Meditação Matinal

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Sábado – 21 de julho

Deuses que não são deuses

E estão vendo e ouvindo como este indivíduo, Paulo, está convencendo e desviando grande número de pessoas aqui em Éfeso e em quase toda a província da Ásia. Diz ele que os deuses feitos por mãos humanas não são deuses. Atos 19:26, NVI

Éfeso era uma cidade portuária e um importante centro comercial no Mediterrâneo. Seu famoso Templo de Ártemis era uma das sete maravilhas do mundo antigo. O edifício foi originalmente construído por volta de 550 a.C., e queimado por um indivíduo chamado Heróstratos em 21 de junho de 356 a.C., na mesma noite em que Alexandre, o Grande, nasceu. Os efésios decidiram construir um templo maior e mais esplendoroso para substituir o incendiado. Alexandre ofereceu auxílio financeiro para o projeto, mas os orgulhosos efésios recusaram, dizendo: “Como um deus pode ajudar outro?” A nova edificação era cercada por degraus de mármore que levavam a um terraço. Dentro dele, havia 127 colunas de mármore e uma estátua da deusa grega Ártemis (equivalente à deusa romana Diana), protetora da caça, das mulheres e das virgens.

Paulo foi a Éfeso em sua terceira viagem missionária, e sua pregação incomodou a adoração popular à deusa Ártemis. Em Atos 19:23 a 41 (NVI), está relatado que Demétrio, artífice de miniaturas de prata de Ártemis, suscitou um levante contra Paulo. Disse aos colegas ourives: “Não somente há o perigo de nossa profissão perder sua reputação, mas também de o templo da grande deusa Ártemis cair em descrédito e de a própria deusa, adorada em toda a província da Ásia e em todo o mundo, ser destituída de sua majestade divina.” Inflamados pelo discurso de Demétrio, as multidões bradaram por cerca de duas horas: “Grande é a Ártemis dos efésios!”

Os ourives efésios ficaram ofendidos pelo ensino de Paulo de que “os deuses feitos por mãos humanas não são deuses” (At 19:26, NVI). “Cessado o tumulto, Paulo mandou chamar os discípulos e, depois de encorajá-los, despediu-se e partiu para a Macedônia” (At 20:1). Aparentemente, a deusa Ártemis e seus ourives efésios triunfaram, mas não para sempre. Embora o templo tenha sido reconstruído após ser saqueado e destruído pelos ostrogodos em 268 d.C., ele perdeu a importância com a disseminação do cristianismo.

Lembre-se: os deuses feitos por seres humanos vêm e vão, assim como quem os fabrica. Somente aqueles cuja fé está ancorada no único Deus verdadeiro e em Sua Palavra permanecerão para sempre.


Sexta-feira – 20 de julho

A semana mais extraordinária

Mas Eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a Mim. Jo 12:32, NVI

A exploração do espaço por astronautas havia acabado de começar; mas, em seu discurso de 1961 para o congresso norte-americano acerca das necessidades nacionais urgentes, o presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, declarou: “Esta nação deveria se comprometer a conquistar a meta, antes do fim da década, de fazer o homem pisar na Lua e retornar em segurança para a Terra.” Oito anos depois, no dia 20 de julho de 1969, a Apollo 11 pousou com sucesso na Lua. Neil Armstrong, a primeira pessoa a andar na superfície lunar, descreveu a experiência como “um pequeno passo para o homem, mas um salto gigantesco para a humanidade”.

Em 24 de julho, a cápsula que transportava Neil Armstrong, Michael Collins e Edwin Aldrin caiu no oceano Pacífico, trazendo os três astronautas de volta para o planeta em segurança. Eles foram retirados do mar e permaneceram por 21 dias em quarentena no porta-aviões USS Hornet, como precaução contra os “germes da Lua”. Por trás de uma janelinha de vidro, o presidente Nixon os saudou e acrescentou: “Esta é a semana mais extraordinária da história desde a criação. Por conta do que vocês realizaram, o mundo nunca esteve mais unido.”

Atualmente há pessoas que defendem o argumento de que algumas das imagens mostradas da Lua naquele dia haviam sido pré-gravadas em um simulador de voo. Não importa o que digam os defensores dessa teoria da conspiração, é inegável que a missão Apollo 11 foi, de fato, uma grande conquista científica; porém, não tão importante quanto sugeriu o presidente Nixon. Ela nunca pode se comparar aos eventos da Semana da Paixão, quando o próprio destino do ser humano estava em jogo. Enquanto a cápsula levou três homens à Lua, a cruz de Cristo dá, aos seres humanos, livre acesso à presença de Deus, no Céu.

A missão Apollo 11 despertou empolgação e expectativa mundial. Eu era criança, morava no sul do Brasil e estava acompanhando avidamente a cobertura ao vivo do acontecimento pelo rádio. Mas nem esse nem qualquer outro evento na história da humanidade “uniu mais” as pessoas do que a cruz de Cristo. Paulo nos conta, em 2 Coríntios 5, que, na cruz, “ Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (v. 19). Então o apóstolo faz um apelo: “Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus” (v. 20). Esta é a sua chance! Não adie mais essa decisão.


Quinta-feira – 19 de julho

Direitos das mulheres

Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. Gálatas 3:28

O relato da criação declara que tanto o homem quanto a mulher foram criados por Deus à própria imagem e semelhança (Gn 1:26, 27). O fato de Eva ter sido feita de uma das costelas de Adão subentende paridade e companheirismo (Gn 2:21-24). Conforme Matthew Henry afirmou, “a mulher foi criada de uma costela, no lado de Adão. Não da sua cabeça, para dominá-lo, nem dos seus pés, para ser pisada por ele, mas do seu lado, para ser igual a ele. De debaixo do seu braço, para ser protegida, e de perto do seu coração, para ser amada” (Comentário Bíblico Matthew Henry, sobre Gn 2:21-25). Mas o pecado distorceu a relação entre homens e mulheres (Gn 3:16) e, ao longo das eras, inúmeras mulheres têm sido anuladas e oprimidas por homens.

Nos Estados Unidos, uma reviravolta influente para reverter essa situação foi a Convenção de Seneca Falls, realizada na capela wesleyana da cidade de Seneca Falls, no interior do estado de Nova York, nos dias 19 e 20 de julho de 1848. Reconhecendo que, pela criação, “a mulher é igual ao homem”, a “Declaração de Direitos e Sentimentos” da convenção denunciou diversas “injustiças e usurpações por parte dos homens em relação às mulheres”, reivindicando o direito das mulheres de serem “esclarecidas no tocante às leis sob as quais vivem”, de falar em reuniões públicas, de participar do voto eletivo, etc.

Homens e mulheres são iguais não só pela criação, mas também pela redenção. Aliás, a criação e a redenção são os dois grandes niveladores dos seres humanos. Tanto homens quanto mulheres foram criados por Deus e, de igual modo, salvos pelo sacrifício expiatório de Cristo na cruz. Não surpreende então que Paulo tenha destacado que não há “homem nem mulher”, pois todos são “um em Cristo Jesus” (Gl 3:28). Mesmo assim, porém, a Bíblia mantém uma distinção sexual clara entre homens e mulheres que não deve ser anulada (Lv 18:22; 20:13). Qualquer tentativa de invalidar essa distinção é considerada uma distorção da criação divina (Rm 1:24-28).

Durante Seu ministério terreno, Cristo respeitou, protegeu e defendeu as mulheres de discriminações de ordem social e religiosa (Jo 4:1-42; 8:1-11). Qualquer forma de abuso sexual e discriminação social contra elas é uma ofensa direta contra o Criador e Mantenedor das mulheres!


Quarta-feira – 18 de julho

Marie Curie

Mas Ele foi traspassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre Ele, e pelas Suas feridas fomos curados. Isaías 53:5, NVI

Maria Sklodowska nasceu no ano de 1867 em Warsaw, Polônia, onde começou sua formação e prática científica. Em 1891, foi para Universidade de Paris para continuar seus estudos de física, química e matemática. Depois de se casar com Pierre Curie, ficou conhecida como Marie Curie. Em 1903, Marie ganhou o Prêmio Nobel de física com o esposo e Henri Becquerel por suas pesquisas na área de radioatividade. Em 1911, também recebeu o Prêmio Nobel de química por seu trabalho com o polônio e o rádio. Marie Curie foi a primeira mulher a receber um Prêmio Nobel e a única na história a ganhar dois.

Em 18 de julho de 1898, Marie e o marido publicaram a descoberta de um elemento químico que denominaram “polônio”, em homenagem à terra natal dela. Cinco meses depois (26 de dezembro), o casal anunciou um segundo elemento, que chamaram de “rádio” (derivado da palavra em latim para “raio”). Com base na mesma expressão, também cunharam o termo “radioatividade”. Curie morreu em 1934 de anemia aplástica por causa da exposição à radiação de tubos de ensaio que ela carregava nos bolsos durante as pesquisas e das unidades móveis de raios X que montou durante o tempo em que serviu na Primeira Guerra Mundial. Ela morreu devido à exposição ao mesmo elemento radioativo que descobriu e pesquisou sem as medidas de segurança que tomamos hoje.

A Bíblia nos conta que Jesus veio a este mundo resolver o problema do pecado, e a única maneira de fazer isso era morrendo por eles. A Bíblia explica que “Deus tornou pecado por nós Aquele que não tinha pecado, para que Nele nos tornássemos justiça de Deus” (2Co 5:21, NVI). “Mas Ele foi traspassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre Ele, e pelas Suas feridas fomos curados” (Is 53:5, NVI). Ainda assim, Ele permaneceu “sem pecado” (Hb 4:15).

Durante Sua encarnação, “Cristo tomou sobre Si todos os efeitos do pecado sem ser infectado por ele” (Eric C. Webster); de outro modo, não poderia ser nosso Salvador, mas Ele próprio precisaria de alguém que O salvasse. Entretanto, louvado seja Deus por nosso Salvador sem pecado que vitoriosamente carregou nossos pecados sem Se tornar pecador!


Terça-feira – 17 de julho

Unidos para sempre

Depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor. 1 Tessalonicenses 4:17

Algumas despedidas deixam um espaço vazio em nosso coração. É triste ver a partida de alguém em cuja companhia desejamos passar cada minuto. É doloroso pedir a alguém que fique quando sabemos que, em realidade, a pessoa deseja nos deixar. Parte o coração nos despedir de alguém que sabemos que nunca mais encontraremos novamente. Não há dúvida de que todos ansiamos por uma terra na qual não se diz adeus.

Isaac Watts (1674-1748) nasceu em Southampton, Reino Unido, no dia 17 de julho de 1674. Conhecido como o “pai da composição de hinos ingleses”, Watts escreveu cerca de 600 hinos. Em 1706, compôs o belo “Oh! Nunca Separar!” (Hinário Adventista do Sétimo Dia, nº 565). Sua primeira estrofe e coro dizem o seguinte:

Há um país de gozo e luz

Onde só santos há;

Prazeres há ali a flux;

É sempre dia lá.

Marchamos para a terra além

E vamos a Jerusalém;

Iremos com Jesus reinar

E nunca mais nos separar.

Esse era um dos hinos preferidos de Guilherme Miller, que pediu a seus familiares que o cantassem para ele repetidamente antes de sua morte, em 1849. Ao longo dos anos, muitas assembleias da Associação Geral e campais adventistas foram encerradas com esse hino e a emocionante pergunta: “Seria esta nossa última assembleia ou reunião, para que a próxima já aconteça no Céu?”

Jesus não voltou tão depressa quanto os pioneiros adventistas esperavam. Entretanto, não se esqueça de que Sua segunda vinda agora está muito mais próxima do que quando Isaac Watts escreveu a letra dessa bela canção ou quando Guilherme Miller costumava cantá-la. Também está muito mais próxima do que quando assembleias e reuniões campais adventistas terminaram com esse hino. Sem dúvida, muito em breve Jesus surgirá nas nuvens do céu a fim de nos levar para o lar e, então, “nunca mais” iremos “nos separar”.


Segunda-feira – 16 de julho

Novos profetas?

E acontecerá, depois, que derramarei o Meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões. Joel 2:28

Nós, adventistas do sétimo dia, acreditamos que Ellen G. White (1827-1915) foi chamada por Deus para uma função profética especial ligada à restauração da verdade bíblica no tempo do fim. As profecias estavam se cumprindo, e ela esperava que Jesus voltasse enquanto ainda estivesse viva (cf. 1Ts 4:15-17). Entretanto, com a passagem do tempo, ela se convenceu cada vez mais de que talvez precisasse descansar. Na manhã de sábado do dia 10 de julho de 1915, seu filho Willy orou com ela. Depois disso, Ellen sussurrou para ele: “Sei em quem tenho crido” (2Tm 1:12). Em seguida, ela disse algumas palavras às mulheres no quarto. Na tarde de sexta-feira, 16 de julho de 1915, às 15h40, ela faleceu de forma tranquila, após 70 anos de um ministério profético muito produtivo.

Com frequência, nos últimos anos de sua vida, Ellen White era indagada se Deus levantaria outro profeta verdadeiro. Sua resposta consistente era que o Senhor não lhe dera informação acerca desse assunto específico. Em 1907, ela escreveu: “Abundante luz tem sido comunicada a nosso povo nestes últimos dias. Seja ou não poupada a minha vida, meus escritos falarão sem cessar, e sua obra irá avante enquanto o tempo durar. Meus escritos são conservados em arquivo no escritório, e mesmo que eu não deva viver, essas palavras que me têm sido dadas pelo Senhor terão vida ainda e falarão ao povo” (Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 55).

Ellen White morreu há mais de um século, e alguns adventistas se perguntam se devemos esperar outro profeta. Em geral, citam Joel 2:28, texto no qual Deus prometeu derramar Seu Espírito “sobre toda a carne”, e as pessoas profetizariam, teriam sonhos e visões. Isso subentende que todos se tornariam profetas? Penso que não. Deus pode conceder revelações proféticas esporádicas a indivíduos – assim como fez com faraó (Gn 41:1-36) e Nabucodonosor (Dn 2) – sem chamá-los para se tornar Seus mensageiros.

O melhor é deixar essa questão para o “Deus que é sábio demais para errar, e bom demais para nos causar dano” (O Cuidado de Deus, p. 298). Enquanto isso, vamos ler, estudar e praticar os escritos proféticos disponíveis para nós. Eles são mais do que suficientes para nos conduzir com segurança ao nosso lar celestial!


Domingo – 15 de julho

As pedras estão clamando

Mas Ele lhes respondeu: Asseguro-vos que, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão. Lucas 19:40

Uma das descobertas arqueológicas mais significativas de todos os tempos foi a Pedra de Roseta, em exposição no Museu Britânico desde 1802. Alguns estudiosos afirmam que ela foi encontrada no dia 15 de julho de 1799 pelo capitão francês Pierre-François Bouchard. Outros argumentam que ela foi descoberta em 19 de julho, ou até mesmo em agosto. A despeito dessas pequenas discrepâncias, sabemos com certeza que ela foi encontrada entre julho e agosto de 1799 na vila de Roseta, no delta do Nilo, durante a campanha de Napoleão contra o Egito.

A Pedra de Roseta é uma antiga estela de granodiorito com um decreto de 196 a.C. exaltando Ptolomeu V como deus. A mesma inscrição foi entalhada três vezes em hieróglifos egípcios antigos, em demótico e em grego. Thomas Young decodificou o texto em demótico, e isso ajudou Jean François Champollion a decifrar os hieróglifos em 1822. Esse conhecimento deu acesso a muitas outras inscrições em hieróglifos do Egito antigo.

Essa e outras descobertas arqueológicas permitiram que as pedras “clamassem” em um momento crítico da história mundial. De um lado, a chamada Alta Crítica (conhecida mais tarde como Método Histórico-crítico) começou a questionar a origem divina da Bíblia e a negar muitos de seus relatos históricos. De outro, a arqueologia no Oriente Médio começou a confirmar a historicidade de vários desses relatos. Mas alguém pode perguntar: A Bíblia realmente precisa ser endossada por fontes externas?

Quando a Bíblia é aceita como a Palavra de Deus, autenticada por ela própria, é preciso permitir que ela avalie criticamente todas as outras fontes de conhecimento, não o contrário. Ainda assim, porém, a arqueologia tem dado contribuições significativas para a reconstrução do contexto histórico e cultural de muitos acontecimentos bíblicos: como os povos antigos construíam suas casas, como trabalhavam, como se casavam, etc. Por exemplo, o interessante livro Crucifixion (Crucifixão), deMartin Hengel, expôs os métodos usados na crucifixão romana, lançando nova luz sobre a morte cruel de Jesus na cruz.

Obrigado, Senhor, por todas as descobertas que têm confirmado as Escrituras e nos ajudado a compreender melhor o mundo dos tempos bíblicos!


Sábado – 14 de julho

Bebês esquecidos

Haverá mãe que possa esquecer seu bebê que ainda mama e não ter compaixão do filho que gerou? Embora ela possa esquecê-lo, Eu não Me esquecerei de você! Isaías 49:15, NVI

No palco da vida, devemos esquecer as falhas de nossas performances do passado e nunca nos distrair do importante papel que estamos desempenhando agora. Algumas distrações não fazem muita diferença, mas outras podem ter consequências irreversíveis.

Em 14 de julho de 2016, o website ABC postou o artigo de alerta de Nicole Pelletiere, “Síndrome do Bebê Esquecido: Morte por superaquecimento dentro do carro se torna o pesadelo de um pai”. A autora conta a trágica história de Sophia Rayne Cavaliero (“Ray Ray”), que foi esquecida no carro em Austin, Texas, em 25 de maio de 2011, pouco depois de completar um ano de vida. Reeves, a mãe da menina, estava se preparando para uma reunião por videoconferência em casa. Por isso, Brett, o pai de Ray Ray, deveria levar a garotinha à creche. Naquele dia, ela estava com um belo vestido novo que a professora lhe dera de presente.

Às 13h15, Reeves foi buscar o marido no escritório para almoçar. Enquanto falava sobre como Ray Ray havia ficado linda com o vestido, Brett estranhamente emudeceu. De repente, pediu à esposa que o levasse de volta ao seu trabalho. Ela imaginou que ele havia esquecido algo. No entanto, quando perguntou o que estava acontecendo, Brett respondeu: “Não me lembro de ter deixado Ray Ray na creche hoje de manhã.” Reeves ligou imediatamente para a polícia. Os paramédicos trabalharam por 40 minutos tentando reanimar a garotinha, e então a levaram para o hospital infantil local. Pouco depois, ela foi declarada morta por parada cardíaca.

Tragicamente, a Síndrome do Bebê Esquecido é mais comum do que se possa imaginar. Ray Ray foi apenas uma das 33 crianças que morreram nos Estados Unidos naquele ano por causa do superaquecimento do carro no qual foram deixadas. Entretanto, em Isaías 49:15 encontramos a maravilhosa promessa de que, até mesmo se os pais se esquecerem do próprio filho, Deus nunca Se esqueceria de nós. “Ele conhece cada indivíduo por nome, e cuida de cada um como se não houvesse na Terra nenhum outro por quem houvesse dado Seu bem-amado Filho” (A Ciência do Bom Viver, p. 229).

Alguns pais têm um filho favorito em relação aos outros (Gn 37:3, 4), mas o Senhor não discrimina ninguém. Isso quer dizer que cada um de nós, inclusive você, é o filho preferido Dele.


Sexta-feira – 13 de julho

O número 13

Falava Ele ainda, quando chegou uma multidão; e um dos doze, o chamado Judas, que vinha à frente deles, aproximou-se de Jesus para O beijar. Jesus, porém, lhe disse: Judas, com um beijo trais o Filho do Homem? Lucas 22:47, 48

Muitas pessoas ainda consideram que o 13 é um número de azar. Evitam se assentar na fileira 13 em aviões ou se hospedar no andar 13 de hotéis. Têm medo das sextas-feiras 13 e, ainda pior para alguns, de sexta-feira 13 de agosto. Nesses dias, preferem ficar em casa e não fazer nenhum negócio sério. Mas como essas superstições começaram?

Há várias teorias que justificam o “13 azarado”. Por exemplo, em contraste com o 12, símbolo de completude, o número 13 tem sido considerado incompleto. Alguns místicos argumentam que Jesus e os 12 apóstolos formavam um grupo de 13; mas, quando Judas, o traidor, foi embora, o grupo se reduziu para o ideal de doze. No dia 13 de abril de 1970, um dos tanques de oxigênio da Apollo 13 explodiu, e a missão precisou ser abortada. Vários exemplos semelhantes poderiam ser acrescentados a essa lista.

Acerca da “sexta-feira 13”, alguns argumentam que a sexta-feira na qual Judas traiu Jesus foi o dia 13 de nisã do calendário judaico, ao passo que as únicas possibilidades seriam os dias 14 ou 15 de nisã. Na sexta-feira 13 de outubro de 1307, Filipe IV da França prendeu centenas de cavaleiros templários. É importante destacar que o romance Sexta-feira 13, de Thomas W. Lawson, ajudou a popularizar a superstição.

A “sexta-feira 13 de agosto” uniu algumas dessas teorias com a má reputação de agosto em algumas culturas. Por exemplo, as noivas portuguesas evitavam se casar em agosto porque era o mês no qual os marinheiros costumavam partir em longas viagens, e as mulheres recém-casadas não queriam ser deixadas sozinhas, sem lua de mel. No Brasil, agosto é conhecido como o mês azarado dos cachorros loucos, no qual os cães costumavam ser vacinados contra raiva.

Sem dúvida, muitos desastres aconteceram em sextas-feiras 13, assim como nos outros dias do ano. Tudo depende da perspectiva da qual se olha. O problema começa quando as coincidências passam a ser encaradas como norma e as exceções são consideradas a regra. Para aqueles que confiam em Deus e colocam a vida em Suas mãos, não há motivo para se preocupar com superstições infundadas. Afinal, “se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8:31).


Quinta-feira – 12 de julho

A vida de Cristo

O Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio Dele, mas o mundo não O conheceu. Veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam. João 1:10, 11

A encarnação do Filho de Deus é o mistério mais incrível que já aconteceu. De que modo o Criador e Mantenedor do Universo inteiro assumiu a natureza humana e viveu entre nós como um pobre ser humano? De fato, a vida de Cristo é o assunto mais sublime sobre o qual podemos refletir. Nenhum outro tema tem poder transformador tão forte.

Desde os primeiros dias de seu ministério profético, Ellen White escreveu muito sobre Cristo. Durante os anos que passou na Austrália (1891-1900), também dedicou boa parte de seu tempo a um abrangente projeto sobre a vida de Cristo. Em 12 de julho de 1892, ela escreveu em seu diário: “Esta tarde, escrevi uma série de páginas sobre a vida de Cristo. Anseio por uma grande porção do Espírito de Deus, para que seja capaz de escrever as coisas de que as pessoas necessitam” (Manuscrito 34, 1892). Esse foi o início de um grande projeto que resultaria na publicação de três livros muitos inspiradores: O Maior Discurso de Cristo (1896), O Desejado de Todas as Nações (1898) e Parábolas de Jesus (1900).

Na sexta-feira, 15 de julho de 1892, ela escreveu uma carta para Ole A. Olsen, presidente da Associação Geral, na qual reconheceu: “Caminho com tremor perante Deus. Não sei como falar ou registrar com a pena o grande tema do sacrifício expiatório. Não sei como apresentar assuntos do poder vivo que aparecem diante de mim. Tremo com medo de diminuir o grande plano da salvação por meio de palavras baratas. Prostro minha alma com temor e reverência perante Deus e digo: ‘Quem é suficiente para estas coisas?’” (Carta 40, 1892).

Com o auxílio de uma assistente editorial, Ellen White usou o conteúdo de muitos artigos que já havia escrito sobre o assunto, várias citações confiáveis de outros autores, aspectos da vida de Cristo mostrados para ela em visão e muitas informações novas que escreveu sob a orientação do Espírito Santo. Finalmente, em outubro de 1898, O Desejado de Todas as Nações saiu do prelo como uma das exposições mais maravilhosas da vida e do ministério de Cristo.

Hoje temos os quatro evangelhos do Novo Testamento e muitas outras reflexões confiáveis sobre a vida de Cristo, inclusive os três livros mencionados acima. Que tal começar um novo plano de leitura e estudo sobre a vida do nosso amado Salvador Jesus Cristo?


Quarta-feira – 11 de julho

Cuidando do nosso tempo

Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio. Salmo 90:12

Nós existimos na dimensão do tempo e inclusive mensuramos nossa existência por meio da contagem dos anos. As civilizações antigas usavam relógios solares a fim de marcar as horas do dia. Ao longo dos séculos, relógios mecânicos foram desenvolvidos, os quais passaram a ser movidos por corda ou por um pêndulo.

O Big Ben, em Londres, é o maior relógio carrilhão de quatro faces do mundo. “Big Ben” é o apelido do grande sino do relógio, mas, por extensão, pode se referir também ao relógio em si e até mesmo à torre do relógio. O grande relógio começou a funcionar no dia 31 de maio de 1859, e o Big Ben badalou a hora pela primeira vez alguns meses depois, em 11 de julho de 1859. No entanto, após dois meses, o grande sino estragou e ficou em silêncio por quatro anos. Durante esse período, a hora era marcada pelo sino do último quarto de hora.

Com o tempo, os relógios mecânicos convencionais foram, em sua maioria, substituídos pelos eletrônicos e até mesmo por relógios de quartzo e de pulso. Os relógios atômicos modernos alcançaram um nível extraordinário de precisão. Os fabricantes afirmam que os relógios atômicos de estrôncio nunca atrasarão nem adiantarão um segundo por 15 bilhões de anos. Hoje também escutamos sobre horários padrões, como o Tempo Médio de Greenwich (TMG), o Tempo Atômico Internacional (TAI) e o Tempo Universal Coordenado (conhecido pela sigla em inglês UTC), que são escalas de tempo muito precisas.

Por mais significativas que sejam as medidas temporais, o mais importante para cada um de nós é como gastamos o tempo que temos. Ellen White aconselha: “Só se pode viver esta vida uma vez” (Filhas de Deus, p. 150). “A vida é misteriosa e sagrada. É a manifestação do próprio Deus, fonte de toda a vida. Preciosas são as oportunidades que ela encerra, e devem ser zelosamente aproveitadas. Uma vez perdidas, desaparecem para sempre” (A Ciência do Bom Viver, p. 397).

O tempo é um dom sagrado de Deus para cada um de nós. Devemos considerá-lo tão precioso quanto a própria vida. Não existimos fora do tempo e não podemos estendê-lo, encurtá-lo nem recuperá-lo. A única coisa que podemos e devemos fazer é definir nossas prioridades e administrar nossa vida da melhor maneira possível dentro do tempo disponível para nós.

O relógio não para, e cada momento tem consequências eternas. Então por que não fazer uma pausa e refletir sobre como você tem gastado seu tempo? Que o Senhor nos ajude a sempre fazer uso de nosso tempo com sabedoria!


Terça-feira – 10 de julho

Missionários voluntários

Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim. Isaías 6:8

Cuidar dos jovens significa cuidar do futuro da igreja. Com o objetivo de ajudar seus amigos não muito espirituais, Luther Warren (de 14 anos) e Harry Fenner (de 17) organizaram, em 1879, na pequena igreja do interior em Hazelton, Michigan, a primeira sociedade adventista do sétimo dia de jovens. Outras sociedades semelhantes surgiram em diferentes partes dos Estados Unidos e em outros países.

Um evento crucial para a organização da obra em favor dos jovens adventistas foi a Convenção de Jovens e da Escola Sabatina realizada de 10 a 21 de julho de 1907 em Mount Vernon, Ohio. As palestras e o debate enfatizaram o engajamento da juventude na missão adventista ao mundo. Após cuidadoso estudo e muita deliberação, a convenção decidiu o seguinte: “Resolvido: que a organização dos jovens na Associação Geral, nas Uniões e Associações locais ficará conhecida como Departamento de Jovens Missionários Voluntários e que a organização nas igrejas locais receberá o nome de Sociedade de Jovens Missionários Voluntários Adventistas do Sétimo Dia.”

O presidente da Associação Geral, Arthur G. Daniells, que participou da convenção, observou que esse nome identificava: (1) o nome de nossa denominação, “adventistas do sétimo dia”; (2) o segmento da igreja envolvido, “sociedade de jovens” e (3) o propósito do departamento, “missionários voluntários”. Ao longo dos anos, os missionários voluntários, hoje conhecidos como jovens adventistas, se tornaram uma das forças mais dinâmicas de cuidado espiritual e evangelismo da igreja.

Ellen White fez o seguinte apelo: “Para que a obra possa avançar em todos os ramos, Deus pede vigor, zelo e coragem juvenis. Ele escolheu a juventude para ajudar no progresso de Sua causa. Planejar com clareza de espírito e executar com mãos valorosas exige energias novas e sãs. Os jovens, homens e mulheres são convidados a consagrar a Deus a força de sua juventude, a fim de que, pelo exercício de suas faculdades, mediante vivacidade de pensamento e vigor de ação, possam glorificá-Lo, e levar salvação a seus semelhantes” (Obreiros Evangélicos, p. 67).

Como estão os jovens em sua igreja? Ligados a Cristo e unidos? E você, como vai? O que você pode fazer para crescer espiritualmente e também ajudar outros a renovar sua fé e seu compromisso com a missão?


Segunda-feira – 09 de julho

Estude a Palavra

Procure apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar e que maneja corretamente a palavra da verdade. 2 Timóteo 2:15, NVI

Em minha infância, eu gostava de participar do programa de jovens no sábado à tarde em nossa igreja, que ficava na zona rural. Entre outras atividades empolgantes, havia um concurso de quem era a pessoa mais rápida a encontrar e ler passagens bíblicas específicas. Geralmente, minha irmã Eleda ganhava a disputa. Parece que a Bíblia dela sempre se abria automaticamente nos diferentes versículos! Entretanto, esse exercício seria praticamente impossível nas primeiras Bíblias, que eram divididas somente por livros, sem capítulos ou versículos.

Isso começou a mudar com uma iniciativa de Stephen Langton (c. 1150-1228), um influente arcebispo da Cantuária que faleceu em 9 de julho de 1228. Ele recebe o crédito por ter dividido a Bíblia na disposição padrão moderna de capítulos. Em 1448, o rabino judeu Mordecai Nathan subdividiu o Antigo Testamento em versículos. Em 1551, Robert Stephanus (também conhecido como Robert Estienne) manteve a divisão essencial de Nathan do Antigo Testamento e acrescentou uma subdivisão semelhante ao Novo Testamento. A primeira Bíblia completa com divisões em capítulos e versículos foi a Bíblia de Genebra, de 1560, uma influente tradução protestante para o inglês, anterior à versão King James.

Na realidade, o que significa manejar corretamente a Palavra da verdade? Compreende pelo menos quatro aspectos importantes: (1) demonstrar familiaridade com a Bíblia; (2) respeitar a Bíblia como a Palavra de Deus; (3) interpretar corretamente seu conteúdo; e (4) permitir que a Palavra de Deus transforme nossa vida. “Ao tomar a Bíblia nas mãos, lembrai-vos de que estais sobre terra santa” (Fundamentos da Educação Cristã, p. 195).

Muito mais do que apenas um bom livro, a Bíblia deve ser a luz de nossa vida (Sl 119:105). “Tornai a Bíblia vosso conselheiro. Vossas relações com ela se estreitarão rapidamente se mantiverdes a mente livre das escórias do mundo. Quanto mais a Bíblia for estudada, tanto mais profundo será vosso conhecimento de Deus. As verdades de Sua Palavra vos serão escritas na alma, aí deixando indelével impressão” (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 484).

As Escrituras Sagradas trazem alegria, significado e esperança para nós. A Bíblia é a ponte divina que conecta o tempo com a eternidade (Is 40:6-8) e o mapa seguro para a vida eterna.


Domingo – 08 de julho

Nenhum inferno eterno

Não lhes deixará nem raiz nem ramo. Malaquias 4:1

Muitos pregadores e autores cristãos retrataram o inferno da maneira mais dramática possível. Por exemplo, em 8 de julho de 1741, Jonathan Edwards, célebre teólogo e pregador norte-americano do século 18, assustou a congregação em Enfield, Connecticut, com seu famoso sermão “Pecadores nas Mãos de um Deus Irado”. Ele afirmou sem rodeios que, a qualquer momento, os ouvintes impenitentes poderiam ser engolidos pelas “chamas reluzentes da ira de Deus”, a fim de sofrer incessantemente no inferno por “milhões e milhões de eras”. As pessoas imploraram tão alto pela misericórdia divina que Edwards não conseguiu terminar seu sermão.

Boa parte do conceito medieval de inferno foi expresso no poema épico de Dante Alighieri, A Divina Comédia, no qual o inferno é colocado no interior da Terra e alcançado por meio de nove círculos de sofrimento. Em seu livreto The Sight of Hell (A Visão do Inferno), o padre católico inglês John Furniss (1809-1865) ilustra o tormento eterno por meio de uma grande bola maciça de ferro, maior que os céus e a Terra. “Um pássaro vem uma vez a cada cem milhões de anos e apenas toca a grande bola de ferro com uma pluma de suas asas”. A queima dos pecados no inferno continua até depois da bola de ferro se desgastar por esse toque ocasional da pena! Mas se a vida neste planeta é tão curta (Sl 90:9, 10), por que Deus puniria os pecadores impenitentes de maneira tão severa e por toda a eternidade?

Quando criança e adolescente, Ellen Harmon (posteriormente White) muito se afligia com a noção de um inferno a queimar por toda a eternidade. Na mente de Ellen, “a justiça de Deus obscurecia Sua misericórdia e Seu amor”, até ela entender os ensinos bíblicos de que os seres humanos não são naturalmente imortais e que todos os pecadores impenitentes serão por fim destruídos (Life Sketches of Ellen G. White, p. 29-31, 48-50). Mais tarde, ela até escreveu que a exclusão dos ímpios do Céu e sua destruição final são atos de misericórdia divina por eles (O Grande Conflito, p. 543).

O pecado e o sofrimento tiveram um início e não faziam parte do plano original de Deus. Eles serão completamente erradicados quando o Senhor fizer “novas todas as coisas” (Ap 21:5) a fim de restaurar o Universo a sua perfeição original. O amor triunfará para sempre sobre o pecado!


Sábado – 07 de julho

Dia de sorte?

E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera. Gênesis 2:3

Desde os tempos antigos, o número “sete” tem sido considerado símbolo de completude e perfeição. O clímax da alegria e do contentamento era definido como “estar no sétimo céu”. Não é de se espantar que tenha ocorrido tanta expectativa mística em torno do sábado 7 de julho de 2007. A data calhou de cair no sétimo dia da semana, além de ser o sétimo dia do sétimo mês do sétimo ano do milênio. Esse dia do calendário foi numericamente abreviado como “7/7/07”.

Jogadores e apostadores previram que a data seria um dia de sorte. Um site de planejamento de casamento registrou 38 mil casais que escolheram esse dia para a cerimônia, mais do triplo do número de casamentos em qualquer outro dia do ano. Além disso, o evento “Terra Viva: Concertos para um Clima em Crise” foi realizado em diversas partes do mundo.

Enquanto isso, em muitas cidades brasileiras, a Igreja Adventista do Sétimo Dia organizou, para o dia 7/7/07, eventos especiais enfatizando que o sábado é o Dia Mundial da Alegria. Eu participei dessa grande cruzada pregando sobre o significado do sábado na igreja do campus do Unasp em Engenheiro Coelho. Que alegria celebrar o sábado no sétimo dia, segundo o mandamento (ver Êx 20:8-11)!

O sábado chega até nós toda semana, interrompendo nossa rotina de vida frenética e competitiva, a fim de nos fazer lembrar de nossas prioridades espirituais. Ele é o santuário de Deus no tempo, ensinando que a vida é mais importante que as coisas e nos convidando a passar um tempo especial com o Senhor e os outros seres humanos. O sábado é um canal de bênçãos para a humanidade e um protótipo do sábado que os remidos guardarão ao longo de toda a eternidade (Is 66:22, 23).

A convidativa promessa de Deus para nós hoje é: “‘Se você vigiar seus pés para não profanar o sábado e para não fazer o que bem quiser em Meu santo dia; se você chamar delícia o sábado e honroso o santo dia do Senhor, e se honrá-lo, deixando de seguir seu próprio caminho, de fazer o que bem quiser e de falar futilidades, então você terá no Senhor a sua alegria, e Eu farei com que você cavalgue nos altos da terra e se banqueteie com a herança de Jacó, seu pai’. É o Senhor quem fala” (Is 58:13, 14, NVI).


Sexta-feira – 06 de julho

Testemunho em meio às chamas

Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado. Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda. 2 Timóteo 4:6-8

Imaginemos que você estivesse visitando a cidade imperial de Constança (no sul da Alemanha) em julho de 1415. Naquela ocasião a cidade estava cheia de gente em razão do famoso Concílio de Constança (1414-1418), que tinha como objetivos: (1) resolver a controvérsia entre três papas simultâneos rivais – Gregório XII, Benedito XIII e João XXIII – cada um deles alegando ser o verdadeiro sucessor de Pedro; (2) reformar o governo eclesiástico e a vida moral; (3) erradicar as heresias.

No início da manhã de sábado do dia 6 de julho de 1415, João Hus, professor influente da Universidade de Praga, compareceu diante do concílio reunido na catedral de Constança. Foi oficialmente sentenciado como excomungado da igreja e criminoso. Seis bispos cumpriram a ordem de degradação. Retiraram suas roupas e destruíram sua coroa de clérigo; colocaram em sua cabeça um capuz coberto com imagens do diabo e com a palavra “arqui­herege” escrita; e encomendaram sua alma ao diabo. Escoltado pelas ruas de Constança, viu seus livros sendo queimados em praça pública.

No local da execução, seus braços foram amarrados atrás das costas; seu pescoço foi atado à escada por meio de uma corrente; palha e madeira foram empilhados em volta de seu corpo. Pela última vez, ofereceram-lhe a vida caso se retratasse. Ele respondeu: “Morrerei com alegria hoje na fé do evangelho que tenho pregado.” À medida que as chamas subiam, ele cantou duas vezes: “Cristo, Tu, ó filho do Deus vivo, tem misericórdia de mim.” O vento soprou o fogo sobre seu rosto, silenciando sua voz. Ele morreu orando e cantando. A execução de Hus despertou a nação boêmia, e a Reforma foi levada adiante pelos hussitas e, posteriormente, por Martinho Lutero.

João Hus refletiu o espírito dos mártires que preferiram morrer a trair seu Senhor e Salvador. Cremos que Hus receberá a “coroa da justiça”. Mas e você e eu? Temos o mesmo espírito?


Quinta-feira – 05 de julho

A ovelha Dolly

Todas as coisas foram feitas por intermédio Dele; sem Ele, nada do que existe teria sido feito. Nele estava a vida, e esta era a luz dos homens. João 1:3, 4, NVI

Deus é a Fonte da vida, cuja palavra poderosa trouxe à existência todos os seres vivos em Seu vasto Universo. “Os céus por Sua palavra se fizeram, e, pelo sopro de Sua boca, o exército deles. […] Pois Ele falou, e tudo se fez; Ele ordenou, e tudo passou a existir” (Sl 33:6, 9). Por serem apenas criaturas, os seres humanos são incapazes de criar quaisquer formas de vida, embora seja possível manipulá-las geneticamente.

Em 5 de julho de 1996, a ovelha Dolly nasceu por meio de uma série de experimentos genéticos e reprodutivos realizados pelo Instituto Roslin, em Edimburgo, Escócia. Ela foi clonada a partir de uma célula retirada da glândula mamária de uma ovelha da raça Finn Dorset, de seis anos de idade, e de um óvulo de uma ovelha da raça Scottish Blackface. Desde então, muitos outros grandes mamíferos foram clonados com sucesso. Esses experimentos poderiam abrir as portas para o desenvolvimento de uma nova geração humana geneticamente modificada.

Em fevereiro de 1997, o presidente norte-americano Bill Clinton pediu à Comissão Nacional de Aconselhamento Bioético dos Estados Unidos que estudasse as questões legais e éticas envolvidas nesses experimentos. A Comissão concluiu que era moralmente inaceitável que qualquer pessoa “do setor público ou privado, seja em ambiente clínico ou de pesquisa”, tentasse “criar uma criança usando clonagem por transferência de célula somática nuclear”.

A Declaração Universal da Unesco sobre o Genoma Humano e Direitos Humanos, assinada em 11 de novembro de 1997, afirmou: “Práticas contrárias à dignidade humana, como a clonagem reprodutora de seres humanos, não devem ser permitidas.” Em janeiro de 1998, o presidente francês Jacques Chirac fez o apelo para que fosse decretada a proibição da clonagem humana. Contudo, por quanto tempo a comunidade científica respeitará essas restrições?

É inquestionável que muitos experimentos genéticos ajudaram a resolver problemas tradicionalmente considerados incuráveis. Mas outras experiências se tornaram desrespeitosas a Deus e à Sua criação extraordinária. É importante lembrar que o Senhor criou a humanidade à Sua imagem e semelhança (Gn 1:26) e devemos respeitá-la assim. Deixemos Deus ser Deus e Sua criação permanecer conforme Sua intenção original.


Quarta-feira – 04 de julho

O debate de Leipzig

Então, Jesus lhe perguntou: Que está escrito na Lei? Como interpretas? Lucas 10:26

Você já discutiu com alguém que não enxerga as coisas da sua perspectiva? Sem pontos em comum, a discussão pode prosseguir quase que indefinidamente. Foi isso que aconteceu com Martinho Lutero no famoso debate de Leipzig, em 1519, considerado um dos maiores debates de toda a história da Europa.

Muita tensão estava surgindo entre o movimento protestante emergente e a Igreja Católica Romana. Após algumas discussões, os dois grupos concordaram em realizar um debate acadêmico em Leipzig, Alemanha. O evento começou oficialmente no dia 27 de junho. Johann Eck defendeu a Igreja Católica Romana, ao passo que Andreas Carlstadt representou o grupo protestante. Com sua leitura monótona, Carlstadt estava apresentando um bom conteúdo, mas perdendo o interesse dos ouvintes.

Já benquisto por muitos espectadores, Eck estava certo de que chegara o momento de trazer o próprio Lutero para a arena. Na manhã de 4 de julho de 1519, “os dois maiores debatedores da Alemanha” começaram a disputa. Lutero reconhecia que estava vivendo alguns dos dias mais cruciais de sua vida. Havia muito em jogo naquele debate! Por causa da falta de pontos em comum entre os oradores, nunca chegaram a um consenso. Ao passo que Lutero tentava permanecer fiel às Escrituras, Eck distorcia a Bíblia a fim de apoiar a autoridade do papa e a tradição católica. Assim, o debate terminou no dia 14 de julho com o público dividido.

Podemos aprender lições importantes com base naquele debate. Em primeiro lugar, nem todos que têm as melhores habilidades para convencer as pessoas estão mais fundamentados na verdade. Em muitos casos, a persuasão é usada para acobertar informações não confiáveis e distorcidas. Em segundo lugar, antes de estudar a Bíblia com alguém, precisamos ter a certeza de que a pessoa aceita a autoridade das Escrituras e está disposta a permitir que a Bíblia interprete a si mesma. Em um mundo com tantas interpretações conflitantes das Escrituras, somos chamados por Deus para exaltar “a Bíblia, e a Bíblia só, como norma de todas as doutrinas e base de todas as reformas” (O Grande Conflito, p. 595).


Terça-feira – 03 de julho

Nova Jerusalém

Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo. Apocalipse 21:2

Muitos cristãos ainda acreditam que Israel desempenhará um papel crucial no cenário escatológico do tempo do fim. Para eles, as profecias do Antigo Testamento acerca da restauração de Jerusalém e da fundação do reino messiânico (Zc 12–14) receberão um cumprimento literal. Para que isso ocorra, o Estado de Israel precisaria ser restabelecido, e o templo de Jerusalém, reconstruído em seu local original, no monte Moriá (2Cr 3:1).

Theodor Herzl (1860-1904) foi um jornalista e ativista político austro-húngaro. Ele fundou a Organização Sionista Mundial e promoveu a migração de judeus para a Palestina, visando à criação de um estado judaico. O líder morreu em 3 de julho de 1904, mas é considerado, de modo geral, o pai do Estado de Israel, fundado 44 anos depois.

Em seu popular livro A Agonia do Grande Planeta Terra (1970), Hal Lindsey sugeriu que, em 1948, havia começado a última contagem regressiva profética e, 40 anos depois (c. 1988), iniciaria uma suposta tribulação de sete anos, ao fim da qual (c. 1995) Cristo viria reinar em um trono literal em Jerusalém. Entretanto, todas essas datas passaram e nada aconteceu. O que deu errado na interpretação de Lindsay?

Em Daniel 9, Gabriel fala sobre a reconstrução do templo de Jerusalém ao final dos 70 anos de cativeiro babilônico (Dn 9:20-27). Esse é o ponto de partida tanto das 70 semanas de Daniel 9:24 a 27 quanto dos 2.300 dias simbólicos de Daniel 8:14. Entretanto, em nenhuma passagem a Bíblia fala sobre a fundação recente do Estado de Israel como ponto de início de qualquer período profético do tempo do fim, conforme Lindsay sugeriu. Muitas profecias do Antigo Testamento acerca da restauração de Jerusalém e do templo foram cumpridas pelos judeus que retornaram do cativeiro babilônico, conforme contam os livros de Esdras e Neemias.

A expectativa escatológica do Novo Testamento não se limita ao Estado de Israel e ao Oriente Médio. Em vez disso, trata-se de uma realidade celestial. Abraão aguardava a cidade “da qual Deus é o arquiteto e edificador” (Hb 11:10). E os filhos de Deus de todas as eras e do mundo inteiro O servirão de igual maneira perante Seu trono no templo celestial (Ap 7:15), dentro da nova Jerusalém (Ap 21:2). Essa também é nossa gloriosa herança!


Segunda-feira – 02 de julho

Os pontos de virada da vida

Ora, aconteceu que, indo de caminho e já perto de Damasco, quase ao meio-dia, repentinamente, grande luz do céu brilhou ao redor de mim. Então, caí por terra, ouvindo uma voz que me dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? Atos 22:6, 7

Você já enfrentou alguma situação ameaçadora que mudou radicalmente o rumo de sua vida? Algumas situações tristes podem ser causadas por nossos erros pessoais. Outras podem ocorrer por seguirmos um conselho equivocado. Outras ainda podem estar completamente fora de nosso controle. Elas simplesmente acontecem! A despeito das causas, a partir de então nossa vida nunca mais é a mesma.

Seguindo o desejo de seu pai, Martinho Lutero começou a estudar direito na Universidade de Erfurt, com uma carreira promissora pela frente. Seis semanas depois, tirou um período curto de férias para visitar os pais em Mansfeld. No caminho de volta, em 2 de julho de 1505, Lutero enfrentou uma tempestade horrível e foi lançado por terra por um raio assustador. Desesperado, clamou: “Ajuda-me, Sant’Ana e me tornarei monge.” Como seu pai era mineiro e Sant’Ana era a padroeira dos mineiros, não surpreende que tenha feito o voto a ela.

Alguns críticos consideram que a experiência de Lutero com o raio não passa de uma lenda, mas ele próprio a descreveu como fato. Não sabemos ao certo se, antes disso, ele já estava contemplando a possibilidade de se tornar monge ou não. De todo modo, foi um grande ponto de virada em sua vida. Na noite de 16 de julho, ele deu um jantar de despedida aos amigos. Na manhã seguinte, entrou para o mosteiro agostiniano de Erfurt, cidade com tantos mosteiros que era até chamada de “pequena Roma”. Esse foi o início de uma longa peregrinação religiosa, da qual ele emergiria como o poderoso reformador protestante.

“A vida começa no fim de sua zona de conforto” (N. D. Walsch). Um raio assustador ajudou Lutero a abrir mão dos estudos de Direito e começar uma nova vida no monastério. Uma teofania (aparição pessoal de Cristo) temível perto de Damasco converteu Saulo, de perseguidor dos cristãos a um apóstolo incansável de Jesus Cristo. De igual maneira, Deus pode nos tirar da zona de conforto a fim de nos usar em Sua causa.

Deus nos pergunta hoje: “A quem enviarei, e quem há de ir por nós?” Por que esperar medidas drásticas para nos despertar? Que a sua resposta seja a mesma de Isaías: “Eis-me aqui, envia-me a mim” (Is 6:8).


Domingo – 01 de julho

Verdadeiros milagres modernos

Caiam mil ao teu lado, e dez mil, à tua direita; tu não serás atingido. Salmo 91:7

Milagres carismáticos modernos ocorrem quase que exclusivamente em palcos, em frente a um imenso auditório e transmitidos por televisão ao maior número possível de pessoas. Mas Deus não depende de estratégias publicitárias para trabalhar em favor de seus servos fiéis (Mt 7:21-23). No inspirador livro Mil Cairão ao Teu Lado, Susi Hasel Mundy conta a história extraordinária de como Deus protegeu milagrosamente seu pai, Franz Hasel, e sua família dentro da Alemanha hitlerista durante a Segunda Guerra Mundial.

Franz Hasel, adventista do sétimo dia e pacifista convicto, foi recrutado e enviado para a Companhia Pioneira 699, tropa de elite de Hitler que construía pontes na frente do combate. Em 1o de julho de 1941, os pioneiros receberam a ordem de atravessar a fronteira da Polônia e entrar na Ucrânia. Após dias marchando, muitos soldados estavam extremamente exaustos. Aqueles que não conseguiam prosseguir, eram simplesmente deixados para trás para morrer doentes ou ser mortos pelos russos. Franz também estava esgotado e com febre muito alta. Suas meias estavam em farrapos e bolhas imensas cobriam os pés inchados.

Sem qualquer esperança quanto ao futuro, Franz orou: “Querido Senhor, Tu sabes que minha vida pertence a Ti. Quando saí de casa, senti a certeza de que Tu me levarias de volta em segurança para minha família. […] Mas aqui estou, doente e sem condições de continuar. Se não me ajudares, estarei perdido. Sei que és um Deus que cumpres Tuas promessas. Entrego-me em Tuas mãos.” Logo depois, adormeceu. O toque de alvorada foi às 3h15 da manhã. Para sua grande surpresa, seus pés estavam completamente curados, cobertos por pele nova e sem nenhuma casca! Essa foi apenas uma das várias ocasiões ameaçadoras nas quais Deus o protegeu.

Dos 1.200 que integraram a Companhia Pioneira, somente sete sobreviveram; dentre eles, Franz. A experiência de Franz expressa o cuidado protetor de Deus conforme prometido no Salmo 91:7: “Caiam mil ao teu lado […] tu não serás atingido.” Em seu lar, a esposa e os filhos de Franz testemunharam o cumprimento de Salmo 91:10: “Nenhum mal te sucederá, praga nenhuma chegará à tua tenda.” Inquestionavelmente, o poder de Deus não enfraqueceu, e Suas promessas jamais se desgastam. Ele cuida de você e nunca o abandonará. É capaz de protegê-lo hoje assim como fez com a família de Hasel.


JULHO 2018


Sábado – 30 de junho

Muros e pontes

Pois Ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um e destruiu a barreira, o muro de inimizade. Efésios 2:14, NVI

Na China, são encontradas algumas das estruturas mais impressionantes construídas pelo ser humano. Uma delas é a Grande Muralha, que começou a ser edificada por volta de 221 a.C., por ordem do imperador Qin Shi Huang. A fim de impedir invasões de nômades bárbaros ao Império Chinês, ela foi expandida de maneira significativa ao longo dos séculos. Uma pesquisa preliminar sugeriu que a edificação tinha somente 8.850 quilômetros de extensão. Mas, em 2012, estudos arqueológicos mais precisos revelaram que essa estrutura histórica, incluindo uma série de fortificações, tem 21.196 quilômetros de comprimento.

Outra construção chinesa impressionante é a Grande Ponte Danyang-Kunshan, uma ferrovia elevada de alta velocidade, com 164,8 quilômetros, entre Xangai e Nanjing. Ela atravessa o delta do rio Yangtze, com seus arrozais alagados, rios e lagos. Construída em apenas quatro anos por cerca de 10 mil trabalhadores, a ponte foi concluída em 2010 e aberta para serviço comercial em 30 de junho de 2011. É, de longe, a maior ponte já construída até aqui. Atualmente, a China tem tanto a muralha quanto a ponte de maior extensão do mundo.

O evangelho também nos convida a construir fortes muros espirituais para nos separar do pecado e pontes sociais concretas que nos aproximem dos pecadores que necessitam de salvação. Contudo, no que diz respeito aos relacionamentos interpessoais, “construímos muros demais e pontes de menos”, conforme escreveu Isaac Newton. De fato, há muitos construtores de muros, sem medo de separar casamentos, famílias e amizades próximas. Por outro lado, existem também construtores de pontes que superam todos os tipos de problemas a fim de reconciliar vínculos partidos.

Jesus foi uma pessoa extremamente sociável que quebrou muitos muros da sociedade de Seu tempo. “Em cada ser humano Ele divisava infinitas possibilidades. Via os homens como poderiam ser transfigurados por Sua graça” (Educação, p. 80). “Se nos humilhássemos perante Deus e fôssemos bondosos e corteses, compassivos e piedosos, haveria uma centena de conversões à verdade onde agora há apenas uma” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 9, p. 189).

Como nosso mundo seria diferente se você e eu nos tornássemos construtores de pontes para compartilhar o amor salvífico de Deus por aqueles que estão a perecer!


Sexta-feira – 29 de junho

Ética evangelística

Paulo respondeu: Assim Deus permitisse que, por pouco ou por muito, não apenas tu, ó rei, porém todos os que hoje me ouvem se tornassem tais qual eu sou, exceto estas cadeias. Atos 26:29

O evangelismo é o pulsar do coração da igreja e o motivo de sua existência. Mas, até que ponto podemos evangelizar as pessoas sem infringir sua liberdade religiosa? Essa pergunta crucial é abordada brevemente no documen­to “Declaração adventista do sétimo dia sobre liberdade religiosa, evangelismo e proselitismo”, emitida na assembleia da Associação Geral em Toronto, iniciada em 29 de junho de 2000. O texto reconhece que a “liberdade de religião é um direito humano básico”, subentendendo que nenhum método evangelístico de coerção pode ser utilizado em quaisquer circunstâncias. Os adventistas acreditam que “a fé e a religião são mais bem disseminadas quando as convicções são manifestadas e ensinadas com humildade e respeito, e quando o testemunho de vida do indivíduo se encontra em harmonia com a mensagem anunciada, evocando uma aceitação livre e alegre dos evangelizados”.

Ao convidarem outros a se unir à Igreja Adventista, os membros devem demonstrar respeito pelas demais denominações. C. Mervyn Maxwell (1925-1999) declarou: “Quando os adventistas convidam um amigo para deixar sua denominação e se tornar adventista do sétimo dia, não esperam que ele abra mão de tudo que conhece como metodista, batista, presbiteriano ou católico. Longe disso! Cada bela faceta da verdade que a pessoa aprendeu sobre Jesus em sua antiga igreja deve ser entesourada com fervor ainda maior dentro da Igreja Adventista do Sétimo Dia, acrescentado às coisas gloriosas que sabia a grande verdade virtuosa descoberta pelos adventistas do sétimo dia.”

Maxwell também diz: “Quando um adventista diz que tem ‘a verdade’, ele não está se vangloriando. Não se trata da verdade dele. É a verdade de Deus. Verdade esta que Deus revelou não para satisfazer a curiosidade, mas para ser espalhada por todos os lugares e para todos os que se dispuserem a ouvir, para todos aqueles por quem Cristo deu Sua vida” (Tell It to the World [Conte ao Mundo], p. 113, 114).

Algumas pessoas enfatizam em excesso a liberdade religiosa, ao ponto de menosprezar a grande comissão evangélica feita por Cristo(Mt 28:18-20). Outros salientam o proselitismoa ponto de impedir que as pessoas façam a escolha por si mesmas. Devemos pregar o evangelho com a mesma convicção e intencionalidade de Paulo, permitindo que cada pessoa tome sua decisão.


Quinta-feira – 28 de junho

A linguagem das roupas

Toda formosura é a filha do Rei no interior do palácio; a sua vestidura é recamada de ouro. Em roupagens bordadas conduzem-na perante o Rei. Salmo 45:13, 14

Em 28 de junho de 1837, aos 18 anos de idade, a rainha Vitória foi coroada rainha do poderoso Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda. Com apenas 1,52 metro de altura, ela reinou por 63 anos e influenciou o estilo de vida e a moda da chamada era vitoriana. “Antes de 1837-1901, os homens eram o foco da moda, mas com uma rainha no poder, as mulheres subiram ao palco. O papel da esposa passou a ser mostrar a posição e a riqueza do marido ao público, ao passo que o esposo em si se retraiu para os bastidores” (Sharina Al Falasi).

No decorrer da história, muitas outras personalidades políticas e estrelas sociais exerceram influência sobre o estilo de vida das pessoas. Contudo, as discussões sobre moda e vestuário tendem a ser acaloradas, divisoras e até competitivas. Por exemplo, no contexto religioso, alguns creem que o verdadeiro cristão nunca deve seguir a moda do mundo. Outros argumentam que a pessoa pode se vestir como quiser, pois o que importa é o interior, não o exterior. É inquestionável que nosso interior seja a fonte do comportamento exterior (Mc 7:21, 22). No entanto, muito mais do que uma mera forma de cobrir o corpo, as roupas são símbolos eloquentes de nosso gosto pessoal, condição social e valores morais.

No livro A Linguagem das Roupas, Alison Lurie declara: “Por milhares de anos, os seres humanos têm se comunicado uns com os outros primeiro pela linguagem do vestuário. Muito antes de me aproximar o suficiente para conversar com você na rua, em uma reunião ou festa, você anuncia seu sexo, sua idade e sua classe por meio daquilo que está vestindo – e é muito possível que me dê informações importantes (corretas ou incorretas) acerca de sua profissão, origem, personalidade, opiniões, gostos, desejos sexuais e humor atual. Talvez eu não consiga expressar em palavras aquilo que estou observando, mas registro as informações no inconsciente e, ao mesmo tempo, você faz o mesmo em relação a mim.”

Então, se o cristão é “sal da terra” e “luz do mundo” (Mt 5:13-16), como deve se vestir? Há princípios bíblicos úteis que tratam do assunto (1Tm 2:9, 10; 1Pe 3:3, 4). Resumidamente, o verdadeiro cristão deve se vestir, dentro do contexto de sua cultura, como o faz uma pessoa com valores morais elevados e de boa reputação.


Quarta-feira – 27 de junho

Os cegos tornarão a ver

Naquele dia os surdos ouvirão as palavras do livro, e, não mais em trevas e escuridão, os olhos dos cegos tornarão a ver. Isaías 29:18, NVI

Temos a promessa maravilhosa de que, no reino eterno de Deus, “os surdos ouvirão” e “os olhos dos cegos tornarão a ver” (Is 29:18). Um deleite antecipado dessa realidade pôde ser testemunhado durante o ministério terreno de Cristo (Mt 11:2-5). Mesmo hoje, porém, podemos fazer a diferença na vida das pessoas com deficiências.

Helen Adams Keller (1880-1968) nasceu em Tuscumbia, Estados Unidos, em 27 de junho de 1880. Com apenas um ano e sete meses, contraiu uma doença – diagnosticada como “febre cerebral” – que a deixou tanto surda quanto cega. A partir de 1887, Anne Sullivan se tornou sua professora e acompanhante, ajudando-a a desenvolver a habilidade de se comunicar. Em 1904, a jovem foi a primeira pessoa surda e cega a se graduar na faculdade. Por ser um símbolo de superação da cegueira e surdez, ela se encontrou com muitas autoridades e viajou o mundo apresentando palestras sobre otimismo e esperança, promovendo causas humanitárias.

Ao longo dos anos, Helen desenvolveu uma atitude muito positiva e inspiradora em relação à vida. Suas declarações indicam uma profunda experiência humana. Acerca da superação de problemas, ela afirmou: “Embora o mundo esteja cheio de sofrimento, também está repleto de superação dele.” Com base nas próprias lutas, era capaz de dizer: “O caráter não consegue se desenvolver em meio à facilidade e à tranquilidade. Somente por meio de provas e sofrimentos a alma se fortalece, a visão se aclara, a ambição se inspira e o sucesso é conquistado.”

Além disso, Helen também enfatizou o valor de identificar e aproveitar as oportunidades disponíveis. Ela advertiu: “Quando uma porta de felicidade se fecha, outra se abre. Com frequência, porém, demoramos tanto o olhar na porta fechada que não vemos aquela que se abriu para nós.” Para a autora, “a pessoa mais digna de pena no mundo é aquela que enxerga, mas não tem visão”. E mais: “As melhores coisas do mundo e as mais belas não podem ser vistas nem tocadas. Precisam ser sentidas com o coração.”

Em grande medida, Helen Keller superou suas limitações graças a Anne Sullivan, cujos olhos e ouvidos lhe deram visão e audição. Enquanto aguardamos com expectativa a restauração final de todas as nossas imperfeições (Ap 21:4), também podemos fazer a diferença na vida das pessoas que têm deficiências.


Terça-feira – 26 de junho

Combate ao câncer

Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por Sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus. Romanos 3:23, 24

A Organização Mundial da Saúde (OMS) identifica o câncer como a segunda principal causa de morte no mundo todo. Esse termo genérico se refere a um grande conjunto de doenças caracterizadas pelo crescimento anormal das células além de seus limites comuns, comprometendo tecidos e até mesmo órgãos do corpo. Uma das referências mundiais para o tratamento dessa enfermidade é a Universidade de Loma Linda, no sul da Califórnia.

Em 1970, o doutor James M. Slater e sua equipe começaram a desenvolver um sistema que conseguisse explorar plenamente o potencial de tratamento de pacientes com câncer por meio de partículas radioativas carregadas. O objetivo era guiar com exatidão o raio externo de radiação, a fim de que ele atingisse o tumor. Como parte desse ambicioso programa, em 1985, o doutor Slater propôs à universidade construir o primeiro acelerador de prótons dentro de um hospital, capaz de produzir uma forma mais precisa de radiação do que a padrão ou cirúrgica.

Apesar da forte oposição inicial, o centro de terapia com feixes de prótons foi construído, com o investimento de 45 milhões de dólares. O primeiro paciente, vítima de um tumor ocular, foi tratado em 23 de outubro de 1990. O tratamento de tumores cerebrais foi iniciado em março de 1991, e os tratamentos usando o gantry de rotação começaram em 26 de junho de 1991. Mais de 150 pessoas são tratadas todos os dias no centro, o primeiro do tipo nos Estados Unidos.

A luta contínua para curar o câncer ou, pelo menos, mantê-lo sob controle pode nos ensinar lições espirituais significativas. Primeiro, aquilo que o câncer representa para o corpo humano, o pecado simboliza para nossa vida espiritual e moral. De acordo com Billy Graham, “o pecado é como o câncer: destrói pouco a pouco. Lentamente, sem que nos apercebamos de sua insidiosa presença, ele vai se alastrando.”

Em seguida, infinitamente mais eficaz do que a terapia com feixe de prótons para a cura do câncer é o sacrifício de Cristo para nos curar do pecado. De acordo com Paulo, “todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por Sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3:23, 24). Embora alguns tipos de câncer ainda tenham pequena probabilidade de cura, todos os pecadores arrependidos podem ser perfeitamente curados por meio do sacrifício de Cristo na cruz. Louvado seja o Senhor por isso!


Segunda-feira – 25 de junho

Lei de Murphy

Mesmo quando eu andar por um vale de trevas e morte, não temerei perigo algum, pois Tu estás comigo; a Tua vara e o Teu cajado me protegem. Salmo 23:4, NVI

Você já teve um dia no qual tudo parecia dar errado? Se foi somente um dia, pode agradecer. Para algumas pessoas, o “dia de azar” pode durar quase que para sempre.

Roy Cleveland Sullivan (1912-1983) nasceu em Greene County, Estados Unidos. Ele foi atingido por um raio em 1942, aos 30 anos; outro raio o atingiu em 1969; um terceiro, em 1970; um quarto, em 1972; um quinto, em 1973; um sexto, em 1976; e, finalmente, um sétimo, em 25 de junho de 1977. Todos os sete acidentes foram documentados pelo superintendente do Parque Nacional Shenandoah. Sullivan ainda contava que, quando criança, fora atingido por outro raio que não chegou a ser documentado. Para quem gosta de matemática, vale dizer que a probabilidade de alguém ser atingido sete vezes por raios é de uma em 10 octilhões (ou seja, o número um seguido de 28 zeros!).

Algumas pessoas com inclinações místicas sugerem que Sullivan era amaldiçoado. Outras dizem que ele foi uma verdadeira vítima da lei de Murphy, a qual afirma que “tudo que tende a dar errado, invariavelmente dará errado”. Essa lei foi “formulada” pelo capitão norte-americano Edward A. Murphy (1918-1990) que, em 1949, trabalhava com uma equipe de engenheiros em um projeto da força aérea com o objetivo de verificar que quantidade de desaceleração súbita uma pessoa é capaz de suportar em uma colisão. Quando um membro de sua equipe instalou erroneamente alguns fios e cabos no equipamento de teste, Murphy o culpou, dizendo: “Se houver algum jeito de fazer errado, ele invariavelmente fará.” No entanto, outras pessoas já haviam feito declarações semelhantes, muito tempo antes disso.

A lei de Murphy pode conter certa verdade, mas é geral e pessimista demais. Ela até pode ser aplicada ao desafortunado Roy Sullivan, mas, e quanto à maioria da população mundial, que nunca enfrentou tragédias assim? Além disso, essa lei não dá espaço para os atos de disciplina amorosa que Deus dispensa a Suas criaturas (Ap 3:19).

Mesmo quando as coisas dão errado, nunca devemos nos esquecer de que o Senhor sempre cuida de nós durante os dias ensolarados, bem como nos dias nublados. O rei Davi declarou: “Mesmo quando eu andar por um vale de trevas e morte, não temerei perigo algum, pois Tu estás comigo; a Tua vara e o Teu cajado me protegem” (Sl 23:4, NVI). Olhe as belas rosas do caminho e ignore os espinhos!


Domingo – 24 de junho

Sucesso com humildade

Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas riquezas. Jeremias 9:23

Um dos maiores desafios da vida é saber combinar sucesso com humildade. Um homem que pareceu ter conseguido compreender esse equilíbrio foi o piloto de automobilismo Juan Manuel Fangio, nascido no dia 24 de junho de 1911 em Balcarce, Argentina. Durante a década de 1950, ele foi pentacampeão mundial de Fórmula 1. Em grande medida, sua carreira foi moldada por seu lema: “Deves sempre lutar para ser o melhor, porém jamais deves pensar que já tens alcançado.”

Lionel Messi, um dos jogadores de futebol mais bem-sucedidos de todos os tempos, nasceu em 24 de junho de 1987, em Rosário, Argentina. Extremamente habilidoso e muito bem remunerado, ele é o atleta que mais ganhou a Bola de Ouro – a mais importante premiação do futebol – na história. Messi afirmou à revista MoneyWeek: “O dinheiro não é um fator motivacional para mim. Dinheiro não me empolga nem me faz jogar melhor por saber que há benefícios em ser rico. Simplesmente sou feliz quando estou com a bola nos pés. Minha motivação vem de jogar o esporte que amo. Caso não fosse pago para ser jogador profissional, jogaria voluntariamente a troco de nada.”

Seja no esporte ou em qualquer outra iniciativa humana, sempre devemos nos perguntar: “Do fundo do coração, o que motiva meu comportamento? Por que estou tentando ser melhor que os outros?” De acordo com Jeremias 9:23, não há nada de errado em ser “sábio”, “forte” ou até mesmo “rico”, contanto que isso não se torne uma obsessão e fonte de exaltação pessoal. De acordo com Ellen White, “os homens não devem ser exaltados como grandes e maravilhosos. É Deus quem deve ser engrandecido” (Medicina e Salvação, p. 168). “A entrega do próprio eu é a essência dos ensinos de Cristo” (O Desejado de Todas as Nações, p. 523).

Crescer em Cristo significa se tornar cada vez menos egocêntrico e cada vez mais cristocêntrico. Isso quer dizer que nunca devemos nos considerar estrelas com luz própria, mas planetas que refletem a maravilhosa luz de Jesus, o Sol da justiça (Ml 4:2). Todas as nossas habilidades e conquistas devem levar glória e honra ao Senhor, o Criador e Mantenedor de nossa vida. O apóstolo Paulo nos aconselha: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1Co 10:31).


Sábado – 23 de junho

Vida dupla

Aproximem-se de Deus, e Ele se aproximará de vocês! Pecadores, limpem as mãos, e vocês, que têm a mente dividida, purifiquem o coração. Tiago 4:8, NVI

Algumas pessoas levam uma vida dupla – uma é a vida pública, considerada “verdadeira”, e a outra é a vida escondida, que deve ser mantida em segredo. Entretanto, por que alguns indivíduos se comportam assim? James Harvey Robinson (1863-1936) sugeriu: “O discurso dá ao ser humano um poder único de viver uma vida dupla, na qual se diz uma coisa e faz outra.” De modo geral, vidas e discursos duplos normalmente derivam da tendência humana de acobertar comportamentos pecaminosos e imorais.

Há muitas maneiras de desenvolver uma vida paralela, escondida. Por exemplo, em 23 de junho de 2003, foi lançado o website Second Life (Segunda Vida). Esse e outros sites de imersão permitem que as pessoas simplesmente fujam da realidade para um mundo virtual, começando ali “relacionamentos” novos e empolgantes, indo em busca daquilo que lhes dá prazer. Na maioria dos casos, esses relacionamentos paralelos são mantidos em segredo dos pais, cônjuge e filhos.

Charles H. Spurgeon, em seu livro John Ploughman’s Talk (Conversa de John Ploughman), traz um capítulo intitulado “Homens com Duas Faces”, no qual adverte: “Em alguns homens, só se pode confiar enquanto eles podem ser vistos, e não além, pois novas companhias os transformam em pessoas diferentes. Assim como a água, eles fervem ou congelam de acordo com a temperatura.” E acrescenta: “Não são todos que frequentam a igreja ou os cultos que oram de verdade, nem são aqueles que cantam mais alto os que mais louvam a Deus, nem os que mostram as expressões faciais mais chamativas que mais anseiam pelo Senhor.”

Realmente não sei até que ponto você tende a levar uma vida dupla. Talvez esse não seja seu caso. Mas se você tem permitido que um pecado acariciado corroa sua integridade moral e espiritual, gostaria de convidá-lo a entregar sua vida particular ao Senhor hoje, pedindo-Lhe forças para vencer suas fraquezas. Se possível, busque aconselhamento pastoral.

O conselho inspirado para hoje é: “Aproximem-se de Deus, e Ele se aproximará de vocês! Pecadores, limpem as mãos, e vocês, que têm a mente dividida, purifiquem o coração” (Tg 4:8, NVI). O Senhor é capaz de trazer consistência a suas tendências inconsistentes, para que sua vida particular entre em plena harmonia com sua imagem pública. O preço que você pagará ao abrir mão de seus pecados não é nada em comparação à paz de espírito que irá ganhar!


Sexta-feira – 22 de junho

“Mãe de Deus”

Foi assim o nascimento de Jesus Cristo: Maria, Sua mãe, estava prometida em casamento a José, mas, antes que se unissem, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Mateus 1:18, NVI

Se Maria, mãe de Jesus, ressuscitasse dos mortos, como você acha que ela reagiria a tudo que tem sido falado a seu respeito ao longo dos séculos? No relato do evangelho, encontramos um anjo que lhe diz: “Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres” (Lc 1:28, ARC). No entanto, muitos elementos foram acrescentados a isso pela tradição cristã e endossados por decisões eclesiásticas.

Quatro passos importantes contribuíram para a exaltação de Maria na história cristã. Primeiramente, ela começou a ser chamada de “Mãe de Deus”. O terceiro Concílio Ecumênico, iniciado em 22 de junho de 431 d.C. e realizado na Igreja de Maria em Éfeso, Anatólia, reconheceu oficialmente que Maria “gerou a Deus” e condenou aqueles que a consideravam apenas “geradora de Cristo”. O segundo passo foi a ênfase da Igreja Católica em relação à sua virgindade perpétua. O segundo Concílio de Constantinopla (553 d.C.) discorreu sobre “a santa e gloriosa Mãe de Deus, para sempre virgem Maria”.

O terceiro passo foi o dogma da imaculada conceição de Maria. A bula papal Ineffabilis Deus (1854) sugeriu que, desde o primeiro instante de sua concepção, a bendita virgem Maria “foi preservada imaculada de toda contaminação do pecado original”. O quarto passo foi o reconhecimento de que ela atuaria como mediadora da graça divina. A encíclica papal Lucunda Semper Expectatione (1894) afirmou: “O nosso suplicante recurso ao patrocínio de Maria funda-se no seu ofício de Mediadora da graça divina […], junto ao trono do Altíssimo.” Além disso, vários cardeais e bispos católicos já pediram ao Vaticano que também reconheça Maria como corredentora e comediadora com Cristo.

Por mais abençoada que Maria tenha sido pelo privilégio de ser mãe de Jesus, a Bíblia não endossa essas teorias baseadas no conceito da imortalidade natural da alma. Em nenhuma parte do Novo Testamento, ela é venerada como Mãe de Deus. Se nem mesmo anjos não caídos aceitaram ser adorados (Ap 22:8, 9), por que ela, um ser humano, seria? Louvado seja Deus por que temos “um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1Tm 2:5). Conforme Pedro afirmou, “não existe nenhum outro nome” além do nome de Cristo, pelo qual podemos ser salvos (At 4:12).


Quinta-feira – 21 de junho

Uma mensagem atemporal

Os céus e a terra passarão, mas as Minhas palavras jamais passarão. Quanto ao dia e à hora ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, senão somente o Pai. Marcos 13:31, 32, NVI

Jesus nos adverte contra a predição do momento de Seu retorno. Mesmo assim, muitas pessoas ignoraram esses avisos e se aventuraram nesse tipo de especulação. Após o desapontamento de outubro de 1844, os adventistas observadores do domingo propuseram pelo menos 21 novas datas para a segunda vinda. Entre os adventistas sabatistas, José Bates sugeriu que as sete vezes que o sumo sacerdote aspergia sangue perante o propiciatório (Lv 16:14) representavam sete anos que deveriam ser contados do outono de 1844 até o outono de 1851. Entretanto, todas essas especulações falharam.

Em novembro de 1850, Ellen White escreveu: “O Senhor me mostrou que o tempo não havia sido um teste desde 1844 e nunca mais o será” (Present Truth, novembro de 1850). Em 21 de junho de 1851, enquanto estava em Camden, Nova York, ela recebeu uma visão advertindo os adventistas contra a tentativa de identificar o cumprimento de qualquer profecia temporal após outubro de 1844. Ellen White explicou: “O Senhor mostrou-me que a mensagem deve ir, e que não deve depender de tempo; pois o tempo não será nunca mais uma prova. Vi que alguns estavam ficando com uma falsa agitação, nascida de pregar-se o tempo; vi que a terceira mensagem angélica pode subsistir sobre seu próprio fundamento e que não precisa de nenhum tempo para fortalecê-la. Ela irá com forte poder, fará sua obra e será abreviada em justiça” (Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 188).

Apesar dessa e de muitas outras admoestações posteriores de Ellen White, algumas pessoas sempre dão um jeito de justificar seu fascínio pessoal com a marcação de datas. Alguns argumentam que Jesus nos proibiu de saber somente “o dia e a hora” de Sua vinda (Mt 24:36; Mc 13:32), mas não o ano específico. Outros alegam que não podemos saber a data específica do segundo advento, mas que algumas profecias temporais, como as dos 1.290 e 1.335 dias (Dn 12:11, 12) ainda se cumprirão no futuro.

Algumas especulações proféticas podem parecer muito lógicas e convicentes. No entanto, aqueles que levam a sério as advertências de Cristo e as admoestações de Ellen White nunca se aventurarão nessas fantasias sem fundamento. A mensagem adventista não necessita desse tipo de bengala para seguir adiante.


Quarta-feira – 20 de junho

Quando Deus está à frente

Entrega o teu caminho ao Senhor, confia Nele, e o mais Ele fará. Salmo 37:5

Passando por grandes desafios financeiros, por que a Igreja Adventista deveria comprar uma terceira instituição médica no Sul da Califórnia? Em 10 de outubro de 1901, Ellen White escreveu em seu diário que viu um ótimo sanatório no Sul da Califórnia, com árvores frutíferas em seu terreno. Alguns pacientes estavam em cadeiras de rodas e, outros, ao ar livre, debaixo da sombra das árvores, com pássaros cantando. O lugar lhe pareceu tão familiar como se tivesse passado meses ali. Em 1904, os adventistas compraram as propriedades que se tornariam o Hospital de Paradise Valley, perto de San Diego, e o Centro Médico Adventista de Glendale. Nenhuma delas, porém, era a que Ellen White havia contemplado em visão.

Seguindo a orientação dela, o pastor John A. Burden tomou um empréstimo pessoal de mil dólares para dar entrada na compra do Hotel Loma Linda, em 29 de maio de 1905. Duas semanas depois, em 12 de junho, Ellen White visitou a propriedade pela primeira vez. “Willie, eu já estive aqui antes”, afirmou ao filho. Ele respondeu: “Não, mamãe, essa é a primeira vez.” Ao que ela replicou: “Então este é exatamente o local que o Senhor me mostrou, porque me é muito familiar. Precisamos comprar este lugar. Devemos raciocinar da causa para o efeito. O Senhor não nos deu esta propriedade para um propósito comum.”

Em 20 de junho de 1905, delegados de quase todas as 22 igrejas da Associação Sul da Califórnia apoiaram a compra, que finalmente foi negociada pelo valor de 38.900 dólares. O sanatório abriu as portas em novembro de 1905. Entretanto, Ellen White visualizava a instituição como uma faculdade deMedicina. Para ela, “a cura dos enfermos e o ministério da Palavra devem andar de mãos dadas” (Carta 274, 1906). E acrescentou: “A escola de medicina em Loma Linda deve ser da mais alta qualidade” e preparar os estudantes para “passar nos exames exigidos por lei de todos os que exercem a profissão como médicos regularmente qualificados” (Medicina e Salvação, p. 57, 58).

Ao longo dos anos, a Universidade de Loma Linda tem sido impulsionada por esse nobre ideal de excelência. Sua história nos lembra do que Deus pode fazer por nós se seguirmos Seu direcionamento, mesmo em meio a circunstâncias adversas. Ele conhece o futuro, que ainda nos é desconhecido.  Quando entregamos a vida e os planos nas Suas mãos, Ele realiza o que está além do nosso alcance.


Terça-feira – 19 de junho

A mensagem de 1888

De fato, vocês ouviram falar Dele, e Nele foram ensinados de acordo com a verdade que está em Jesus. Efésios 4:21, NVI

Vários ministérios independentes adventistas do sétimo dia alegam ser os verdadeiros arautos da “mensagem de 1888”. No entanto, como deveríamos entender essa mensagem? Essas afirmações se referem às apresentações e aos debates doutrinários que ocorreram durante a assembleia da Associação Geral em Mineápolis, de 17 de outubro a 4 de novembro de 1888, e também ao longo do Concílio Ministerial, que havia começado uma semana antes. Os assuntos abordados incluíram a identificação dos dez chifres proféticos de Daniel 7, a lei em Gálatas 3 e a justificação pela fé.

Em 5 de agosto de 1888, Ellen White escreveu uma carta aberta aos delegados da assembleia. Ela começou dizendo: “Sentimos a impressão de que este ajuntamento será a reunião mais importante da qual vocês já participaram. Deve ser um período de busca fervorosa pelo Senhor e de humilhar o coração diante Dele. Espero que vocês considerem que esta é a mais preciosa oportunidade para orar e buscar conselho juntos.” Depois, na mesma mensagem, acrescentou: “A interpretação correta das Escrituras não é tudo que Deus requer. Ele ordena não só que conheçamos a verdade, mas também que a pratiquemos, conforme ela é em Jesus” (Carta 20, 1888).

Durante as reuniões, Ellen White endossou as pregações cristocêntricas apresentadas por Alonzo T. Jones e Ellet J. Waggoner. Sua ênfase estava muito mais nas mensagensbíblicas apresentadas do que nos mensageiroshumanos. Contudo, algumas pessoas interpretam em seu apoio mais do que ela própria intencionava.

Em 19 de junho de 1889, Ellen White abordou o assunto em um sermão pregado na cidade de Rome, estado de Nova York (Manuscrito 5, 1889). Na ocasião, explicou: “Já me fizeram esta pergunta: O que você acha da luz que estes homens estão apresentando? Ora, eu a tenho apresentado a vocês durante os últimos 45 anos – os incomparáveis encantos de Cristo! É isso que tenho tentado colocar na mente de vocês! Quando o irmão Waggoner apresentou essas ideias em Mineápolis, foi o primeiro ensino claro sobre o assunto que ouvi de lábios humanos, com exceção das conversas que tive sobre o tema com meu esposo.”

Para ela, a mensagem de 1888 é, em essência, uma ênfase doutrinária nos “incomparáveis encantos de Cristo” e na “verdade” “conforme ela é em Jesus”, somada a uma profunda experiência pessoal com Ele!


Segunda-feira – 18 de junho

A cerca de arame

Ora, o Deus da paciência e da consolação vos conceda o mesmo sentir de uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, para que concordemente e a uma voz glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Romanos 15:5, 6

Muitos missionários adventistas sacrificaram a vida ao levar o evangelho eterno aos lugares mais remotos do mundo. A Review and Herald de 17 de junho de 1909 anunciou que a Associação Geral havia votado Ferdinand A. Stahl para ser missionário na Bolívia. Alguns dias depois, ele e a esposa partiram com os dois filhos para o campo missionário. Dedicaram-se a uma obra médico-missionária e educacional extraordinária em meio aos índios do lago Titicaca e em outras regiões da Bolívia e do Peru.

No livro de sua autoria, In the Land of the Incas (Na Terra dos Incas), Stahl relatou sua experiência com os nativos de um local chamado Umuchi. Depois de lhes contar que Jesus voltaria em breve para buscar Seu povo fiel, os índios responderam positivamente ao ensino. Ao fim do culto, o cacique perguntou a Stahl quando ele voltaria para lhes ensinar mais. O missionário sentia-se relutante em fazer uma promessa, mas o cacique insistiu. Então Stahl prometeu: “Se eu não voltar, outra pessoa virá”. Em resposta, o chefe indígena argumentou: “Mas como saberei que a outra pessoa nos ensinará as mesmas coisas?”

O missionário pegou uma pequena pedra e a partiu em dois pedaços. Deu uma metade ao cacique e acrescentou que, quem fosse ensiná-los, levaria a outra. Três anos depois, Stahl voltou à região de Umuchi e foi ver o cacique, que estava viajando por algumas semanas. Contudo, sua esposa apareceu e perguntou: “Por que você demorou tanto a voltar?” Os nativos estavam muito ansiosos para ouvir mais sobre a mensagem adventista.

Logo depois de chegar ao campo missionário, Stahl declarou: “Sem dúvida, a Bolívia é um bom campo de trabalho, pois é muito necessitado. Tive o privilégio de fazer uma viagem pelo país e observei as mesmas condições em todos os lugares: densas trevas, pessoas vivendo sem saber por quê. […] Entretanto, tais dificuldades são uma inspiração para nós. Quanto maiores as dificuldades, mais ajuda podemos clamar da parte de Deus. Quanto mais intensos os desafios, mais firmemente nos agarramos a Cristo, que tudo sabe sobre eles e sofreu todas as coisas por nós.”

Esse espírito de sacrifício pessoal deve motivar e inspirar nossos esforços também.


Domingo – 17 de junho

A pedra quebrada

E lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir. Atos 1:11

Muitos missionários adventistas sacrificaram a vida ao levar o evangelho eterno aos lugares mais remotos do mundo. A Review and Herald de 17 de junho de 1909 anunciou que a Associação Geral havia votado Ferdinand A. Stahl para ser missionário na Bolívia. Alguns dias depois, ele e a esposa partiram com os dois filhos para o campo missionário. Dedicaram-se a uma obra médico-missionária e educacional extraordinária em meio aos índios do lago Titicaca e em outras regiões da Bolívia e do Peru.

No livro de sua autoria, In the Land of the Incas (Na Terra dos Incas), Stahl relatou sua experiência com os nativos de um local chamado Umuchi. Depois de lhes contar que Jesus voltaria em breve para buscar Seu povo fiel, os índios responderam positivamente ao ensino. Ao fim do culto, o cacique perguntou a Stahl quando ele voltaria para lhes ensinar mais. O missionário sentia-se relutante em fazer uma promessa, mas o cacique insistiu. Então Stahl prometeu: “Se eu não voltar, outra pessoa virá”. Em resposta, o chefe indígena argumentou: “Mas como saberei que a outra pessoa nos ensinará as mesmas coisas?”

O missionário pegou uma pequena pedra e a partiu em dois pedaços. Deu uma metade ao cacique e acrescentou que, quem fosse ensiná-los, levaria a outra. Três anos depois, Stahl voltou à região de Umuchi e foi ver o cacique, que estava viajando por algumas semanas. Contudo, sua esposa apareceu e perguntou: “Por que você demorou tanto a voltar?” Os nativos estavam muito ansiosos para ouvir mais sobre a mensagem adventista.

Logo depois de chegar ao campo missionário, Stahl declarou: “Sem dúvida, a Bolívia é um bom campo de trabalho, pois é muito necessitado. Tive o privilégio de fazer uma viagem pelo país e observei as mesmas condições em todos os lugares: densas trevas, pessoas vivendo sem saber por quê. […] Entretanto, tais dificuldades são uma inspiração para nós. Quanto maiores as dificuldades, mais ajuda podemos clamar da parte de Deus. Quanto mais intensos os desafios, mais firmemente nos agarramos a Cristo, que tudo sabe sobre eles e sofreu todas as coisas por nós.”

Esse espírito de sacrifício pessoal deve motivar e inspirar nossos esforços também.


Sábado – 16 de junho

Justificando a fé

Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus. Romanos 5:1, 2

Jesus morreu pelo mundo inteiro, e Sua graça está disponível a todos os seres humanos. Se esse é o caso, por que nem todos serão salvos? A fé que justifica é a linha divisória entre ser salvo e permanecer perdido. É somente pela fé que podemos nos apropriar da graça salvadora de Cristo. Mas o que é fé justificadora?

Artur Weiser escreveu: “A fé sempre é uma reação humana a uma ação divina primária.” Em outras palavras, primeiro Deus Se revela a nós, e então aceitamos Sua revelação pela fé. De acordo com Ellen White: “A fé é dom de Deus, mas a faculdade de exercê-la é nossa. A fé é a mão pela qual a alma se apodera das ofertas divinas de graça e misericórdia” (Patriarcas e Profetas, p. 431).

Em sua “Conversa à Mesa” de 16 de junho de 1539, Martinho Lutero declarou: “A fé justifica não como obra, qualidade ou conhecimento, mas como o consentimento da vontade e a firme confiança na misericórdia de Deus. Pois se a fé fosse apenas conhecimento, então o diabo certamente se salvaria, pois ele possui o maior conhecimento de Deus e de todas as obras e maravilhas de Deus desde a criação do mundo” (Luther’s Works, vol. 54, p. 359, 360).

Lembre-se: A fé sem conhecimento doutrinário leva a uma credulidade instável e sem fundamento. É como um barco sem leme no meio do oceano. Em contrapartida, a fé que se limita a tal conhecimento se torna seca e presunçosa. Gera pessoas que professam ser cristãs, com um cérebro grande e um coração vazio. Em contrapartida, a fé justificadora subentende conhecimento doutrinário correto, mas vai além desse conhecimento e chega à presença do próprio Deus, onde Jesus Cristo, nosso grande sumo sacerdote, oferece Sua graça salvadora a todo cristão verdadeiro.

Uma de nossas maiores tentações é presumir que a doutrina correta da salvação possa nos salvar. Realmente necessitamos aliar a doutrina correta sobre Cristo a uma experiência salvadora com Ele. Louvado seja Deus se você já passou por essa experiência. Se ainda não, então você pode orar como o homem que disse a Jesus: “Creio, ajuda-me a vencer a minha incredulidade!” (Mc 9:24, NVI).


Sexta-feira – 15 de junho

Síndrome do camaleão

A Meu povo ensinarão a distinguir entre o santo e o profano e o farão discernir entre o imundo e o limpo. Ezequiel 44:23

Muitos animais se camuflam, misturando-se a determinadas características de seu ambiente. Por instinto, as vítimas em potencial se escondem dos predadores. Em contrapartida, os predadores também podem se camuflar a fim de surpreender as vítimas. Em uma atitude de defesa, alguns camaleões adaptam suas cores de acordo com a visão da espécie predadora específica (ave ou serpente) pela qual são ameaçados. De maneira semelhante, muitos cristãos minimizam a oposição do mundo misturando-se à cultura que os cerca. Ao fazer isso, ofuscam a perversidade do pecado.

A revista Signs of the Times de 15 de junho de 1876 publicou um artigo esclarecedor de Ellen White sobre os ensinos de Cristo. Nele, a escritora advertiu: “O maior perigo do mundo é que o pecado não parece pecaminoso. Esse é o maior dos males existentes dentro da igreja. O pecado é embelezado pela autocondescendência. Bem-aventurados de fato são aqueles que têm uma consciência sensível, que são capazes de chorar e se lamentar por sua pobreza espiritual e por se afastar de Deus; bem-aventurados os pobres de espírito, capazes de aceitar a repreensão que Deus lhes envia; e que, com confissões e o coração partido, assumem seu lugar, penitentes, em humilhação junto à cruz de Cristo. Deus sabe que é bom para os seres humanos trilhar um caminho duro e humilde, enfrentar dificuldades, passar por decepções e sofrer aflição. A fé é fortalecida quando se entra em conflito com a dúvida e se resiste à descrença pela força de Jesus.”

A tolerância ao pecado não altera sua natureza, apenas nos torna mais vulneráveis a ele. De acordo com Ellen White, “a conformidade aos costumes mundanos converte a igreja ao mundo; jamais converte o mundo a Cristo. A familiaridade com o pecado inevitavelmente o fará parecer menos repelente” (O Grande Conflito, p. 509). Combatendo esse processo de conformidade com o mundo, Ezequiel 44:23 diz que os líderes do povo de Deus devem ensinar a “a distinguir entre o santo e o profano” e “discernir entre o imundo e o limpo”. Antes de sermos capazes de ensinar essa diferença para os outros com eficácia, nós mesmos precisamos reconhecê-la e ser convencidos de sua existência.


Quinta-feira – 14 de junho

Exaltando o sábado

Assim, ainda resta um descanso sabático para o povo de Deus. Hebreus 4:9, NVI

Quando adolescente, Samuele Bacchiocchi, em Roma, sua cidade natal, era muitas vezes ridicularizado e rejeitado por ser um adventista do sétimo dia “herege”, que observava o sábado. Isso o desafiou a realizar uma investigação abrangente e profunda da história, da teologia e do significado desse dia especial. Esse processo chegou ao clímax em 14 de junho de 1974, quando defendeu sua tese de doutorado sobre a ascensão da observância do domingo no início da era cristã, na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma. Aliás, Bacchiocchi foi o primeiro não católico a se formar nessa renomada universidade, fundada em 1551 por Inácio de Loyola.

Com base em sua exaustiva investigação da Bíblia e de fontes históricas antigas, o pesquisador concluiu que a “adoção do domingo no lugar do sábado não ocorreu na igreja primitiva de Jerusalém, por autoridade apostólica, mas cerca de um século mais tarde, na igreja de Roma. Um somatório de fatores judaicos, pagãos e cristãos contribuíram para o abandono do sábado e a adoção da observância do domingo em seu lugar” (From Sabbath to Sunday [Do Sábado para o Domingo], p. 2).

Ainda assim, muitos autores cristãos continuam argumentando que a igreja apostólica começou a observar o domingo pouco depois da ressurreição de Cristo. No entanto, ao ler o relato da ressurreição nos quatro evangelhos, escritos muitos anos após o evento, só é possível encontrar referências comuns ao “primeiro dia da semana” (Mt 28:1; Mc 16:1, 2; Lc 23:54–24:1; Jo 20:1, 19, 26), sem nenhuma alusão à adoração dominical. Os discípulos se reuniram nesse dia de portas fechadas, não a fim de celebrar a ressurreição, mas porque estavam com medo dos judeus (Jo 20:19, 26).

Essas e outras evidências bíblicas confirmam a natureza vigente do sétimo dia, o sábado, como sinal da aliança entre o Senhor e Seus filhos. O sábado foi originalmente instituído para o bem da humanidade ao fim da semana da criação (Gn 2:1-3); chega até nós toda semana como o santuário imutável de Deus no tempo (Is 58:12-14); e continuará a ser observado quando o mundo for restaurado à sua perfeição original (Is 66:22, 23). A cada sábado, somos convidados a entrar no descanso deleitoso de Deus e receber Suas maravilhosas bênçãos (Hb 4:4, 9-11).


Quarta-feira – 13 de junho

Ele veio nos resgatar

Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido. Lucas 19:10

Em março de 2016, visitei o Museu de História Natural de Berna, na Suíça. Meu principal objetivo era ver a montagem taxidérmica de Barry (1800-1814), o mais famoso cão montanhês de resgate da história. Esse São Bernardo macho nasceu no albergue e mosteiro Grande São Bernardo, na fronteira alpina entre a Suíça e a Itália. Cerca de 2.500 metros acima do nível do mar, com temperaturas congelantes e nevascas, essa região apresentava desafios tremendos para aqueles que tentavam atravessá-la. Pessoas do albergue saíam com seus cães todos os dias a fim de procurar viajantes perdidos. Barry, o mais incansável de todos, recebe o crédito por ter resgatado mais de 40 pessoas.

Ao longo dos anos, ilustrações e livros de histórias mantiveram viva sua memória. Algumas lendas sugerem que ele carregava um barril pequeno com bebida forte em volta do pescoço; que, certa vez, encontrou um garoto semicongelado e o levou para o albergue nas próprias costas; e que, enquanto salvava a 41a pessoa, um dos soldados de Napoleão, este confundiu o cão de resgate com um lobo e o matou com sua baioneta. Esses mitos, porém, não minimizam o legado extraordinário de Barry. Em 13 de junho de 2014, duzentos anos após sua morte, o museu de Berna inaugurou uma exposição permanente chamada “Barry, o lendário São Bernardo”.

Ao contemplar Barry, meus pensamentos retrocederam mais de 200 anos. Eu o imaginei salvando viajantes nos Alpes nevados. Imediatamente em seguida, fui levado a pensar em outro resgate – que ocorreu há cerca de 2 mil anos, quando o Filho de Deus deixou as cortes celestiais e veio a este mundo perigoso a fim de cobri-lo com Sua graça salvadora. Naquele local, fiz uma oração silenciosa, agradecendo a Deus, primeiramente, por aquilo que fizera por meio daquele cão de resgate aos viajantes perdidos e, então, pela obra realizada mediante Seu Filho amado, em prol de todos os seres humanos.

As Escrituras nos garantem que a missão de resgate realizada por Cristo foi tão eficaz que “onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5:20), e que Ele é capaz de “salvar totalmente os que por Ele se chegam a Deus” (Hb 7:25). Apesar de nossa condição pecaminosa, Cristo “nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do Seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados” (Cl 1:13, 14).


Terça-feira – 12 de junho

Todos os dias, nosso melhor

“E direi a mim mesmo: ‘Você tem grande quantidade de bens, armazenados para muitos anos. Descanse, coma, beba e alegre-se’. Contudo, Deus lhe disse: ‘Insensato! Esta mesma noite a sua vida lhe será exigida. Então, quem ficará com o que você preparou?’” Lucas 12:19, 20, NVI

Imagine que é domingo, 12 de junho de 2005, e você está no Stanford Stadium, para a 114a cerimônia de formatura da Universidade Stanford. O mais surpreendente é que o discurso principal está sendo proferido por um convidado sem nenhuma graduação universitária, que vários anos antes fora forçado a sair da empresa que ajudara a fundar e que recentemente recebera o diagnóstico de câncer no pâncreas. Ele apenas conta três histórias da própria vida. Entretanto, seu discurso de 15 minutos se torna um dos mais célebres já proferidos naquela renomada instituição de ensino.

Quem é esse orador? Como você deve saber, trata-se de Steve Jobs (1955-2011), presidente e cofundador da Apple e dos estúdios Pixar. Walter Isaacson o descreve como “um empreendedor criativo, cuja paixão pela perfeição e cujo ímpeto feroz revolucionaram seis indústrias: computadores pessoais, filmes de animação, música, telefones, tablets e publicação digital”. Foi o principal idealizador de diversos produtos da Apple.

Em seu discurso, Jobs declarou: “Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo, ou seja, todas as expectativas externas, todo o orgulho, todo o medo de passar vergonha ou falhar, cai diante da morte, deixando apenas o que é realmente importante.” E confessou: “Nos últimos 33 anos, tenho me olhado no espelho a cada manhã e perguntado a mim mesmo: ‘Se hoje fosse o último dia da minha vida, eu gostaria de fazer o que farei hoje?’” Steve Jobs morreu em 5 de outubro de 2011, com apenas 56 anos, mas deixou para o mundo um legado tecnológico extremamente rico.

Ellen White aconselha: “Devemos vigiar e trabalhar e orar como se este fosse o último dia a nós concedido. Quão intensamente zelosa, então, seria nossa vida! Quão de perto seguiríamos a Jesus em todas as nossas palavras e ações!” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 5, p. 200). Que mudanças você precisa fazer para colocar em prática esse conselho?


Segunda-feira – 11 de junho

Sustentados pela oração

Então, os discípulos, aproximando-se de Jesus, perguntaram em particular: Por que motivo não pudemos nós expulsá-lo? E ele lhes respondeu: […] esta casta não se expele senão por meio de oração e jejum. Mateus 17:19-21

O verdadeiro missionário é um instrumento do Espírito Santo na sagrada tarefa de conduzir pecadores do reino de Satanás para o reino de Jesus Cristo (Cl 1:13, 14). Muitos missionários e pregadores habilidosos têm usado talentos impressionantes e os melhores recursos disponíveis, mas falhado mesmo assim. Como explicar isso?

Em 11 de junho de 1883, Ellen White escreveu uma carta a seu filho, Willie, chamando atenção para os desafios evangelísticos que a igreja enfrentava na Califórnia. Com o pano de fundo do grande conflito entre Deus e Satanás em mente, ela destacou que somente por meio da oração incessante esses esforços missionários podiam alcançar verdadeiro êxito. Ela afirmou:

“Dizemos aos obreiros que eles devem realizar o trabalho missionário com espírito de oração e se aproximar das pessoas, e que não devem sentir que, depois de entregar um folheto ou reunir nomes, sua obra está terminada. Satanás e seus anjos os cercam para anular todos os esforços que fizeram. Enquanto caminham pelas ruas, devem orar pedindo graça e que os anjos de Deus os rodeiem. A menos que façam isso, a artimanha dos demônios destruirá os esforços realizados, e a verdade não encontrará acesso aos corações. Assim, toda a cidade seria advertida em vão.”

“Quando toda a igreja da Escócia estava tomando algumas resoluções para fazer concessões à fé, abrindo mão de seus sólidos princípios, um homem [John Knox] se determinou a jamais ceder um jota ou um til. Ele dobrou os joelhos perante Deus e suplicou: ‘Dá-me a Escócia, senão eu morro’. Essa oração insistente foi ouvida. Que a oração intensa e cheia de fé se levante por toda parte! ‘Dá-me as almas hoje enterradas sob os escombros dos erros, senão eu morro! Traze-as para o conhecimento da verdade em Jesus’” (Carta 20, 1883).

Atualmente existe a forte tendência de depender mais de nossas sofisticadas estratégias evangelísticas do que do poder do Espírito Santo. Alguns pregadores carismáticos e pentecostais chegam a tentar manipular a obra do Espírito Santo. Em vez de querer usá-Lo, que tal permitir que Ele nos use? Trabalhando com humildade em atitude de oração, assim como John Knox fez, poderemos gerar resultados imensuráveis e duradouros!


Domingo – 10 de junho

Alexandre, o Grande

Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Marcos 8:36, NVI

Algumas pessoas arruinaram uma carreira pública brilhante ao não serem capazes de se controlar. Um exemplo clássico é o de Alexandre, o Grande (356-323 a.C.), que foi educado pelo célebre filósofo grego Aristóteles e se tornou um grande símbolo de poder e sucesso. Aos 20 anos, ele se tornou rei da Macedônia. Pouco depois, invadiu e conquistou as cidades-estado gregas. Expandiu significativamente seu domínio ao derrotar o Império Persa, no Oriente, e o Egito, ao sul, onde fundou a cidade de Alexandria, em homenagem a si mesmo. Indo ainda mais ao Leste, tentou ocupar a Índia, mas suas tropas, exaustas, recusaram-se a lutar mais, forçando o monarca a abrir mão de seu ambicioso plano. Enquanto estava em Babilônia, Alexandre morreu, em 10 de junho de 323 a.C., no palácio de Nabucodonosor II, aos 32 anos, após contrair uma febre e ficar doente por 12 dias.

A verdadeira causa da enfermidade de Alexandre ainda é um mistério não resolvido. Alguns estudiosos modernos sugerem que ele pode ter contraído febre tifoide, malária ou até varíola. Outros historiadores estão convencidos de que o vinho que o jovem rei bebeu em uma festa na casa de um amigo chamado Médio estava intencionalmente envenenado. Ainda há aqueles que descartam essa teoria, porque 12 dias seria tempo demais para alguém envenenado sobreviver. O historiador grego antigo Diodoro explicou que o monarca sentiu dores após beber uma enorme taça de vinho sem mistura, em homenagem a Hércules. De todo modo, Alexandre conquistou o mundo em 12 anos, mas foi conquistado por uma febre que ceifou sua vida em 12 dias!

O trágico fim de Alexandre pode nos ensinar lições importantes. Jesus fez uma pergunta crucial: “Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”(Mc 8:36). Ravi Zacharias acrescenta: “Na tentativa de ser razoável, o ser humano se tornou irracional. Na tentativa de se divinizar, o ser humano se desfigurou. Na tentativa de ser livre, tornou-se escravo. E assim como Alexandre, o Grande, conquistou o mundo à sua volta, mas não conquistou a si mesmo.” Lembre-se: “O homem sábio não se deixará governar e dominar por seus apetites e paixões, mas os controlará e governará” (Conselhos sobre Saúde, p. 588).


Sábado – 9 de junho

Diante do imperador

Porque, esta mesma noite, um anjo de Deus, de quem eu sou e a quem sirvo, esteve comigo, dizendo: Paulo, não temas! É preciso que compareças perante César, e eis que Deus, por Sua graça, te deu todos quantos navegam contigo. Atos 27:23, 24.

A história tem sido moldada por pessoas de fortes convicções e ousadia, que não se deixam envergonhar, como no caso do apóstolo Paulo. Ele escreveu aos cristãos em Roma: “Pois não me envergonho do evangelho” (Rm 1:16). Para os líderes da igreja de Éfeso, declarou que estava tão comprometido em “testemunhar o evangelho da graça de Deus” que não considerava nem a própria vida preciosa para si mesmo (At 20:24). Seus ensinos eram confirmados por seu exemplo de vida, como na ocasião em que apelou a César (At 25:11, 12).

O César ou imperador romano a quem Paulo apelou foi ninguém menos que o poderoso e cruel Nero (37-68 d.C.). No livro Atos dos Apóstolos (p. 492-513), Ellen White narrou o julgamento do apóstolo perante o imperador cujo nome fazia o mundo tremer. Naquela hora crucial, o destemido missionário foi deixado sozinho, sem ninguém ao seu lado (2Tm 4:16, 17). Que contraste gritante entre um dos mais degradados governantes de todos os tempos e um dos maiores cristãos de todos os tempos! Paulo apresentou convincentemente as verdades do evangelho e do juízo divino. Por um instante, o coração de Nero foi tocado pela mensagem cristã.

Poucos anos depois, os dois homens selaram para si destinos opostos. Em 67 d.C., Nero sentenciou Paulo à decapitação, e o apóstolo entregou a vida com a total certeza de que um dia ressuscitaria dos mortos para receber a “coroa da justiça” (2Tm 4:6-8). Depois de instabilizar a própria classe dominante e os comandantes de seu exército, Nero fugiu de Roma em pânico e cometeu suicídio em 9 de junho de 68 d.C., sem esperança de salvação.

Ellen White afirmou: “O que a igreja necessita nestes dias de perigo é de um exército de obreiros que, como Paulo, se tenham educado para utilidade, que tenham uma profunda experiência nas coisas de Deus, e que sejam cheios de fervor e zelo. Necessita-se de homens santificados e abnegados; homens que não se esquivem a provas e responsabilidades; homens que sejam corajosos e verdadeiros” (Atos dos Apóstolos, p. 507). Você está disposto a ser uma pessoa assim?


Sexta-feira – 8 de junho

Tantos deuses

Não terás outros deuses diante de Mim. Êxodo 20:3.

Nosso mundo está cheio de deuses, todos eles competindo com o único Deus verdadeiro. Por exemplo, os antigos gregos acreditavam na existência de 12 deuses no Olimpo e muitas outras divindades inferiores, todos com forma e paixões humanas. Aristóteles supostamente disse: “Os homens criam deuses à própria imagem, não só no que diz respeito à forma, mas também a seu modo de vida.” Um século antes, Xenófanes havia declarado: “Sim, e se bois, cavalos ou leões tivessem mãos e pudessem pintar com elas, produzindo obras de arte como os homens fazem, cavalos pintariam deuses em forma de cavalo, e bois em forma de boi, criando os corpos dos deuses à imagem de seus diversos tipos. […] Os etíopes pintam seus deuses negros e de nariz arrebitado. Os trácios dizem que os seus são ruivos e de olhos azuis.”

Os dois filósofos gregos estavam certos quanto aos deuses e ídolos que os seres humanos criam para si (Is 44:9-20). O problema começa quando, confusas e frustradas por tantas divindades inventadas ao longo do tempo, as pessoas passam a considerar que o único Deus verdadeiro não passa de mais uma projeção humana.

No livro Uma História de Deus (1994), Karen Armstrong sugeriu que os profetas de Israel atribuíam “os próprios sentimentos e suas experiências pessoais a Deus” e que, “em certo sentido, os monoteístas criaram um Deus para si”. Em 8 de junho de 2009, a obra de Robert Wright, A Evolução de Deus, foi lançada com perspectiva humanista semelhante. Para o autor, “o monoteísmo abraâmico cresceu organicamente do ‘primitivo’ por um processo mais evolutivo do que revolucionário”.

No centro dessa discussão está a pergunta: O que a Bíblia fala sobre Deus é apenas uma recriação humana ou uma revelação divina? Tanto Armstrong quanto Wright ficariam com a primeira opção; entretanto, a Bíblia defende a segunda. Recebemos a garantia de que “jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo” (2Pe 1:21, NVI).

Aqueles que insinuam que o Deus bíblico é um deus criado estão recriando uma divindade humana para si. Esse é o caso de qualquer um ou de qualquer coisa que tome o lugar de Deus em nossa vida ou se torne uma divindade para nós. O mandamento é claro: “Não terás outros deuses diante de Mim” (Êx 20:3). A única maneira de evitar a idolatria é acreditar em Deus.


Quinta-feira – 7 de junho

Amor imensurável

Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3:16.

Você tem um texto preferido da Bíblia? Caso tenha, o que ele significa para você? Um dos versículos favoritos e mais citados das Sagradas Escrituras é João 3:16. William Barclay o considerava “a própria essência do evangelho”, e outros autores chamaram-no de “a Bíblia em miniatura”.

Na noite de 7 de junho de 1885, Charles H. Spurgeon fez um sermão memorável sobre João 3:16 no Tabernáculo Metropolitano, em Londres. Ele afirmou: “O que havia no mundo para que Deus o amasse? Não havia nada de amável nele. Nenhuma flor perfumada havia crescido neste árido deserto. Inimizade a Ele, ódio à Sua verdade, desrespeito à Sua lei, rebelião a Seus mandamentos – esses eram os espinhos e as ervas daninhas que cobriam a terra estéril.” Mesmo assim, “em meio às ruínas da humanidade, houve espaço para mostrar o quanto Jeová ama os filhos dos homens. […] Quando o grande Deus entregou Seu Filho, Ele deu a Si mesmo, pois Jesus, em Sua natureza, não é menor do que Deus. Quando Deus concedeu Deus para nós, Ele deu a Si mesmo. O que mais Ele poderia dar? Deus concedeu Seu tudo. Quem é capaz de medir esse amor?”

Um autor desconhecido encontrou em João 3:16 os 12 “maiores” superlativos:

“Deus” – o maior em amor

“amou de tal maneira” – o maior grau

“o mundo” – o maior número

“que deu” – o maior ato

“Seu Filho unigênito” – o maior presente

“para que todo” – o maior convite

“Nele” – a maior Pessoa

“crê” – a maior simplicidade

“não pereça” – a maior promessa

“mas” – a maior diferença

“tenha” – a maior certeza

“vida eterna” – a maior posse

Que concentração extraordinária de superlativos expressos em apenas 28 palavras! João 3:16 pode se tornar ainda mais significativo se você substituir as palavras “mundo” e “todo aquele” pelo seu nome. Afinal, Deus ama você!


Quarta-feira – 6 de junho

Exaltando a Bíblia

Pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis coparticipantes da natureza divina, livrando-vos das corrupções das paixões que há no mundo. 2 Pedro 1:4.

A assembleia da Associação Geral de 1909 ocorreu no campus da Faculdade Missionária de Washington, atual Universidade Adventista de Washington (Washington, DC). Ellen White, então com 81 anos, fez a longa viagem de Santa Helena, Califórnia, até a assembleia. Ao longo da programação, Ellen falou 11 vezes. Ela sentia que aquela seria a última vez que pregaria em uma reunião da igreja mundial.

Na tarde de domingo, 6 de junho de 1909, às três da tarde, Ellen White fez um sermão de despedida, intitulado “Participantes da natureza divina”. Ela afirmou: “Tivemos muitas reuniões preciosas aqui e precisamos aproveitar ao máximo nosso privilégio. É bem provável que nunca mais haja um encontro nesta Terra de todos que aqui estão. Mas desejo encontrar este povo no reino de Deus. […] Que o Senhor nos ajude a viver de acordo com Sua Palavra. Todos necessitamos da verdade em Jesus. Que representemos a Cristo e a verdade onde quer que formos. Que nos coloquemos em posição de glorificar a Deus.”

“Oh, que cena de alegria haverá quando o Cordeiro de Deus colocar a coroa da vitória sobre a cabeça dos remidos! Nunca mais você será tentado a pecar! Você verá o Rei em Sua beleza. E aqueles que você ajudou a ir para o Céu o encontrarão lá. Lançarão os braços a seu redor e reconhecerão o que fez por eles.”

“Irmãos, nós nos separaremos em pouquinho tempo, mas não nos esqueçamos daquilo que ouvimos nestas reuniões. […] Lembremo-nos de que devemos ser participantes da natureza divina e que os anjos de Deus se encontram bem ao nosso redor, que não precisamos ser dominados pelo pecado. […] Peço a Deus que essa seja a experiência de cada um de nós e que, no grande dia do Senhor, todos sejamos glorificados juntos.”

Após concluir a pregação, Ellen White estava se dirigindo da plataforma a seu assento. De repente, voltou ao púlpito e pegou a Bíblia que havia usado para ler. Ela a abriu, levantou-a com as mãos trêmulas por causa da idade avançada e disse: “Irmãos e irmãs, recomendo-lhes este Livro.” Sem mais, fechou a Bíblia e desceu da plataforma. Essas foram suas últimas palavras em uma assembleia mundial da igreja.


Terça-feira – 5 de junho

Saúde integral

Amado, acima de tudo, faço votos por tua prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma. 3 João 2.

O ano de 1863 trouxe sérios desafios para os adventistas do sétimo dia. Em seu início, dois dos filhos de Tiago e Ellen White tiveram difteria, com inflamação aguda da garganta e febre alta. Enquanto isso, a Guerra Civil norte-americana (1861-1865) estava em andamento, e o projeto de lei acerca do recrutamento militar, assinado em 3 de março, tornou-se uma séria ameaça para aqueles que se recusassem a ingressar no exército da União. Como se não fosse o bastante, muita energia estava sendo aplicada no desenvolvimento de uma estrutura organizacional que culminou com o estabelecimento, em maio de 1863, da Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Não surpreende, portanto, que Tiago White e outros líderes estivessem esgotados, necessitando cuidar da própria saúde.

Na noite de sexta-feira, 5 de junho de 1863, Ellen White estava na casa de Aaron Hilliard, em Otsego, Estados Unidos, quando recebeu sua mais abrangente visão sobre a mensagem de saúde. Foi-lhe mostrado um “plano geral” de “reforma de hábitos e práticas”. Ela viu que é “um dever sagrado zelar de nossa saúde” e falar “contra a intemperança de toda espécie – intemperança no trabalho, no comer, no beber e no uso de medicamentos”. Muita ênfase foi dada sobre a necessidade de cultivar “uma disposição mental cheia de ânimo, esperança e paz” a fim de fortalecer a saúde. Foi feita alusão a vários outros agentes que promovem a saúde, inclusive a água pura, como “o grande remédio de Deus” (Mensagens Escolhidas, vol. 3, p. 279, 280).

Essa visão deu início a um novo estilo de vida adventista, o qual foi enriquecido por visões posteriores e descobertas científicas. Por experiência própria, sei que a mudança de hábitos e a reeducação do paladar nem sempre são tarefas fáceis. Visto que Ellen White “comia muita carne”, teve dificuldade em abrir mão desse hábito. Certa vez, ela até colocou os braços em cima do estômago e disse para si mesma: “Não provarei nenhum pedacinho. Comerei alimento simples, ou absolutamente nada comerei” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 2, p. 371).

Nossa natureza pecaminosa tende a distorcer os princípios divinos a fim de encaixá-los em nossos hábitos e gostos, mas devemos assumir o controle da situação. Uma vez que Deus deseja que sejamos tão saudáveis quanto possível em todas as dimensões da vida (3Jo 2), por que não nos colocar, por Sua graça, em conformidade com todos esses princípios? Afinal, trata-se de um “dever sagrado”!


Segunda-feira – 4 de junho

Amor eterno

O amor jamais acaba. 1 Coríntios 13:8

O nome do empresário norte-americano Henry Ford (1863-1947) é associado à indústria automotiva e ao desenvolvimento da técnica de linha de montagem na produção industrial em massa. Entretanto, pouco se fala sobre sua esposa, que proveu todo o apoio de que ele necessitava durante 59 anos.

Em 11 de abril de 1888, Henry Ford se casou com Clara Jane Bryant. Inicialmente, eles foram morar em uma fazenda que ele havia ganhado do pai. Em 1891, o casal se mudou para Detroit, onde o jovem começou a trabalhar como engenheiro na Companhia de Iluminação Edison. Com um horário de trabalho flexível, ele iniciou o desenvolvimento de seu “Quadriciclo”, um veículo de quatro rodas que andava sozinho, impulsionado por um motor a gasolina. Durante os primeiros anos, a família Ford morou em dez casas diferentes de aluguel. Clara acreditava no esposo e o apoiava, mesmo sem nenhuma evidência concreta de que suas invenções um dia dariam certo.

Finalmente, em 4 de junho de 1896, Ford fez o test drive de seu Quadriciclo pela avenida Grand River, em Detroit. James Bishop, seu principal assistente, foi de bicicleta à frente para alertar as carruagens e os pedestres que passavam sobre a aproximação do veículo. Em 1903, a indústria automotiva Ford foi inaugurada e, em 1908, ele lançou o Ford T, modelo de automóvel extremamente bem-sucedido. Esse foi só o começo de uma trajetória de negócios de êxito absoluto.

Henry Ford nunca teria se tornado quem se tornou sem o apoio de sua amada esposa. Ele chegou a declarar: “Minha melhor amiga é aquela que traz à tona o melhor em mim.” Em 1940, James Bone perguntou ao empresário o que gostaria de fazer “em uma encarnação futura”. Sem hesitar, Ford respondeu: “A única coisa que eu gostaria de ter certeza é de que minha esposa seria a mesma.” Henry e Clara Ford não só ajudaram a aperfeiçoar a indústria automobilística, como também deixaram o legado de um casamento estável.

O amor genuíno não é um sentimento vulnerável que se deixa abalar por circunstâncias adversas. Em vez disso, trata-se de um compromisso incondicional, nas palavras de Paulo, “como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5:25). Que esse amor incondicional una os casamentos!


Domingo – 3 de junho

Getsêmani

Ele se afastou deles a uma pequena distância, ajoelhou-se e começou a orar: ‘Pai, se queres, afasta de Mim este cálice; contudo, não seja feita a Minha vontade, mas a Tua’. Apareceu-lhe então um anjo do céu que o fortalecia. Lucas 22:41-43, NVI

O ministério terreno de Cristo estava prestes a terminar, e logo Ele enfrentaria uma morte cruel na cruz. No jardim do Getsêmani, Jesus travou uma das batalhas mais dramáticas contra as hostes do mal. Em 3 de junho de 1897, a revista Signs of the Times publicou o emocionante artigo “Getsêmani”, de Ellen White. Por favor, reflita em oração nas seguintes citações desse texto.

“Foi ali que o misterioso cálice tremeu na mão de Cristo. Ali o destino de um mundo perdido ficou em jogo. Ele recusaria ser o penhor da raça humana? Satanás cercou a humanidade de Jesus com um horror de grande escuridão, tentando-O a pensar que Deus O havia abandonado.”

“Os mundos não caídos e os anjos celestiais observaram com intenso interesse, à medida que o conflito se aproximava do fim. Satanás e sua confederação do mal, as legiões da apostasia, observavam com toda atenção essa grande crise na obra da redenção. Os poderes do bem e do mal aguardavam para ver que resposta seria dada à oração que Cristo repetiu três vezes. Em meio a essa crise terrível, quando tudo estava em jogo, quando o cálice misterioso tremeu na mão do Sofredor, os céus se abriram, uma luz brilhou em meio às trevas tempestuosas da hora da crise, e um anjo que permanece na presença de Deus, ocupando a posição da qual Satanás caiu, apareceu ao lado de Cristo. Que mensagem ele trouxe? […] Disse-lhe que não precisaria tomar o amargo cálice, que não necessitaria carregar a culpa da humanidade?”

“O anjo não foi tirar o cálice da mão de Cristo, mas fortalecer o Salvador para que o tomasse, assegurando-Lhe do amor do Pai. Foi dar poder ao Suplicante divino-humano. O anjo apontou para os céus abertos, contando-Lhe acerca das almas que seriam salvas como resultado de Seus sofrimentos […]. Deu-lhe a certeza de que Seu Pai era maior e mais poderoso do que Satanás, que Sua morte resultaria na total derrota de Satanás e que o reino deste mundo seria dado aos santos do Altíssimo. Disse-Lhe que veria o trabalho de Sua alma e ficaria satisfeito, pois contemplaria a multidão dos remidos, salvos, eternamente salvos.”


Sábado – 02 de junho

Concessões agradáveis

Quando entrares na terra que o Senhor, teu Deus, te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daqueles povos. Deuteronômio 18:9

Todos sabem que é mais fácil descer uma colina do que subi-la. Da mesma forma, é mais fácil fazer concessões de nossos valores religiosos do que preservá-los. Por esse motivo, Moisés advertiu os israelitas antes de entrarem na terra de Canaã: “Quando entrares na terra que o Senhor, teu Deus, te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daqueles povos.” Entretanto, como esse processo acontece?

Na revista Signs of the Times de 2 de junho de 1881, Ellen White declarou: “Muitos acham que precisam fazer algumas concessões para agradar aos parentes e amigos descrentes. Como nem sempre é fácil estabelecer o limite, uma concessão prepara o caminho para outra, até que os que antes eram verdadeiros seguidores de Cristo moldam a vida e o caráter segundo os costumes do mundo. A ligação com Cristo é interrompida. São cristãos apenas de nome. Quando vem o momento da prova, então se vê que sua esperança não tem fundamento. Venderam a si mesmos e a seus filhos ao inimigo. Desonraram a Deus e, na revelação de Seus justos juízos, colherão o que semearam. Cristo lhes dirá, como disse ao Israel antigo: ‘Vocês não fizeram o que Eu disse. Em vez disso, vejam o que fizeram!’” (citado em Mensagens aos Jovens, p. 432).

As intenções são inocentemente boas – apenas “para agradar aos parentes e amigos descrentes” – e podem até assumir um tom evangelístico. As pessoas acham que, ao se aproximar mais do estilo de vida de seus conhecidos, os alcançarão mais facilmente com a mensagem adventista. No entanto, não devemos nos esquecer de que “a conformidade aos costumes mundanos converte a igreja ao mundo; jamais converte o mundo a Cristo” (O Grande Conflito, p. 509). O resultado, por sua vez, é bastante previsível – “uma concessão prepara o caminho para outra”, na estrada descendente rumo aos “costumes do mundo”.

Quando normas religiosas e valores morais estão em jogo, nosso posicionamento deve ser tão claro e intransigível quanto o de Daniel e seus amigos na corte babilônica (Dn 1 e 3). Você deve ser uma pessoa movida por princípios. Por isso, nunca venda sua alma apenas para agradar parentes e amigos.


Sexta-feira – 01 de junho

Nossas necessidades mais profundas

Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. Salmo 42:1

Norma Jeane Mortenson nasceu em Los Angeles, em 1o de junho de 1926. Infelizmente, ela foi abandonada pela mãe biológica, cresceu sem saber quem era o pai e mais tarde foi levada para viver com pais adotivos que tinham problemas mentais. Norma passou a maior parte da infância em orfanatos ou lares adotivos. Alguns autores creem que ela tenha sido vítima de abuso sexual no início da infância. Muito jovem, aos 16 anos, casou-se com James Dougherty que, em 1944, partiu para o combate no Oceano Pacífico, durante a Segunda Guerra Mundial. Esses traumas de infância e reveses da vida deixaram marcas indeléveis em sua personalidade.

O fotógrafo documentarista David Conover recebeu o crédito por ter descoberto Norma como modelo, e Bent Lyon fez os contatos para que a jovem fizesse um teste de atuação no estúdio de cinema Fox. Aos 20 anos, ela recebeu o nome de “Marilyn Monroe” – “Marilyn” em homenagem à atriz Marilyn Miller, e “Monroe” por ser o sobrenome de solteira de sua mãe biológica. Ao longo dos anos, Marilyn Monroe construiu uma carreira bem-
sucedida como estrela de cinema. Entretanto, na manhã de 5 de agosto de 1962, ela foi encontrada morta em sua casa, em Los Angeles, provavelmente por causa de uma overdosede barbitúricos.

Quer seja verdadeira, quer não, a história de vida de Marilyn confirma a realidade inegável de que beleza física e sucesso público são incapazes de suprir nossas necessidades emocionais e existenciais mais profundas. Por volta de 1951, Monroe escreveu em um de seus diários: “Sozinha!!!!! Eu sou sozinha – estou sempre sozinha, não importa o que aconteça!”

No poema “Mal Secreto”, Raimundo Correia sugere: “Se se pudesse, o espírito que chora, / Ver através da máscara da face, / Quanta gente, talvez, que inveja agora / Nos cause, então piedade nos causasse!” A verdade é que muitos corações humanos sangram com feridas morais e sociais que se recusam a ser curadas.

O prefácio de O Desejado de Todas as Nações fala sobre o “inexprimível anseio” do coração humano que não se satisfaz com “prazeres, fortuna, conforto, fama [ou] poder”. Esses anseios vêm de Deus para nos conduzir a Jesus, o único capaz de trazer real sentido à vida. Se o passado ainda magoa você, seu presente é instável e o futuro é incerto, entregue sua vida a Cristo e deixe que Ele tome conta de todos os seus fardos.


JUNHO 2018


Quinta-feira – 31 de maio

Cordas quebradas

Não to mandei Eu? Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, por que o Senhor, teu Deus, é contigo por onde quer que andares. Josué 1:9

Umaapresentaçãomusical excepcional costuma derivar da combinação de três componentes fundamentais: a peça que está sendo tocada, a qualidade do instrumento utilizado e a habilidade de quem está tocando. Um instrumento excelente nas mãos de um músico principiante não faz muita diferença. Em contrapartida, até mesmo um instrumento comum nas mãos de um virtuoso musicistapode fazer grande diferença.

O italiano Niccolò Paganini (1782-1840) foi um violinista e compositor extremamente habilidoso. Alguns chegam a considerá-lo o mais famoso virtuosedo violino de todos os tempos. Em 31 de maio de 1794, Paganini fez sua estreia pública em Gênova, sua cidade natal, aos 11 anos de idade. Provavelmente, seus dedos fossem longos e flexíveis por causa da síndrome de Marfan, e isso permitiu que desenvolvesse técnicas novas e difíceis de tocar o instrumento. Além disso, ele também gostava de impressionar o auditório com algumas exibições especiais. Por exemplo, ele aumentava um semitom da corda Lá de seu violino, ou tocava “A Dança das Bruxas” com uma só corda, depois de usar uma tesoura no palco para cortar as outras três. Em qualquer um dos casos, o público sempre ficava impressionado com suas apresentações surpreendentes.

Algumas pessoas são tão habilidosas e bem-sucedidas em sua carreira que podem ser comparadas ao próprio Paganini. A maioria de nós, porém, talvez se pareça mais com seu violino de cordas quebradas. Ao olhar para nós mesmos, enxergamos apenas fraquezas e limitações. Quem sabe duvidemos de que Deus possa nos usar de alguma maneira. Outras pessoas podem até confirmar as dúvidas que temos, diminuindo ainda mais nossa autoestima baixa.

Assim como no caso de Paganini, o que realmente importa não é o número de cordas que nos resta, mas as mãos do artista. Deus é capaz de usar você, mesmo que apenas uma das cordas esteja no lugar. E ainda que todas as cordas tenham se estragado, Ele pode acrescentar quantas cordas novas à sua vida forem necessárias. A única condição é se colocar nas mãos Dele e permitir que o Senhor faça a própria vontade em sua vida, dando a Ele toda honra e glória por suas conquistas. A promessa divina para hoje é: “Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, por que o Senhor, teu Deus, é contigo por onde quer que andares” (Js 1:9).


Quarta-feira – 30 de maio

Kata Ragoso

Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego. Romanos 1:16

Cada assembleia da Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia é um evento único com delegados, convidados especiais e outros visitantes do mundo todo. Um dos pontos altos das reuniões de 1936 e 1954, ambas realizadas em San Francisco, foi a presença de Kata Ragoso, delegado das Ilhas Salomão, no Sul do Pacífico, que se tornou pastor ordenado e presidente de uma Missão.

Em 30 de maio de 1936, Ragoso contou à assembleia que ele e seu povo, presos nas profundezas do paganismo, “viviam uma vida de pecado”, e seus “pensamentos eram continuamente maus”. Adoravam espíritos malignos, tinham vícios de todos os tipos e praticavam atos de violência, inclusive a caça e degola dos inimigos. Contudo, 25 anos antes, um missionário chamado G. F. Jones havia chegado à ilha e pregado a mensagem adventista a ele e à comunidade. Pela graça de Deus, eles “lançaram fora as cadeias do paganismo” e vivenciaram uma transformação completa – inclusive nas áreas de alimentação e higiene.

Ragoso afirmou: “Agora conseguimos viver felizes e em paz por causa do maravilhoso evangelho que nos foi trazido. Quero dizer-lhes com toda certeza, nesta tarde, que nenhum dos meus conterrâneos que aceitou essa gloriosa mensagem deseja voltar à adoração de ídolos e ao paganismo. Hoje, cinco mil pessoas de minha tribo se alegram com vocês, na mensagem da breve volta do Salvador. Mais de cem são pastores, professores e líderes que trabalham em meio aos nossos compatriotas” (Review and Herald,2/6/1936).

O evangelho eterno é muito mais do que uma simples teoria maravilhosa. É poder transformador! Ellen White disse que as conversões que Cristo realiza nas vidas humanas, por intermédio de Sua misericórdia e graça abundante, são “tão admiráveis que Satanás, com toda a sua vanglória de triunfo, com toda a sua confederação para o mal, reunida contra Deus e contra as leis de Seu governo, fica a olhá-las como a uma fortaleza, inexpugnável aos seus sofismas e enganos. São para ele um mistério incompreensível” (Testemunhos Para Ministros e Obreiros Evangélicos, p. 18). A maravilhosa graça já transformou vidas incontáveis ao longo dos tempos! Você e eu necessitamos desse poder transformador em nossa vida também.


Terça-feira – 29 de maio

No topo da montanha

Levanto os meus olhos para os montes e pergunto: De onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra. Salmo 121:1, 2, NVI

Os alpinistas gostam de escalar montanhas altas e, muitas vezes, cobertas de neve. O monte Everest, a montanha mais alta do mundo, é considerado o maior de todos os desafios. Seu pico está localizado a 8.850 metros acima do nível do mar, e escalá-lo é extremamente perigoso. Além da água congelante e do risco óbvio de quedas desfiladeiro abaixo, os alpinistas sofrem os efeitos da altitude extrema, normalmente chamados de “mal da montanha”.

Algumas das primeiras expedições que tentaram escalar o Everest desistiram ou nunca retornaram. Em 29 de maio de 1953, às 11h30, após sete semanas de jornada, o alpinista neozelandês Edmund Hillary e seu guia nepalês Tenzing Norgay finalmente chegaram ao topo do monte. Com pouco suprimento de oxigênio, os dois permaneceram somente 15 minutos no “teto do mundo”.

As montanhas e o alpinismo podem nos ensinar lições significativas. Enquanto subimos a escada social, devemos nos lembrar de que “quanto mais alto na montanha, mais forte sopra o vento”, e que o topo é um lugar solitário. A experiência de Moisés com os israelitas no deserto demonstra que até mesmo líderes honestos e qualificados enfrentam incompreensões, críticas e oposição. Os líderes de sucesso precisam ser criativos, mas toda inovação desperta contestação.

Do ponto de vista religioso, houve uma época na história de Judá em que o povo construía para si lugares altos “sobre todos os montes” (1Rs 14:23, NVI). Mas no Salmo 121:1 e 2, o salmista afirma: “Levanto os meus olhos para os montes e pergunto: De onde me virá o socorro?”. Então ele reconhece que seu auxílio não vem das montanhas, mas “do Senhor, que fez o céu e a terra”.Por mais majestosas e perigosas que sejam as grandes montanhas, elas não têm poder nem são capazes de prestar ajuda alguma. Somente Aquele que “pesou os montes na balança e as colinas nos seus pratos” (Is 40:12, NVI) é capaz de nos ajudar em nossas necessidades mais desafiadoras. Entregue seus problemas a Ele e confie!


Segunda-feira – 28 de maio

O poder da alegria

O coração alegre é bom remédio, mas o espírito abatido faz secar os ossos. Provérbios 17:22

Os rostinhos sorridentes encontrados nos emoticons se tornaram uma das expressões mais populares nas mídias modernas. Seu uso é quase obrigatório em mensagens eletrônicas, pois expressam visualmente as reações emocionais dos usuários. Em muitos casos, porém, enquanto os rostos sorriem, o coração chora. Por isso, além de acrescentar emoticons risonhos a nossas mensagens, também devemos cultivar verdadeiramente um coração alegre, que pode melhorar nossa beleza estética, bem como nossa saúde física e emocional (Pv 15:13; 17:22).

O popular médico, comediante e ativista social norte-americano Hunter Doherty Adams, mais conhecido como Patch Adams, nasceu em Washington, DC, no dia 28 de maio de 1945. Quando adolescente, sentiu-se frustrado com o amor capitalista pelo dinheiro e com as desigualdades sociais. Então decidiu superar seus traumas pessoais levando alegria à vida de pessoas doentes que enfrentaram dor extrema, em especial, crianças. Com a ajuda de alguns amigos, fundou o Gesundheit Institute, hospital comunitário gratuito com o objetivo de promover conexões de compaixão pelos pacientes, com ênfase no humor e na brincadeira. Suas práticas de saúde inovadoras foram retratadas no filme Patch Adams: O Amor é Contagioso (1998).

Adams explica: “O riso melhora o fluxo sanguíneo até as extremidades do corpo e amplia a função cardiovascular. O riso libera endorfinas e outros elementos químicos que melhoram o humor natural e têm função analgésica, aumentando a transferência de oxigênio e nutrientes para os órgãos internos. O riso impulsiona o sistema imunológico e ajuda o corpo a combater doenças, células cancerosas, bem como infecções virais, bacterianas e de outras naturezas. Ser feliz é a melhor cura para todas as doenças!” Entretanto, Adams não concorda que “rir é o melhor remédio”. Para ele, “a amizade, sem dúvida, é o melhor remédio”.

Lembre-se de que alguém pode ser engraçado, mas não ser afeiçoado, pode sorrir sem se importar. Kabral Araújo alerta: “Um sorriso vale mais que mil palavras, mas uma única palavra pode acabar com mil sorrisos.” Em vez de viver apenas para nós mesmos, podemos transformar nosso mundo em um lugar melhor ao levar alegria para a vida dos outros. Em uma sociedade fria e competitiva, devemos cultivar um coração feliz e cuidadoso que transborde de contentamento. Um sorriso pode acender a luz da alma, mas somente a amizade é capaz de mantê-la ligada. Sejamos mais alegres e amistosos!


Domingo – 27 de maio

A orquestra de Deus

A intenção dessa graça era que agora, mediante a igreja, a multiforme sabedoria de Deus se tornasse conhecida dos poderes e autoridades nas regiões celestiais. Efésios 3:10, NVI

Ao refletir sobre a condição de sua igreja local, que analogia poderia retratá-la da melhor maneira? Por exemplo, Paulo comparou a igreja ao corpo humano com seus vários órgãos e membros (1Co 12:12-31). Outros se referem a ela como um hospital espiritual, com muitos pacientes enfermos. Certa vez, um amigo me contou que sua igreja poderia ser comparada à popular rede de conveniências norte-americana 7-Eleven (sete-onze), pois os membros só iam à igreja no sétimo dia às onze horas da manhã, horário de início do culto.

Numa época em que o cristianismo havia perdido boa parte de sua identidade original, João Calvino (1509-1564) motivou e supervisionou a reforma das estruturas eclesiásticas, educacionais e políticas de Genebra. Ele significou para o mundo de fala francesa aquilo que Lutero representou para a Reforma nos países de língua alemã. O reformador francês morreu no dia 27 de maio de 1564, em Genebra, mas deixou para o cristianismo um legado impressionante de modelo eficiente de organização eclesiástica.

Uma das analogias mais interessantes de Calvino acerca da igreja é a de uma orquestra. Ao comentar o Salmo 135:13, afirmou: “O mundo inteiro é um teatro para a demonstração da bondade, sabedoria, justiça e poder divinos, mas a igreja é como se fosse a orquestra – sua parte mais notável. Quanto mais perto Deus Se aproxima de nós, quanto mais íntima e generosa a comunicação de Seus benefícios, mais atentamente somos chamados a considerá-los.”

Essa declaração deve nos levar a uma profunda reflexão. Imagine por um instante que sua igreja de fato seja uma orquestra. Os instrumentos estão bem afinados? Todos os músicos estão tocando a mesma partitura e no mesmo compasso? E mais: Quão impressionada ficaria a plateia com a música que está sendo executada? De acordo com Mark Dever, “a igreja é o evangelho em forma visível”. Nesse caso, que tipo de evangelho sua igreja local tem tornado evidente?

Sua congregação é a orquestra de Deus para a comunidade na qual se localiza. Talvez você possa analisar hoje algumas estratégias práticas capazes de melhorá-la, a fim de que toque a melhor música, da maneira mais maravilhosa possível. Lembre-se de que Deus não merece nada menos do que nosso melhor!


Sábado – 26 de maio

Religião do coração

Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a Si mesmo Se entregou por mim. Gálatas 2:19, 20

Religião é muito mais do que a mera aceitação racional de determinadas crenças doutrinárias. Também é mais do que expressões emocionais esporádicas em alguns cultos e reuniões de oração. Subentende uma verdadeira experiência de conversão, que leva a um compromisso diário e incondicional com Jesus. Significa ser crucificado para o mundo e viver uma nova vida em Cristo, permitindo que, por intermédio de Sua Palavra, Ele controle nossos pensamentos, nossas palavras e ações.

Essa foi a ênfase de Nicolaus von Zinzendorf (1700-1760), que nasceu no dia 26 de maio de 1700, em Dresden, Alemanha, e se tornou um influente bispo pietista da Igreja Moraviana. Preocupado com a ortodoxia luterana estéril de sua época, ele enfatizou a “religião do coração”, que exerceu forte influência sobre a vida de John Wesley, o fundador do Metodismo.

Assim como o apóstolo Paulo entregou toda a vida a Cristo (Gl 2:20), Zinzendorf fez o mesmo. Ao refletir sobre o significado da cruz para a própria salvação, o grande reavivador moraviano afirmou: “Essas feridas tinham o objetivo de me comprar. Essas gotas de sangue foram derramadas para me obter. Não pertenço a mim mesmo hoje. Sou de outro alguém. Fui comprado por um preço. E viverei cada momento deste dia a fim de que o grande Comprador de minha alma receba plena recompensa por Seus sofrimentos.”

Por ser tão apaixonado por Cristo, Zinzendorf não conseguia aceitar nenhuma forma passiva e confinada de religião. Ele chegou a declarar: “Não pode haver cristianismo sem comunidade.” Em seu amor por Jesus, o líder pietista também tinha forte paixão pela missão. Em suas palavras, “missão, no fim das contas, é simplesmente isto: todo coração com Cristo é um missionário, todo coração sem Cristo é um campo missionário”.

Depois de refletir nessas declarações tão significativas de Zinzendorf, devemos nos perguntar: Como estamos recompensando os sofrimentos de Cristo em nosso favor? Talvez sua religião seja mais uma iniciativa intelectual, sem uma experiência verdadeira com o Jesus que transformou sua vida. Qualquer que seja o caso, lembre-se de que você não pertence a si mesmo, mas foi comprado por Cristo e deve viver e trabalhar para Ele. O Salvador deve guiar cada momento de sua vida.


Sexta-feira – 25 de maio

O poder da oração

Se Me pedirdes alguma coisa em Meu nome, Eu o farei. João 14:14

A oração é o método de Deus para nos manter em sintonia com Ele, e a condição para receber algumas de Suas mais preciosas bênçãos. Ao estudar as Escrituras, pode-se ver que algumas dádivas são concedidas quer oremos, quer não (Mt 5:45). Outras são reservadas àqueles que as pedem e têm um coração fiel (Pv 28:9). Cristo destacou essa condição quando afirmou: “Se Me pedirdes alguma coisa em Meu nome, Eu o farei” (Jo 14:14). No entanto, algumas pessoas, como George Müller, foram além do que se espera ao viver em completa dependência de Deus.

George Müller (1805-1898) nasceu na Alemanha; mas, quando tinha 23 anos, mudou-se para Londres, a fim de trabalhar como missionário entre os judeus. As coisas não ocorreram conforme o esperado e, em 25 de maio de 1832, ele se mudou para Bristol, Inglaterra. Ali fundou e dirigiu o orfanato de Ashley Down, no qual cuidou de 10.024 órfãos durante sua vida. Ele também abriu 117 escolas, que proporcionaram educação cristã para mais de 120 mil crianças. Todo o sistema do orfanato era administrado por meio da oração, sem pedir dinheiro a ninguém. Müller guardou o registro de mais de 50 mil preces atendidas, afirmando que nenhuma delas permaneceu sem resposta.

Dentre as respostas à oração mais conhecidas, houve uma em que 300 crianças estavam prontas para ir à escola, mas não havia comida para o desjejum. Müller pediu que se assentassem à mesa e então agradeceu pelo alimento. Quando terminou de orar, um padeiro bateu à porta com pão quentinho suficiente para alimentar a todos, e o leiteiro doou dez latas grandes de leite porque sua carroça havia quebrado em frente ao orfanato.

Enquanto viajava para a América do Norte, Müller abordou o capitão do navio a vapor e perguntou se chegariam a tempo para um compromisso que ele tinha em Quebec, Canadá, na tarde de sábado. O comandante respondeu que, por causa da forte cerração, seria impossível. Müller replicou: “Não, meus olhos não se concentram na densidade da neblina, mas no Deus vivo que controla todas as circunstâncias de minha vida.” Ele orou e, em menos de cinco minutos, a cerração desapareceu. Diante desse testemunho, o capitão se tornou cristão.

Müller tinha uma vida intencional de oração, e nós podemos fazer o mesmo. É possível que Deus nem sempre responda a nossas orações da maneira como gostaríamos, mas Ele nunca deixa sem resposta uma prece sincera. Podemos confiar Nele!


Quinta-feira – 24 de maio

Manhattan

O reino dos céus é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo homem, tendo-o achado, escondeu. E, transbordante de alegria, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo. Mateus 13:44

Imagine que você é um dos mais de 137 mil turistas que visitam a ilha de Manhattan todos os dias. Localizada no coração da cidade de Nova York, ela é considerada o centro do capitalismo mundial. Se você tem interesse por economia e relações internacionais, deve conhecer a sede das Nações Unidas e as duas principais bolsas de valores do mundo: a Bolsa de Valores de Nova York e o mercado de ações Nasdaq. Além disso, precisa ir à Times Square, à Broadway, ao Central Park, ao Grand Central Terminal e ao Empire State Building. No entanto, entre os viajantes, não são muitos os que procurariam uma imobiliária, pois o preço de vendas de propriedades residenciais na ilha costuma ser superior a 15 mil dólares o metro quadrado!

O nome “Manhattan” significa “ilha de muitas colinas”. Originalmente, ela pertencia à tribo Lenape. Contudo, em 24 de maio de 1626 (ou pelo menos em algum momento entre maio e junho de 1626), Peter Minuit comprou-a para a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, por mercadorias equivalentes a 60 florins, antiga moeda da Holanda. Alguns autores sugerem que a porção de terra foi adquirida pelo equivalente a 24 dólares. Com a inflação, poderíamos dizer que o valor atualizado seria de pouco mais de mil dólares. Qualquer que seja o valor, Minuit jamais imaginaria o quanto a ilha se tornaria valiosa um dia!

Na pequena parábola do tesouro escondido (Mt 13:44), Jesus comparou o reino do Céu a algo muito mais valioso do que todas as posses terrenas, inclusive a ilha de Manhattan. Algumas pessoas podem presumir, com base nessa parábola, que um cristão genuíno não deve ter nenhum bem terreno. Entretanto, a parábola da grande ceia (Lc 14:15-24) esclarece que a real questão não é ter um pedaço de terra ou umas juntas de bois, nem mesmo se casar. O problema é permitir que essas coisas substituam nosso compromisso incondicional com o reino de Deus.

Assim como Peter Minuit fez um investimento imprevisível ao comprar a ilha de Manhattan, devemos usar nossos talentos para a causa de Deus, mesmo sem saber exatamente quais serão os resultados (Mt 25:14-30). Faça seu melhor para o Senhor e deixe os resultados nas mãos Dele. Você não vai se desapontar!


Quarta-feira – 23 de maio

“Será?”

Saireis com alegria e em paz sereis guiados; os montes e os outeiros romperão em cânticos diante de vós, e todas as árvores do campo baterão palmas. Isaías 55:12

A conversão é uma experiência tão profunda e extraordinária com Jesus que nem mesmo Satanás com todas as suas hostes é capaz de entender plenamente seu significado (Ellen White, Filhos e Filhas de Deus, p. 356). Foi isso que experimentou Charles Wesley (1707-1788) ao se converter no domingo, 21 de maio de 1738. Ele chegou a confessar: “Agora me encontro em paz com Deus e me alegro na esperança de amar a Cristo.”

De um novo coração, surgiu um novo cântico sobre sua peregrinação espiritual. Ele escreveu em seu diário na terça-feira, 23 de maio de 1738: “Acordei sob a proteção de Cristo e abri mão de mim, alma e corpo, para Ele. Às nove, comecei a escrever um hino sobre minha conversão, mas fui convencido a parar, por medo do orgulho. O Sr. Bray apareceu e me incentivou a prosseguir, a despeito de Satanás. Orei para Cristo permanecer a meu lado e terminei o hino.”

Charles Wesley não identificou qual foi o hino específico que compôs naquela ocasião. No entanto, fica bem claro que se referiu ao maravilhoso “And Can It Be?” (Será?), número 198 do Hinário Adventista norte-americano, que relata com ternura como o pecador é justificado pela justiça de Cristo e pode se aproximar com ousadia do trono eterno. A primeira estrofe e o coro dizem:

Será que eu passei a ter
Interesse pelo sangue do Salvador?
Morreu Ele por mim? Eu que Sua dor causei!
Por mim? Cuja morte provoquei?
Amor extraordinário! Como pode ser
Que Tu, meu Deus, por mim foste morrer?
Amor extraordinário! Como pode ser
Que Tu, meu Deus, por mim foste morrer?

Muitos salmos do Antigo Testamento são orações que refletem as experiências espirituais dos salmistas. Que tal usar a música “And Can It Be?” ou outro hino de que você goste para refletir hoje, transformando-o em sua expressão de oração e louvor? Envolvido com suas muitas atividades diárias, é possível manter sua mente conectada com Deus.


Terça-feira – 22 de maio

João Wycliffe

Sereis odiados de todos por causa do Meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo. Mateus 10:22

Os verdadeiros heróis cristãos permanecem incondicionalmente fiéis a Cristo e à Sua Palavra, mesmo diante das mais fortes pressões. Um exemplo inspirador é o de João Wycliffe (1320-1384), professor de teologia em Oxford. Ele exaltou com ousadia a liderança de Cristo, a autoridade das Escrituras e a salvação pela graça mediante a fé. Preocupado com esses ensinos, o papa Gregório XI promulgou, em 22 de maio de 1377, cinco bulas condenando a obra de Wycliffe por promover “certas proposições e conclusões errôneas e falsas, com sabor até de depravação herética, que tendem a enfraquecer e destruir a posição de toda a igreja e até mesmo do governo secular”.

Em resposta às bulas papais, Wycliffe declarou: “Eu professo e afirmo ser, pela graça de Deus, um cristão sensato (isto é, verdadeiro e ortodoxo) e, enquanto houver fôlego em meu corpo, proclamarei e defenderei a legalidade de minhas posições. Estou pronto para defender minhas convicções até a morte. Em todas as minhas conclusões, segui as Sagradas Escrituras e os santos doutores e, caso se possa provar que elas são opostas à fé, delas me retratarei voluntariamente.”

No dia 4 de maio de 1415, o Concílio de Constança excomungou Wycliffe retroativamente e baniu seus escritos. Suas obras deveriam ser queimadas; e seu cadáver, retirado de solo consagrado. Essa ordem, confirmada pelo papa Martinho V, foi executada em 1428, isto é, 43 anos após o falecimento do pré­-reformador inglês. Na presença de várias autoridades eclesiásticas, seus restos mortais foram tirados do túmulo em Lutterworth, queimados até se tornarem cinzas e jogados no riacho Swift, que ficava próximo. Alguém chegou a colocar um epitáfio em seu antigo túmulo, chamando-o de “instrumento do diabo, inimigo da igreja, autor da confusão entre o povo comum”.

Em sua principal obra, The Church History in Britain (História da Igreja na Grã-Bretanha), Thomas Fuller declarou: “Assim, esse riacho [Swift] conduziu as cinzas ao Avon, o Avon ao Severn, o Severn a mares estreitos e, estes, ao grande oceano. Dessa maneira, as cinzas de Wycliffe são o emblema de sua doutrina, que hoje está espalhada pelo mundo inteiro.” Pela graça de Deus, nós também herdamos esse maravilhoso legado da verdade. Mesmo que não precisemos pagar um preço tão alto pela fé, devemos ter o mesmo compromisso que Wycliffe demonstrou. Carreguemos essa tocha até o fim!


Segunda-feira – 21 de maio

Organização da igreja

Escolheu Moisés homens capazes, de todo o Israel, e os constituiu por cabeças sobre o povo: chefes de mil, chefes de cem, chefes de cinquenta e chefes de dez. Êxodo 18:25

O rápido crescimento do movimento adventista do sétimo dia despertou a necessidade de uma estrutura organizacional capaz de integrar as comunidades adventistas dispersas. Entretanto, vários pioneiros ainda ecoavam as palavras de George Storrs, pregador milerita influente, que declarou em fevereiro de 1844: “Nenhuma igreja pode ser organizada por invenção humana, pois se torna Babilônia no momento em que é organizada.” Em resposta a esse conceito, Ellen White destacou na Review and Herald de 27 de agosto de 1861 que alguns temiam que “se tornariam Babilônia caso se organizassem”, mas que, de fato, era a falta de organização que havia transformado muitas igrejas em uma “perfeita Babilônia, confusão”.

A formação da estrutura organizacional adventista ocorreu em três níveis básicos. A primeira foi a organização de igrejas locais. Embora grupos de adventistas observadores do sábado tenham começado a se estabelecer na metade da década de 1840, foi somente nos anos 1850 que esses grupos começaram a eleger diáconos, anciãos e tesoureiros. O segundo nível foi a formação de Associações estaduais. Em 1861, a primeira Associação adventista do sétimo dia foi instituída em Michigan; em 1862, seis outras Associações foram organizadas. O terceiro nível foi o estabelecimento da Associação Geral, que ocorreu em Battle Creek, Michigan, em 21 de maio de 1863. A constituição das Uniões, bem como das Divisões, só ocorreu no início do século 20.

Alguns podem indagar: “Será que ainda precisamos de uma estrutura organizacional para a igreja?” Ellen White declarou: “Ninguém acaricie o pensamento de que podemos dispensar a organização. A construção dessa estrutura custou-nos muito estudo e orações, em que rogávamos sabedoria e as quais sabemos que Deus ouviu. Foi edificada sob Sua orientação, por meio de muito sacrifício e contrariedades. Nenhum de nossos irmãos esteja tão iludido que tente derrubá-la, pois acarretaria assim um estado de coisas que nem é possível imaginar. Em nome do Senhor declaro-vos que ela há de ser firmemente estabelecida, robustecida e consolidada” (Testemunhos Para Ministros e Obreiros Evangélicos, p. 27, 28).


Domingo – 20 de maio

A divindade de Cristo

Pois em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade. Colossenses 2:9, NVI

Muitas discussões e distorções teológicas derivam da tendência humana de enfatizar excessivamente um lado da “moeda” em detrimento do outro. Um exemplo clássico está nas discussões cristológicas dentro da igreja primitiva. Muitos se perguntavam: Como Cristo pode ser Deus e homem ao mesmo tempo? Quão divino e quão humano Ele é?

Ário (256-336 d.C.), sacerdote de Alexandria, Egito, trouxe muita confusão ao debate quando defendeu que Cristo era mais do que humano, porém menos do que divino. Para ele, na eternidade passada, Deus havia criado o Filho, o qual, por sua vez, teria criado todas as coisas. O Concílio de Niceia iniciou formalmente em 20 de maio de 325 d.C., a fim de lidar com a heresia ariana. Após um mês de reunião, a assembleia promulgou o Credo Niceno original, afirmando que Jesus Cristo foi “gerado, não criado, da mesma substância do Pai” e considerando aqueles que sugeriam que “houve um tempo no qual Ele não foi assim” como anátemas.

Na tradição reformada, a Confissão de Westminster (1646) declarou: “Na unidade da Divindade existem três pessoas com a mesma substância, o mesmo poder e a mesma eternidade: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. O Pai não é de ninguém, nem gerado, nem procedente; O Filho é eternamente gerado do Pai; o Espírito Santo é eternamente procedente do Pai e do Filho.” Entretanto, podemos mesmo dizer que nosso Senhor Jesus Cristo é “eternamente gerado do Pai”?

Em João 3:16 a palavra grega monogenes foi incorretamente traduzida por “unigênito” (ARA), ao passo que seu verdadeiro significado é “único” (NTLH). Uma vez que Ele sempre teve vida em Si mesmo, Cristo podia dizer que era a fonte de vida (Jo 14:6). Por essa razão, em Isaías 9:6 Ele é chamado de “Deus Forte” e “Pai da Eternidade”. Paulo explica que em Cristo “habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (Cl 2:9). E Ellen White afirma: “Em Cristo há vida original, não emprestada, não derivada” (O Desejado de Todas as Nações, p. 530).

Que Salvador extraordinário e poderoso nós temos! Por sempre ter sido Deus no mais elevado sentido, pôde reassumir “toda a autoridade nos céus e na terra” e nos prometer: “Eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mt 28:18, 20, NVI). Podemos confiar plenamente em Sua maneira de cuidar de nós e nos conduzir!


Sábado – 19 de maio

O Dia Escuro

Mas, naqueles dias, após a referida tribulação, o Sol escurecerá, a Lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. Marcos 13:24, 25

Em geral, as pessoas preferem dias ensolarados a dias chuvosos e nublados. Muitos pagãos e místicos veneravam o Sol como rei dos astros e fonte de luz para o mundo. Em contraste, Deus escureceu o Sol em alguns momentos cruciais da história humana. Por exemplo, a nona praga contra a terra do Egito provocou três dias de escuridão absoluta (Êx 10:21-23). Enquanto Jesus estava na cruz, o Sol deixou de brilhar por três horas (Lc 23:44, 45). De acordo com o Apocalipse, quando o quinto anjo derramar sua taça da ira de Deus sobre a Terra, o reino da besta se tornará “em trevas” (Ap 16:10).

Ao falar sobre os sinais do tempo do fim que precederiam Seu retorno, Jesus disse: “O Sol escurecerá, a Lua não dará a sua claridade” (Mc 13:24, 25; cf. Jl 2:31). Autores adventistas têm associado esse sinal específico ao “Dia Escuro”, que ocorreu em 19 de maio de 1780, conforme atesta Ellen White no livro O Grande Conflito (p. 306-309). Esse fenômeno foi observado no estado da Nova Inglaterra, nos Estados Unidos, e em partes do Canadá. Testemunhas relataram que o dia se tornou completamente escuro, estendendo suas trevas até a manhã seguinte. Durante as horas da noite, a Lua apareceu vermelha. Alguns acreditam que o “Dia Escuro” foi causado por uma mistura de fumaça de incêndios florestais, cerração intensa e cobertura de nuvens.

Se o “Dia Escuro” foi causado por fatores naturais, como pode ser um sinal do tempo do fim? Lembre-se de que, no início do sexto selo apocalíptico, “sobreveio grande terremoto. O Sol se tornou negro como saco de crina, a Lua toda, como sangue, as estrelas do céu caíram pela terra, como a figueira, quando abalada por vento forte, deixa cair os seus figos verdes” (Ap 6:12, 13). Como cumprimento dessa profecia, tanto o grande terremoto de Lisboa, em 1o de novembro de 1755, quanto a chuva de meteoros, em 13 de novembro de 1833, tiveram causas naturais. Se assim foi, por que o “Dia Escuro” de 1780 não poderia ter origem semelhante?

Deus pode usar tanto eventos naturais quanto sobrenaturais para nos acordar de nossa segurança descuidada e mornidão espiritual. Ele o fez incontáveis vezes no passado e, se necessário, pode fazê-lo novamente.


Sexta-feira – 18 de maio

Dízimos e ofertas

E, chamando os Seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta viúva pobre depositou no gazofilácio mais do que o fizeram todos os ofertantes. Porque todos eles ofertaram do que lhes sobrava; ela, porém, da sua pobreza deu tudo quanto possuía, todo o seu sustento. Marcos 12:43, 44

Deus instituiu o sistema de dízimos e ofertas com o propósito triplo de combater nosso egoísmo, sustentar o ministério evangélico e promover as missões estrangeiras. Ainda assim, algumas pessoas argumentam que o mau uso de tais recursos pelos canais regulares da igreja justifica que o doador envie suas dádivas diretamente para projetos e ministérios alternativos “mais confiáveis”.

Review and Herald de 18 de maio de 1869 publicou um artigo curto escrito por John N. Andrews chamado “O Sistema dos Dízimos”. Acerca de sua origem, Andrews sugeriu que “o sistema de dízimos não surgiu com o sacerdócio levítico, mas com o de Melquisedeque, sob cuja ordem hoje nos encontramos (Hb 7). Logo, nós nos encontramos sob a obrigação de devolvê-lo como cristãos. E se qualquer um desejar doar tanto quanto a viúva pobre, não perderá sua recompensa”.

O sacerdócio nos tempos de Jesus havia se tornado extremamente corrupto. Cristo poderia ter desencorajado a viúva pobre de contribuir com o sistema sacerdotal. Em vez disso, Ele a elogiou por aquilo que fez (Mc 12:41-44; Lc 21:1-4). Ellen White explica: “As pessoas abnegadas e consagradas que devolvem a Deus o que Lhe pertence, como Ele requer, serão recompensadas segundo as suas obras. Ainda que os recursos assim consagrados sejam mal aplicados, de modo que não venham a preencher os fins que o ofertante tinha em vista – a glória de Deus e a salvação de almas – aqueles que fizeram o sacrifício em sinceridade de coração, com a única finalidade de glorificar a Deus, não perderão sua recompensa” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 2, p. 519).

Ela ainda faz um apelo a nós: “Ninguém se sinta na liberdade de reter o dízimo, para empregá-lo segundo seu juízo. […] Deus não mudou; o dízimo tem de ser ainda empregado para a manutenção do ministério. A abertura de novos campos requer mais eficiência ministerial do que possuímos agora, e é preciso haver meios no tesouro” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 9, p. 247, 250). Portanto, levemos nossos dízimos e nossas ofertas fiéis à casa do tesouro (Ml 3:10).


Quinta-feira – 17 de maio

As festas de Israel

São estas as festas fixas do Senhor, as santas convocações, que proclamareis no seu tempo determinado. Levítico 23:4

É comum as pessoas gostarem de comemorar o aniversário ou as férias com familiares e amigos, ou então envolverem-se em algum projeto específico. Nos tempos antigos, Deus separou várias festas anuais para os israelitas. Estas eram dividias em dois ciclos principais (ver Lv 23). Primeiramente, ocorriam as festas da primavera, que incluíam a Páscoa, a Festa dos Pães Asmos, a Festa das Primícias e oPentecostes. Depois, vinham as festas do outono, que abrangiam a Festa das Trombetas, o Dia da Expiação e a Festa dos Tabernáculos. Todos os homens deIsrael deveriam celebrar três dessas festas em Jerusalém: a Páscoa, o Pentecostes e a Festa dos Tabernáculos.

Uma carta de Guilherme Miller, publicada no periódico milerita Signs of the Times (Sinais dos Tempos), em 17 de maio de 1843, tem relevância especial para a interpretação das festas hebraicas. Ele sugeriu que as festas da primavera se cumpriram durante o primeiro advento e sofrimento de Cristo. Já as festas do outono deviam se cumprir em relação ao segundo advento. Acerca do primeiro ciclo de festas, o Novo Testamento declara que Jesus morreu na cruz como o “Cordeiro de Deus” (Jo 1:29), “nosso Cordeiro pascoal” (1Co 5:7); também afirma que Ele ressuscitou dos mortos como “as primícias dos que dormem” (1Co 15:20); e diz que o Espírito Santo desceu sobre os discípulos no dia de Pentecostes (At 1:8; 2:1-4).

De maneira semelhante, o segundo ciclo de festas começou a se cumprir durante a expectativa da segunda vinda de Cristo, no tempo do fim. Assim como a Festa das Trombetas anuncia a breve chegada do Dia da Expiação, o movimento do segundo advento proclamou que os 2.300 dias-anos simbólicos de Daniel 8:14 terminariam na década de 1840, ocasião em que o santuário seria purificado. Por fim, o ano de 1844 foi definido como o início do dia antitípico da expiação. A Festa dos Tabernáculos, por sua vez, ainda se cumprirá durante o milênio, período no qual os santos permanecerão no Céu (Ap 20), antes de se estabelecerem de maneira permanente na Terra renovada (Ap 21:1-4).

Vivemos hoje no grande dia antitípico da expiação. Assim como se esperava que os antigos israelitas afligissem a alma (Lv 16:29; 23:27), devemos consagrar nossa vida em compromisso total com o Senhor, a fim de estar prontos para Seu breve retorno.


Quarta-feira – 16 de maio

A maior motivação

Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens. Colossenses 3:23

Aristóteles afirmou: “Qualidade não é um ato, mas um hábito.” Trata-se do hábito de sempre melhorar a qualidade daquilo que estamos fazendo. Essa era a filosofia do italiano Antonio Stradivari (c. 1644-1737), o grande fabricante de violinos, cujos instrumentos continuam a ser renomados por sua qualidade tonal excepcional. Por exemplo, em 16 de maio de 2006, um violino Stradivari de 1707 foi vendido em um leilão na cidade de Nova York por 3,5 milhões de dólares. Outro violino Stradivari em exibição no Museu Ashmolean, na Inglaterra, vale o equivalente a 15 milhões de dólares. Por que os instrumentos Stradivari ou Stradivarius (em latim) autênticos são tão valiosos?

Os especialistas explicam que a qualidade desses instrumentos depende da habilidade de escolher a madeira certa, as ferramentas apropriadas, o melhor formato para o violino e um bom verniz. Acerca da madeira, o fabricante de violinos Tibor Szemmelveisz, da Hungria, explicou: “Pode haver uma diferença imensa de qualidade até mesmo em pedaços da mesma árvore, dependendo se vêm do lado da árvore voltado para o sul ou para o norte, ou da parte superior ou inferior de uma colina.”

Muitas pessoas gostariam de receber as honras que Stradivari obteve por suas realizações, mas não estão dispostas a pagar o preço de seu compromisso. A fim de dar uma contribuição valiosa em vida, precisamos superar a tendência natural à preguiça e mediocridade, para então nos aperfeiçoar continuamente.

Ronnie Oldham declarou muito bem: “A excelência é resultado de cuidar mais do que os outros pensam ser sábio, arriscar mais do que os outros pensam ser seguro, sonhar mais do que os outros consideram prático e esperar mais do que os outros creem ser possível. É o compromisso com o desempenho de alta qualidade que produz resultados extraordinários de valor duradouro. Excelência significa crer no aperfeiçoamento contínuo e nunca se satisfazer com menos do que algo pode ser. É a qualidade como estilo de vida.”

Existem pessoas mais automotivadas que as outras. A despeito de qual seja nossa condição, temos uma motivação muito superior para o aperfeiçoamento contínuo: glorificar a Deus. Nas palavras de Paulo: “Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens” (Cl 3:23). Tudo que Deus faz é realizado com perfeição. E nós, seus embaixadores, devemos fazer sempre nosso melhor também.


Terça-feira – 15 de maio

Instituto Butantã

Deus tornou pecado por nós Aquele que não tinha pecado, para que Nele nos tornássemos justiça de Deus. 2 Coríntios 5:21, NVI

As serpentes despertam diferentes reações naqueles que as veem. Algumas pessoas amam esses animais, outras se sentem temerosas em relação a eles. Há muitos anos, minha esposa e eu visitamos, na cidade de São Paulo, o famoso Instituto Butantã, o maior fabricante de imunobiológicos e biofarmacêuticos da América Latina e um dos maiores do mundo. Fundado em 23 de fevereiro de 1901, é conhecido internacionalmente por sua coleção de serpentes venenosas, além de ter uma grande quantidade de lagartos, aranhas, escorpiões e insetos peçonhentos colecionados durante mais de cem anos.

A partir da extração do veneno de répteis e insetos, o instituto desenvolve vacinas contra diversas doenças, incluindo tuberculose, raiva, tétano e difteria. O centro também produz antídotos para picadas de serpentes peçonhentas. Infelizmente, em 15 de maio de 2010, um incêndio no prédio de coleções destruiu mais de 70 mil espécies de serpentes, bem como mais de 450 mil espécies de artrópodes, incluindo escorpiões, opiliões (como a aranha-bode), miriápodes (como a lacraia e o piolho-de-cobra) e aranhas.

O processo de extração do veneno de serpente para produzir o soro antiofídico pode exemplificar o que Cristo fez por nós na cruz. Ao carregar nossos pecados, sem Se tornar pecador, Ele providenciou um antídoto eficaz contra o pecado (2Co 5:21). Esse princípio foi bem ilustrado pelo episódio das serpentes abrasadoras (Nm 21:4-9). Os israelitas estavam morrendo em virtude da picada delas; entretanto, aqueles que fossem mordidos, mas olhassem para a serpente de bronze, teriam vida. O próprio Jesus declarou: “E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que Nele crê tenha a vida eterna” (Jo 3:14, 15).

O terrível incêndio que destruiu a grande coleção de serpentes do Instituto Butantã em 2010 nos lembra da destruição final da “antiga serpente, que se chama diabo e Satanás,” e de seus anjos maus, ao fim do milênio (Ap 12:9; 20:7-10). As ações triunfantes de Deus sobre o mal, prometidas pela primeira vez no jardim do Éden (Gn 3:15) e confirmadas na cruz (Jo 12:31), serão finalmente concluídas, para todo o sempre. Então o veneno do pecado será definitivamente erradicado do Universo, para nunca mais infectar alguém outra vez.


Segunda-feira – 14 de maio

Perfeito em Cristo

Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Filipenses 3:12

Atualmente, muitos cristãos ficam confusos em relação aos conceitos bíblicos de santificação e perfeição. Alguns argumentam que podemos e devemos alcançar a perfeição nesta vida, pois Deus nunca nos pediria algo que não temos condições de fazer. Outros afirmam que é impossível, pois só Deus e as criaturas não caídas são perfeitos. Uma das contribuições teológicas mais úteis sobre esse assunto foi feita pelo doutor Hans K. LaRondelle (1929-2011).

Hans LaRondelle nasceu em 18 de abril de 1929, na Holanda. Quando tinha 20 anos, leu um exemplar do livro O Grande Conflito, deEllen G. White, e aceitou a mensagem adventista. Em sua carreira, tornou-se um dos mais influentes teólogos da denominação.

Em 14 de maio de 1971, ele defendeu sua tese doutoral em Teologia Sistemática pela Universidade Reformada Livre, em Amsterdã. Traduzido ao português, o título da tese seria: “Perfeição e Perfeccionismo: Um estudo ético­dogmático da perfeição bíblica e do fenômeno do perfeccionismo”. Esse estudo destaca que a verdadeira perfeição bíblica envolve crescimento contínuo à imagem e semelhança de Cristo. Entretanto, é sempre cristocêntrica e nunca egocêntrica. Ela “participa do mesmo modo de ser do reino de Deus; é presente e futura” (p. 327). Conforme Ellen White explicou muito bem, “quanto mais perto você estiver de Jesus, mais cheio de faltas sentirá que é, pois sua visão ficará mais clara” (Caminho a Cristo, p. 64).

Toda discussão em torno da verdadeira e falsa santificação e perfeição pode ser resolvida com facilidade na esfera prática ao se refletir na parábola de Jesus sobre o fariseu e o publicano (Lc 18:9-14). O fariseu estava satisfeito com a própria condição espiritual e julgava os outros, inclusive seus irmãos de fé. O publicano, em contrapartida, estava preocupado com as próprias fraquezas e não expunha os defeitos alheios, como fazia o fariseu. Em outras palavras, a verdadeira santificação gera um sentimento de indignidade pessoal e misericórdia em relação aos outros. A falsa santificação alimenta o orgulho e a crítica aos outros, inclusive à comunidade de crentes.


Domingo – 13 de maio

Dia das mães

“Leve este menino e o crie para mim, que eu pagarei pelo seu trabalho. A mulher levou o menino e o criou.” Êxodo 2:9, NTLH

Mães cuidadosas são a encarnação do amor de Deus em meio à humanidade. Abraham Lincoln confessou: “Tudo que sou ou que um dia almejo ser, devo ao anjo que é minha mãe.” No domingo, 10 de maio de 1908, Anna Jarvis realizou uma cerimônia memorial em homenagem à sua mãe, Ann, que havia morrido em 9 de maio de 1905, lembrando-se também de todas as outras mães. Essa celebração é considerada a primeira observância oficial do Dia das Mães nos Estados Unidos.

Em 9 de maio de 1914, o presidente norte-americano Woodrow Wilson determinou que o Dia das Mães nacional deveria ser celebrado todo segundo domingo de maio. Nesse dia, a bandeira dos Estados Unidos deve ser exibida em todos os prédios públicos, casas particulares e outros locais adequados, “como expressão pública de amor e reverência pelas mães” norte-americanas.

Uma mãe modelo dos tempos bíblicos foi Joquebede (Nm 26:59). Por cerca de 12 anos, ela educou seu filho Moisés para Deus. “Esforçou-se por embeber seu espírito com o temor de Deus e com o amor à verdade e justiça, e fervorosamente orava para que ele pudesse preservar-se de toda a influência corruptora. Mostrou-lhe a loucura e o pecado da idolatria, e cedo o ensinou a curvar-se e a orar ao Deus vivo, que unicamente poderia ouvi-lo e auxiliá-lo em toda a emergência. Ela conservou consigo o rapaz tanto quanto pôde; foi, porém, obrigada a entregá-lo quando ele estava com aproximadamente doze anos. Foi levado de sua humilde choupana ao palácio real, para a filha de Faraó, e se tornou seu filho. Contudo, mesmo ali, ele não perdeu as impressões recebidas na infância” (Patriarcas e Profetas,p. 243, 244). Da mesma maneira, devemos preparar nossos filhos para enfrentar os desafios de nosso mundo contemporâneo.

Neste domingo, 13 de maio de 2018, vários países comemoram o Dia das Mães. Por isso, gostaria de louvar a Deus pelas três mães maravilhosas que Ele me concedeu: minha mãe, Frieda, que me deu a vida e cuidou de mim durante meus primeiros anos; minha sogra, Cenira, que se tornou minha segunda mãe; e minha esposa, Marly, mãe de nossos três filhos. Como eu as amo! Você também pode prestar tributo especial às mães do seu coração.

Que o Senhor abençoe todas as mães que acabaram de ler esta mensagem devocional. Gostaria de lhes desejar muita saúde e alegria, bem como a bênção de ter sua família unida em Cristo. Feliz Dia das Mães!


Sábado – 12 de maio

A mulher da lâmpada

Aproximou-se, enfaixou-lhe as feridas, derramando nelas vinho e óleo. Depois colocou-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e cuidou dele. Lucas 10:34, NVI

A vida que vale a pena ser vivida se concentra nos outros, não somente em nós mesmos. Ellen White declarou: “Não passaremos por este mundo senão uma vez. Todo bem que nos for dado fazer, devemos fazer sincera, infatigavelmente, naquele espírito que Cristo pôs em Sua obra” (Conselhos aos Professores, Pais e Estudantes, p. 267).

Florence Nightingale (1820-1910) nasceu no dia 12 de maio de 1820, em Florença, Itália, e seu nome foi inspirado no da cidade. Na juventude, estudou Enfermagem na Alemanha e começou a trabalhar em Londres. Durante a Guerra da Crimeia (1853-1856), ela e sua equipe de enfermagem melhoraram grandemente as condições sanitárias de um hospital de base britânico, reduzindo em dois terços o índice de mortalidade. Eles criaram uma cozinha para atender às necessidades alimentares dos pacientes, uma lavanderia para providenciar lençóis limpos, uma sala de aula e uma biblioteca para estímulo intelectual e entretenimento. Nightingale cuidava sem cessar dos militares. À noite, ela carregava uma lâmpada enquanto tratava paciente após paciente. Os soldados sentiam-se emocionados e confortados por sua compaixão sem fim e chegaram a chamá-la de “a mulher da lâmpada” e “o anjo da Crimeia”.

De fato, ela aliava tanto profissionalismo eficiente quanto amor dedicado. Suas estratégias ajudaram a melhorar as práticas de cuidado aos enfermos e sua vida tocante inspirou muitas gerações de enfermeiros. Ainda hoje, algumas cerimônias de formatura de Enfermagem chegam ao ápice acendendo a vela e recitando o juramento de Nightingale, em homenagem à “mulher da lâmpada”.

Florence afirmou: “Atribuo meu sucesso a isto: nunca dei nem aceitei nenhuma desculpa.” Ela aconselhou: “Por isso, nunca perca a oportunidade de promover um início prático, por menor que seja, pois é maravilhoso perceber quantas vezes, em tais questões, a semente de mostarda germina e cria raízes.” Também enfatizou a importância de aliar empatia e cooperação: “Corramos a corrida na qual todos vencerão, alegrando-nos com os sucessos alheios, como se fossem nossos, e lamentando seus fracassos, onde quer que se encontrem, como se fossem nossos. Somos todos um só Enfermeiro.”

O exemplo de vida de Nightingale deve nos inspirar a sair e brilhar por Jesus. Hoje, você pode fazer uma grande diferença na vida de alguém!


Sexta-feira – 11 de maio

Ignorando a palavra profética

Porém o Senhor lhes enviou profetas para os reconduzir a Si; estes profetas testemunharam contra eles, mas eles não deram ouvidos. 2 Crônicas 24:19

Os seres humanos têm a tendência de não levar a palavra de Deus tão a sério quanto deveriam. Esse foi o problema dos antediluvianos (Hb 11:7), dos contemporâneos de Jesus (Mt 23:29-36) e também daqueles que administravam o Sanatório de Battle Creek.

No início de 1900, Ellen White afirmou que “o Senhor separou o Dr. Kellogg para realizar uma obra especial”, mas sob sua liderança, o Sanatório de Battle Creek estava perdendo sua identidade original (Manuscrito 6, 1900). Em 18 de fevereiro de 1902, a instituição foi destruída pelo fogo, e Ellen White identificou a tragédia como um juízo da parte de Deus. Dois dias depois, ela advertiu: “Uma responsabilidade solene repousa sobre os responsáveis pelo Sanatório de Battle Creek. Construirão eles uma instituição gigantesca ou cumprirão o propósito divino de estabelecer organizações em muitos lugares?” (Manuscrito 76, 1903).

Desconsiderando as advertências de Ellen White, o Dr. John H. Kellogg e sua equipe decidiram reconstruir o hospital e fazê-lo ainda maior em Battle Creek. Todas as circunstâncias pareciam favorecer sua decisão, inclusive a expectativa popular generalizada de que isso aconteceria, muitas promessas de doações financeiras feitas tanto por comunidades adventistas quanto não adventistas e a grande venda do livro que Kellogg estava prestes a lançar, The Living Temple (O Templo Vivo). Assim, no domingo 11 de maio de 1902, com cerca de 10 mil pessoas reunidas, a pedra fundamental do novo Sanatório de Battle Creek foi lançada.

Logo, porém, promessas não cumpridas e crises financeiras mostraram que era muito mais fácil planejar do que custear o projeto. A publicação do livro The Living Temple foi controversa desde o início. O Dr. Kellogg estava se distanciando cada vez mais do pensamento e da liderança da igreja. Com o tempo, assumiu controle absoluto sobre o Sanatório e no dia 10 de novembro de 1907 foi excluído do rol de membros do tabernáculo de Battle Creek.

Os antediluvianos poderiam ter salvado a própria vida caso tivessem seguido as advertências proféticas de Noé. Da mesma maneira, muitas dores de cabeça relacionadas ao Sanatório de Battle Creek poderiam ter sido poupadas se os conselhos proféticos de Ellen White tivessem sido atendidos. Lembre-se: a palavra profética pode não ser a mais lógica ou significativa para nós, mas no longo prazo sempre é a melhor e mais digna de confiança!


Quinta-feira – 10 de maio

Benditas adversidades

Da fraqueza tiraram força. Hebreus 11:34

O exército alemão havia acabado de invadir o território da Holanda. Na tarde da sexta-feira, 10 de maio de 1940, o governador-geral das Índias Holandesas Orientais anunciou pelo rádio que todos os homens alemães com mais de 16 anos em suas colônias seriam presos. Siegfried H. Horn (1908-1993) era um missionário adventista do sétimo dia alemão e sabia que podia ser detido a qualquer momento. Mesmo assim, ele subiu em sua motocicleta e foi à igreja naquela noite, onde pregou sobre “Os sofrimentos de Jesus”. Logo que chegou em casa, a polícia apareceu. Ele foi aprisionado e ficou sem ver sua amada esposa por mais de seis anos.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Horn foi prisioneiro de guerra; primeiramente, dos holandeses na Indonésia e, depois, dos ingleses na Índia. Com acesso a livros, ele desenvolveu na prisão suas habilidades em línguas bíblicas e ensinou seus companheiros de cárcere. Após a guerra, imigrou para os Estados Unidos, onde concluiu sua formação acadêmica. Por um curto período, estudou com o professor William A. Albright, na Universidade Johns Hopkins e, em 1951, obteve o doutorado em Egiptologia na Universidade de Chicago.

Por 25 anos, o doutor Horn lecionou Arqueologia e História da Antiguidade no Seminário Teológico Adventista do Sétimo Dia na Universidade Andrews. Ele escreveu vários artigos introdutórios e os comentários sobre Gênesis, Êxodo, Esdras e Neemias no Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia; foi o principal autor do Dicionário Bíblico Adventista do Sétimo Dia; deu início ao programa doutoral do Seminário; fundou o Museu Arqueológico Siegfried H. Horn; foi o editor-fundador do periódico Andrews University Seminary Studies (Estudos do Seminário da Universidade Andrews); e inaugurou e dirigiu as escavações arqueológicas em Tell Hesban, a Hesbom bíblica, na Jordânia.

As crises não significam necessariamente resultados negativos. Elas podem gerar novos inícios e dar uma nova direção à vida. Enquanto algumas pessoas se tornam vítimas de circunstâncias desastrosas, outras usam isso para o próprio bem. Por exemplo, os anos que o doutor Horn passou como prisioneiro de guerra redirecionaram toda sua carreira. Você não precisa enxergar as crises de sua vida como muros de obstrução. Elas podem ser apenas passos mais altos que conduzam a um futuro mais brilhante. Lembre-se, você “tudo [pode] Naquele que [o] fortalece” (Fp 4:13)!


Quarta-feira – 09 de maio

As feridas em Suas mãos

Se alguém lhe disser: Que feridas são essas nas Tuas mãos?, responderá Ele: São as feridas com que fui ferido na casa dos Meus amigos. Zacarias 13:6

A Adventist Review de 9 de maio de 2013 publicou em sua capa uma imagem impressionante de Jesus. Era ligeiramente borrada, com um par de óculos em destaque no centro da ilustração, para que o leitor pudesse ver, com mais clareza, por meio das lentes sobrepostas ao desenho, partes da face de Jesus. Quem foi o autor dessa imagem? Ninguém menos do que Harry Anderson, conhecido ilustrador adventista, extremamente talentoso, que pintou alguns dos mais belos retratos de Cristo.

Filho de pais suecos, Harry Anderson nasceu em 11 de agosto de 1906, em Chicago. Em 1944, tornou-se adventista do sétimo dia e logo depois começou a desenhar para a editora Review and Herald. O artista produziu cerca de 300 ilustrações de temas religiosos para a igreja. Em 1945, Anderson concluiu a obra “O que aconteceu com suas mãos?”, provavelmente a mais conhecida de sua autoria. Nessa pintura vanguardista, Jesus foi retratado com três crianças modernas.

A ambientação inovadora da imagem despertou muita oposição, até mesmo da própria equipe do departamento de arte da Review and Herald. Entretanto, grande medida do preconceito inicial desapareceu depois que um dos funcionários relatou uma experiência reveladora. Certa noite, sua filhinha estava folheando seu exemplar do livro The Children’s Hour (A Hora das Crianças). Quando chegou à imagem “O que aconteceu com suas mãos?”, correu até o pai e disse: “Papai, eu também quero me assentar no colo de Jesus!” Então ele percebeu que ilustrações modernas poderiam ajudar crianças a se identificar melhor com Cristo.

Ellen White explica que, no juízo final, Jesus mostrará aos ímpios “Suas mãos com os sinais de Sua crucifixão. Os sinais desta crueldade sempre Ele os levará. Cada vestígio dos cravos contará a história da maravilhosa redenção da humanidade e o valioso preço por que foi comprada” (Primeiros Escritos, p. 179). Atualmente, porém, “em nosso favor Ele apresenta perante o Pai as cicatrizes da crucifixão, que Ele terá por toda a eternidade” (Nos lugares Celestiais, p. 77).

O Senhor declarou acerca de Sião: “Eis que nas palmas das Minhas mãos te gravei” (Is 49:16). Da mesma maneira, encontramos nas mãos de Jesus um símbolo de Seu amor incondicional por nós e a certeza de que Ele nunca nos abandonará.


Terça-feira – 08 de maio

O príncipe e o plebeu

A Si mesmo se humilhou, tornando-Se obediente até à morte e morte de cruz. Filipenses 2:8

A vida é cheia de contrastes e paradoxos. Às vezes, até mesmo nossos maiores planos vão por água abaixo, conforme ilustra o filme O Príncipe e o Mendigo, lançado oficialmente em 8 de maio de 1937, e com várias outras versões. Com base no romance homônimo de Mark Twain, de 1881, a obra retrata uma história imaginária em Tudor, Inglaterra. Dois meninos nascem no mesmo dia, mas em circunstâncias absolutamente diferentes. Tom é o filho plebeu do terrível criminoso John Canty, enquanto Eduardo VI é príncipe herdeiro do rei Henrique VIII, da Inglaterra. Quando adolescentes, eles se conhecem e ficam admirados ao perceberem a semelhança extraordinária da aparência de ambos. Como brincadeira, resolvem trocar de roupa. O problema é que logo em seguida, o capitão da guarda chega e não consegue identificar o príncipe vestido de plebeu, expulsando-o do palácio.

Quando Tom tenta revelar sua identidade, somente o conde de Hertford acredita nele. Todos os outros tinham certeza de que o “príncipe” estava com alguma doença mental. Então, quando o rei Henrique VIII morre, o conde ameaça contar toda verdade sobre Tom, a menos que o jovem faça tudo que o nobre mandar. Temendo quanto ao próprio futuro, o nobre também chantageia o capitão e o intimida para que localize e mate Eduardo, o príncipe verdadeiro. No entanto, Eduardo havia encontrado em Miles Hendon um protetor de confiança. Com a ajuda dele, consegue voltar ao palácio bem na hora da cerimônia de coroação, comprovando sua identidade e assumindo o trono. Por fim, Tom é nomeado guarda do novo rei, o conde de Hertford é exilado em caráter vitalício e Hendon recebe uma recompensa por seus serviços.

Esse filme popular nos dá uma vaga ideia do mistério glorioso da encarnação, conforme descrito por Paulo em Filipenses 2:5 a 11. Essa passagem maravilhosa fala do Cristo que deixou as cortes celestiais, veio a nosso mundo de pecado e assumiu nossa natureza humana. Ele viveu assim como os humildes de Sua época. Foi rejeitado por muitos daqueles a quem veio salvar. Em contraste com o príncipe Eduardo, da história de Mark Twain, Jesus continuou o processo de humilhação até a cruz, na qual morreu em meio a ladrões. Contudo, ressuscitou triunfantemente dos mortos, ascendeu de volta ao Céu e foi entronizado como “Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Ap 19:16).


Segunda-feira – 07 de maio

Alegre adoração

Vinde, cantemos ao Senhor com júbilo, celebremos o Rochedo da nossa salvação. Salmo 95:1

Imagine que, no dia 7 de maio de 1824, você está em Viena, Áustria. Sem explicar o que está prestes a ocorrer, um amigo o leva ao Teatro do Ducado da Caríntia. Assim que você entra no auditório, consegue perceber grande empolgação e muita expectativa para um evento de imensas proporções. A orquestra é maior do que de costume. Na hora marcada, o maestro sobe ao palco – ninguém menos que o grande Ludwig van Beethoven – para a estreia de sua Nona Sinfonia. Curiosamente, essa obra foi desaprovada por alguns críticos, que o censuraram por acrescentar um coral e solistas a uma sinfonia, recursos que ele inseriu no movimento final.

Naquela época, Beethoven já estava completamente surdo e não conseguiu ouvir a execução da própria composição. Um regente auxiliar, Michael Umlauf, assentou-se fora da visão do público, para marcar o tempo aos músicos. Quando o espetáculo terminou, o grande maestro estava alguns compassos atrasado e ainda regia. Então, a solista contralto se aproximou dele e o virou para a plateia, a fim de que ele recebesse os aplausos entusiasmados do público, que ovacionava a apresentação. Mesmo sem ouvir as palmas, ele pelo menos conseguia ver os gestos de aclamação. Beethoven saiu do palco em lágrimas, extremamente emocionado.

A letra original é da “Ode à Alegria” (1785), do célebre poeta alemão Friedrich Schiller. O poema fala de todas as pessoas se unindo em fraternidade universal e termina com as majestosas palavras: “Irmãos, acima do pavilhão celeste deve habitar um Pai amoroso. Caís em adoração, vós, milhões? Mundo, conheces teu Criador? Buscai-O nos céus; acima das estrelas deve Ele habitar.” Posteriormente, a letra cristã “Jubilosos Te Adoramos” (1907), de Henry van Dyke, foi acrescentada à melodia da Nona Sinfonia. Hoje, ela é cantada como um dos mais belos hinos de todos os tempos (ver hino 14 do Hinário Adventista do Sétimo Dia).

Ocupados com tantas atividades, podemos facilmente perder de vista o espírito de adoração derivado de um relacionamento verdadeiro entre Criador e criatura. No entanto, o primeiro versículo do salmo 95 nos convida: “Vinde, cantemos ao Senhor com júbilo, celebremos o Rochedo da nossa salvação.” O hino “Jubilosos Te Adoramos” chama todas as criaturas e até mesmo a criação a adorar com alegria seu Criador. Se você conhece o hino, que tal cantá-lo agora e mantê-lo na memória ao longo do dia? Tenha um tempo jubiloso com seu Criador e Redentor!


Domingo – 06 de maio

Sem religião

Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal. Gênesis 3:5

Alguns psicólogos lutam com a pergunta: “Deus criou o ser humano ou foi o ser humano que criou Deus?” Sigmund Freud (1858-1939), o fundador da psicanálise, nasceu em Freiburg, Império Austro-Húngaro, em 6 de maio de 1856, filho de pais judeus. Ele foi um dos pensadores mais influentes e controversos do século 20, desafiando a Deus e a natureza da religião. Desse modo, sonhou com uma sociedade madura e plena, liberta dos sistemas religiosos.

Baseando-se na necessidade da criança de receber “proteção paterna”, Freud via a noção de Deus como uma projeção humana dessa necessidade, ou seja, como “nada mais do que uma figura paterna exaltada”. Em seu ponto de vista, a religião seria “uma ilusão” e poderia ser comparada a “uma neurose infantil”. Para ele, “a religião pertenceu à infância da raça humana. Foi uma etapa necessária na transição da infância à maturidade. Promoveu valores éticos que eram essenciais à sociedade. Agora que a humanidade amadureceu, porém, a religião deve ser deixada para trás”.

Freud argumentou ainda: “Quando um ser humano se liberta da religião, tem mais chances de ter uma vida normal e plena.” Enquanto outros ateus negavam com veemência a existência de Deus e o significado da religião, ele sugeria um processo psicológico atraente e convincente para as pessoas migrarem do campo religioso infantil para uma sociedade não religiosa madura. Não surpreende que Tony Campolo o tenha classificado como “o apóstolo da descrença”.

Da perspectiva bíblica, toda a noção de amadurecer longe de Deus e de Sua Palavra ecoa de perto o discurso da serpente no jardim do Éden. De maneira muito sutil, ela primeiro classificou a palavra de Deus como restritiva demais e indigna de confiança, para depois oferecer um conhecimento mais liberal e confiável. A serpente argumentou: “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal.”

Freud morreu em 1939, mas muitos de seus discípulos fiéis continuam a rotular Deus e a religião da mesma maneira que ele fazia. Talvez você esteja sob pressão psicossocial para desistir de sua suposta “religião infantil”. Nunca se envergonhe da lealdade ao Senhor e à Sua Palavra (Lc 9:23-26)!


Sábado – 05 de maio

Até o último homem

Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com Ele. Atos 10:38

O sábado 5 de maio de 1945 foi um dia desafiador na Batalha de Okinawa. As tropas japonesas defendiam ferrenhamente sua última barreira: a Escarpa Maeda, penhasco imenso que os soldados chamavam de desfiladeiro Hacksaw, na frente da ilha de Okinawa. Quando os soldados norte-americanos chegaram ao topo do paredão, os inimigos os confrontaram com um contra-ataque vitorioso. Os oficiais dos Estados Unidos ordenaram retirada imediata. Todos os soldados obedeceram, exceto um – Desmond Doss – o qual, arriscando a própria vida, voltou à frente de batalha a fim de resgatar o maior número de soldados feridos. Naquela ocasião, ele salvou no mínimo 75 vidas.

Dias depois, o próprio Doss foi gravemente ferido por uma granada japonesa que caiu a seus pés, e pela bala de um franco-atirador que atingiu seu braço. Com muita dor e perdendo sangue, ele preferiu que outros soldados feridos recebessem atendimento antes dele, disposto até mesmo a morrer para que outros pudessem viver. Doss pagou um preço vitalício por seus atos de heroísmo. Por cinco anos e meio, recebeu tratamento para a tuberculose que contraiu durante a guerra. Por fim, um pulmão e cinco de suas costelas precisaram ser removidos. Entretanto, ele permaneceu em paz com a própria consciência.

Doss, um paramédico adventista do sétimo dia, não disparou uma arma sequer e nem carregava uma. Em vez de matar, ele escolheu curar, até mesmo durante as horas do sábado (Mt 12:12). Em 12 de outubro de 1945, Doss foi condecorado com a Medalha de Honra, entregue pelo presidente norte-americano Harry S. Truman. Ele foi o primeiro objetor de consciência a receber essa honraria, que foi sucedida por vários outros reconhecimentos. Sua história é contada no livro Soldado Desarmado (2016), de Frances M. Doss. Essa história extraordinária ganhou vida no célebre filme Até o Último Homem (2016), dirigido por Mel Gibson.

Nem sempre os verdadeiros heróis de guerra são aqueles que matam mais soldados inimigos. Podem ser aqueles que salvam mais vidas, como fez Desmond Doss. Ele se tornou um herói por viver e praticar o exemplo de Cristo, “o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com Ele”. O mundo necessita de mais heróis desse tipo!


Sexta-feira – 04 de maio

“Minha ilha de Patmos”

Eu, João, irmão vosso e companheiro na tribulação, no reino e na perseverança, em Jesus, achei-me na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. Apocalipse 1:9

Você já passou por uma experiência frustrante que acabou se tornando uma verdadeira bênção em sua vida? Já viu o sol brilhar através de nuvens muito escuras? Lembre-se de que alguns de nossos melhores sonhos precisam ser frustrados para que Deus possa nos conceder algo muito melhor e mais recompensador. Foi isso que ocorreu com Martinho Lutero após a famosa Dieta de Worms, em 1521.

Em 18 de abril, Lutero dissera às autoridades que sua consciência era “cativa da Palavra de Deus” e que, por isso, não se retrataria. Oito dias depois, ele e seu grupo começaram a viagem de volta para casa. Frederico, o Sábio, eleitor da Saxônia, sabia das ameaças que o intrépido monge enfrentava e formulou um plano para removê-lo do alcance de seus inimigos. Na noite de 3 de maio, enquanto Lutero passava por um bosque, quatro ou cinco cavaleiros armados atacaram a carruagem e o sequestraram. Primeiro, vestiram-no como cavaleiro, depois o levaram para o castelo de Wartburg, próximo a Eisenach, onde ele chegou, em 4 de maio de 1521. Ali, o reformador foi mantido preso em uma cela, como se fosse um terrível criminoso, até o cabelo e a barba crescerem o suficiente para esconder sua identidade. Ele era chamado pelo apelido de “cavaleiro George” [Junker Jörg].

Lutero permaneceu no castelo de Wartburg por dez meses. Ele o denominava “minha ilha de Patmos”, em alusão ao local em que João escreveu o Apocalipse. Isolado do mundo exterior e distanciado de sua vida ocupada em Wittenberg, o reformador teve muito tempo para produzir materiais que não teria condições de escrever em outro lugar. Em apenas 11 semanas, traduziu o Novo Testamento do grego para o alemão. Ali também escreveu diversos livros. Sem acesso à sua biblioteca, seus escritos ficaram impregnados de um forte sabor bíblico.

De fato, o Senhor é capaz de transformar experiências frustrantes em bênçãos verdadeiras. Na remota ilha de Patmos, o apóstolo João escreveu o Apocalipse. Isolado no castelo de Wartburg, Lutero traduziu o Novo Testamento para o alemão. Enquanto vivia na distante Austrália, Ellen White produziu sua obra clássica O Desejado de Todas as Nações. Nunca duvide do poder de Deus e de Sua guia providencial. Ele é capaz de abençoar e usar você em qualquer lugar em que o colocar!


Quinta-feira – 03 de maio

Esculturas religiosas

Farás dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório. Êxodo 25:18

O segundo mandamento do decálogo diz: “Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra” (Êx 20:4). Mas como podemos harmonizar essa declaração com as muitas esculturas existentes em nosso mundo?

Um dos escultores adventistas mais conhecidos foi o britânico Alan Collins (1928-2016). Várias de suas obras estão expostas na catedral Guildford, na Inglaterra, e em alguns campi universitários adventistas nos Estados Unidos. Por exemplo, na tarde de domingo, 3 de maio de 1981, sua escultura em bronze O bom samaritano foi inaugurada na Universidade de Loma Linda. Em 25 de abril de 1998, outra impressionante escultura em bronze, intitulada Legado da liderança – retratando John N. Andrews e seus dois filhos partindo para a Europa em 1874 –, foi desvelada em frente à Igreja Memorial dos Pioneiros, na Universidade Andrews.

No ano 2000, na assembleia da Associação Geral realizada em Toronto, Canadá, o grande trabalho escultural de 12 peças em bronze de Victor Issa, O Rei vem vindo, foi exposto. As esculturas retratam dez pessoas, representando todos oscontinentes, com o rosto radiante, contemplando a segunda vinda de Cristo. Após o fim da assembleia, a obra foi instalada permanentemente no saguão da sede da Associação Geral, em Silver Spring, Maryland.

Algumas pessoas questionam se essas esculturas não consistiriam em uma transgressão do segundo mandamento. Ao buscar uma resposta, porém, devemos nos lembrar de que tal proibição foi escrita em uma das tábuas de pedra colocadas dentro da arca da aliança, que tinha em sua tampa dois querubins de ouro. Logo, o mandamento não proíbe toda manifestação visual, pois esse tipo de arte adornava até mesmo o santuário terreno. “Não farás para ti nenhum ídolo” (Êx 20:4, NVI) parece expressar melhor o sentido dessa proibição.

Deus havia instruído Moisés a fazer “uma serpente de bronze” (Nm 21:9). Entretanto, posteriormente, quando os israelitas começaram a venerá-la, o rei Ezequias a destruiu (2Rs 18:4). Nesse contexto, o problema não é tanto o quenós vemos, mas comovemos. Até mesmo pessoas boas e coisas úteis podem acabar sendo veneradas. Assim, não importa qual seja sua natureza, todos os ídolos devem ser removidos de nossa vida, mas não necessariamente todo tipo de arte visual.


Quarta-feira – 02 de maio

Desafios contraculturais

Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis. 2 Timóteo 3:1

Nossa civilização é caracterizada pela mistura contraditória de progresso tecnológico e declínio moral. Isso deveria nos surpreender? De maneira nenhuma, pois Jesus mencionou que a mesma depravação que antecedeu o dilúvio reapareceria logo antes de Sua segunda vinda (Mt 24:37-39). O comportamento humano no tempo do fim – ou melhor, seu mau comportamento – está muito bem descrito também em 2 Timóteo 3:1 a 7 e em 2 Pedro 2:1 a 22. Esse declínio se tornou mais evidente nas décadas de 1960 e 1970, especialmente com o movimento de 1968.

Em Nanterre, região metropolitana de Paris, conflitos entre estudantes e autoridades da Universidade de Paris levaram a administração do campus a fechá-lo na quinta-feira, 2 de maio de 1968. Como consequência, o ato desencadeou enormes protestos na cidade. Levantes sociopolíticos semelhantes também aconteceram em Praga, Berlim, Chicago e outros lugares do mundo.

Ofendidos pela ironia da cultura contemporânea, sobretudo em virtude da Guerra do Vietnã (1955-1975), muitos jovens norte-americanos de ambos os sexos lançaram o contagiante lema “Faça amor, não faça guerra.” Fugindo de seus círculos familiares, alguns decidiram viver em colônias hippies distantes, encontrando no sexo, nas drogas e no rock and roll o ambiente ideal para expressar suas paixões desenfreadas. Os historiadores se referem a 1968 como o “ano que abalou o mundo” ou como o “ano que não terminou”. De fato, o mundo nunca mais foi o mesmo!

Os ventos contraculturais desse período crucial continuam a soprar atualmente com intensidade cada vez maior. Muitos valores religiosos e morais básicos são jogados ao chão. Todas as formas de autoridade são afrontadas. Por isso, quanto maiores os desafios, mais intensas devem ser nossas convicções. Esse é exatamente o tempo no qual todos os cristãos verdadeiros devem se levantar para ser “sal da terra” e “luz do mundo” (Mt 5:13-16). “Porque eis que as trevas cobrem a terra, e a escuridão, os povos; mas sobre ti aparece resplendente o Senhor, e a Sua glória se vê sobre ti” (Is 60:2). Demonstremos ao mundo o poder transformador da graça excelsa de Deus!


Terça-feira – 01 de maio

Coração dedicado à África

Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. E Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou. 2 Coríntios 5:14, 15

A história do cristianismo é iluminada por missionários corajosos como David Livingstone (1813-1873), que levou a tocha do evangelho aos mais remotos lugares do continente africano. Ele chegou à Cidade do Cabo em 1841 e, logo depois, começou a jornada rumo ao Norte, a fim de espalhar o evangelho por meio de “agentes nativos”. Cerca de três anos depois, foi atacado e ferido por um leão. Mesmo assim, ele não desistiu.

Em 2 de janeiro de 1845, Livingstone se casou com Mary, a filha mais velha do missionário Robert Moffat. A esposa o acompanhou em várias de suas viagens até ela morrer, em 1862. Apesar da triste perda, Livingstone prosseguiu em sua missão.

Depois de servir sua amada África por mais de 30 anos, Livingstone morreu de malária e disenteria em 1o de maio de 1873, no sudeste do lago Bangweulu, hoje na Zâmbia. Seus leais assistentes Chuma e Susi retiraram seu coração e o enterraram debaixo de uma árvore, perto do local onde ele morreu. Depois carregaram seu corpo até Bagamoyo, na Tanzânia. De lá, o corpo do missionário foi transportado para Londres e, enfim, foi sepultado na abadia de Westminster. Entretanto, seu coração permaneceu onde sempre esteve – no continente africano.

Livingstone não teve tanto sucesso em conseguir conversões diretas quanto em explorar o campo missionário, a fim de lançar as sementes do evangelho para que outros posteriormente colhessem os frutos. Ele declarou: “Embora eu veja poucos resultados, futuros missionários se depararão com conversões após cada sermão. Que eles não se esqueçam dos pioneiros que trabalharam em meio à densa escuridão, com poucos raios de luz para alegrá-los, com exceção daqueles que emanam da fé nas preciosas promessas da Palavra de Deus.”

Teria ele se arrependido de todos os anos que serviu na África? Nem um pouco! Corajosamente, explicou: “As pessoas falam do sacrifício que fiz ao passar tanto tempo de minha vida na África. Como é possível chamar de sacrifício o simples pagamento de uma pequena parte da grande dívida ao nosso Deus, que nunca seremos capazes de quitar?” Se Cristo Se sacrificou tanto por nós, por que não poderíamos nos sacrificar nos lugares de maior necessidade?

MAIO 2018 


ABRIL 2018

Segunda-feira – 30 de abril

Apelos culturais

E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Romanos 12:2

Um dos maiores desafios do povo de Deus ao longo dos séculos tem sido permanecer leal a Cristo diante do conflito com os valores sociais contemporâneos. A cultura sempre tentou o povo de Deus, mas a contracultura das décadas de 1960 e 1970 se tornou, por excelência, um período de rebelião contra os valores tradicionais.

Inconformados com a ironia da cultura da época, sobretudo a que justificava a Guerra do Vietnã (1955-1975), muitos jovens norte-americanos aderiram ao lema popular: “Faça amor, não faça guerra.” Fugindo dos círculos familiares, alguns decidiram viver em distantes colônias hippies, encontrando no amor livre, nas drogas e no rock psicodélico o ambiente ideal para dar vazão a seus desejos pecaminosos. O clímax desse movimento contracultural foi o festival de música Woodstock, realizado em Bethel, Nova York, de 15 a 18 de agosto de 1969.

A longa e desastrosa Guerra do Vietnã finalmente chegou ao fim com a queda de Saigon em 30 de abril de 1975, deixando mais de 58 mil norte-americanos mortos. O movimento hippie se dispersaria com o tempo, mas muitos dos ventos contraculturais dos anos 1960 e 1970 continuam a soprar hoje. Nossa sociedade contemporânea é excessivamente estimulada, tanto por sons quanto por imagens, e movida por uma cultura obcecada por sexo. Além disso, a mente pós-moderna questiona muitos dos valores absolutos da Bíblia.

Cercados por tantas tentações culturais, precisamos levar a sério as palavras do Salmo 119:9: “Como pode o jovem manter pura a sua conduta? Vivendo de acordo com a Tua palavra” (NVI). A paráfrase de Romanos 12:2 encontrada na versão A Mensagem acrescenta: “Não se ajustem demais à sua cultura, a ponto de não poderem pensar mais. Em vez disso, concentrem a atenção em Deus. Vocês serão mudados de dentro para fora. Descubram o que Ele quer de vocês e tratem de atendê-Lo. Diferentemente da cultura dominante, que sempre os arrasta para baixo, ao nível da imaturidade, Deus extrai o melhor de vocês e desenvolve em vocês uma verdadeira maturidade.”

Em sua oração sacerdotal, Jesus pediu ao Pai: “Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal” (Jo 17:15).

Que essa seja nossa oração hoje e todos os dias!


Domingo – 29 de abril

As vestes das bodas

Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou, pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos. Apocalipse 19:7, 8

Algumas cerimônias de casamento são tão perfeitas quanto possível: a decoração, os convidados, o cerimonial e, acima de tudo, a noiva e seu vestido. Uma delas foi o glamoroso casamento do príncipe William, duque de Cambridge, e Catherine (Kate) Middleton, no dia 29 de abril de 2011, na abadia de Westminster, em Londres. O vestido de casamento de Kate foi desenhado por Sarah Burton, diretora criativa da grife de alta-costura McQueen. O corpo principal do vestido foi feito de cetim marfim e branco, com 58 botões de gazar e organza nas costas. O corpete era decorado com motivos florais cortados de renda feita à máquina. Nas palavras de Mark Badgley, “é o tipo de vestido que o mundo inteiro vai querer usar”. Não surpreende que logo réplicas do vestido tenham sido produzidas para vender.

A Bíblia usa imagens diferentes de casamentos para descrever o relacionamento entre Cristo e Sua igreja fiel. Na parábola das bodas (ver Mt 22:1-14), a igreja não é retratada como a noiva do filho do Rei, mas como os convidados das bodas. Para essa ocasião especial, todos deveriam usar uma veste de casamento. O convidado que não a trajasse seria lançado nas trevas. Em contraste, na cena apocalíptica das bodas do Cordeiro (ver Ap 19:7-10), a perspectiva muda, e os santos aparecem como a noiva de Cristo, vestida de “linho finíssimo, resplandecente e puro”.

Se “todos os nossos atos de justiça são como trapo imundo” (Is 64:6, NVI), de que modo então as vestes de casamento podem ser definidas como “os atos de justiça dos santos” (Ap 19:8)? De acordo com Ellen White, essa roupa é “uma dádiva do rei. […] A justiça de Cristo e Seu caráter imaculado, é, pela fé, comunicada a todos os que O aceitam como Salvador pessoal” (Parábolas de Jesus, p. 309, 310). Assim como, na parábola do filho pródigo, o pai trocou as vestes do filho (Lc 15:11-32), Cristo quer nos vestir com as vestes sem mácula de Sua justiça e nos preparar para Sua festa de casamento.


Sábado – 28 de abril

Turismo espacial

Quando contemplo os Teus céus, obra dos Teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele Te lembres? E o filho do homem, que o visites? Salmo 8:3, 4

O filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804) afirmou: “Duas coisas me enchem a alma de crescente admiração e respeito, quanto mais intensa e frequentemente o pensamento delas se ocupa: o céu estrelado acima de mim e a lei moral dentro de mim.” A admiração e a curiosidade humanas sempre levaram astrônomos e cientistas espaciais a observar o mais longe possível as maravilhas do Universo de Deus. Até aqui, porém, astronautas profissionais conseguiram chegar à Lua e nada mais.

Em 1961, o cosmonauta soviético Yuri Gagarin se tornou o primeiro ser humano a ir ao espaço sideral. Desde então, o bilionário Dennis Tito sonhava em fazer essa jornada também. Finalmente, em 28 de abril de 2001, ele entrou para a missão Soyuz TM-32 e passou 7 dias, 22 horas e 4 minutos no espaço, orbitando a Terra 128 vezes. Assim, tornou-se o primeiro turista espacial a bancar sua própria viagem. Quanto essa aventura lhe custou? Ele pagou nada menos do que 20 milhões de dólares em sua passagem! E lembre-se: o viajante nem sequer deixou a órbita da Terra.

Na segunda vinda de Cristo, os filhos fiéis de Deus de todas as eras e de todos os lugares do mundo serão levados pelo espaço até o Céu (Jo 14:1-3). Somos informados de que essa viagem espacial durará “sete dias” (Primeiros Escritos, p. 16). Algumas pessoas especulam que uma semana é necessária para que aqueles que nunca guardaram o sábado possam fazê-lo antes de entrar no reino celestial. Na imaginação delas, o sétimo dia seria guardado em outro planeta. Mas isso nunca foi sugerido em nenhum texto da Bíblia nem nos escritos de Ellen White. A única coisa que ela diz é que a ascensão ao Céu durará sete dias. E quanto precisaremos pagar por isso? Nada, pois Deus já custeou tudo!

Enquanto voam pelo espaço, os astronautas permanecem confinados em suas pequenas naves, com apenas alguns colegas como companhia. Em contraste, os santos serão levados ao Céu pelo meio de transporte divino, desfrutando a companhia de todos os outros remidos da Terra, bem como dos santos anjos e do próprio Jesus Cristo. Nenhuma iniciativa ou realização humana pode ser comparada a essa recompensa suprema. Pela graça de Deus, você e eu também estaremos lá!


Sexta-feira – 27 de abril

Mulheres em missão

Uma esposa exemplar; feliz quem a encontrar! É muito mais valiosa que os rubis. Seu marido tem plena confiança nela e nunca lhe falta coisa alguma. Ela só lhe faz o bem, e nunca o mal, todos os dias da sua vida. Provérbios 31:10-12, NVI

Somos muito tocados pelo exemplo de compromisso e sacrifício de missionários corajosos como William Carey, que foi para a Índia em 1793; Robert Moffat, enviado para a África do Sul em 1816; David Livingstone, que partiu para a África em 1841. Mas e a esposa e os filhos deles? Muitas esposas missionárias pagaram um preço muito alto – quem sabe até mais alto que o dos maridos – para servir ao Senhor em campos missionários distantes. Precisando viver em meio a uma cultura pagã e lidando com longos períodos de solidão, algumas dessas mulheres enfrentaram crises emocionais sérias.

Mary Moffat (1821-1862), filha do renomado missionário escocês Robert Moffat, nasceu em Griquatown (ou Griekwastad), África do Sul, enquanto seus pais serviam lá como missionários. No dia 2 de janeiro de 1845, Mary se casou com outro missionário, chamado David Livingstone. Sua vida posterior se dividiu entre se unir ao esposo em viagens missionárias pelo continente africano e cuidar da educação dos filhos por alguns anos, na Grã-Bretanha. Enquanto estava com o esposo no campo missionário em Shupanga, Zambezi, Mary adoeceu e faleceu em 27 de abril de 1862. Na lápide de seu túmulo ficaram registradas as seguintes palavras: “Aqui repousam os restos mortais de Mary Moffat, a amada esposa do doutor Livingstone, na humilde esperança da alegre ressurreição em nosso salvador Jesus Cristo.” Mary sacrificou a vida pelo campo missionário africano tanto quanto o marido!

Deus conhece bem o nome das inúmeras mulheres e mães que trabalham nos bastidores. Ellen White afirma: “O trabalho da mãe muitas vezes se afigura, aos seus próprios olhos, sem importância. Raras vezes é apreciado. Pouco sabem os outros de seus muitos cuidados e encargos. Seus dias são ocupados com uma série de pequeninos deveres, exigindo todos paciente esforço, domínio de si mesma, tato, sabedoria e abnegado amor; todavia, ela não pode se vangloriar do que fez como de algum importante feito. […] Sente que nada fez. […] Seu nome pode não ser ouvido no mundo, acha-se, porém, escrito no livro da vida do Cordeiro” (A Ciência do Bom Viver, p. 376, 377).

Valorizemos todas as mulheres que trabalharam e ainda trabalham junto a seus maridos missionários!


Quinta-feira – 26 de abril

Imortalidade ou ressurreição

Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a Sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo. João 5:28, 29

Muitas pessoas se perguntam: Se a alma humana é naturalmente imortal, então por que o Novo Testamento ensina a ressurreição final dos mortos? Uma das respostas mais substanciosas para essa pergunta foi dada pelo preeminente teólogo protestante europeu e especialista em Novo Testamento Oscar Cullmann (1902-1999) em uma conferência sobre a imortalidade da alma, na Universidade Harvard, no dia 26 de abril de 1955. A palestra, com o título “Imortalidade da alma e a Ressurreição dos Mortos: O testemunho do Novo Testamento”, foi publicada pela primeira vez no Harvard Divinity School Bulletin (Boletim da Faculdade de Divindade da Harvard), vol. 21 (1955-1956), e posteriormente em forma de livreto.

Cullmann identificou uma tensão irreconciliável entre a ideia grega de imortalidade da alma e a crença cristã na ressurreição. Para ele, é impossível encontrar harmonia entre a noção filosófica grega da imortalidade natural da alma e a doutrina neotestamentária da ressurreição final dos mortos. É interessante que, por volta de 150 d.C., Justino de Roma (100-165) já advertira a igreja a esse respeito: aqueles que “dizem que não há ressurreição dos mortos, mas que no momento de morrer suas almas são recebidas no Céu, não os considereis como cristãos” (Diálogo com Trifon,cap. 80).

Em 1 Coríntios 15:16 a 18, o apóstolo Paulo argumenta: “Se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou” e, consequentemente, “os que dormiram em Cristo pereceram”. Se, por ocasião da morte, a alma dos justos é levada para o Céu (conforme muitos creem), então não existe nenhuma razão convincente nem mesmo para a ressurreição do próprio Cristo. Nesse caso, Paulo não poderia falar que aqueles que morreram em Cristo pereceram, pois eles já estariam no Céu com Jesus.

A boa notícia do Novo Testamento é que a morte, por mais cruel e triste que seja, foi totalmente vencida por Cristo por meio de Sua ressurreição. “Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará, em Sua companhia, os que dormem” (1Ts 4:14).

Um dos maiores consolos neste mundo é saber que todos os nossos amados que morreram em Cristo um dia ressuscitarão dos mortos para receber a vida eterna!


Quarta-feira – 25 de abril

Crenças fundamentais

Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós. 1 Pedro 3:15

Os primeiros adventistas do sétimo dia nunca tiveram a intenção de elaborar uma declaração formal de crenças fundamentais. Ao longo dos anos, porém, mais e mais pessoas perguntavam sobre as crenças da igreja, e declarações falsas estavam distorcendo a integridade da mensagem adventista. Por isso, em 1872, Uriah Smith escreveu uma Declaração dos Princípios Fundamentais Ensinados e Praticados pelos Adventistas do Sétimo Dia, com 25 declarações. Em 1889, esses princípios sofreram ligeira revisão e foram expandidos para 28 proposições. Uma nova declaração com 22 “crenças fundamentais” foi publicada no Year Book of the Seventh-day Adventist Denomination (Anuário da Denominação Adventista do Sétimo Dia) de 1931. E, no dia 25 de abril de 1980, a assembleia da Associação Geral em Dallas, Texas, votou a primeira declaração oficial de 27 crenças fundamentais.

A natureza do novo documento foi explicada em seu parágrafo introdutório: “Os adventistas do sétimo dia aceitam a Bíblia como seu único credo e consideram que algumas crenças fundamentais consistem no ensino das Sagradas Escrituras. Essas crenças, conforme definidas aqui, constituem a compreensão da igreja e a expressão dos ensinos das Escrituras. Espera-se que aconteçam revisões dessas declarações em assembleias da Associação Geral, quando a igreja for conduzida, pelo Espírito Santo, a um entendimento mais completo da verdade bíblica ou encontrar uma linguagem mais apropriada para expressar os ensinamentos da santa Palavra de Deus.”

Algo crucial nessa declaração é a distinção entre a Bíblia como o único credo inalterável e as crenças fundamentais, passíveis de revisão. Assim, em resposta à preocupação animista com poderes malignos, a assembleia da Associação Geral de 2005, realizada em Saint Louis, Missouri, acrescentou uma nova declaração (no 11) sobre o “Crescimento em Cristo”. Dez anos mais tarde, a assembleia da Associação Geral de 2015 em San Antonio, Texas, revisou a linguagem de várias das 28 crenças fundamentais, a fim de torná-las mais claras e compreensíveis.

Embora não tenham a intenção de substituir a Bíblia como nosso único credo, as 28 Crenças Fundamentais publicadas no Manual da Igreja Adventista do Sétimo Dia nos ajudam a explicar e a razão de nossa esperança (1Pe 3:15). Você deve conhecê-las bem e estar pronto para partilhá-las com os outros.


Terça-feira – 24 de abril

Explorando o Universo

Levantai ao alto os olhos e vede. Quem criou estas coisas? Aquele que faz sair o Seu exército de estrelas, todas bem contadas, as quais Ele chama pelo nome; por ser Ele grande em força e forte em poder, nem uma só vem a faltar. Isaías 40:26

Desde os tempos antigos, as pessoas têm observado e adorado o Sol, a Lua e as estrelas (Dt 4:19; 17:2, 3; Is 47:13, 14, etc.). Os estudos científicos do espaço sideral (astronomia) foram aperfeiçoados pelo desenvolvimento do telescópio e pela descoberta das leis físicas que controlam os corpos celestes em suas respectivas órbitas. Essas conquistas em andamento permitem que vejamos hoje aquilo que nenhuma geração jamais contemplou antes.

Após um longo processo de construção e testes, no dia 24 de abril de 1990, o telescópio espacial Hubble foi lançado na órbita baixa da Terra em um projeto da NASA em conjunto com a Agência Espacial Europeia. Ao gravitar para fora da atmosfera terrestre, esse observatório sediado no espaço tem proporcionado imagens extraordinárias do universo profundo. Algumas fotos são de galáxias localizadas a 13,2 bilhões de anos-luz de distância. Enquanto houver tempo, a ciência especial continuará a produzir imagens cada vez mais profundas do Universo. Ao longo da eternidade, porém, os filhos redimidos de Deus explorarão o Universo pessoalmente, sem qualquer necessidade de telescópio.

“Todos os tesouros do Universo estarão abertos ao estudo dos remidos de Deus. Livres da mortalidade, alçarão voo incansável para os mundos distantes – mundos que fremiram de tristeza ante o espetáculo da desgraça humana, e ressoaram com cânticos de alegria ao ouvir as novas de uma alma resgatada. Com indizível deleite os filhos da Terra entram de posse da alegria e sabedoria dos seres não caídos. Participam dos tesouros do saber e entendimento adquiridos durante séculos e séculos, na contemplação da obra de Deus. Com visão desanuviada, olham para a glória da criação, achando-se sóis, estrelas e sistemas planetários, todos na sua indicada ordem, a circular em redor do trono da Divindade. Em todas as coisas, desde a mínima até à maior, está escrito o nome do Criador, e em todas se manifestam as riquezas de Seu poder” (O Grande Conflito, p. 677, 678).

Nosso cérebro limitado não consegue nem apreender o significado completo das palavras Universo e eternidade. Como é extraordinário saber que o próprio Deus veio a este planeta pecador para nos salvar por Sua graça, concedendo-nos toda a eternidade para explorarmos as obras celestes de Suas mãos. Não é incrível?


Segunda-feira – 23 de abril

O homem na Arena

Porque sete vezes cairá o justo e se levantará. Provérbios 24:16

As pessoas que fazem história normalmente combinam tanto talento quanto perseverança. O célebre inventor norte-americano Thomas Edison, que acumulou 2.332 patentes de suas invenções no mundo inteiro, declarou, em certa ocasião, que: “Um gênio é 1% de inspiração e 99% de transpiração.” Ao ser questionado sobre os próprios erros, respondeu: “Não falhei dez mil vezes. Tive sucesso em descobrir dez mil jeitos que não funcionam.”

O valor de lutar com perseverança foi destacado por Theodore Roosevelt em seu discurso “A cidadania em uma República”, proferido em Sorbonne, Paris, no dia 23 de abril de 1910. O trecho mais citado do discurso é conhecido como “O homem na arena”, que diz o seguinte:

“Não é o crítico que importa nem aquele que mostra como o homem forte tropeça, ou onde o realizador das proezas poderia ter feito melhor. O crédito pertence ao homem que se encontra na arena, com o rosto manchado de poeira, suor e sangue; que luta com valentia; que erra e tenta de novo e de novo; […] que conhece os grandes entusiasmos e as grandes devoções; que se sacrifica por uma causa nobre; que ao menos conhece, no final, o triunfo de uma grande realização; e que, na pior das hipóteses, se fracassar, pelo menos fracassou ousando grandes coisas; e por isso o seu lugar não pode ser junto àquelas almas tímidas e frias que não conhecem nem vitórias nem derrotas.”

Você e eu também nos encontramos na arena do grande conflito entre o bem e o mal, com sua luta incessante “contra as forças espirituais do mal” (Ef 6:12). Não importa o quanto você seja talentoso ou perseverante; nesta batalha, nossos esforços certamente falharão se não forem fortalecidos e guiados pelo forte poder de Deus. Ellen White afirma que “o segredo do êxito está na união do poder divino com o esforço humano. Aqueles que levam a efeito os maiores resultados são os que mais implicitamente confiam no Braço todo-poderoso” (Patriarcas e Profetas, p. 509).

Deus está nos dando um novo dia. Por favor, não o enfrente com forças humanas. Você necessita de força e orientação divinas em tudo o que fizer e disser. Com Deus como companheiro, você pode ser mais do que vitorioso hoje.

Que o Senhor esteja próximo a você em todos os momentos!


O Cuidado com a Terra – 22 de Abril 2018

Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Gênesis 1:31

A Terra é nosso lar atual, e devemos cuidar dela. No entanto, muitos de seus recursos naturais estão sendo destruídos de maneira irresponsável por vazamentos de óleo, indústrias poluentes, esgoto a céu aberto, lixões tóxicos, pesticidas, devastação de florestas e extinção de animais selvagens.

No início de 1969, um imenso vazamento de óleo próximo à costa de Santa Bárbara, Califórnia, matou mais de 10 mil aves marinhas, golfinhos, focas e leões-marinhos. Em reação a esse desastre, os ativistas pressionaram para que fossem criadas leis ambientais, estimulada a educação ambiental e até mesmo estabelecido um Dia da Terra. Em 22 de abril de 1970, o primeiro Dia da Terra foi celebrado nos Estados Unidos. Cerca de 20 milhões de pessoas foram às ruas a fim de promover uma reforma ambiental. O movimento cresceu de maneira expressiva. Em 1990, cerca de 200 milhões de pessoas de 141 países aperfeiçoaram seus esforços de reciclagem, ajudando a abrir caminho para a Eco-92, no Rio de Janeiro.

No documento “Mordomia do meio ambiente” (1996), a Igreja Adventista do Sétimo Dia condenou oficialmente a destruição irresponsável dos recursos naturais e sugeriu mudanças significativas no estilo de vida. O documento declarou: “O adventismo do sétimo dia defende um estilo de vida simples, natural, no qual as pessoas não entram na corrida incessante por um excesso de consumo sem limites, acúmulo de bens e produção de lixo. É necessária uma reforma do estilo de vida, baseada no respeito pela natureza, na restrição do uso dos recursos mundiais, na reavaliação das necessidades pessoais e na reafirmação da dignidade da vida criada.”

Os adventistas creem que a Terra é resultado da criação de Deus, não de um acidente (Gn 1–2). Em sua forma original, o planeta “era muito bom” (Gn 1:31), e Deus ordenou a Adão que o cultivasse e guardasse (Gn 2:15). Cada nova geração humana – inclusive a nossa – deve cuidar da criação divina e preservá-la da melhor maneira possível. Devemos nos lembrar de que a natureza revela o caráter de seu Criador e, ao destruí-la, acabamos ofuscando essa revelação. O fato de que o Senhor criará, por fim, “novo céu e nova terra” (Ap 21:1) nunca deve ser usado como pretexto para a negligência. Ajudemos a transformar nosso mundo em um lugar melhor para se viver e em uma antecipação do mundo glorioso por vir!


Identidade em Risco – 21 de Abril 2018

Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Apocalipse 2:4

Estudos sociológicos da religião têm demonstrado que, de modo geral, os movimentos religiosos surgem com o propósito de reformar a cultura na qual existem. No entanto, dois ou três séculos depois que os pioneiros e aqueles que os conheciam já se foram, esses movimentos tendem a perder a identidade e a ser reabsorvidos exatamente pela mesma cultura que originalmente tentaram reformar. Esse processo pode ser identificado com facilidade no cristianismo pós-apostólico e no protestantismo pós-Reforma.

Na metade do século 19, o metodismo norte-americano era uma das denominações cristãs mais vibrantes e dinâmicas existentes. Com o passar do tempo, porém, começou a perder seu fervor original. Em 21 de abril de 1972, a Associação Geral da Igreja Metodista Unida aceitou oficialmente o pluralismo doutrinário. O grande princípio protestante de sola Scriptura (a exclusividade das Escrituras) foi substituído por quatro fontes semelhantes de autoridade doutrinária. Para os líderes metodistas, “a fé cristã é revelada nas Escrituras, iluminada pela tradição, vivida na experiência pessoal e confirmada pela razão”. Assim a denominação se abriu para uma série de ensinos e valores culturais conflitantes. O reflexivo livro de Jerry L. Walls, cujo título pode ser traduzido como O Problema do Pluralismo: Como recuperar a identidade metodista unida, destaca como o pluralismo minou gravemente a identidade metodista.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia vive hoje no segundo século de sua existência e vem sendo fortemente tentada pela cultura contemporânea. Mais do que nunca antes, devemos levar a sério o conselho de Paulo em Romanos 12:2, que diz o seguinte, segundo a versão A Mensagem: “Não se ajustem demais à sua cultura, a ponto de não poderem pensar mais. Em vez disso, concentrem a atenção em Deus. Vocês serão mudados de dentro para fora. Descubram o que Ele quer de vocês e tratem de atendê-Lo. Diferentemente da cultura dominante, que sempre os arrasta para baixo, ao nível da imaturidade, Deus extrai o melhor de vocês e desenvolve em vocês uma verdadeira maturidade.”

Vivemos em um mundo real e devemos nos portar como as pessoas de hoje, mas somente até o ponto em que a cultura não corroa os princípios e valores universais da Palavra de Deus.


Sexta-feira
20 de abril

O Céu é nosso lar

Então, ordenou o rei aos serventes: Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes. Mateus 22:13

Em setembro de 2014, visitei alguns lugares históricos do norte da Áustria. Na cidade de Braumau, minha atenção se voltou para uma antiga casa de esquina com uma pedra em frente. Inscritas na pedra estavam as seguintes palavras, em alemão: “Pela paz, liberdade e democracia. Fascismo nunca mais, advertem milhões de mortos.” O mais surpreendente é que foi exatamente naquela casa, cerca de 125 anos antes, no dia 20 de abril de 1889, que nasceu um bebê chamado Adolf Hitler. Quando sua mãe, Klara Hitler, o tomou nos braços pela primeira vez, jamais imaginou o impacto que seu garotinho causaria sobre o mundo nem como ele seria lembrado na história.

Enquanto estava ali, no local onde Hitler nasceu, pensei em todas as atrocidades da Segunda Guerra Mundial, as quais já haviam me tocado profundamente durante uma visita, em 2004, aos campos de concentração Auschwitz-Birkenau. Imaginei, em seguida, a cena final quando se encerrar o milênio que Apocalipse 20 descreve, na qual os ímpios de todas as eras ressuscitarão. Eles marcharão “pela superfície da terra” e cercarão “o acampamento dos santos e a cidade querida” (v. 9). Será a primeira e única vez na história do mundo em que todos os ímpios e poderes demoníacos se ajuntarão em uma união profana.

Por mais assustador que pareça, não podemos fugir da realidade de que não estar salvo significa não só perder a felicidade do Céu mas também fazer parte desse exército mau e demoníaco, muito mais miserável que as infames multidões nazistas da Segunda Guerra Mundial. Não é de se espantar que Jesus tenha advertido acerca dessa ocasião: “Haverá choro e ranger de dentes” (Mt 22:13). Não deveríamos, de maneira nenhuma, brincar com nossa salvação! Nada no mundo, nem posses, nem conquistas, pode se comparar com a bênção do Céu!

Ellen White apela: “Vi que todo o Céu está interessado em nossa salvação; e seremos nós indiferentes? Seremos descuidosos, como se fosse coisa de pouca importância o sermos salvos ou perdidos? Menosprezaremos o sacrifício feito por nós?” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 1, p. 124).

Você e eu precisamos chegar ao Céu! Lá é nosso lar.


Quinta-feira
19 de abril
 

Inteligências humanas

Deu também Deus a Salomão sabedoria, grandíssimo entendimento e larga inteligência como a areia que está na praia do mar. 1 Reis 4:29

Mesmo com todas as pesquisas científicas já realizadas e todo conhecimento disponível na atualidade, os neurocientistas ainda confessam que é praticamente impossível recriar a inteligência humana e entender como o cérebro funciona. Ainda assim, diversos testes psicológicos foram desenvolvidos para avaliar a inteligência humana.

No início do século 20, Alfred Binet e Théodore Simon propuseram uma “escala de notas da inteligência”, feita para testar a inteligência de crianças. No dia 19 de abril de 1912, no V Congresso de Psicologia Experimental em Berlim, Alemanha, William L. Stern apresentou um artigo sobre métodos psicológicos para testar a inteligência. Em seu estudo, usou a expressão “QI = quociente de inteligência” e sugeriu uma fórmula para calculá-lo. No entanto, até mesmo testes mais recentes esbarram em limitações. Alguns críticos dizem que QI significa “questionável e incompleto”!

Indo além da noção de inteligência apenas como o mero pensamento racional, o livro de Howard E. Gardner, Estruturas da Mente: A teoria das inteligências múltiplas (1983) identificou sete categorias de inteligências múltiplas (IM). Desde 1999, porém, Gardner aumentou esse número para as oito seguintes: linguística, lógico-matemática, espacial, corporal/cinestésica, interpessoal, intrapessoal e naturalista. Mas, em 2003, o próprio Gardner confessou: “À medida que tento entender os acontecimentos em áreas que variam da genética ao ciberespaço, eu gostaria de ter muito mais inteligências!”

Muito se fala também sobre a Inteligência Artificial (IA) vista em máquinas. Até mesmo essa inteligência, contudo, deriva de mentes humanas que as conceberam e desenvolveram. Se conseguíssemos entender as sinapses neurológicas de nosso cérebro, quando terminássemos de compreendê-las o cérebro já teria desenvolvido novas configurações. E esse processo não tem fim.

Muitos psicólogos modernos acreditam que as complexas e ilimitadas inteligências humanas derivaram meramente de um processo natural de evolução. Nós, cristãos, porém, sabemos que todas elas provêm de Deus, a Fonte de “toda boa dádiva e todo dom perfeito” (Tg 1:17, NVI), e devem ser usadas para Sua honra e glória (Jr 9:23, 24).

Você está usando suas inteligências e talentos dessa maneira?


Quarta-feira
18 de abril
 

“Aqui estou”

Quando vos levarem às sinagogas e perante os governadores e as autoridades, não vos preocupeis quanto ao modo por que respondereis, nem quanto às coisas que tiverdes de falar. Porque o Espírito Santo vos ensinará, naquela mesma hora, as coisas que deveis dizer. Lucas 12:11, 12

Um dos momentos mais dramáticos da Reforma Protestante ocorreu em 1521, na cidade de Worms, Alemanha. As exposições das Escrituras feitas por Martinho Lutero estavam minando a autoridade e os ensinos da Igreja Católica Romana. No dia 3 de janeiro, o papa Leão X excomungou Lutero e, três meses depois, o reformador foi chamado para uma audiência na Dieta de Worms, perante o soberano Carlos V, do Sacro Império Romano-germânico. Lutero chegou à cidade em 16 de abril e, no dia seguinte, compareceu ao concílio. Mostraram-lhe uma pilha de livros e então lhe perguntaram: (1) se reconhecia que eram de sua autoria e (2) se estava disposto a rejeitar seu conteúdo. Depois de concordar que ele próprio escrevera os livros, pediu mais tempo para refletir na segunda pergunta.

No fim da tarde de 18 de abril de 1521, Lutero apareceu novamente diante da dieta e foi confrontado mais uma vez com a segunda pergunta. Depois de explicar que seus livros abordavam diferentes assuntos, fizeram-lhe os seguintes comentários inquisidores: “Martinho, como você pode presumir que é o único a compreender o sentido das Escrituras? Colocaria seu julgamento acima do de tantos homens célebres e alegaria saber mais do que todos eles?”

Após lhe pedirem uma resposta direta, Lutero respondeu: “Já que Vossa Majestade e os senhores desejam uma resposta simples, falarei sem fazer nenhum rodeio. A menos que seja convencido pelas Escrituras e pela razão pura, não aceitarei a autoridade de papas e concílios, pois eles se contradizem. Minha consciência é cativa da Palavra de Deus. Não posso, nem irei me retratar de nada, pois agir de forma contrária à consciência não é certo, nem seguro. Que Deus me ajude. Amém!” (Roland H. Bainton, Here I Stand: A Life of Martin Luther [Aqui Estou: A vida de Martinho Lutero], p. 181-185.)

Nosso mundo pós-moderno deu origem a uma sociedade sem raízes e sem compromisso. São poucas as pessoas hoje dispostas a defender a autoridade das Escrituras, levando em conta as consequências de um posicionamento como esse! Nestes últimos dias, porém, o mundo e a igreja necessitam de mais indivíduos com essa convicção. Você está disposto a ser um deles?


Terça-feira
17 de abril
 

Reavivados por Sua Palavra

Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus. Atos 4:31

Recebemos a seguinte orientação: “Um reavivamento da verdadeira piedade entre nós, eis a maior e a mais urgente de todas as nossas necessidades” (Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 121). Reconhecendo isso, o Concílio Anual da Associação Geral de 2011 votou o projeto “Reavivados por Sua Palavra”, que foi lançado em 17 de abril de 2012 e terminou na Assembleia da Associação Geral de San Antonio, em julho de 2015. Cada membro da igreja foi incentivado a ler um capítulo específico da Bíblia todos os dias. Naquela sessão, o plano foi restabelecido com o título “Crede em seus profetas”, um programa de leitura de cinco anos das Escrituras e de trechos selecionados dos escritos de Ellen White.

Todos os reavivamentos verdadeiros na história do cristianismo começaram quando as pessoas iniciaram um movimento de súplica a Deus em oração fervorosa e passaram tempo em estudo dedicado de Sua Palavra. Por um lado, recebemos a instrução de que “nunca deve a Bíblia ser estudada sem oração” (Caminho a Cristo, p. 91). Em contrapartida, devemos reconhecer que “a leitura da Palavra de Deus prepara o espírito para a oração” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 1, p. 504). Assim, “espero que você seja [um] verdadeir[o] e sincer[o] cristã[o] dia a dia, buscando a Deus em oração. Não se ocupe tanto a ponto de não ter tempo para ler a Bíblia e buscar a graça de Deus com humilde oração” (Filhas de Deus, p. 160).

Precisamos reconhecer que reavivamento e reforma andam juntos. O reavivamento gera o ímpeto espiritual para a reforma; e a reforma é o resultado de qualquer reavivamento verdadeiro. Isso significa que um reavivamento sem reforma não passa de uma ilusão espiritual vazia; e a reforma sem reavivamento nada mais é do que formalismo ético. Se, no passado, muitos pregadores enfatizavam a reforma sem reavivamento, hoje a tendência é pregar o reavivamento sem reforma, porque as pessoas querem aceitar a Cristo como Salvador, mas não necessariamente como Senhor.

Outro aspecto básico do reavivamento verdadeiro é que ele gera um sentimento profundo de humildade e indignidade pessoal. Sempre que as pessoas ficam orgulhosas de si mesmas e passam a julgar os outros, podemos ter a certeza de que não é o Espírito Santo que as está dirigindo. Os planos mencionados acima têm a intenção de nos incentivar a buscar o Senhor. Mas não espere pelos outros. Busque o Senhor agora mesmo em sua vida!


Segunda-feira
16 de abril
 

Vozes de louvor

As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na Tua presença, Senhor, rocha minha e redentor meu! Salmo 19:14

Fomos chamados por Deus para proclamar o evangelho eterno em um mundo repleto de vozes eloquentes e convincentes. A fim de cumprir nossa missão com eficácia, devemos prestar atenção não só àquilo que dizemos (conteúdo), mas também a como dizemos (método). De acordo com Ellen White, “podemos ter conhecimentos, mas a menos que saibamos servir-nos corretamente da voz, nossa obra será um fracasso. Se não soubermos revestir nossas ideias com a linguagem apropriada, de que nos aproveitará a educação? O saber de pouco proveito nos será, a menos que cultivemos o talento da palavra” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 6, p. 380).

Em 1999, a Academia Brasileira de Laringologia e Voz escolheu 16 de abril como o dia anual de celebração do fenômeno da voz. Três anos depois (2002), o laringologista e professor português Mario Andrea, presidente da Sociedade Europeia de Laringologia, sugeriu que 16 de abril deveria receber muito mais atenção e se tornar o Dia Mundial da Voz. Seu objetivo era demonstrar a enorme importância da voz na vida de todas as pessoas; incentivá-las a avaliar sua saúde vocal; e convencê-las a aperfeiçoar ou manter bons hábitos vocais.

Um exemplo clássico de como os esforços pessoais podem nos ajudar a superar problemas de fala é a história de Demóstenes (384-322 a.C.), o maior de todos os oradores da Grécia antiga. Plutarco, historiador e biógrafo grego, conta que Demóstenes tinha um grave defeito de fala. Para superar o problema, ele montou um escritório no porão de sua casa, no qual exercitava a voz. Demóstenes se utilizou de estratégias interessantes. Para que não pudesse sair em público, ele raspava os cabelos de metade da cabeça. Além disso, falava com pedras na boca e recitava versos enquanto corria ou estava sem fôlego, a fim de superar sua dificuldade. Ele também falava diante de um grande espelho.

Existem aspectos da sua voz e habilidade de fala que você gostaria de melhorar? Deus é capaz de nos usar, apesar de nossas limitações e fraquezas. Ao combinar as técnicas corretas com esforços perseverantes, podemos superar muitas de nossas deficiências na fala. Você e eu devemos consagrar nossa voz a Deus, usando-a sempre para glorificar ao Senhor e edificar a humanidade, evitando fazer qualquer tipo de exaltação pessoal.


Domingo
15 de abril
 

Excesso de confiança

Alguns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós confiamos no nome do Senhor, o nosso Deus. Salmo 20:7, NVI

primeira metade do século 20 foi marcada por competição intensa entre empresas rivais de transporte marítimo. Em 1908, a White Star Line solicitou ao grupo Harland and Wolff, de Belfast, Irlanda, que construísse o maior e mais luxuoso navio a vapor. No dia 10 de abril de 1912, o novo cruzeiro RMS Titanic (a palavra significa “enorme em tamanho e força”) partiu de Southampton, Inglaterra, em sua viagem inaugural a Nova York. Quatro dias depois, porém, enquanto atravessava o Atlântico, às 23h40, o navio colidiu com um iceberg, que abriu grandes buracos no estibordo do navio. No início da manhã de 15 de abril de 1912, o Titanic se partiu ao meio e afundou menos de três horas após o acidente.

Várias mensagens telegráficas de outros navios haviam advertido o Titanic quanto aos icebergs no caminho, mas o capitão Edward J. Smith deixou o navio a pleno vapor e se retirou para seu quarto a fim de dormir por volta das 21h20. Os projetistas do Titanic consideravam que ele jamais afundaria, por essa razão só havia 20 botes salva-vidas no navio, e estes eram destinados ao resgate de sobreviventes de outros navios em naufrágio. A despeito das discrepâncias quanto ao número exato de pessoas a bordo, 710 foram resgatadas e mais de 1.500 pereceram no desastre. Aqueles que assistiram ao filme Titanic, de James Cameron, lançado em 1997, têm uma ideia geral de como foi essa tragédia histórica.

É possível aprender lições importantes com esse desastre tão colossal. O fato de o navio que “jamais afundaria” ter naufragado deve nos advertir contra o excesso de confiança nas conquistas humanas, inclusive as nossas. Davi tinha plena consciência dessa tendência quando declarou: “Alguns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós confiamos no nome do Senhor, o nosso Deus” (Sl 20:7, NVI). Mais cedo ou mais tarde, nossas melhores iniciativas perecem. Somente a obra que realizamos como colaboradores de Deus durará para sempre.

A reação autossuficiente do capitão Smith às advertências de outros navios teve consequências desastrosas. Isso demonstra o que pode acontecer quando escolhemos simplesmente não dar ouvidos a conselhos e instruções confiáveis. Também ilustra que pequenas decisões podem ter consequências imensas. É só refletir nos efeitos tão duradouros da decisão de Eva de comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.

Senhor, ajuda-nos hoje e a cada dia a tomar as decisões corretas de acordo com a Tua vontade!


Sábado
14 de abril
 

O mistério da vida

Graças Te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as Tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem. Salmo 139:14

Você já refletiu sobre a complexidade do corpo humano com seus muitos órgãos e sistemas interativos? Temos músculos controláveis (músculos voluntários) e incontroláveis (músculos involuntários); um sistema imunológico surpreendente e uma capacidade extraordinária de cura; e um cérebro extremamente misterioso, que desafia todas as pesquisas científicas. Como pensamentos e emoções são gerados? O que torna cada ser humano único e diferente dos outros?

Ao longo dos séculos, muitos cientistas têm tentado entender o corpo humano e suas funções variadas. Por exemplo, pesquisas sobre o DNA descobriram aspectos básicos das instruções genéticas ligadas ao desenvolvimento, crescimento e funcionamento dos organismos vivos. O tão conhecido Projeto Genoma consistiu no esforço para sequenciar o genoma humano completo. No dia 14 de abril de 2003, os pesquisadores anunciaram que o processo tinha sido concluído. No entanto, de acordo com os líderes do Projeto Cérebro Humano, a “compreensão do cérebro humano é um dos maiores desafios da ciência do século 21”.

Em 2 de abril de 2014, o periódico britânico Independent explicou: “Cada um de nós tem quase cem bilhões de células nervosas – neurônios – no cérebro (mais do que o total de estrelas da Via Láctea). Cada uma delas pode se conectar diretamente com possivelmente dez mil outras, totalizando por volta de cem trilhões de conexões neuronais. Se cada neurônio de um cérebro humano fosse colocado ao lado de outro, unindo extremidade a extremidade, seria possível dar a volta na Terra duas vezes com eles. Decifrar o enigma biológico do mais complexo de todos os órgãos faz o sequenciamento do genoma, por exemplo, parecer brincadeira de criança.”

Não é de se espantar que o salmista Davi tenha dito que fomos formados de modo admirável e assombrosamente maravilhoso (Sl 139:14). Por mais valiosos que sejamos por natureza, muito mais valor nos foi acrescentado quando Deus nos comprou com o “precioso sangue de Cristo” (1Pe 1:18, 19, NVI) para sermos “santuário do Espírito Santo” (1Co 6:19). Considerando que Deus investiu tanto em cada um de nós, como poderíamos não nos valorizar e deixar de cuidar adequadamente da própria saúde? “Vocês foram comprados por alto preço. Portanto, glorifiquem a Deus com o seu próprio corpo” (1Co 6:20, NVI).


Sexta-feira
13 de abril
 

Adoração celestial

O sétimo anjo tocou a sua trombeta, e houve fortes vozes nos céus que diziam: “O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do Seu Cristo, e Ele reinará para todo o sempre.” Apocalipse 11:15, NVI

Uma das composições musicais mais magníficas de todos os tempos é a obra “Messias”, de George F. Handel, mais conhecida pelo coro de “Aleluias”. Usando a letra cristocêntrica e baseada na Bíblia de Charles Jennens, Handel compôs sua obra-prima quando tinha apenas 24 anos. Ao fim da partitura, escreveu “SDG,” abreviação de Soli Deo Gloria, que quer dizer “só a Deus a glória”. A composição foi apresentada pela primeira vez em Dublin, Irlanda, no dia 13 de abril de 1742, para um público muito receptivo de 700 pessoas.

De acordo com uma tradição bastante disseminada, a prática de se colocar em pé durante o coro de “Aleluias” começou em março de 1743 na apresentação de estreia em Londres. Conta-se que o rei George II ficou tão emocionado que se pôs de pé e então todos no auditório fizeram o mesmo. Alguns críticos questionam a história por falta de evidências históricas da época. Independentemente de sua origem, essa prática atravessou séculos e continua a ser seguida como símbolo de reverência ao Cristo exaltado.

As “Aleluias” destacam algumas expressões sublimes de louvor celestial mencionadas no Apocalipse de João. Por exemplo: “O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do Seu Cristo, e Ele reinará para todo o sempre” (Ap 11:15, NVI). “Aleluia! Pois reina o Senhor, nosso Deus, o Todo-Poderoso” (19:6). Com base nas visões de João do reino celestial, o coro da composição louva o Cristo entronizado como “Rei dos Reis e Senhor dos Senhores” (Ap 19:16). A obra-prima de Handel pode ser considerada uma prévia da música do Céu!

Todo o plano da salvação foi concebido e colocado em prática para vivermos na presença do próprio Deus, a fim de permitir ao salvo “desfrutar a luz e a glória do Céu, ouvir os anjos cantarem, e com eles cantarmos também” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 1, p. 124). Muito mais importante, porém, do que simplesmente saber sobre os louvores do Céu, devemos nos preparar para louvar a Deus no Céu! Afinal, “se perdermos o Céu, perderemos tudo” (Filhos e Filhas de Deus, p. 365).

Se perdermos o Céu, perderemos o propósito de nossa existência. Pela graça de Deus, você e eu precisamos estar lá!


Quinta-feira
12 de abril
 

Do Éden ao Éden

Nós, porém, segundo a Sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça. 2 Pedro 3:13

As imagens produzem memórias duradouras que o tempo não é capaz de apagar. Há um provérbio chinês que diz: “Ouvir algo cem vezes não é melhor do que vê-lo apenas uma.” Um ditado popular inglês acrescenta: “Uma imagem equivale a mil palavras.” Com base nesse princípio, ao longo dos anos, muitos artistas adventistas têm retratado diversos acontecimentos fundamentais do plano da salvação.

Uma das coleções mais interessantes e inspiradoras de tais representações artísticas é a galeria de arte “Do Éden ao Éden”, localizada no saguão principal da sede da Associação Geral. Dedicada em 12 de abril de 2015, a mostra conta com mais de 70 quadros de vários artistas. O saguão inferior traz diversas obras ligadas ao período do Antigo Testamento. O saguão superior e seus corredores abrangem a era do Novo Testamento. E o átrio termina com imagens dos remidos nas cortes celestiais. Entretanto, a exibição inteira chega ao clímax com o quadro original de Nathan Greene, “A bendita esperança”, uma pintura impressionante da segunda vinda de Cristo. Cada obra traz consigo uma mensagem visual significativa. Contudo, toda a sequência temática revela que estamos bem às portas da eternidade.

A exibição “Do Éden ao Éden” consiste em uma representação microcósmica do plano da salvação, do qual receberemos uma demonstração macrocósmica sem precedentes ao fim do milênio, quando a Nova Jerusalém e o trono de Deus estiverem na Terra (Ap 21:1-3). Ellen White descreve a cena: “Por sobre o trono se revela a cruz; e semelhante a uma vista panorâmica aparecem as cenas da tentação e queda de Adão, e os passos sucessivos no grande plano para redimir os homens. […] O terrível espetáculo aparece exatamente como foi. Satanás, seus anjos e súditos não têm poder para se desviarem do quadro que é a sua própria obra. Cada ator relembra a parte que desempenhou” (O Grande Conflito, p. 666, 667).

A história humana está chegando ao fim, e cada um de nós é um ator no palco da vida. Conforme Deus planejou, tudo está em seu lugar para nossa salvação. E agora o Céu e a Terra observam com cuidado nossa atuação (1Co 4:9; Hb 12:1, 2). Que você e eu perseveremos fielmente em nossa jornada ao Éden restaurado, sem permitir que nada nem ninguém nos distraia desse alvo!


Quarta-feira
11 de abril
 
Aparências enganosas
Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei; porque o Senhor não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração. 1 Samuel 16:7

Quer gostemos disso, quer não, somos julgados pela aparência: assim funciona a sociedade, a partir de estereótipos e prejulgamentos. No entanto, por mais que um bom visual possa impressionar, jamais devemos nos esquecer de que “as aparências enganam” e que “a primeira impressão pode enganar a muitos”.

Quando o Senhor enviou Samuel à casa de Jessé a fim de ungir um novo rei para Israel (1Sm 16:1-13), o profeta ficou muito impressionado com a aparência de Eliabe e chegou a dizer: “Certamente, está perante o Senhor o Seu ungido” (v. 6). Mas Deus advertiu Samuel: “Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei; porque o Senhor não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração.”

Até mesmo Uriah Smith (1832-1903), vastamente reconhecido como o precursor da interpretação profética dentro dos círculos adventistas do sétimo dia, falhou dessa mesma maneira. Quando os primeiros automóveis chegaram a Battle Creek, alguns cavalos assustados fugiram e acabaram ferindo uma mulher. Convencido de que o problema era a aparência dos veículos, Smith projetou uma cabeça de cavalo de madeira para colocar na frente dos automóveis. No dia 11 de abril de 1899, seu criativo “Desenho para corpo-veicular” foi patenteado por um período de sete anos. Mas sua invenção não funcionou conforme o esperado, pois os cavalos se assustavam não com a forma, mas com o barulho daquelas primeiras carruagens sem cavalos.

Julgamentos muito apressados podem nos impedir de enxergar a beleza interior das pessoas. Com frequência, por trás de um rosto considerado não atraente, encontra-se um coração amoroso e uma personalidade brilhante. Muito mais importante do que nosso aspecto externo é a estética de um caráter que se assemelhe à imagem e semelhança de nosso Criador e Redentor. No entanto, se pudéssemos ver todos os seres humanos com os olhos do próprio Cristo, enxergaríamos não necessariamente aquilo que já são, mas o que ainda podem se tornar quando transformados pela graça excelsa de Deus (Fp 3:12-16).


Terça-feira

10 de abril
 Importando-se com os pecadores
Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos; pois não vim chamar justos, e sim pecadores [ao arrependimento]. Mateus 9:13

tendência humana é se importar mais com os prósperos e dar os melhores presentes aos mais ricos. Algumas pessoas, porém, vão contra essa tendência e se comprometem a servir as classes sociais desfavorecidas a discriminadas. Um deles foi William Booth (1829-1912), o fundador e primeiro general do Exército de Salvação.

William Booth nasceu no dia 10 de abril de 1829, em Nottingham, Reino Unido. Em 1844, teve uma experiência de conversão e, dois anos depois, tornou-se um pregador que promovia o reavivamento. Em 1865, Booth e a esposa, Catherine, fundaram a Sociedade do Reavivamento Cristão, que mais tarde se transformou no Exército de Salvação, a fim de alcançar os mais pobres e necessitados, inclusive alcoólatras, criminosos e prostitutas. Durante os primeiros anos, o Exército de Salvação enfrentou forte oposição da indústria do álcool, que não queria ver as classes mais baixas parando de beber. Catherine contou que Booth chegava “trôpego de fadiga em casa à noite, com as roupas muitas vezes rasgadas e curativos ensanguentados em volta da cabeça, onde uma pedra o havia atingido”.

Mas Booth não desistia! Ele chegou a declarar: “Enquanto houver mulheres chorando, como há agora, eu lutarei. Enquanto houver criancinhas passando fome, como há agora, eu lutarei. Enquanto homens continuarem a entrar na cadeia e de lá sair, como agora, eu lutarei. Enquanto restar um bêbado, uma moça perdida nas ruas, uma alma escura sem a luz de Deus, eu lutarei, lutarei até o fim!” Booth também recebe o crédito por ter dito: “O principal perigo que confronta o século vindouro é a religião sem o Espírito Santo, o cristianismo sem Cristo, o perdão sem arrependimento, a salvação sem regeneração, a política sem Deus e o céu sem inferno.”

Embora apreciasse o trabalho do Exército de Salvação, Ellen White também enfatizou que Deus levantou os adventistas do sétimo dia para restaurar as verdades bíblicas no contexto do tempo do fim. Isso significa que essa missão solene não pode ser substituída por um tipo de evangelho apenas social (Ministério Para as Cidades, p. 112-114). Enquanto cuidamos das necessidades físicas e sociais das pessoas, também devemos conduzi-las “a toda a verdade” (Mt 4:24; 28:20; Jo 16:13).


Segunda-feira
09 de abril
 

Falando em línguas

Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem. Atos 2:4

Muitos cristãos atuais argumentam que quem recebeu o batismo do Espírito Santo deve falar em línguas, assim como nos tempos apostólicos (At 2:1-13; 10:44-48; 19:1-7). Mas que tipo de línguas alguns dos cristãos primitivos falavam? Eles falavam línguas em êxtase ou idiomas humanos?

Línguas proferidas em estado de êxtase já estavam presentes em algumas religiões pagãs antigas e, mais tarde, até mesmo em alguns círculos cristãos restritos. Uma nova ênfase nessas línguas surgiu com o célebre reavivamento da rua Azusa em Los Angeles, Califórnia. No dia 9 de abril de 1906, William J. Seymour estava realizando reuniões carismáticas de oração em alguns lares, quando Edward Lee e vários outros que estavam presentes passaram por esse fenômeno. Dali, o movimento moderno de línguas se espalhou pelo mundo. Será que essas línguas têm a mesma natureza das que alguns dos cristãos primitivos falaram?

O apóstolo Paulo declarou que o verdadeiro dom de línguas foi concedido pelo Espírito Santo com propósito evangelístico, não a fim de obter uma posição especial dentro de uma comunidade monolíngue (1Co 14:9, 18, 19, 22, 27, 28). No dia de Pentecostes, os discípulos falaram em línguas humanas conhecidas, para que cada estrangeiro pudesse escutar o evangelho no próprio idioma (At 2:4-13). No caso de Cornélio, o dom de línguas foi um sinal de confirmação de que o evangelho também deveria ser pregado aos gentios (At 10:44-48). Em Corinto, o dom ajudou a espalhar a mensagem, uma vez que havia muitos residentes estrangeiros e viajantes de outras terras naquele importante centro comercial (At 19:1-7).

Não há dúvida de que o verdadeiro dom de línguas pode ser concedido hoje, como já ocorreu em alguns contextos missionários sem nenhum tradutor disponível. Mas a presença do Espírito Santo na vida se torna evidente não só por intermédio dos dons espirituais, que podem ser falsificados por Satanás (Êx 7:8-13, 20-22; 8:6, 7), mas pela produção do fruto do Espírito (Gl 5:22, 23). De acordo com Ellen White, “a todos os que aceitam a Cristo como Salvador pessoal, o Espírito Santo vem como consolador, santificador, guia e testemunha” (Atos dos Apóstolos, p. 49).

Não importa quais sejam suas habilidades e dons, você pode ser cheio do Espírito Santo e produzir frutos!


Domingo
08 de abril
 

Preconceito religioso

Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos; levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo. 2 Coríntios 4:8-10

Preconceito” é uma palavra fácil de pronunciar, mas difícil de suportar na vida diária. Pode significar simplesmente ser deixado de fora ou não ser bem-vindo, deixando evidente que sua ausência é mais desejada que sua presença. Em casos extremos, é possível sentir que a morte de uma pessoa é mais desejada do que sua vida. Qualquer que seja o caso, a discriminação sempre destrói a essência da dignidade humana.

A Sociedade Internacional de Direitos Humanos é uma entidade secular, fundada originalmente no dia 8 de abril de 1972, em Frankfurt, com o nome de Sociedade de Direitos Humanos. Dez anos depois (1982), alcançou seu status internacional e agora concentra boa parte de sua atuação na liberdade religiosa e de imprensa. Em 2009, a instituição estimou que cerca de 80% de todos os atos de preconceito religioso no mundo são contra os cristãos. Uma estimativa bem conservadora indica que 20 cristãos morrem todos os dias por causa de sua fé.

Massimo Introvigne, diretor do Centro de Estudos sobre Novas Religiões, destacou que, enquanto no século 20, os regimes comunistas ateus foram os maiores perseguidores dos cristãos, o ultrafundamentalismo islâmico assumiu seu lugar no século 21. Um cristão iraquiano anônimo revelou: “Os ataques aos cristãos continuam, e o mundo permanece em silêncio absoluto. É como se fôssemos engolidos pela noite.” John L. Allen Jr., autor de The Global War on Christians (A Guerra Global contra os Cristãos), define a perseguição global aos que frequentam igrejas como “a catástrofe não noticiada da nossa era”.

Após ler relatos assim, nossa tendência é odiar e discriminar os discriminadores e perseguidores. No entanto, preconceito não é capaz de vencer preconceito. Apenas o amor é capaz de vencê-lo. Ainda assim, devemos orar por aqueles que sofrem por sua fé ao redor do mundo e fazer nosso melhor para acabar com a discriminação em todas as suas formas, começando por nós mesmos.

Ame a todos e não pense menos de outras pessoas simplesmente porque não professam a mesma fé que você.


Sábado
07 de abril 2018
 

Investimento que vale a pena

Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus. 1 Coríntios 10:31

Para muitos, a saúde é uma poupança na qual se investe somente depois de não ser tão rentável como antes. Mesmo assim, ficamos na expectativa de extrair o máximo dela. Conforme afirmou muito bem A. J. Reb Materi: “Há pessoas demais gastando a saúde para obter riquezas, mas depois precisam gastar as riquezas para readquirir sua saúde.”

A Organização Mundial da Saúde (OMS) foi fundada no dia 7 de abril de 1948, sediada em Genebra, Suíça. O Dia Mundial da Saúde é comemorado todos os anos em 7 de abril, marcando a fundação da OMS e chamando atenção para importantes questões de saúde que o mundo enfrenta em escala global. Mas o que é saúde e como podemos promovê-la? De acordo com a OMS, “saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, não apenas a mera ausência de doenças ou enfermidades”.

Em A Ciência do Bom Viver, Ellen White explica: “Bem pouca é a atenção dada em geral à conservação da saúde. É incomparavelmente melhor evitar a doença do que saber tratá-la uma vez contraída. É o dever de toda pessoa, por amor de si mesma, e por amor da humanidade, instruir-se quanto às leis da vida, e a elas prestar conscienciosa obediência. Todos precisam familiarizar-se com esse organismo, o mais maravilhoso de todos, que é o corpo humano. Devem compreender as funções dos vários órgãos, e a dependência de uns para com os outros quanto ao bom funcionamento de todos. Cumpre-lhes estudar a influência da mente sobre o corpo, e do corpo sobre a mente, e as leis pelas quais são eles regidos” (p. 128).

De acordo com a autora, “ar puro, luz solar, abstinência, repouso, exercício, regime conveniente, uso de água e confiança no poder divino  eis os verdadeiros remédios. Toda pessoa deve possuir conhecimentos dos meios terapêuticos naturais, e da maneira de aplicá-los. […] Aqueles que perseveram na obediência a suas leis serão recompensados com saúde de corpo e de alma” (p. 127). Esses princípios têm sido a base de programas de saúde da Igreja Adventista em todo o mundo.

Já tendo o conhecimento de boa parte daquilo que foi mencionado, que tal você melhorar seu estilo de vida, levando a sério, em reflexão equilibrada, cada um desses princípios básicos?


Sexta-feira
06 de abril

Uma coroa imperecível

Todos os que competem nos jogos se submetem a um treinamento rigoroso, para obter uma coroa que logo perece; mas nós o fazemos para ganhar uma coroa que dura para sempre. 1 Coríntios 9:25, NVI

Em junho de 1998, visitei as cidades gregas de Atenas, Corinto e Olímpia. Perto da última cidade, conheci o complexo onde se realizavam os jogos olímpicos da Antiguidade, inclusive as ruínas do templo do Zeus de Olímpia e o velho Estádio. A primeira Olimpíada de que se tem registro ocorreu em 776 a.C., e os jogos aconteciam a cada quatro anos, durante uma festa religiosa em honra a Zeus, o maior de todos os deuses gregos. Os jogos olímpicos se tornaram a competição atlética mais importante do mundo antigo, mas foram realizados pela última vez em 393 d.C. Depois disso, os jogos foram proibidos pelo imperador Teodósio.

Quinze séculos depois, em 6 de abril de 1896, aconteceu a abertura dos primeiros jogos olímpicos modernos em Atenas. Desde então, eles voltaram a ser realizados a cada quatro anos, mas em uma cidade diferente a cada edição. Onze mulheres, representando as virgens vestais, vão até o local das Olimpíadas antigas e acendem a tocha olímpica com a luz do Sol concentrada por meio de um espelho parabólico. De Olímpia, a tocha é levada primeiro para o Estádio Panatenaico em Atenas e, de lá, para o local em que ocorrerão os jogos olímpicos.

Em 1 Coríntios 9:24 a 27, Paulo usou a imagem desses jogos antigos como analogia para a corrida cristã. Primeiramente, estimulou o cristão a ser um atleta vitorioso. Nos jogos olímpicos, “de todos os que correm no estádio, apenas um ganha o prêmio”. Na corrida cristã, porém, todos podem ser vitoriosos. Em segundo lugar, Paulo destacou que a recompensa cristã vale todos os esforços. Em Olímpia, o prêmio para o vencedor era uma guirlanda de oliveira selvagem e, em Corinto, havia uma coroa ainda mais perecível feita de aipo murcho. Mas o cristão vitorioso receberá “uma coroa que dura para sempre” (v. 25, NVI).

Em Hebreus 11:39 a 12:2, todos os que correram com fé, no passado, foram retratados de forma metafórica assistindo à nossa corrida e vibrando por nossa vitória. Entretanto, nós, cristãos, não devemos acender nossa tocha olímpica no santuário do Templo de Hera (esposa de Zeus), mas no altar da cruz do Calvário. E não esperamos receber apenas uma guirlanda perecível, mas a eterna “coroa da justiça” (2Tm 4:8).

Continue correndo rumo à vitória!


Quinta-feira
05 de abril
 

Graça valiosa

A minha graça te basta. 2 Coríntios 12:9

Muito se fala hoje sobre a “graça”. Mas o que ela realmente significa? Uma das melhores perspectivas a seu respeito foi elaborada pelo pastor, teológico e mártir luterano alemão Dietrich Bonhoeffer (1906-1945). Antagonista declarado do regime hitlerista, Bonhoeffer acreditava que “o silêncio diante do mal é o próprio mal”. E que “não falar é falar. Não agir é agir”. Bonhoeffer foi preso em 5 de abril de 1943, pela Gestapo, e executado por enforcamento no dia 9 de abril de 1945, apenas duas semanas antes da libertação do campo de concentração onde se encontrava. Ele viveu somente 39 anos, mas deixou para trás um valioso legado literário.

Em seu livro Discipulado, Bonhoeffer contrasta a graça barata com a graça valiosaEle explica: “A graça barata é inimiga mortal de nossa igreja. […] O que queremos dizer por graça barata é a graça que se resume à justificação do pecado, sem a justificação do pecador que se afasta do pecado e do qual o pecado se afasta. […] A graça barata é a pregação de perdão que não requer arrependimento, batismo sem disciplina eclesiástica, comunhão sem confissão, absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é graça sem discipulado, graça sem cruz, graça sem Jesus Cristo, vivo e encarnado”.

Em contrapartida, a graça valiosa “é valiosa porque nos chama a seguir e é graça porque nos chama a seguir Jesus CristoÉ valiosa porque custou a vida de um homem e é graça porque deu ao ser humano a única vida verdadeira. É valiosa porque condena o pecado e graça por justificar o pecador. Acima de tudo, é valiosa porque custou a Deus a vida de seu Filho: ‘fostes comprados por preço’ e aquilo que tanto custou para Deus não pode ser barato para nós. […] A graça é valiosa porque compele o ser humano a se submeter ao jugo de Cristo e segui-Lo; é graça porque Jesus diz: ‘O Meu jugo é suave e o Meu fardo é leve’”.

Além de ser valiosa, a graça salvadora de Deus também é ativa, libertando-nos da escravidão do pecado e nos dando a motivação correta para a obediência verdadeira. Conforme declarou Paulo, a salvação pela graça mediante a fé não é “de obras”, mas “para boas obras” (Ef 2:8-10, itálicos acrescentados). Cristo é a encarnação da graça divina. Logo, ter Cristo significa ter a graça maravilhosa de Deus conosco!


Quarta-feira
04 de abril
 

Cristo Redentor

É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós. Romanos 8:34

Todos os anos, turistas do mundo inteiro visitam o Rio de Janeiro, conhecido por sua bela paisagem, numerosos atrativos e vida social agitada. No topo do Corcovado se encontra a estátua do Cristo Redentor, de braços abertos, envolvendo a cidade. A pedra fundamental desse monumento de dimensões colossais foi lançada no dia 4 de abril de 1922. Nove anos depois, a icônica estátua foi concluída. Sua inauguração oficial ocorreu em 12 de outubro de 1931, simbolizando o Cristo que ama e abraça todo aquele que Dele se aproxima. Em 2007, a estátua passou a ser considerada em uma das sete maravilhas do mundo moderno.

Ao longo dos anos, o Cristo Redentor passou por processos periódicos de limpeza, conserto e renovação. Mesmo com um para-raios no alto da cabeça, a estátua não é completamente imune a raios e tempestades. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), uma média de seis raios atinge o Cristo todos os anos. Em 2008, um deles danificou parte da cabeça e dos dedos, que precisaram ser consertados.

Essa e muitas outras estátuas semelhantes de Cristo ao redor do mundo não passam de representações inertes de Jesus, que requerem cuidados periódicos. Em contrapartida, o Cristo real a quem servimos é “sem defeito e sem mácula” (1Pe 1:19) e “sem pecado” (Hb 4:15). Caso contrário, Ele não poderia ser nosso Salvador, mas precisaria de um salvador.

Ao passo que muitas dessas estátuas necessitam de cuidados, nosso Cristo vivo está sempre cuidando de nós e intercedendo por nós. “Conhece por experiência as fraquezas da humanidade, nossas necessidades e onde está a força de nossas tentações; pois foi tentado em todos os pontos, como nós, e, todavia, sem pecado. Está velando sobre ti, tremente filho de Deus. Estás tentado? Ele te livrará. Estás fraco? Ele te fortalecerá. És ignorante? Ele te esclarecerá. Estás ferido? Ele te há de curar” (O Desejado de Todas as Nações, p. 329).

Que Salvador maravilhoso nós temos!


Terça-feira
03 de abril 2018
 

Previsão do tempo

Dizia ele à multidão: Quando vocês veem uma nuvem se levantando no ocidente, logo dizem: “Vai chover”, e assim acontece. E quando sopra o vento sul, vocês dizem: “Vai fazer calor”, e assim ocorre. Hipócritas! Vocês sabem interpretar o aspecto da terra e do céu. Como não sabem interpretar o tempo presente? Lucas 12:54-56, NVI

Durante o ministério terreno de Jesus, as previsões do tempo e de temperatura eram baseadas, em grande medida, na observação das nuvens e dos ventos. Diversas técnicas meteorológicas novas tornaram as previsões globais do clima muito mais precisas e confiáveis. Por exemplo, em 3 de abril de 1995, um satélite em órbita terrestre baixa (MicroLab 1), carregando um receptor com GPS do tamanho de um laptop, foi lançado em órbita circular a cerca de 750 quilômetros de altitude. Dessa maneira, as camadas atmosféricas poderiam ser monitoradas sucessivamente por ondas de rádio, obtendo importantes dados de temperatura, pressão e vapor de água.

Em Lucas 12:54 a 56, Jesus culpou a multidão por predizer acertadamente o clima e a temperatura, mas, ao mesmo tempo, ignorar o significado do próprio “tempo presente”. Quando Cristo perguntou a Seus discípulos quem as pessoas diziam que Ele era, a resposta dos doze foi: “Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas” (Mt 16:14). Em outras palavras, as pessoas não conseguiam perceber que, com Jesus, a era messiânica havia chegado. Elas ignoravam a natureza de Seu reino (Jo 18:36).

De maneira semelhante, nossa geração possui sistemas meteorológicos sofisticados, mas não discerne os sinais de nosso tempo. Alguns escarnecedores dizem: “Onde está a promessa da Sua vinda? Porque, desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação” (2Pe 3:4). Entretanto, seria possível, mesmo em nossas fileiras, encontrar alguns adventistas “anfíbios pecilotérmicos”? Ou seja, por serem “pecilotérmicos” (de sangue frio), não têm uma percepção clara da temperatura; e por serem “anfíbios”, tentam aproveitar ao mesmo tempo a igreja e o mundo.

Estamos nos aproximando rapidamente da estação tempestuosa do fim dos tempos, e logo Cristo aparecerá nas nuvens do céu. Que o Senhor abra nossos olhos para os sinais dos tempos e para os dias solenes nos quais vivemos!


Segunda-feira
02 de abril 2018

Especulações que causam divisão

Não mais ensinem doutrinas falsas, e que deixem de dar atenção a mitos e genealogias intermináveis, que causam controvérsias em vez de promoverem a obra de Deus, que é pela fé. 1 Timóteo 1:3, 4, NVI

Deus nos confiou uma mensagem cristocêntrica especial a ser proclamada para um mundo pecador que se aproxima de sua destruição iminente. Enquanto isso, o diabo usa todos os meios possíveis para nos envolver em especulações periféricas, a fim de nos distrair do cerne da mensagem e do cumprimento de nossa missão evangelística. Dentre essas distrações se encontram as especulações sobre quem será o “último” papa.

Diversos indivíduos construíram cenários proféticos criativos em torno do papa João Paulo II, que permaneceu por 26 anos (1978-2005). Alguns sugeriram que ele acabaria abdicando, outro papa assumiria o Vaticano por um curto período e então João Paulo II reassumiria a função como o último papa. Mas essa especulação não se cumpriu conforme o esperado, pois João Paulo II continuou a ser papa até sua morte no dia 2 de abril de 2005. Em vez de reconhecer o erro, alguns desses indivíduos sugeriram novas especulações.

Esse é apenas um exemplo dentre muitas outras especulações sofisticadas que já foram sugeridas ao longo dos anos. Gerhard F. Hasel alertou: “Na esfera das profecias não cumpridas, sempre se corre o risco de o intérprete fazer especulações ou sutilmente transformar ele próprio em profeta.” A advertência de Jesus contra os falsos profetas (Mt 24:24) se refere primariamente a profetas autoinstituídos, ou seja, não enviados por Deus. Por extensão, pode se referir também àqueles que distorcem o significado das profecias bíblicas, impondo as próprias interpretações artificiais ou ignorando partes de seu conteúdo (Ap 22:18, 19).

Não espanta que Paulo tenha nos aconselhado a evitar “discussões” ou “controvérsias” que nos distraiam do avanço da obra de Deus (1Tm 1:4).

Em vez de desperdiçar nosso tempo com especulações que causam divisão, permaneçamos com a mensagem profética bem consolidada da Bíblia e com seu poder iluminador!


Domingo
01 de abril 2018
 

Festivais da mentira

Como o louco que lança fogo, flechas e morte, assim é o homem que engana a seu próximo e diz: Fiz isso por brincadeira. Provérbios 26:18, 19

Por que as pessoas mentem e propagam histórias falsas? Muitas vezes, é apenas uma questão de ignorância pessoal ou de compartilhar alguma informação sem confirmar antes se ela é confiável. Mas mentiras deliberadas e histórias falsas normalmente têm a intenção de enganar os outros e tirar vantagem deles, ou ainda de fazer graça da ingenuidade e credulidade das pessoas. Muitas culturas ao redor do mundo escolheram o dia 1o de abril como o “Dia da Mentira”, no qual histórias falsas são contadas e depois explicadas para divertir-se à custa de quem acreditar nelas.

Por incrível que pareça, a arte de mentir por diversão é estimulada até mesmo em competições. Por exemplo, em Cumbria, Inglaterra, há uma competição anual de mentiras chamada “O maior mentiroso do mundo”. Políticos e advogados não têm permissão para competir, porque “são considerados habilidosos demais na arte de falar balelas”. A pequena cidade de Nova Bréscia, no Rio Grande do Sul, é conhecida como a capital nacional das mentiras e realiza, a cada dois anos, o “Festival da Mentira”. As histórias devem ser originais e tão semelhantes à verdade quanto possível, para deixar a plateia em dúvida em relação à sua veracidade.

Mentiras amadoras e profissionais sempre focam na reação psicossocial do público. De uma perspectiva mais ampla, podemos dizer que, em geral, não há nada de errado em se divertir com algumas histórias e piadas moralmente aceitáveis e inofensivas. O problema começa quando elas se tornam uma forma de intimidar e menosprezar os outros. As coisas pioram ainda mais quando alguém assume a postura sarcástica expressada muito bem pelo termo alemão schadenfreude, que se refere ao sentimento de prazer, ou satisfação, derivado do infortúnio alheio.

A Bíblia usa palavras muito fortes para falar sobre a mentira. Para começar, Cristo caracterizou o Espírito Santo como “o Espírito da verdade” (Jo 16:13), e Satanás como “mentiroso e pai da mentira” (Jo 8:44). O rei Salomão condenou a mentira até mesmo quando a finalidade é brincar com os outros (Pv 26:18, 19).Quando Ananias e Safira mentiram para os apóstolos, o ato foi considerado uma mentira ao Espírito Santo, passível de morte (At 5:1-11). E somos informados de que todos os mentirosos ficarão de fora do Céu (Ap 21:27).

Lembre-se de que não importa o tipo, mentira é mentira e deve ser evitada.


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