas do mundo inteiro visitam o Rio de Janeiro, conhecido por sua bela paisagem, numerosos atrativos e vida social agitada. No topo do Corcovado se encontra a estátua do Cristo Redentor, de braços abertos, envolvendo a cidade. A pedra fundamental desse monumento de dimensões colossais foi lançada no dia 4 de abril de 1922. Nove anos depois, a icônica estátua foi concluída. Sua inauguração oficial ocorreu em 12 de outubro de 1931, simbolizando o Cristo que ama e abraça todo aquele que Dele se aproxima. Em 2007, a estátua passou a ser considerada em uma das sete maravilhas do mundo moderno.

Ao longo dos anos, o Cristo Redentor passou por processos periódicos de limpeza, conserto e renovação. Mesmo com um para-raios no alto da cabeça, a estátua não é completamente imune a raios e tempestades. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), uma média de seis raios atinge o Cristo todos os anos. Em 2008, um deles danificou parte da cabeça e dos dedos, que precisaram ser consertados.

Essa e muitas outras estátuas semelhantes de Cristo ao redor do mundo não passam de representações inertes de Jesus, que requerem cuidados periódicos. Em contrapartida, o Cristo real a quem servimos é “sem defeito e sem mácula” (1Pe 1:19) e “sem pecado” (Hb 4:15). Caso contrário, Ele não poderia ser nosso Salvador, mas precisaria de um salvador.

Ao passo que muitas dessas estátuas necessitam de cuidados, nosso Cristo vivo está sempre cuidando de nós e intercedendo por nós. “Conhece por experiência as fraquezas da humanidade, nossas necessidades e onde está a força de nossas tentações; pois foi tentado em todos os pontos, como nós, e, todavia, sem pecado. Está velando sobre ti, tremente filho de Deus. Estás tentado? Ele te livrará. Estás fraco? Ele te fortalecerá. És ignorante? Ele te esclarecerá. Estás ferido? Ele te há de curar” (O Desejado de Todas as Nações, p. 329).

Que Salvador maravilhoso nós temos!


Terça-feira
03 de abril 2018
 

Previsão do tempo

Dizia ele à multidão: Quando vocês veem uma nuvem se levantando no ocidente, logo dizem: “Vai chover”, e assim acontece. E quando sopra o vento sul, vocês dizem: “Vai fazer calor”, e assim ocorre. Hipócritas! Vocês sabem interpretar o aspecto da terra e do céu. Como não sabem interpretar o tempo presente? Lucas 12:54-56, NVI

Durante o ministério terreno de Jesus, as previsões do tempo e de temperatura eram baseadas, em grande medida, na observação das nuvens e dos ventos. Diversas técnicas meteorológicas novas tornaram as previsões globais do clima muito mais precisas e confiáveis. Por exemplo, em 3 de abril de 1995, um satélite em órbita terrestre baixa (MicroLab 1), carregando um receptor com GPS do tamanho de um laptop, foi lançado em órbita circular a cerca de 750 quilômetros de altitude. Dessa maneira, as camadas atmosféricas poderiam ser monitoradas sucessivamente por ondas de rádio, obtendo importantes dados de temperatura, pressão e vapor de água.

Em Lucas 12:54 a 56, Jesus culpou a multidão por predizer acertadamente o clima e a temperatura, mas, ao mesmo tempo, ignorar o significado do próprio “tempo presente”. Quando Cristo perguntou a Seus discípulos quem as pessoas diziam que Ele era, a resposta dos doze foi: “Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas” (Mt 16:14). Em outras palavras, as pessoas não conseguiam perceber que, com Jesus, a era messiânica havia chegado. Elas ignoravam a natureza de Seu reino (Jo 18:36).

De maneira semelhante, nossa geração possui sistemas meteorológicos sofisticados, mas não discerne os sinais de nosso tempo. Alguns escarnecedores dizem: “Onde está a promessa da Sua vinda? Porque, desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação” (2Pe 3:4). Entretanto, seria possível, mesmo em nossas fileiras, encontrar alguns adventistas “anfíbios pecilotérmicos”? Ou seja, por serem “pecilotérmicos” (de sangue frio), não têm uma percepção clara da temperatura; e por serem “anfíbios”, tentam aproveitar ao mesmo tempo a igreja e o mundo.

Estamos nos aproximando rapidamente da estação tempestuosa do fim dos tempos, e logo Cristo aparecerá nas nuvens do céu. Que o Senhor abra nossos olhos para os sinais dos tempos e para os dias solenes nos quais vivemos!


Segunda-feira
02 de abril 2018

Especulações que causam divisão

Não mais ensinem doutrinas falsas, e que deixem de dar atenção a mitos e genealogias intermináveis, que causam controvérsias em vez de promoverem a obra de Deus, que é pela fé. 1 Timóteo 1:3, 4, NVI

Deus nos confiou uma mensagem cristocêntrica especial a ser proclamada para um mundo pecador que se aproxima de sua destruição iminente. Enquanto isso, o diabo usa todos os meios possíveis para nos envolver em especulações periféricas, a fim de nos distrair do cerne da mensagem e do cumprimento de nossa missão evangelística. Dentre essas distrações se encontram as especulações sobre quem será o “último” papa.

Diversos indivíduos construíram cenários proféticos criativos em torno do papa João Paulo II, que permaneceu por 26 anos (1978-2005). Alguns sugeriram que ele acabaria abdicando, outro papa assumiria o Vaticano por um curto período e então João Paulo II reassumiria a função como o último papa. Mas essa especulação não se cumpriu conforme o esperado, pois João Paulo II continuou a ser papa até sua morte no dia 2 de abril de 2005. Em vez de reconhecer o erro, alguns desses indivíduos sugeriram novas especulações.

Esse é apenas um exemplo dentre muitas outras especulações sofisticadas que já foram sugeridas ao longo dos anos. Gerhard F. Hasel alertou: “Na esfera das profecias não cumpridas, sempre se corre o risco de o intérprete fazer especulações ou sutilmente transformar ele próprio em profeta.” A advertência de Jesus contra os falsos profetas (Mt 24:24) se refere primariamente a profetas autoinstituídos, ou seja, não enviados por Deus. Por extensão, pode se referir também àqueles que distorcem o significado das profecias bíblicas, impondo as próprias interpretações artificiais ou ignorando partes de seu conteúdo (Ap 22:18, 19).

Não espanta que Paulo tenha nos aconselhado a evitar “discussões” ou “controvérsias” que nos distraiam do avanço da obra de Deus (1Tm 1:4).

Em vez de desperdiçar nosso tempo com especulações que causam divisão, permaneçamos com a mensagem profética bem consolidada da Bíblia e com seu poder iluminador!


Domingo
01 de abril 2018
 

Festivais da mentira

Como o louco que lança fogo, flechas e morte, assim é o homem que engana a seu próximo e diz: Fiz isso por brincadeira. Provérbios 26:18, 19

Por que as pessoas mentem e propagam histórias falsas? Muitas vezes, é apenas uma questão de ignorância pessoal ou de compartilhar alguma informação sem confirmar antes se ela é confiável. Mas mentiras deliberadas e histórias falsas normalmente têm a intenção de enganar os outros e tirar vantagem deles, ou ainda de fazer graça da ingenuidade e credulidade das pessoas. Muitas culturas ao redor do mundo escolheram o dia 1o de abril como o “Dia da Mentira”, no qual histórias falsas são contadas e depois explicadas para divertir-se à custa de quem acreditar nelas.

Por incrível que pareça, a arte de mentir por diversão é estimulada até mesmo em competições. Por exemplo, em Cumbria, Inglaterra, há uma competição anual de mentiras chamada “O maior mentiroso do mundo”. Políticos e advogados não têm permissão para competir, porque “são considerados habilidosos demais na arte de falar balelas”. A pequena cidade de Nova Bréscia, no Rio Grande do Sul, é conhecida como a capital nacional das mentiras e realiza, a cada dois anos, o “Festival da Mentira”. As histórias devem ser originais e tão semelhantes à verdade quanto possível, para deixar a plateia em dúvida em relação à sua veracidade.

Mentiras amadoras e profissionais sempre focam na reação psicossocial do público. De uma perspectiva mais ampla, podemos dizer que, em geral, não há nada de errado em se divertir com algumas histórias e piadas moralmente aceitáveis e inofensivas. O problema começa quando elas se tornam uma forma de intimidar e menosprezar os outros. As coisas pioram ainda mais quando alguém assume a postura sarcástica expressada muito bem pelo termo alemão schadenfreude, que se refere ao sentimento de prazer, ou satisfação, derivado do infortúnio alheio.

A Bíblia usa palavras muito fortes para falar sobre a mentira. Para começar, Cristo caracterizou o Espírito Santo como “o Espírito da verdade” (Jo 16:13), e Satanás como “mentiroso e pai da mentira” (Jo 8:44). O rei Salomão condenou a mentira até mesmo quando a finalidade é brincar com os outros (Pv 26:18, 19).Quando Ananias e Safira mentiram para os apóstolos, o ato foi considerado uma mentira ao Espírito Santo, passível de morte (At 5:1-11). E somos informados de que todos os mentirosos ficarão de fora do Céu (Ap 21:27).

Lembre-se de que não importa o tipo, mentira é mentira e deve ser evitada.


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